domingo, 22 de março de 2026

Retrospectiva completa de François Truffaut com 23 filmes no Cine Humberto Mauro

 
                                                               


Um mês após ganhar destaque na tradicional revista francesa “Cahiers du Cinéma” (Cadernos do Cinema), o Cine Humberto Mauro apresenta uma mostra dedicada a um de seus antigos críticos, também um dos principais nomes da “Nouvelle Vague” (Nova Onda), um dos movimentos mais importantes da história do cinema: François Truffaut. Entre os dias 1º e 29 de abril, o espaço exibirá a filmografia completa do cineasta, com todas as sessões gratuitas. Metade dos ingressos será disponibilizada on-line, a partir do meio-dia do dia de cada sessão, no site da Sympla; o restante será distribuído presencialmente na bilheteria principal do Palácio das Artes e em totem no hall de entrada, uma hora antes das exibições.  

A mostra, que já percorreu São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia e Brasília, chega agora a Belo Horizonte em uma realização do Cine Humberto Mauro. Ao todo, a programação reúne 23 filmes — cinco deles em cópias restauradas em 4K — e inclui alguns dos títulos mais emblemáticos do cineasta, como “Os Incompreendidos” (1959), “A Noite Americana” (1973), “Jules e Jim – Uma Mulher para Dois” (1962) e “Fahrenheit 451” (1966). Buscando apresentar a obra de forma completa e acessível, a mostra disponibiliza ao público três exibições de cada filme ao longo de toda a sua duração.

       

A programação inclui sessões comentadas, entre elas uma edição do projeto “Cinema e Psicanálise”, dedicada ao filme “A Mulher do Lado” (1981), além de outros encontros voltados a obras de diretores que dialogam com o cineasta, como “A Regra do Jogo” (1939), de Jean Renoir (1874-1979), “Desejos Proibidos” (1953), de Max Ophüls (1902-1957), e “Um Corpo que Cai” (1958), de Alfred Hitchcock (1899-1980), exibidos com comentários de convidados especialistas. A presença desses títulos também evidencia o percurso crítico de Truffaut, que, antes de se consolidar como diretor, dedicou parte significativa de sua escrita à reflexão e à defesa de alguns dos nomes mais importantes da história do cinema.

A mostra “Truffaut por completo” é realizada pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e Fundação Clóvis Salgado. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH do Instituto Anglogold, Patrocínio Plus da Vivo, Patrocínio da ArcelorMittal e correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. O Palácio das Artes integra o Circuito Liberdade, que reúne mais de 60 equipamentos com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. A ação é viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Vale-Cultura. Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro.

O olhar de um incompreendido - Nascido em Paris, François Truffaut teve uma infância e adolescência marcadas por instabilidade familiar e rebeldia . Ainda jovem, encontrou no cinema um refúgio e uma paixão duradoura, aproximando-se dos círculos de cineclubismo e da crítica cinematográfica. Foi nesse contexto que conheceu André Bazin, figura decisiva em sua trajetória, que não apenas o acolheu intelectualmente, mas também interveio em sua vida pessoal, ajudando-o a sair de um centro de detenção e orientando sua formação cultural. Foi também Bazin quem abriu caminho para que começasse a escrever sobre cinema, especialmente na revista Cahiers du Cinéma.

François Truffaut destacou-se como um crítico perspicaz na Cahiers du Cinéma, onde defendeu a ideia de um cinema guiado pela visão pessoal do diretor — princípio que mais tarde daria origem à chamada “política dos autores”, uma das bases teóricas da Nouvelle Vague. Poucos anos depois, ao lado de nomes como Jean-Luc Godard (1930-2022) e Éric Rohmer (1920-2010), levaria essas ideias para a prática, contribuindo para a consolidação de um movimento que rompeu com as convenções narrativas e estéticas do cinema tradicional. Marcada pela experimentação formal e por um olhar mais íntimo sobre os personagens, a Nouvelle Vague transformou a linguagem cinematográfica e ampliou as possibilidades criativas do cinema mundial.

Fiel à concepção de um cinema autoral, François Truffaut construiu uma trajetória reconhecida internacionalmente, entre vários prêmios conquistou inclusive o Oscar de Melhor Filme Internacional por “A Noite Americana” (1973). Sua filmografia dialoga com o cinema clássico e, ao mesmo tempo, incorpora elementos de produção mais simples, característicos da Nouvelle Vague, além de apresentar traços autobiográficos em obras como, "Os Incompreendidos” (1959). Segundo Vitor Miranda, gerente-programador do Cine Humberto Mauro, destaca-se “a delicadeza com que filma a vida: seus afetos, dúvidas e imperfeições. Seu cinema nos convida a olhar para os personagens com empatia e a reconhecer, neles, algo de nós mesmos”.


Um dos mais tradicionais cinemas de Belo Horizonte, foi inaugurado em 1978. Seu nome homenageia um dos pioneiros do cinema brasileiro, o mineiro Humberto Mauro (1897-1983), grande realizador cinematográfico. Com 129 lugares, possui equipamentos de som Dolby Digital e para exibição de filmes em 3D e 4K.



Nestes mais de 45 anos de existência, a Fundação Clóvis Salgado tem investido na consolidação do espaço como um local de formação de novos públicos a partir de programação diversificada, bem como através da criação de mecanismos de estímulo à produção audiovisual, com a realização do tradicional FestCurtasBH – Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte, e o Prêmio Estímulo ao Curta-Metragem de Baixo Orçamento. O Cine Humberto Mauro também é um importante difusor do conhecimento ao promover cursos, seminários, debates e palestras. Sessões permanentes e comentadas também têm espaço cativo a partir das mostras História Permanente do Cinema, Cinema e Psicanálise, Curta no Almoço, entre outros. Todas as atividades do Cine Humberto Mauro são gratuitas.



Com a missão de fomentar a criação, a formação, a produção e a difusão da arte e da cultura em Minas Gerais, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Artes visuais, cinema, dança, música, ópera e teatro integram a ampla programação desenvolvida nos espaços sob sua gestão, como o Palácio das Artes, a CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais e a Serraria Souza Pinto. A Fundação também é responsável pela gestão dos corpos artísticos — Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico de Minas Gerais e Cia de Dança Palácio das Artes — além do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Arte e do Cefart. Em 2026, ao celebrar os 55 anos do Palácio das Artes, a FCS amplia suas ações para todas as artes e todos os públicos, reafirmando seu compromisso com a democratização cultural. Palácio das Artes – 55 anos: ontem, hoje, sempre. A arte é o espaço do encontro.

Data: De 1º a 29 abril

Horário: Variáveis

Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes

(Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)

Classificação indicativa: Variáveis

Entrada gratuita; 50% dos ingressos estarão disponíveis, de forma on-line, a partir de

meio-dia do dia das sessões, no site da Sympla; o restante dos ingressos será

distribuído presencialmente na bilheteria principal do Palácio das Artes e no totem, localizados no hall de entrada, 1 hora antes de cada exibição.

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