Neste mês, a Santa Casa
BH completa três anos desde a realização de seu primeiro implante coclear.
Desde o início do serviço, em outubro de 2023, a instituição já realizou o
procedimento em 53 pacientes, entre crianças e adultos.
O implante coclear pode
ser uma alternativa para pessoas com perda auditiva grave que já não obtêm
benefício suficiente com aparelhos auditivos convencionais. Referência no
atendimento 100% SUS em saúde auditiva em Minas Gerais, a Santa Casa BH oferece
acompanhamento desde a avaliação médica e fonoaudiológica até a cirurgia,
ativação do dispositivo e reabilitação.
No Brasil,
aproximadamente 5,8 milhões de pessoas têm algum grau de surdez, segundo o
Ministério da Saúde. Dados do Censo 2022 do IBGE mostram ainda que cerca de 2,5
milhões de brasileiros têm muita dificuldade ou não conseguem ouvir, mesmo com
o uso de aparelho auditivo.
Quem pode receber o
implante coclear?
Diferentemente do
aparelho auditivo convencional, que amplifica os sons, o implante coclear
estimula diretamente o nervo auditivo. A indicação depende de avaliação
especializada e pode beneficiar principalmente pessoas com perda auditiva
neurossensorial severa ou profunda.
“O implante coclear não é
indicado apenas pelo resultado de um exame. Avaliamos o tipo e o grau da perda
auditiva, a compreensão da fala, o benefício obtido com o aparelho auditivo e o
histórico de cada paciente. A indicação é individualizada”, explica a chefe do
Serviço de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Santa Casa
BH, Dra. Mirian Cabral.
Implante devolve
autonomia a paciente de Itabira
Entre os pacientes
atendidos está Rosilene Oliveira, de 58 anos, moradora de Itabira. Ela começou
a perceber a perda auditiva por volta dos 40 anos e utilizou aparelhos nos dois
ouvidos durante cerca de oito anos. Com o avanço da perda, porém, os dispositivos
deixaram de ser suficientes.
A dificuldade passou a
interferir no trabalho, na convivência com a família e em atividades simples.
Rosilene já não conseguia falar ao telefone, acompanhava a televisão apenas por
legendas e, quando não conseguia fazer leitura labial, precisava pedir que as
pessoas escrevessem. Nos sete meses anteriores ao tratamento, conta que não
conseguia ouvir sequer uma palavra.
Encaminhada pela rede
pública de saúde, ela passou por avaliações na Santa Casa BH e recebeu o
implante coclear em 14 de agosto de 2026. “Foi maravilhoso. É até difícil
descrever. Voltei a ouvir a voz das minhas netinhas, músicas e os sons ao meu
redor. Mudou tudo”, conta.
Como ter acesso pelo SUS
O paciente deve procurar
uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e, após avaliação, pode ser encaminhado para
um serviço especializado em saúde auditiva. Quando há indicação para avaliação
de implante coclear, o encaminhamento para a Santa Casa BH ocorre dentro do
fluxo de regulação do SUS.
Tratamento não termina na
cirurgia
Após o procedimento, o
dispositivo é ativado e programado de acordo com a resposta de cada paciente,
que também segue em acompanhamento fonoaudiológico. “A ativação, as
programações e a reabilitação fazem parte do tratamento. O acompanhamento da
equipe, assim como o envolvimento do paciente e da família, é fundamental para
os resultados”, explica a fonoaudióloga da Santa Casa BH, Joana Pires.
Para ela, os três anos do
serviço representam a ampliação do acesso ao tratamento pelo SUS. “Hoje, temos
crianças e adultos implantados e acompanhados pela nossa equipe. Cada
procedimento representa uma possibilidade de melhorar a comunicação, a autonomia
e a qualidade de vida desses pacientes”, conclui.


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