Die Bettwurst
Em novembro, o Cine Humberto Mauro apresenta, pela primeira vez em Belo Horizonte, uma retrospectiva do diretor de cinema, autor e ativista alemão Rosa von Praunheim. Considerado um pioneiro do movimento LGBTQIAPN+ na Alemanha Ocidental e uma das vozes marcantes do cinema queer, o cineasta realizou mais de 150 filmes, abordando temas autobiográficos e questões políticas e sociais, combinando experimentação estética, humor satírico e uma postura crítica diante das convenções. Para a mostra, o Goethe-Institut Brasil licenciou sete filmes do cineasta em cópias restauradas, que serão exibidos de 11 a 15 de novembro de 2026. A programação reúne uma sessão comentada e outras mediadas, propondo um percurso por diferentes momentos da produção do autor e por temas centrais de sua obra. O evento é realizado em parceria com a Superintendência de Relacionamento Nacional e Internacional da Secretaria-Geral do Estado de Minas Gerais e apoio do Leitorado do DAAD na UFMG. Todas as sessões são gratuitas.
Nascido Holger Mischwitsky, em novembro de 1942, Rosa von
Praunheim é considerado uma das vozes marcantes do cinema queer. Sua carreira
como cineasta teve início nos anos 70, sendo o filme “Não é o homossexual que é
perverso, mas a situação em que ele vive” (1971) uma de suas produções mais
conhecidas. A narrativa acompanha a chegada do jovem Daniel a Berlim, onde
descobre a cultura da população gay local. A obra denuncia o preconceito contra os homossexuais, mas também diz sobre
a passividade adotada em relação a uma sociedade homofóbica que empurrava essas
identidades para uma situação clandestina e marginalizada.
Do cinema para as ruas — A programação tem início na
quarta-feira (11/11) com o filme “A Bettwurst” (1971), que conta a história de
Luzi e Dietmar, que têm seu romance atrapalhado por um grupo de criminosos. A
seguir, será exibido “Não é o homossexual que é perverso, mas a situação em que
ele vive”. A sessão será comentada pelo mestre em Comunicação e produtor
cultural Bruno Hilário. Na quinta-feira, serão exibidos os filmes “Sobrevivendo
em Nova York” (1989), em que três mulheres alemãs chegam à cidade no início dos
anos 1980 e tentam se estabelecer na metrópole ao mesmo tempo fascinante e
difícil; ”Cidade das almas perdidas” (1983), musical que retrata um grupo de
pessoas trans e travestis norte-americanas que vivem em Berlim no começo da
década de 1980; e “O Einstein do sexo” (1999), um retrato do sexólogo Magnus
Hirschfeld (1868–1935), pioneiro judeu e homossexual da pesquisa sobre
sexualidade e da luta pela emancipação política de pessoas LGBTQIAPN+.
Na sexta-feira, o público poderá conferir “A Bettwurst” e
“Minhas mães – Em busca de rastros em Riga” (2007), que narra a investigação de
Rosa von Praunheim sobre sua família biológica após descobrir que foi adotado
ainda criança em um orfanato da capital da Letônia. No sábado, serão exibidos
novamente as obras “O Einstein do sexo” e “Sobrevivendo em Nova York”. A
programação encerra no domingo (15/11), com “Amor bruto” (2015), narrativa
sobre a história real do atleta de alto rendimento Andreas Marquardt, que mais
tarde se tornou um cafetão violento e passou oito anos na prisão; e, por fim, o
público poderá assistir novamente a “Minhas mães – Em busca de rastros em
Riga”.
Essa seleção permite aproximar o público de uma produção que
não se voltava apenas a dizer sobre uma população marginalizada, mas instigava
a participação popular. Segundo Bruno Hilário, esse é um dos traços mais
notáveis do trabalho de Praunheim. “Talvez esse cineasta tenha uma das
características mais interessantes, que não é apenas buscar identificar os
inimigos da liberdade e da comunidade LGBTQIAPN+ naquela sociedade europeia
conservadora, mas também direcionar o seu pensamento e seu diálogo para a própria
comunidade LGBTQIAPN+. Em seu filme mais expressivo, ‘Não é o homossexual que é
perverso, mas a situação em que ele vive’, ele convoca os homossexuais a não se
conformarem com a situação do controle dos corpos e da liberdade, a mostrarem
suas caras e a pensarem como corpos políticos na sociedade”, afirma.
Iniciada nos anos 70, o cineasta tem sua produção
profundamente marcada por uma sociedade preconceituosa e LGBTfóbica. O seu
cinema assume, portanto, um caráter político e inconformista com a época. Para
Hilário, esses filmes dialogam com o cinema queer contemporâneo a partir de um
contexto de negação de direitos civis para a população LGBTQIAPN+. “A
importância de nos debruçarmos sobre ele talvez seja justamente para vermos que
nós estamos hoje diante de um novo conservadorismo no mundo e que, enquanto as
nossas liberdades não forem legais, políticas, sociais, amplas e abertas, nós
estaremos sempre em ameaça. A urgência dos seus filmes está nessa ótica. Eu
acho que o cinema contemporâneo talvez beba um pouco disso e talvez precise até
conclamar mais. Sair do nicho de mercado e dialogar com a sociedade como um
todo para que a gente possa ter enfim uma sociedade mais justa”, sustenta.
