O Palácio das Artes é um dos principais palcos da arte do Brasil inaugurado há 55 anos , com apresentações de artistas brasileiros e internacionais, vai passar pela maior reforma dos últimos quase 30 anos. As intervenções começam pelo Grande Teatro Cemig, principal espaço de espetáculos do complexo cultural, em uma obra que prevê a modernização da infraestrutura, melhorias de acessibilidade e segurança e a preservação das características arquitetônicas do espaço. Cerca de R$ 10 milhões serão direcionados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Plataforma Semente, para viabilizar essa etapa da revitalização.
Coral Lírico do Palácio das Artes
Maestro André Brant com uma parte da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais
A iniciativa reúne o Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG) e da Fundação Clóvis Salgado (FCS), instituição gestora do Palácio das Artes e proponente do projeto de restauro, e o Ministério Público de Minas Gerais, responsável pelo direcionamento dos recursos.
Grande Teatro será reformado
A assinatura do Termo de Compromisso entre as instituições foi oficializada dia 30 de setembro, no Espaço Oscar Niemeyer, foyer do Grande Teatro Cemig Palácio das Artes.
fotos:Paulo Lacerda e Joice Brito
A revitalização do Grande Teatro terá início após a conclusão do processo licitatório para escolha da empresa responsável pela execução das obras, previsto dentro do projeto apresentado pela FCS à Plataforma Semente. A previsão é de que os trabalhos durem entre cinco e sete meses.
A intervenção inclui a troca das cadeiras, o restauro do piso do palco e das plateias, a substituição dos carpetes e a renovação da infraestrutura elétrica. A primeira etapa integra um projeto mais amplo de restauração e requalificação de todo o complexo cultural.
Para o procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Paulo de Tarso Morais Filho, a destinação dos recursos demonstra como a atuação do Ministério Público pode gerar resultados concretos e duradouros para a sociedade.
“A preservação do patrimônio cultural é também uma forma de proteger a memória, a identidade e os direitos da sociedade. Ao direcionar recursos para a revitalização de um espaço da relevância do Palácio das Artes, o Ministério Público contribui para que valores recuperados a partir de sua atuação sejam transformados em benefícios concretos para os cidadãos. Essa parceria demonstra a força da cooperação entre instituições na defesa de um patrimônio que pertence a todos os mineiros e que deve ser preservado para as próximas gerações”, afirma o procurador-geral de Justiça.
A atuação integra uma política institucional mais ampla do MPMG para a proteção do patrimônio histórico e cultural de Minas Gerais, o programa Minas para Sempre. Nos últimos anos, cerca de R$ 70 milhões foram investidos em mais de 60 projetos distribuídos pelo estado, contemplando diferentes tipologias de patrimônio cultural e contribuindo para a preservação de patrimônios de relevância histórica, artística e social em diferentes regiões do estado.
Segundo o promotor de Justiça Marcelo Maffra, coordenador estadual das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural (CPPC) do MPMG, a intervenção no Palácio das Artes reforça a estratégia do Ministério Público de utilizar instrumentos de atuação institucional para promover a preservação de bens culturais de interesse coletivo.
“O Minas para Sempre consolidou uma atuação estruturada do Ministério Público na proteção do patrimônio cultural mineiro, permitindo transformar recursos decorrentes da atuação institucional em ações concretas de preservação. Já alcançamos dezenas de bens e municípios, de diferentes regiões e características, e a revitalização do Palácio das Artes se soma a esse esforço de proteger espaços fundamentais para a memória, a identidade e a vida cultural de Minas Gerais. Preservar o patrimônio é preservar referências que pertencem à sociedade e garantir que elas possam continuar vivas e acessíveis às futuras gerações”, destaca Maffra.
“Esta obra é um grande presente aos 55 anos do Palácio das Artes e só se torna possível pela parceria extraordinária que construímos com o Ministério Público de Minas Gerais. É uma união de instituições em torno daquilo que pertence a todos. O Palácio das Artes está no imaginário afetivo de Belo Horizonte, de Minas Gerais e do Brasil. Gerações passaram por esta casa, aqui encontraram a música, o teatro, a dança, o cinema, as artes visuais; aqui artistas construíram parte fundamental da história cultural brasileira. Por isso, restaurá-lo é muito mais do que realizar uma obra física: é cuidar de uma memória viva e, ao mesmo tempo, preparar esta casa para as próximas gerações. Nosso reconhecimento ao Ministério Público por compreender a dimensão desse patrimônio e por caminhar conosco na sua preservação”, afirma o secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira.
A concretização dessa parceria também contou com a articulação institucional da Secretaria-Geral do Estado. “Uma entrega de tamanha importância só acontece quando as instituições conseguem trabalhar juntas, cada uma cumprindo o seu papel e olhando para o mesmo objetivo. A Secretaria-Geral atuou nessa ponte, aproximando o Governo de Minas e o Ministério Público e construindo, com as áreas envolvidas, o caminho para que esses recursos chegassem a um projeto tão importante. São quase R$ 10 milhões que deixam de ser apenas uma possibilidade e se transformam em investimento concreto no patrimônio e na cultura de Minas. O resultado mostra a força da articulação institucional quando ela é feita com propósito, diálogo e responsabilidade”, acrescenta o secretário-Geral do Estado de Minas Gerais, Luiz Otávio Gonçalves.
