Neste início de outubro, eu e minha esposa, Luciana Bueno, pegamos o carro com destino ao Rio de Janeiro.
O objetivo principal era burocrático: resolver as questões de visto consular.
Mas viajar é a arte de romper com o cotidiano.
O Rio sempre foi generoso conosco.
Um cenário repleto de narrativas afetivas e ótimas recordações de outros tempos.
A Cidade Maravilhosa sempre encontra um jeito de nos surpreender.
Confesso que, na nossa lista de previsões desta estadia, constavam samba na Lapa, Confeitaria Colombo, biscoito Globo, chopp gelado no Belmonte, o calor primaveril e os cartões-postais de sempre.
Encontrar um elefante-marinho descansando calmamente na orla carioca definitivamente não estava nos nossos planos.
Pois bem, o imenso visitante que rapidamente ganhou o carisma do público e o apelido de Leôncio, em uma óbvia e bem-humorada referência ao clássico personagem do desenho animado Pica-Pau, resolveu fazer uma parada estratégica em plena areia fluminense.

Trata-se de um jovem macho com cerca de três toneladas e cinco metros de comprimento esticados sob o sol.
Nesta primavera de 2026, ele virou a maior atração entre banhistas, surfistas e curiosos.
Ao que tudo indica, o jovem Leôncio pegou uma corrente marítima mais fria vinda do sul enquanto viajava em direção à Península Valdés, na Argentina, tradicional santuário de reprodução da espécie nesta época do ano.
Ele não ficou encalhado, tampouco ferido e já retornou para as águas geladas de Copa para continuar sua viagem.
Estes gigantescos mamíferos marinhos precisam sair da água para repousar e regular a temperatura corporal.
Escolheu, vejam só, uma das praias mais famosa do Brasil para tirar o seu cochilo.
Olhando aquela montanha de vida selvagem contrastando com o calçadão de percebi que a nossa viagem mal começou e já fomos presenteados com uma crônica nova.
Sei que, no futuro, quando lembrarmos desta jornada rumo ao visto internacional, a burocracia será um mero detalhe apagado pelo tempo.
O que vai ficar na memória, e o que será difícil de fazer os amigos acreditarem, é que o Rio de Janeiro nos acolheu com o carisma de sempre e a ilustre, pesada e simpática companhia de um elefante-marinho.








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