A mostra “Retrospectiva Rosa Von Praunheim” é realizada pelo
Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura
e Turismo de Minas Gerais e Fundação Clóvis Salgado. As atividades da Fundação
Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto
Cultural Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH e do
Instituto AngloGold, Patrocínio Plus da Vivo e correalização da APPA – Cultura
& Patrimônio. O Palácio das Artes integra o Circuito Liberdade, que reúne
mais de 60 equipamentos com variadas formas de manifestação de arte e cultura
em transversalidade com o turismo. A ação é viabilizada por meio da Lei Federal
de Incentivo à Cultura. Vale-Cultura. Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro.
PROGRAMAÇÃO
11/11 QUA
17h “A Bettwurst” (Die Bettwurst, Alemanha Ocidental, 1971)
| 14 anos | 1h21
19h “Não é o homossexual que é perverso, mas a situação em
que ele vive” (Nicht der Homosexuelle ist pervers, sondern die Situation, in
der er lebt, Alemanha Ocidental, 1971) | 18 anos | 1h07 | Sessão comentada por
Bruno Hilário
12/11 QUI
16h “Cidade das almas perdidas” (Stadt der verlorenen Seelen, Alemanha Ocidental, 1983)
| 18 anos | 1h31 | Sessão apresentada
18h “Sobrevivendo em Nova York” (Überleben in New York, Alemanha/Estados Unidos, 1989) | 16 anos | 1h30 | Sessão apresentada
20h “O Einstein do sexo” (Der Einstein des Sex, Alemanha/Países Baixos, 1999) | 14 anos | 1h40 | Sessão apresentada
13/11 SEX
15h “A Bettwurst” (Die Bettwurst, Alemanha Ocidental, 1971)
| 14 anos | 1h21
17h “Minhas mães – Em busca de rastros em Riga” (Meine
Mütter – Spurensuche in Riga, Alemanha, 2007) | 12 anos | 1h27
14/11 SÁB
16h30 “O Einstein do sexo” (Der Einstein des Sex,
Alemanha/Países Baixos, 1999) | 14 anos | 1h40
18h15 “Cidade das almas perdidas” (Stadt der verlorenen
Seelen, Alemanha Ocidental, 1983) | 18 anos | 1h31
15/11 DOM
18h “Amor bruto” (Härte, Alemanha, 2015) | 18 anos | 1h29 |
Sessão apresentada
20h “Minhas mães – Em busca de rastros em Riga” (Meine
Mütter – Spurensuche in Riga, Alemanha, 2007) | 12 anos | 1h27 | Sessão
apresentada
Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes
(Avenida Afonso Pena, 1537, Centro)
Classificações indicativas: Variáveis
Entrada gratuita; 50% dos ingressos estarão disponíveis, de forma on-line, a partir do meio-dia da data das sessões, na plataforma Sympla; o restante dos ingressos será distribuído presencialmente na bilheteria principal do Palácio das Artes e nos totens, a partir de 1 hora antes de cada exibição.
CINE HUMBERTO MAURO – Um dos mais tradicionais cinemas de
Belo Horizonte, foi inaugurado em 1978. Seu nome homenageia um dos pioneiros do
cinema brasileiro, o mineiro Humberto Mauro (1897-1983), grande realizador
cinematográfico. Com 129 lugares, possui equipamentos de som Dolby Digital e
para exibição de filmes em 3D e 4K. Nestes quase 50 anos de existência, a
Fundação Clóvis Salgado tem investido na consolidação do espaço como um local
de formação de novos públicos a partir de uma programação diversificada, bem
como por meio da criação de mecanismos de estímulo à produção audiovisual, com
a realização do tradicional FestCurtasBH – Festival Internacional de Curtas de
Belo Horizonte, e do Prêmio Estímulo ao Curta-Metragem de Baixo Orçamento. O
Cine Humberto Mauro também é um importante difusor do conhecimento ao promover
cursos, seminários, debates e palestras. Sessões permanentes e comentadas
também têm espaço cativo a partir das mostras Cinema e Psicanálise, Cineclube
Ibero-americano Permanente, entre outras. Todas as atividades do Cine Humberto
Mauro são gratuitas.
FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO – Com a missão de fomentar a
criação, a formação, a produção e a difusão da arte e da cultura em Minas
Gerais, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) é vinculada à Secretaria de Estado de
Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Artes visuais, cinema, dança,
música, ópera e teatro integram a ampla programação desenvolvida nos espaços
sob sua gestão, como o Palácio das Artes, a CâmeraSete – Casa da Fotografia de
Minas Gerais e a Serraria Souza Pinto. A Fundação também é responsável pela
gestão dos corpos artísticos — Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Coral
Lírico de Minas Gerais e Cia de Dança Palácio das Artes — além do Cine Humberto
Mauro, das Galerias de Arte e do Cefart. Em 2026, ao celebrar os 55 anos do
Palácio das Artes, a FCS amplia suas ações para todas as artes e todos os
públicos, reafirmando seu compromisso com a democratização cultural. Palácio
das Artes – 55 anos: ontem, hoje, sempre. A arte é o espaço do encontro.







Nenhum comentário:
Postar um comentário