Passear pela Praça da Liberdade, observar os prédios antigos da capital mineira, que completa 129 anos em 12 de dezembro, é ter os olhos para o passado e pensando no futuro. Cada passo pela praça é momento único, juntando a história com a arte contemporânea ganha um espaço especial na programação cultural de Belo Horizonte de 1 a 31 de outubro de 2026, em um local super especial na Passarela Cultural da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais , com a exposição “Mútua Recognição”, com as cores e criatividade da artista plástica luxemburguesa-brasileira Joanna Scharlé de Vasconcelos.
A arte entre os livros e as cores - (fotos Ton Netto)
Joanna Scharlé de
Vasconcelos é uma renomada artista visual, pintora, escultora e arteterapeuta
belo-horizontina de dupla nacionalidade brasileira e luxemburguesa. Sua
produção transita por múltiplas linguagens artísticas, incluindo pintura,
cerâmica, desenho em bico de pena e murais. A obra da artista explora temas
como a ancestralidade, a fragmentação e a identidade multicultural, unindo de
forma poética as referências históricas e culturais do Brasil e da Europa.
Os trabalhos está na capital mineira após ser apresentada na Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco, em Recife, em uma vernissage com curadoria de Antônio Moura, gerente cultural da instituição pernambucana. A exposição marcou um importante momento de aproximação cultural entre a artista, Minas Gerais, Pernambuco e Luxemburgo.
A realização da mostra em
Pernambuco também contou com a participação do músico luxemburguês Radu Pantea
e do escritor Pierre Richard Gerisma, cuja contribuição artística e cultural
merece destaque pelo papel desempenhado na iniciativa.
Agora, a conexão
construída em Recife ganha um novo capítulo em Belo Horizonte. Antônio Moura esteve
em Belo Horizonte, especialmente para prestigiar a exposição de Joanna Scharlé,
dando continuidade ao diálogo cultural iniciado em Pernambuco e fortalecendo a
circulação da produção artística entre diferentes instituições
Ao receber “Mútua
Recognição” em Recife, Antônio Moura destacou a força da produção dos trabalhos
de Joanna Scharlé e a satisfação da
Biblioteca Pública de Pernambuco em acolher a exposição.
Na ocasião, o gerente e
curador ressaltou as diferentes camadas psicológicas e filosóficas presentes na
obra da artista, capazes de provocar no espectador uma espécie de encontro
consigo mesmo. A mostra foi apresentada como uma experiência de reflexão por
meio da estética e da subjetividade contemporânea.
Joanna e Antônio Moura
A presença de Antônio Moura,
em Belo Horizonte representa a continuidade desse percurso e um gesto de
reconhecimento à artista, além de reafirmar a importância da circulação das
artes entre diferentes espaços culturais brasileiros.. Criada em 1852, a
Biblioteca Pública de Pernambuco é uma instituição histórica que desenvolve
ações voltadas à valorização da cultura, da literatura e da memória. Nesse
contexto, a aproximação com a Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais
amplia as possibilidades de intercâmbio e de cooperação entre instituições
dedicadas à difusão cultural.
Desde muito jovem, Joanna
se aproximou de diferentes formas de expressão, passando pelo teatro, pela
fotografia, pelo canto, pelo desenho, pela escultura e pela pintura. Essa
multiplicidade de experiências contribuiu para o desenvolvimento de uma linguagem
própria, na qual a figura humana, os sentimentos, os conflitos interiores e a
subjetividade ocupam lugar central.
Em suas obras, a artista
trabalha com pintura a óleo, desenho em nanquim e escultura, explorando
especialmente rostos, olhares e formas humanas que frequentemente aparecem
distorcidos ou fragmentados.
Sua produção dialoga com
referências do expressionismo, do cubismo e do surrealismo, estabelecendo
aproximações com artistas e escritores como Guignard, Pablo Picasso, Georges
Braque e Murilo Rubião.
Mais do que reproduzir a
realidade, Joanna busca revelar aquilo que existe por trás dela. Seus
personagens parecem carregar sentimentos, inquietações, memórias e estados de
espírito que convidam o público a olhar para além da superfície e a estabelecer
uma relação pessoal com cada obra.
O próprio título da
exposição revela a proposta central da mostra. “Mútua Recognição” sugere um
encontro de olhares: o da artista sobre o mundo e o do público diante da obra.
É nesse espaço de
encontro que a exposição se constrói. Cada pintura, desenho ou escultura
apresenta uma possibilidade de reconhecimento da figura humana, das emoções,
das diferenças e das experiências individuais e coletivas — e, principalmente,
de nós mesmos.
A obra de Joanna não
oferece necessariamente respostas prontas. Em vez disso, provoca perguntas. Os
rostos, os gestos, as deformações e os contrastes presentes em sua produção
criam uma atmosfera que permite ao visitante construir sua própria interpretação.
@scharle_joanna_vasconcelos
O horário de
funcionamento da Passarela Cultural da Biblioteca Pública Estadual de Minas : Segunda a quarta e sexta-feira: das 8h às 18h;
Quinta-feira: das 8h às 20h; Sábado: das 8h às 12h
É justamente nessa
liberdade de leitura que reside parte da força de seu trabalho. Ao entrar em
contato com as obras, o público é convidado a refletir sobre a identidade, a
memória, as relações humanas e as diferentes maneiras de perceber a si mesmo e
ao outro.
A escolha da Biblioteca
Pública Estadual de Minas Gerais para receber a exposição também carrega um
significado especial.- Criada em 1954, durante o governo de Juscelino
Kubitschek, a instituição integra o Circuito Liberdade e ocupa lugar de
destaque na vida cultural de Belo Horizonte. Seu prédio-sede, localizado na
Praça da Liberdade, foi projetado por Oscar Niemeyer. O complexo abriga um
importante acervo bibliográfico e espaços destinados a exposições e outras
atividades culturais.
A Passarela Cultural,
situada no prédio Anexo Professor Francisco Iglesias, é um desses espaços
dedicados à apresentação e à divulgação de trabalhos de artistas e escritores,
contribuindo para ampliar o acesso às diferentes manifestações artísticas e culturais.
Nesse ambiente, “Mútua
Recognição” estabelece uma conversa entre arte e conhecimento, imagem e
palavra, memória e contemporaneidade.
Ao receber a exposição, a
Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais contribui para que a produção de
Joanna Scharlé alcance novos públicos na capital mineira, reforçando seu papel
como equipamento cultural aberto à diversidade das expressões artísticas.
A iniciativa também
amplia o diálogo da instituição com a arte contemporânea e oferece aos
visitantes a oportunidade de conhecer uma produção que transita entre
diferentes culturas, linguagens e referências.
A mostra integra a
programação cultural da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais,
instituição integrante do Circuito Liberdade, que mantém a Passarela Cultural
como espaço de divulgação das artes e da cultura.







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