Instalação Tororó, de Davi de Jesus
do Nascimento, transforma a Galeria Nascente em ambiente imersivo inspirado nas
profundezas do Rio São Francisco (Ícaro Moreno/Divulgação)
O Instituto Inhotim comemora 20 anos de abertura ao público
em 2026. As celebrações começaram oficialmente em abril de 2026 com a
inauguração de três projetos inéditos que exploram temas como memória,
território e arquitetura. Exposição "Dupla Cura" (Dalton Paula): Uma
mostra panorâmica que reúne obras icônicas e inéditas, focando em identidades
negras e processos de cuidado e educação; Obra "Contraplano" (Lais
Myrrha): Uma instalação comissionada que desafia a percepção da arquitetura e
da paisagem no horizonte do parque e a Instalação "Tororoma" (Davi de
Jesus do Nascimento): Obra permanente que traz o imaginário do sertão e das
águas para o museu.
O Inhotim está em Brumadinho a 60 Km de BH. Para quem
planeja visitar o museu durante o ano festivo, vale conferir as regras no site
oficial do Inhotim https://www.inhotim.org.br/visite
:Entrada Gratuita: Geralmente oferecida em toda quarta-feira e no último
domingo do mês.
Reconhecimento: O museu Inhotim é o único destino brasileiro
na lista de lugares para conhecer em 2026 do The New York
No local há diversas obras, logo na entrada, o visitante é
convidado a atravessar um portal marcado por carrancas, esculturas típicas da
região do Rio São Francisco, e mergulhar em um ambiente que remete às
profundezas do curso d´água. Luzes avermelhadas, texturas que lembram raízes e
barro, além de uma paisagem sonora contínua, criam a sensação de estar dentro
de um “sorvedouro”, ponto mais escuro, denso e misterioso das águas.
Nascido em Pirapora, no Norte de Minas, Davi constrói sua
produção a partir da relação com o Rio São Francisco. Filho de pescador e
descendente de uma família de lavadeiras e artesãos, ele transforma elementos
do cotidiano ribeirinho em linguagem artística. Em Tororó, essa conexão ganha
contornos íntimos: a instalação dialoga com a morte da mãe, afogada em 2013, e
com as imagens que o artista diz acessar em sonhos.
A obra reúne diferentes linguagens: vídeo, instalação e
objetos, organizadas de forma contínua, criando um ambiente imersivo. Entre os
elementos estão carrancas produzidas por Mestre Expedito, referência da
tradição popular, e registros visuais feitos nas Cavernas do Peruaçu, em Minas
Gerais.
A proposta, segundo a curadoria, é levar o público a
experimentar o rio não apenas como paisagem, mas como força simbólica e
espiritual. “Sorvedouro é esse lugar de profundeza do rio”, explicou durante a
visita.
A exposição também marca uma mudança na forma como o Inhotim
expande o acervo. Em vez de construir novos pavilhões, o museu tem apostado na
reocupação e transformação de espaços já existentes. A Galeria Nascente, que
anteriormente abrigava outro trabalho, foi completamente reformulada para
receber a instalação.
“É um trabalho que moveu muitas equipes e transformou
completamente esse espaço”, destacou a equipe curatorial, ao mencionar o
envolvimento de áreas como infraestrutura, paisagismo, marcenaria e produção.
Com isso, Tororó se consolida como uma das experiências mais
imersivas do novo ciclo do Inhotim. Mais do que apresentar uma obra, a
instalação propõe um mergulho, físico e emocional, nas águas do São Francisco e
na memória de quem vive às suas margens.
(Ícaro Moreno/Divulgação)
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