

Intitulado “Lugar da vida cinéfila”, texto escrito pela
crítica francesa Claire Allouche destaca a acessibilidade econômica e
geográfica da sala, além da programação diversa
O Cine Humberto Mauro, uma das salas mais tradicionais de
Minas Gerais, é destaque na edição de março da prestigiada revista francesa
Cahiers du Cinéma, a mais importante publicação mundial dedicada à sétima arte.
A matéria, intitulada Lieux de vie cinéphiles (em tradução livre, “Lugar da
vida cinéfila”), é assinada pela crítica francesa Claire Allouche, e destaca o
espaço como um polo de referência local e nacional para a cinefilia.
Localizado no Palácio das Artes, no Centro de Belo
Horizonte, o Cine Humberto Mauro oferece sessões e atividades ao longo de todo
o ano, sempre com entrada gratuita. Tanto a acessibilidade econômica quanto o
fácil acesso geográfico da sala também foram lembrados pela revista francesa. A
matéria faz parte de uma nova seção da publicação, inaugurada em janeiro de
2026. O Cine Humberto Mauro é tema do terceiro artigo específico sobre um
modelo de cinefilia em uma sala de cinema no mundo.
Já em seu início, a matéria destaca o potencial regional e
nacional do espaço: “O eixo Rio-São Paulo não detém o monopólio da atividade
cinéfila no Brasil, como demonstra o cinema Humberto Mauro em Belo Horizonte,
capital de Minas Gerais e sexta maior cidade do país. Esse cinema público, com
sua programação permanente composta principalmente por mostras monográficas e
temáticas, tem sido um ponto de referência fundamental por quase cinquenta
anos, tanto em âmbito local quanto nacional”.
O texto também ressalta um dado importante: que o Cine
Humberto Mauro é o mais frequentado de Belo Horizonte: em 2024, a média de
público dos cinemas comerciais da capital mineira foi de 42.369 espectadores
por sala, enquanto nesse mesmo período o público do Cine Humberto Mauro foi de
46.753 pessoas; já em 2025, novamente o Cine Humberto Mauro ficou à frente, com
um público de 42.946 frente às 36.206 pessoas que ocuparam, em média, as salas
comerciais da cidade.
Fotos: Paulo Machado
Vitor Miranda, Gerente de Cinema da Fundação Clóvis Salgado,
programador do Cine Humberto Mauro e um dos entrevistados pela publicação,
comemora o reconhecimento. “O público mineiro e belo-horizontino já conhece e
valoriza muito o Cine Humberto Mauro, mas é importantíssimo termos esse espaço
em uma revista tão significativa para o cinema, que nasceu pelas mãos de
grandes críticos e cineastas – como André Bazin, François Truffaut e Jean-Luc
Godard – e segue sendo mundialmente célebre. Sermos elogiados pelas nossas
curadorias, pelo nosso impacto social e por medidas de democratização do acesso
como a gratuidade dos ingressos é uma evidência de que o trabalho é qualificado
e de que estamos no caminho certo nesses quase 50 anos de história”, reflete
Vitor.
A crítica e pesquisadora francesa Claire Allouche integra a
equipe da revista Cahiers du Cinéma desde junho de 2020, mas esteve pela
primeira vez no Cine Humberto Mauro ainda em 2015, em uma sessão do filme
“Amargo Pesadelo” (1972, John Boorman). Ela conta que a sala foi um dos
primeiros espaços culturais que ela visitou no Brasil, e que, embora tenha
passado alguns anos sem vir presencialmente ao cinema do Palácio das Artes,
continuou acompanhando atentamente à distância a programação, com muito interesse
e entusiasmo.
Até que, em 2024, Claire esteve novamente no Cine Humberto
Mauro, dessa vez comentando uma sessão de filmes francófonos. E agora, no
início de fevereiro, ao acompanhar presencialmente a inauguração do “Cineclube
Ibero-americano Permanente” e receber da revista o pedido de um texto sobre uma
sala de cinema no Brasil – com muitas histórias e ainda relevante –, a autora
não teve dúvidas e conta que “pensou no Cine Humberto Mauro na mesma hora”.
Claire é fluente em português, e sua relação com o Brasil e o cinema nacional
começou ainda aos 18 anos, quando assistiu pela primeira vez a “Terra em
transe” (1967), de Glauber Rocha. Durante o doutorado, a pesquisadora estudou o
processo de criação de ficção fora dos centros tradicionais de produção da
Argentina e do Brasil.
Sucesso de crítica e público – O Cine Humberto Mauro foi
inaugurado em 1978, e homenageia no nome um dos pioneiros do cinema brasileiro,
o mineiro Humberto Mauro (1897-1983), grande realizador cinematográfico. Com
129 lugares, possui equipamentos de som Dolby Digital e para exibição de filmes
em 3D e 4K. Nestes mais de 45 anos de existência, a Fundação Clóvis Salgado
(FCS), que gerencia a sala, tem investido na consolidação do espaço como um
local de formação de novos públicos a partir de programação diversificada, bem
como através da criação de mecanismos de estímulo à produção audiovisual, com a
realização do tradicional FestCurtasBH – Festival Internacional de Curtas de
Belo Horizonte, que já conta com quase 30 edições.
O Cine Humberto Mauro é, ainda, um importante difusor do
conhecimento ao promover cursos, seminários, debates e palestras. Sessões
permanentes e comentadas também têm espaço cativo a partir das mostras Cinema e
Psicanálise, Cineclube Acessível, Cineclube Ibero-americano Permanente, entre
outras. Em abril e maio de 2026, a sala seguirá sua proposta de formação de
repertório ao apresentar mostras dedicadas às filmografias dos franceses
François Truffaut (1932-1984) e Agnès Varda (1928-2019).
Com a missão de fomentar a
criação, a formação, a produção e a difusão da arte e da cultura em Minas
Gerais, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) é vinculada à Secretaria de Estado de
Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Artes visuais, cinema, dança,
música, ópera e teatro integram a ampla programação desenvolvida nos espaços
sob sua gestão, como o Palácio das Artes, a CâmeraSete – Casa da Fotografia de
Minas Gerais e a Serraria Souza Pinto. A Fundação também é responsável pela gestão
dos corpos artísticos — Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico de
Minas Gerais e Cia de Dança Palácio das Artes — além do Cine Humberto Mauro,
das Galerias de Arte e do Cefart. Em 2026, ao celebrar os 55 anos do Palácio
das Artes, a FCS amplia suas ações para todas as artes e todos os públicos,
reafirmando seu compromisso com a democratização cultural. Palácio das Artes –
55 anos: ontem, hoje, sempre. A arte é o espaço do encontro.