sábado, 7 de novembro de 2026

Cine Humberto Mauro realiza mostra inédita em Belo Horizonte com filmes do cineasta e ativista alemão Rosa Von Praunheim

 

                            Die Bettwurst


Em novembro, o Cine Humberto Mauro apresenta, pela primeira vez em Belo Horizonte, uma retrospectiva do diretor de cinema, autor e ativista alemão Rosa von Praunheim. Considerado um pioneiro do movimento LGBTQIAPN+ na Alemanha Ocidental e uma das vozes marcantes do cinema queer, o cineasta realizou mais de 150 filmes, abordando temas autobiográficos e questões políticas e sociais, combinando experimentação estética, humor satírico e uma postura crítica diante das convenções. Para a mostra, o Goethe-Institut Brasil licenciou sete filmes do cineasta em cópias restauradas, que serão exibidos de 11 a 15 de novembro de 2026. A programação reúne uma sessão comentada e outras mediadas, propondo um percurso por diferentes momentos da produção do autor e por temas centrais de sua obra. O evento é realizado em parceria com a Superintendência de Relacionamento Nacional e Internacional da Secretaria-Geral do Estado de Minas Gerais e apoio do Leitorado do DAAD na UFMG. Todas as sessões são gratuitas.

Nascido Holger Mischwitsky, em novembro de 1942, Rosa von Praunheim é considerado uma das vozes marcantes do cinema queer. Sua carreira como cineasta teve início nos anos 70, sendo o filme “Não é o homossexual que é perverso, mas a situação em que ele vive” (1971) uma de suas produções mais conhecidas. A narrativa acompanha a chegada do jovem Daniel a Berlim, onde descobre a cultura da população gay local. A obra denuncia o preconceito  contra os homossexuais, mas também diz sobre a passividade adotada em relação a uma sociedade homofóbica que empurrava essas identidades para uma situação clandestina e marginalizada.

Do cinema para as ruas — A programação tem início na quarta-feira (11/11) com o filme “A Bettwurst” (1971), que conta a história de Luzi e Dietmar, que têm seu romance atrapalhado por um grupo de criminosos. A seguir, será exibido “Não é o homossexual que é perverso, mas a situação em que ele vive”. A sessão será comentada pelo mestre em Comunicação e produtor cultural Bruno Hilário. Na quinta-feira, serão exibidos os filmes “Sobrevivendo em Nova York” (1989), em que três mulheres alemãs chegam à cidade no início dos anos 1980 e tentam se estabelecer na metrópole ao mesmo tempo fascinante e difícil; ”Cidade das almas perdidas” (1983), musical que retrata um grupo de pessoas trans e travestis norte-americanas que vivem em Berlim no começo da década de 1980; e “O Einstein do sexo” (1999), um retrato do sexólogo Magnus Hirschfeld (1868–1935), pioneiro judeu e homossexual da pesquisa sobre sexualidade e da luta pela emancipação política de pessoas LGBTQIAPN+.

Na sexta-feira, o público poderá conferir “A Bettwurst” e “Minhas mães – Em busca de rastros em Riga” (2007), que narra a investigação de Rosa von Praunheim sobre sua família biológica após descobrir que foi adotado ainda criança em um orfanato da capital da Letônia. No sábado, serão exibidos novamente as obras “O Einstein do sexo” e “Sobrevivendo em Nova York”. A programação encerra no domingo (15/11), com “Amor bruto” (2015), narrativa sobre a história real do atleta de alto rendimento Andreas Marquardt, que mais tarde se tornou um cafetão violento e passou oito anos na prisão; e, por fim, o público poderá assistir novamente a “Minhas mães – Em busca de rastros em Riga”.

Essa seleção permite aproximar o público de uma produção que não se voltava apenas a dizer sobre uma população marginalizada, mas instigava a participação popular. Segundo Bruno Hilário, esse é um dos traços mais notáveis do trabalho de Praunheim. “Talvez esse cineasta tenha uma das características mais interessantes, que não é apenas buscar identificar os inimigos da liberdade e da comunidade LGBTQIAPN+ naquela sociedade europeia conservadora, mas também direcionar o seu pensamento e seu diálogo para a própria comunidade LGBTQIAPN+. Em seu filme mais expressivo, ‘Não é o homossexual que é perverso, mas a situação em que ele vive’, ele convoca os homossexuais a não se conformarem com a situação do controle dos corpos e da liberdade, a mostrarem suas caras e a pensarem como corpos políticos na sociedade”, afirma.

Iniciada nos anos 70, o cineasta tem sua produção profundamente marcada por uma sociedade preconceituosa e LGBTfóbica. O seu cinema assume, portanto, um caráter político e inconformista com a época. Para Hilário, esses filmes dialogam com o cinema queer contemporâneo a partir de um contexto de negação de direitos civis para a população LGBTQIAPN+. “A importância de nos debruçarmos sobre ele talvez seja justamente para vermos que nós estamos hoje diante de um novo conservadorismo no mundo e que, enquanto as nossas liberdades não forem legais, políticas, sociais, amplas e abertas, nós estaremos sempre em ameaça. A urgência dos seus filmes está nessa ótica. Eu acho que o cinema contemporâneo talvez beba um pouco disso e talvez precise até conclamar mais. Sair do nicho de mercado e dialogar com a sociedade como um todo para que a gente possa ter enfim uma sociedade mais justa”, sustenta.

