Minas Gerais ganhou três novos reconhecimentos para seu patrimônio cultural ., O Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep) aprovou, no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, no dia 22 de outubro, o registro das Expressões do Samba em Minas Gerais e dos Modos de Fazer Cachaça de Alambique como patrimônios imateriais, além do tombamento da Casa de Dona Beja, em Araxá. O Conselho é vinculado à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG).
Presidente da reunião, a secretária de Estado Adjunta de
Cultura e Turismo, Josiane de Souza, destacou a importância das decisões.
“Reconhecemos três patrimônios fundamentais. O registro dos modos de fazer
cachaça de alambique permite que saberes não se percam e abre a oportunidade
para que vários produtores, inclusive quem não está cadastrado nos meios
oficiais, sejam valorizados”, sublinhou.
“O reconhecimento do samba como patrimônio imaterial de
Minas Gerais também valoriza uma expressão de resistência e demonstra a força
da afro-mineiridade. Já o tombamento da Casa de Dona Beja preserva a memória de
uma mulher importante para o início do século XIX e a história de Araxá”,
acrescentou Josiane.
Samba: presença histórica e diversidade - Raimundo
Nonato da Silva, um dos coordenadores do coletivo de sambistas Mestre Conga,
que solicitou ao Iepha-MG a elaboração do dossiê para o reconhecimento,
celebrou a decisão. “É um momento histórico. Nossos ancestrais lutaram tanto
por essa cultura. Na época da ditadura, quando o samba era proibido, sambistas
apanhavam, eram presos, e o samba era visto como coisa de vagabundo e
cachaceiro. Hoje, é reconhecido como patrimônio cultural. Isso é uma vitória
para os sambistas”.
O registro das Expressões do Samba reconheceu a presença
histórica e a diversidade dessa manifestação em Minas Gerais. Atualmente, 246
grupos de samba estão cadastrados no estado.
Cachaça: saberes transmitidos entre gerações - Sara
Regina Santana Santos, integrante de uma família que produz a cachaça
Guaraciaba há 62 anos, destacou a emoção de representar os produtores de
alambique. “Esse reconhecimento do Iepha vai abranger muitas famílias que vivem
da cachaça e mostrar o valor da bebida para os mais jovens. Antes, a cachaça
era malvista e hoje as pessoas estão valorizando mais”, afirmou.
Minas Gerais lidera a produção nacional de cachaça de
alambique, com volume estimado em 13,5 milhões de litros por ano. Segundo a
Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais
(Emater-MG), o estado conta com 630 alambiques registrados. O reconhecimento
valoriza técnicas e conhecimentos tradicionais, amplia a visibilidade dos
produtores e fortalece a projeção da cachaça mineira nos mercados nacional e
internacional.
Casa de Dona Beja - O tombamento da Casa de Dona
Beja, também conhecida como Pensão Tormim, protege um imóvel ligado à
trajetória de Anna Jacintha de São José, figura de destaque na história de
Araxá. Construída entre as décadas de 1820 e 1830, a edificação reúne
características da arquitetura urbana do século XIX.
Dona Beja teve influência social, econômica e política em
sua época, desafiando padrões morais conservadores e participando de
acontecimentos históricos, como a Revolução Liberal de 1842. A proteção do
imóvel valoriza a memória urbana de Araxá e o protagonismo feminino na história
mineira.





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