Belo horizonte ganhou
um novo marco urbano em homenagem a Milton Nascimento, o mural de 1,6 mil
metros quadrados ocupa a empena de um edifício na região central da
capital e retrata o artista em dois momentos marcantes de sua trajetória.
Localizada na
Avenida Álvares Cabral, entre as ruas Espírito Santo e Timbiras, o mural se
tornou atração para moradores e visitantes, que têm parado no local para
fotografar a homenagem.O painel já se
transformou em um novo atrativo da cidade.
Milton
Nascimento completou 84 anos, dia 26 de setembro, e recebeu essa homenagem.
"Virou
cartão-postal, virou ponto turístico “
A pintura
integra a 20ª edição do projeto Fábrica de Graffiti. Segundo a organização, esta
é a primeira vez que o projeto realiza uma empena em Belo Horizonte.
De acordo com
Paula Mesquista, representante da iniciativa, a escolha de Milton Nascimento
ocorreu pelo significado do artista para Minas Gerais e para a música
brasileira.
"Essa é
a vigésima edição da Fábrica de Graffiti, uma edição comemorativa. O projeto é
mineiro, apesar da atuação nacional. Qual a melhor forma de homenagear Minas
Gerais e o Brasil senão pelo maior artista mineiro, que é Milton
Nascimento?", disse.
A dimensão da
obra também impressiona quem acompanha o dia a dia da região. O dentista
Maurício Rocha observou a execução do mural da janela do consultório onde
trabalha e agora tem o painel como parte da paisagem.
"Essa
paisagem da janela ilustrando a música do Clube da Esquina é merecida. Milton
Nascimento realmente é um grande artista e merece toda essa homenagem",
afirmou.
Referências à trajetória de Bituca - O mural foi criado pelo artista plástico e muralista Kaká Chazz e apresenta Milton Nascimento em duas fases distintas da carreira. Segundo o historiador Bruno Vieiros, especialista em Clube da Esquina, a composição reúne símbolos importantes da história do artista.
Artista plástico e muralista Kaká ChazzDe um lado,
Milton aparece com o tradicional chapéu de maquinista, associado aos anos 1970.
No acessório está reproduzido um desenho feito pelo próprio cantor, utilizado
na capa do álbum Gerais, de 1976.
"O
primeiro momento é do artista colocando o pé na estrada, observando o mundo com
coragem, com desejo de conhecer e cantar os caminhos do mundo", explicou o
historiador.
Na outra
imagem, Milton surge em referência à despedida dos palcos, realizada em 2022,
vestindo um manto criado pelo estilista Ronaldo Fraga.
"É como
se fossem os dois lados da mesma viagem. Um olhar do músico começando a
carreira e outro quando ele olha para o passado e vê o caminho percorrido
durante mais de 60 anos de trajetória", afirmou Bruno.
Outro elemento
destacado na obra é a sanfona, instrumento que, segundo o historiador, foi um
presente dado ao cantor por sua mãe quando ele ainda era criança.
Inspiração
no cerrado e na cultura mineira - As
cores do mural foram inspiradas no cerrado, bioma presente em grande parte do
território mineiro. O artista Kaká Chazz também incorporou referências ao
barroco mineiro, especialmente às obras de Aleijadinho.
"O
cerrado é conhecido como um bioma dourado e eu trago muito essas tonalidades
para a obra. Os ornamentos também são referência ao barroco mineiro e às obras
de Aleijadinho", explicou.
Segundo o
muralista, aves do cerrado também fazem parte da composição visual, reforçando
a relação entre a obra de Milton Nascimento, a natureza e a cultura popular
mineira.
O painel virou
atração na capital mineira
Painel gigante
em homenagem a Milton Nascimento no Centro de BH
Maravilha. Mais merecido, impossível
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