Ricardo Magalhães, diretor de Engenharia da Valenet - Foto Yury Oliveira
Com a chegada do período
chuvoso em Minas Gerais, uma dúvida volta a aparecer entre os consumidores: por
que a internet pode ficar instável quando chove forte? Nas conexões por fibra
óptica, a chuva não interfere diretamente na transmissão dos dados. As interrupções
podem ocorrer pelos efeitos associados aos temporais, como ventos fortes,
quedas de árvores e postes, descargas atmosféricas e falta de energia.
A diferença está no
funcionamento da tecnologia. A fibra transporta os dados por sinais luminosos
dentro do cabo, sem depender da propagação de um sinal pelo ar. Isso não
impede, porém, que uma árvore derrubada pelo vento rompa o cabeamento ou que
uma falha elétrica afete os equipamentos necessários à conexão.
“A chuva intensa, na
maioria das vezes, traz consigo outros eventos, como descargas atmosféricas ou
ventos fortes, que podem derrubar galhos e árvores sobre cabos e postes. As
descargas também podem provocar surtos elétricos e danificar equipamentos conectados
à rede”, explica Ricardo Magalhães, diretor de Engenharia da Valenet.
Em Minas Gerais, a
incidência de descargas atmosféricas ajuda a dimensionar a exposição da
infraestrutura aos temporais. Segundo balanço da Cemig divulgado em maio de
2026, foram registradas mais de 2,47 milhões no período chuvoso de 2025/2026,
ante cerca de 1,58 milhão no ciclo anterior.
Por que a conexão pode
parar
Nem toda interrupção tem
a mesma origem. Quando há rompimento de um cabo na rede externa, a conexão pode
ser interrompida mesmo que a residência continue com energia. Nesse caso,
reiniciar o roteador não resolve o dano: o restabelecimento depende do atendimento
à infraestrutura atingida ou da disponibilidade de um caminho alternativo para
os dados.
Já quando falta energia
dentro de casa, os aparelhos de internet deixam de funcionar, mesmo que a fibra
esteja intacta e a rede da operadora continue disponível. “Nas nossas casas,
não costumamos ter sistemas de energia ininterrupta, como geradores. Por isso,
quando uma descarga elétrica afeta a rede da concessionária e causa uma
interrupção, os equipamentos de internet também deixam de funcionar”, afirma
Ricardo.
Outra situação é o dano
causado por surtos elétricos. Uma sobretensão pode comprometer o roteador ou
outros aparelhos, impedindo que a conexão volte mesmo após a normalização do
fornecimento de energia. Por isso, é importante distinguir uma interrupção temporária
de um possível defeito no equipamento.
Como a prevenção ajuda
Para reduzir esses
impactos, as redes de telecomunicações combinam proteção elétrica, manutenção
preventiva e alternativas para manter os dados circulando. Baterias, geradores
e rotas redundantes são alguns dos recursos que ajudam a preservar os serviços
durante emergências climáticas.
Na Valenet, as medidas de
prevenção incluem infraestrutura subterrânea em trechos considerados críticos,
poda preventiva de galhos em situação de risco e manutenção de caminhos
redundantes de fibra óptica. “A redundância é importante porque, quando uma rota
é rompida, uma rota alternativa pode manter a conectividade. Isso reduz o
impacto de uma ocorrência localizada sobre o serviço”, explica o especialista
da Valenet.
Quando um dano exige
intervenção no local, a segurança também precisa ser considerada. O Ministério
das Comunicações orienta a população a não tocar em cabos, postes ou antenas
danificados e a evitar intervenções em instalações elétricas durante a ocorrência
de raios. Assim, a necessidade de aguardar condições seguras pode influenciar o
tempo de restabelecimento de um serviço que dependa de reparo.
Cuidados dentro de casa
A proteção dos
equipamentos deve começar antes do temporal. O mais recomendado é o uso de
dispositivos de proteção contra surtos, conhecidos como DPS, para reduzir o
risco de danos por sobretensões. A instalação desses recursos deve ser avaliada
por profissional qualificado. A retirada preventiva de aparelhos da tomada
também deve ser feita antes da chegada da tempestade, sem exposição a riscos.
Após o temporal, com
condições seguras e o fornecimento de energia normalizado, o consumidor pode
conferir se os equipamentos de internet estão ligados. Se a conexão não tiver
voltado, Ricardo orienta a reinicialização do roteador.
“É importante deixar o
roteador desconectado por pelo menos 10 segundos antes de ligá-lo novamente.
Se, depois de aproximadamente cinco minutos, o sinal não voltar, o cliente deve
procurar os canais oficiais da operadora para verificar se existe alguma ocorrência
na rede”, afirma.
Em imóveis atingidos por
alagamentos, instalações e aparelhos que tiveram contato com a água precisam de
avaliação técnica antes de serem religados. Cabos soltos, postes danificados ou
árvores caídas sobre a rede também devem ser comunicados aos responsáveis pelo
atendimento, sem tentativa de intervenção pelo consumidor.
Instagram:
@valenet_oficial
Site: www.valenet.com.br


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