A mostra “Retrospectiva Rosa Von Praunheim” é realizada pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e Fundação Clóvis Salgado. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH e do Instituto AngloGold, Patrocínio Plus da Vivo e correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. O Palácio das Artes integra o Circuito Liberdade, que reúne mais de 60 equipamentos com variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. A ação é viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Vale-Cultura. Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro.

PROGRAMAÇÃO

11/11 QUA

17h “A Bettwurst” (Die Bettwurst, Alemanha Ocidental, 1971) | 14 anos | 1h21

19h “Não é o homossexual que é perverso, mas a situação em que ele vive” (Nicht der Homosexuelle ist pervers, sondern die Situation, in der er lebt, Alemanha Ocidental, 1971) | 18 anos | 1h07 | Sessão comentada por Bruno Hilário

12/11 QUI


16h “Cidade das almas perdidas” (Stadt der verlorenen Seelen, Alemanha Ocidental, 1983)


| 18 anos | 1h31 | Sessão apresentada

18h “Sobrevivendo em Nova York” (Überleben in New York, Alemanha/Estados Unidos, 1989) | 16 anos | 1h30 | Sessão apresentada


20h “O Einstein do sexo” (Der Einstein des Sex, Alemanha/Países Baixos, 1999) | 14 anos | 1h40 | Sessão apresentada

13/11 SEX


15h “A Bettwurst” (Die Bettwurst, Alemanha Ocidental, 1971) | 14 anos | 1h21

17h “Minhas mães – Em busca de rastros em Riga” (Meine Mütter – Spurensuche in Riga, Alemanha, 2007) | 12 anos | 1h27

14/11 SÁB


16h30 “O Einstein do sexo” (Der Einstein des Sex, Alemanha/Países Baixos, 1999) | 14 anos | 1h40

18h15 “Cidade das almas perdidas” (Stadt der verlorenen Seelen, Alemanha Ocidental, 1983) | 18 anos | 1h31

15/11 DOM

18h “Amor bruto” (Härte, Alemanha, 2015) | 18 anos | 1h29 | Sessão apresentada

20h “Minhas mães – Em busca de rastros em Riga” (Meine Mütter – Spurensuche in Riga, Alemanha, 2007) | 12 anos | 1h27 | Sessão apresentada



 Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes

(Avenida Afonso Pena, 1537, Centro)

Classificações indicativas: Variáveis

 

Entrada gratuita; 50% dos ingressos estarão disponíveis, de forma on-line, a partir do meio-dia da data das sessões, na plataforma Sympla; o restante dos ingressos será distribuído presencialmente na bilheteria principal do Palácio das Artes e nos totens, a partir de 1 hora antes de cada exibição.

CINE HUMBERTO MAURO – Um dos mais tradicionais cinemas de Belo Horizonte, foi inaugurado em 1978. Seu nome homenageia um dos pioneiros do cinema brasileiro, o mineiro Humberto Mauro (1897-1983), grande realizador cinematográfico. Com 129 lugares, possui equipamentos de som Dolby Digital e para exibição de filmes em 3D e 4K. Nestes quase 50 anos de existência, a Fundação Clóvis Salgado tem investido na consolidação do espaço como um local de formação de novos públicos a partir de uma programação diversificada, bem como por meio da criação de mecanismos de estímulo à produção audiovisual, com a realização do tradicional FestCurtasBH – Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte, e do Prêmio Estímulo ao Curta-Metragem de Baixo Orçamento. O Cine Humberto Mauro também é um importante difusor do conhecimento ao promover cursos, seminários, debates e palestras. Sessões permanentes e comentadas também têm espaço cativo a partir das mostras Cinema e Psicanálise, Cineclube Ibero-americano Permanente, entre outras. Todas as atividades do Cine Humberto Mauro são gratuitas.

FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO – Com a missão de fomentar a criação, a formação, a produção e a difusão da arte e da cultura em Minas Gerais, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Artes visuais, cinema, dança, música, ópera e teatro integram a ampla programação desenvolvida nos espaços sob sua gestão, como o Palácio das Artes, a CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais e a Serraria Souza Pinto. A Fundação também é responsável pela gestão dos corpos artísticos — Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico de Minas Gerais e Cia de Dança Palácio das Artes — além do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Arte e do Cefart. Em 2026, ao celebrar os 55 anos do Palácio das Artes, a FCS amplia suas ações para todas as artes e todos os públicos, reafirmando seu compromisso com a democratização cultural. Palácio das Artes – 55 anos: ontem, hoje, sempre. A arte é o espaço do encontro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Festuris 2026 registra crescimento no número de compradores confirmados e amplia presença internacional

    O Festuris – Feira Internacional de Turismo de Gramado, um dos principais encontros de negócios turísticos da América Latina, registra u...