Há um Rio que está no cartão-postal. E há muitos outros que
existem para além dele: o Rio da arquitetura e da rua, da praia e do concreto,
da floresta e do asfalto, da arte, do fazer manual, da moda, da música e da
cultura popular. É a partir dessas diferentes camadas que nasce a Casa Rio,
nova plataforma criada por Didi Maakaroun e Vivi Baldeija para reunir, conectar
e dar visibilidade a artistas, designers, arquitetos, artesãos, fotógrafos,
estilistas e criadores que fazem do Rio um território permanente de frescor
criativo. Imagine mostras criativas que reúnem arte, design,
arquitetura, moda, artesanato e experiências para revelar novas linguagens do
Rio de Janeiro.
Mais do que um espaço para exposição de talentos, a Casa Rio nasce como uma
plataforma de curadoria, encontros e experiências, colocando em diálogo
diferentes linguagens e aproximando criadores, marcas, público e mercado. A
proposta é revelar uma produção que não está apenas reproduzindo tendências ou
estéticas, mas construindo uma linguagem própria, com identidade, repertório e
autoria.
“Estamos vivendo um momento em que referências, imagens e ideias circulam em
uma velocidade enorme. Nesse cenário, aquilo que tem origem, história e
assinatura ganha ainda mais valor. A Casa Rio nasce para olhar para quem cria a
partir desse lugar: quem pesquisa, experimenta, desenvolve e coloca sua própria
visão no que faz”, explica Didi Maakaroun, artista, cineasta, designer e
diretora de arte, que criou o projeto ao lado da sócia, Vivi Baldeija,
fundadora da Capivara do Vale e curadora dedicada à valorização do artesanato
brasileiro contemporâneo. Segundo ela, a Casa Rio também nasce do desejo de
aproximar pessoas e territórios. “Queremos criar conexões entre quem faz, quem
apresenta, quem descobre e quem se interessa por essas criações. É sobre dar
visibilidade, criar oportunidades e fazer circular uma produção que carrega
identidade e história”, completa.
O primeiro encontro: Casa Rio em Tiradentes
O lançamento da Casa Rio acontece durante a Semana
Criativa de Tiradentes, de 15 a 18 de outubro, em uma edição
especial que celebra dez anos dedicados ao design feito à mão, à cultura
brasileira e à economia criativa. A escolha do festival mineiro traduz a
própria vocação da Casa Rio: criar pontes entre diferentes territórios
criativos. Em Tiradentes, a ideia é levar um recorte da produção e do
imaginário carioca para uma cidade que também tem no fazer manual, na criação
autoral e na cultura brasileira parte essencial de sua identidade.
Para a estreia, a Casa Rio apresenta Da Orla ao Caos, uma experiência
que reúne imagem, música, sabor e hospitalidade para revelar diferentes lados
da cidade. Começa pela imagem, com um video mapping especial na área externa
do espaço Raízes, a antiga fábrica de tijolos durante a Semana Criativa de
Tiradentes. A intervenção high tech contrasta com a atmosfera da cidade e
transforma a arquitetura em uma narrativa visual inspirada nas diferentes
paisagens e identidades do Rio — do mar à montanha, da floresta à cidade, da memória
à cultura popular.
A música chega diretamente das pistas cariocas. Um Baile Charme ocupa o
entorno da Chaminé e a área da piscina, levando para Tiradentes uma das
manifestações mais marcantes da cultura negra, suburbana e urbana do Rio de
Janeiro. O encontro celebra a música, a dança e o baile como espaços de
expressão, pertencimento e criação de identidade.
Na sequência, a DJ Flora Camolese, atriz e produtora, apresenta um set
que atravessa brasilidades, black music, disco, funk, pop e house,
misturando épocas e referências para traduzir em música essa característica tão
carioca de cruzar repertórios e transformar encontros em linguagem própria.
A moda também faz parte dessa viagem pelo Rio. A Cantão, marca carioca
que há décadas constrói sua identidade a partir da cidade, da natureza, da
cultura brasileira e de uma maneira particular de vestir o cotidiano, participa
da estreia da Casa Rio como uma das marcas que ajudam a traduzir esse espírito
carioca nos figurinos da equipe que se apresenta no evento.
E o sabor carioca chega com a turma do Mate do Bigode, que leva para
Tiradentes outro elemento imediatamente reconhecível da paisagem do Rio: o mate
gelado servido na praia, acompanhado do tradicional biscoito Globo. A
circulação dos ambulantes e dos galões pela cidade cria uma experiência de
hospitalidade que aproxima dois territórios a partir de um dos hábitos mais
afetivos da cultura carioca. Juntos, arte, música, moda, sabor e imagem formam
a primeira experiência da Casa Rio, que não tem a pretensão de reproduzir o Rio
em Tiradentes, mas apresentar algumas das muitas formas de ser carioca.
Da Orla ao Caos - O nome da primeira experiência traduz a própria maneira como a Casa Rio enxerga a cidade. Caos, aqui, não é desordem. É mistura. Sobreposição. Contraste. Informação. É o encontro entre o sofisticado e o popular, entre o patrimônio e a invenção, entre a arquitetura e a rua, entre a tradição e as novas linguagens. É justamente dessa convivência de mundos que nasce boa parte da potência criativa do Rio. “Estar na Casa Rio significa fazer parte de uma curadoria, apresentar um trabalho e dizer que aquilo tem autor, história e pensamento. E esse lugar é o Rio, com todas as suas camadas”, afirma Didi.
Uma plataforma para o Rio criativo
A participação na Semana Criativa de Tiradentes é apenas o
primeiro capítulo de uma plataforma que pretende ampliar seus encontros ao
longo de 2027, aproximando criadores, marcas, público, imprensa,
arquitetos, designers, colecionadores e outros agentes da economia criativa. A
Casa Rio nasce para descobrir, mostrar, conectar, experimentar e criar
oportunidades para quem produz a partir do Rio — e para levar essa produção
a novos públicos e mercados. Porque o Rio não é uma coisa só. É feito de muitos
Rios. E é nesse encontro entre eles que a Casa Rio acontece.
A Casa Rio é uma plataforma criada por Didi Maakaroun e Vivi Baldeija dedicada à cultura, à criatividade e à produção autoral carioca. Por meio de curadoria, encontros, experiências e projetos especiais, aproxima artistas, designers, arquitetos, artesãos, fotógrafos, estilistas, marcas e outros criadores de novos públicos, parceiros e mercados.
Didi Maakaroun é artista, cineasta, designer e
diretora de arte. Com trajetória no audiovisual, na arte e na tecnologia,
trabalhou durante 15 anos na TV Globo, atuando em produção e direção de arte.
Hoje está à frente da Conceito MAADI, onde desenvolve projetos de direção de
arte, decoração, produção visual e curadoria, conectando identidade, memória,
estética e experiência.
Vivi Baldeija é fundadora da Capivara do Vale,
projeto dedicado à valorização e difusão do artesanato brasileiro
contemporâneo. Sua atuação como curadora conecta artistas, territórios e o
fazer manual brasileiro à arquitetura, à arte e ao design, valorizando a
memória, a cultura e os saberes presentes em cada criação.