O presidente da Fundação Clóvis Salgado, Yuri Mello Mesquita, considera o início da reforma um dos principais legados das comemorações dos 55 anos da instituição, celebrados em 2026.
“Este ano tem sido marcado por um investimento da FCS em seu acervo, com projetos de criação de uma reserva técnica para suas obras de artes visuais, publicações diversas e mostras e concertos que rememoram e celebram a história do complexo cultural. O maior legado dessa efeméride, porém, talvez seja esse anúncio do início da restauração do complexo do Palácio das Artes. Vamos iniciar pelo Grande Teatro, garantindo um espaço moderno, confortável e acessível. Essa grande obra é um sonho que se torna realidade e vai garantir anos e anos de sucesso para um dos maiores patrimônios dos mineiros e mineiras”, ressalta.
Intervenção preserva características do Grande Teatro - A primeira fase da reforma prevê a modernização, requalificação e adequação dos espaços físicos, estruturais e funcionais do Grande Teatro, com foco na melhoria da infraestrutura, acessibilidade e segurança.
O projeto de restauro, que contempla todo o complexo cultural, foi aprovado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) e pela Diretoria de Patrimônio Cultural da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte (FMC). O Palácio das Artes é tombado pelo Iepha-MG, como parte do Conjunto Paisagístico do Parque Municipal Américo Renné Giannetti, e pelo Município de Belo Horizonte.
As intervenções deverão preservar as características arquitetônicas e culturais do complexo, além de valorizar o patrimônio artístico e ampliar as condições de atendimento ao público e de realização de atividades culturais, educativas e institucionais.
A diretora da BELARQ Arquitetura e Urbanismo, Du Leal, responsável pelo projeto, explica que a intervenção no piso caracteriza o trabalho como restauro, e não apenas reforma.
“Como será feita também a reforma do piso, trata-se de um restauro. Tivemos que avaliar o estado e, a partir daí, pensar em como requalificar e preservar, voltando a cor natural, em um processo minucioso, realizado por profissionais da área”, explica.
“As cadeiras também foram feitas sob medida, e existe ainda uma preocupação enorme com a acústica, já que a música – popular e erudita – está sempre muito presente no Grande Teatro. São 18 mil metros quadrados construídos, cerca de 24 mil metros quadrados de área total. Trata-se, portanto, de um projeto complexo, exigente, que pede técnica, sensibilidade e respeito”, completa.
Parceria viabiliza recursos para a reforma - A reforma é resultado da cooperação entre o Governo de Minas, por meio da Secult-MG e da Fundação Clóvis Salgado, e o Ministério Público de Minas Gerais, que direciona cerca de R$ 10 milhões para a intervenção por meio da Plataforma Semente.
A Plataforma Semente é uma iniciativa do Ministério Público de Minas Gerais, em parceria com o Centro Mineiro de Alianças Intersetoriais (CeMais), voltada ao recebimento e ao acompanhamento de projetos de relevância socioambiental e à destinação de recursos provenientes de medidas compensatórias.
Entre as ações já realizadas por meio dessa aliança estão a preservação e o restauro do Palácio da Liberdade e a elaboração de projetos de restauração da CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais, ambos sob gestão da Fundação Clóvis Salgado. Também integram a iniciativa o restauro da Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, em Mariana, e da Igreja da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, em Paracatu, além do projeto “Praça Viva - Música, Arte e Sustentabilidade”, em Montes Claros, entre outras ações realizadas em diferentes municípios mineiros.
55 anos de história - Inaugurado em 14 de março de 1971, o Palácio das Artes completa 55 anos em 2026 como um espaço plural, onde convivem Artes Visuais, Música, Dança, Teatro, Ópera, Cinema e outras linguagens artísticas, com acesso democrático a diferentes públicos.
Sua história começou nos anos 1940, quando o então prefeito Juscelino Kubitschek destinou uma área do Parque Municipal para a construção da principal casa das artes de Minas Gerais. JK convidou Oscar Niemeyer, que elaborou o projeto inicial. As obras foram iniciadas e posteriormente paralisadas, sendo retomadas no fim dos anos 1960, com uma proposta adaptada pelo arquiteto Hélio Ferreira Pinto.
Ao longo de sua história, o Palácio das Artes consolidou-se como referência artístico-cultural de Minas Gerais. O complexo possui 18 mil metros quadrados de área construída e reúne espaços destinados a diferentes manifestações artísticas.
Um dos principais palcos do país - Com 1.707 lugares, o Grande Teatro Cemig Palácio das Artes é um dos maiores espaços de espetáculos do Brasil. O palco italiano tem 20 metros de profundidade e boca de cena de 18 metros de largura por sete metros de altura. O espaço conta ainda com fosso para orquestra, com capacidade para até 80 músicos, e elevadores que permitem diferentes configurações cênicas.
O Grande Teatro também carrega em sua história um dos episódios mais marcantes do Palácio das Artes. Em abril de 1997, um incêndio destruiu cadeiras, cortinas, teto e equipamentos de luz e som instalados na plateia.
Nos meses seguintes, artistas, população, empresas e a própria Fundação Clóvis Salgado se mobilizaram para arrecadar recursos e reconstruir o espaço. A obra foi concluída em julho de 1998. Desde então, há quase 30 anos, o Grande Teatro não passa por uma reforma de grande porte.
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