terça-feira, 13 de outubro de 2026

Tempestades podem derrubar a internet? Entenda como proteger a conexão no período chuvoso

 

 Ricardo Magalhães, diretor de Engenharia da Valenet - Foto Yury Oliveira


Com a chegada do período chuvoso em Minas Gerais, uma dúvida volta a aparecer entre os consumidores: por que a internet pode ficar instável quando chove forte? Nas conexões por fibra óptica, a chuva não interfere diretamente na transmissão dos dados. As interrupções podem ocorrer pelos efeitos associados aos temporais, como ventos fortes, quedas de árvores e postes, descargas atmosféricas e falta de energia.



A diferença está no funcionamento da tecnologia. A fibra transporta os dados por sinais luminosos dentro do cabo, sem depender da propagação de um sinal pelo ar. Isso não impede, porém, que uma árvore derrubada pelo vento rompa o cabeamento ou que uma falha elétrica afete os equipamentos necessários à conexão.

“A chuva intensa, na maioria das vezes, traz consigo outros eventos, como descargas atmosféricas ou ventos fortes, que podem derrubar galhos e árvores sobre cabos e postes. As descargas também podem provocar surtos elétricos e danificar equipamentos conectados à rede”, explica Ricardo Magalhães, diretor de Engenharia da Valenet.

Em Minas Gerais, a incidência de descargas atmosféricas ajuda a dimensionar a exposição da infraestrutura aos temporais. Segundo balanço da Cemig divulgado em maio de 2026, foram registradas mais de 2,47 milhões no período chuvoso de 2025/2026, ante cerca de 1,58 milhão no ciclo anterior.

Por que a conexão pode parar

Nem toda interrupção tem a mesma origem. Quando há rompimento de um cabo na rede externa, a conexão pode ser interrompida mesmo que a residência continue com energia. Nesse caso, reiniciar o roteador não resolve o dano: o restabelecimento depende do atendimento à infraestrutura atingida ou da disponibilidade de um caminho alternativo para os dados.

Já quando falta energia dentro de casa, os aparelhos de internet deixam de funcionar, mesmo que a fibra esteja intacta e a rede da operadora continue disponível. “Nas nossas casas, não costumamos ter sistemas de energia ininterrupta, como geradores. Por isso, quando uma descarga elétrica afeta a rede da concessionária e causa uma interrupção, os equipamentos de internet também deixam de funcionar”, afirma Ricardo.

Outra situação é o dano causado por surtos elétricos. Uma sobretensão pode comprometer o roteador ou outros aparelhos, impedindo que a conexão volte mesmo após a normalização do fornecimento de energia. Por isso, é importante distinguir uma interrupção temporária de um possível defeito no equipamento.

Como a prevenção ajuda

Para reduzir esses impactos, as redes de telecomunicações combinam proteção elétrica, manutenção preventiva e alternativas para manter os dados circulando. Baterias, geradores e rotas redundantes são alguns dos recursos que ajudam a preservar os serviços durante emergências climáticas.

Na Valenet, as medidas de prevenção incluem infraestrutura subterrânea em trechos considerados críticos, poda preventiva de galhos em situação de risco e manutenção de caminhos redundantes de fibra óptica. “A redundância é importante porque, quando uma rota é rompida, uma rota alternativa pode manter a conectividade. Isso reduz o impacto de uma ocorrência localizada sobre o serviço”, explica o especialista da Valenet.

Quando um dano exige intervenção no local, a segurança também precisa ser considerada. O Ministério das Comunicações orienta a população a não tocar em cabos, postes ou antenas danificados e a evitar intervenções em instalações elétricas durante a ocorrência de raios. Assim, a necessidade de aguardar condições seguras pode influenciar o tempo de restabelecimento de um serviço que dependa de reparo.

Cuidados dentro de casa

A proteção dos equipamentos deve começar antes do temporal. O mais recomendado é o uso de dispositivos de proteção contra surtos, conhecidos como DPS, para reduzir o risco de danos por sobretensões. A instalação desses recursos deve ser avaliada por profissional qualificado. A retirada preventiva de aparelhos da tomada também deve ser feita antes da chegada da tempestade, sem exposição a riscos.

Após o temporal, com condições seguras e o fornecimento de energia normalizado, o consumidor pode conferir se os equipamentos de internet estão ligados. Se a conexão não tiver voltado, Ricardo orienta a reinicialização do roteador.

“É importante deixar o roteador desconectado por pelo menos 10 segundos antes de ligá-lo novamente. Se, depois de aproximadamente cinco minutos, o sinal não voltar, o cliente deve procurar os canais oficiais da operadora para verificar se existe alguma ocorrência na rede”, afirma.

Em imóveis atingidos por alagamentos, instalações e aparelhos que tiveram contato com a água precisam de avaliação técnica antes de serem religados. Cabos soltos, postes danificados ou árvores caídas sobre a rede também devem ser comunicados aos responsáveis pelo atendimento, sem tentativa de intervenção pelo consumidor.

Instagram: @valenet_oficial

Site: www.valenet.com.br

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