O 6º Flitabira – Festival Literário Internacional de Itabira homenageia, em sua edição de 2026, três mulheres que transformaram a literatura, o mercado editorial e o pensamento afro-brasileiro, a escritora Conceição Evaristo, a editora Maria Mazzarello e a pesquisadora Leda Maria Martins. Com trajetórias marcadas pela valorização da cultura negra, pela afirmação de vozes historicamente marginalizadas e pela preservação da memória e da ancestralidade, elas integram a programação do festival, realizado de 29 de outubro a 1º de novembro, no Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) e entorno, em Itabira (MG). Todas as atividades têm entrada gratuita, e as mesas e palestras são transmitidas ao vivo pelo YouTube (@flitabira), com recursos de acessibilidade.
As três homenageadas participam,
no sábado, 31 de outubro, às 20h, da mesa “Leitura, Antirracismo e os Novos
Tempos”, com mediação de Afonso Borges. O encontro propõe uma reflexão sobre o
papel da literatura, a circulação de obras de autoria negra e os desafios
contemporâneos para a construção de uma sociedade mais plural e antirracista. A
presença conjunta das três personalidades evidencia diferentes caminhos de
contribuição para a cultura brasileira, incluindo a criação literária, a
atuação editorial e a pesquisa sobre as expressões culturais afro-brasileiras.
Conceição Evaristo - a força da escrevivência
Uma das principais escritoras
brasileiras contemporâneas, Conceição Evaristo é romancista, poeta, contista e
professora. Sua obra aborda experiências da população negra, especialmente das
mulheres, articulando memória, identidade, pertencimento e resistência. Ao
transformar vivências individuais e coletivas em matéria literária, a autora
ampliou as possibilidades de representação da população negra na literatura
brasileira.
Seu conceito de “escrevivência”
tornou-se uma referência para pensar a relação entre escrita, experiência e
memória coletiva. Em seus livros, histórias pessoais e comunitárias ganham
dimensão social e política, dando visibilidade a sujeitos e experiências
historicamente afastados dos espaços de representação.
A relação de Conceição Evaristo
com Itabira também ganhou um significado especial a partir de seu encontro com
Dona Rosinha e Dona Tita, ambas do Quilombo Morro Santo Antônio, em Itabira, e
que faleceram em junho de 2026, sendo as patronas do festival. Conceição
Evaristo participa da mesa “Homenagem a Dona Rosinha e Dona Tita”, na
sexta-feira, 30 de outubro, às 21h, com representantes das famílias e mediação
de Sérgio Abranches. No sábado, integra a mesa “Leitura, Antirracismo e os
Novos Tempos”, ao lado de Maria Mazzarello e Leda Maria Martins.
Maria Mazzarello - uma editora dedicada à autoria negra
Fundadora da Mazza Edições, Maria
Mazzarello é uma referência na história do mercado editorial brasileiro por ter
criado, no início dos anos 1980, uma editora comprometida com a publicação de
autores negros e com a ampliação da diversidade na literatura nacional.
Nascida em Ponte Nova (MG), em
1941, e radicada em Belo Horizonte desde 1954, Mazzarello formou-se em
Contabilidade e chegou a ser aprovada no vestibular de Jornalismo da UFMG. Nos
anos 1960, foi cofundadora da Editora do Professor e da Livraria do Estudante,
ao lado de Ana Lúcia Campanha Batista, e participou da criação da Editora Vega.
No fim da década de 1970, após
concluir um mestrado em editoração em Paris, voltou ao Brasil com o projeto de
fundar uma editora dedicada à autoria negra. A Mazza Edições, que completou 45
anos em 2025, consolidou-se como um espaço de publicação e circulação de vozes
historicamente sub-representadas no mercado editorial.
Sua trajetória foi registrada na
biografia Maria Mazarello: Preto no Branco, Lutas e Livros (Contafios
Editora, 2021), escrita pela jornalista Márcia Maria Cruz. A obra percorre sua
infância em Ponte Nova e sua trajetória profissional, das experiências na
Editora do Professor e na Vega à criação da Mazza Edições. Conceição Evaristo
destaca a importância dessa iniciativa ao definir a editora como a “primeira
editora em cuja origem está o compromisso de editar a autoria negra”.
No Flitabira, Maria Mazzarello
participa da mesa “Leitura, Antirracismo e os Novos Tempos”, no sábado, 31 de
outubro, às 20h, ao lado de Conceição Evaristo e Leda Maria Martins, com
mediação de Afonso Borges. O encontro coloca em pauta a importância da leitura,
da diversidade editorial e da ampliação dos espaços de publicação e circulação
da produção intelectual negra.
Leda Maria Martins - ancestralidade, oralidade e performance
Poeta, dramaturga, ensaísta,
professora e pesquisadora, Leda Maria Martins desenvolve uma produção
intelectual fundamental para os estudos da cultura negra, da ancestralidade, da
oralidade, da memória e das performances dos corpos. Sua obra investiga formas
de transmissão de conhecimento e matrizes culturais afro-brasileiras,
estabelecendo diálogos entre literatura, teatro, performance, história e
pensamento contemporâneo.
Ao pesquisar as manifestações
culturais e os saberes transmitidos por meio dos corpos, dos ritos e das
tradições, Leda contribui para ampliar a compreensão das formas de produção e
preservação do conhecimento. Seu trabalho também questiona hierarquias que
privilegiam a escrita como principal meio de registro, reconhecendo a potência
da oralidade e das expressões performáticas na construção da memória coletiva.
A pesquisadora participa de duas
mesas do festival. Na sexta-feira, 30 de outubro, às 19h, divide com Ricardo
Aleixo o encontro “Corpo e Palavra”, com mediação de Natália Alves. No sábado,
31 de outubro, às 20h, retorna ao palco para a mesa “Leitura, Antirracismo e os
Novos Tempos”, com Conceição Evaristo e Maria Mazzarello, em conversa mediada
por Afonso Borges.
“A Máquina do Mundo em Nós” -
literatura e reflexão sobre o presente
Com o tema “A Máquina do Mundo em
Nós”, o 6º Flitabira celebra os 75 anos de publicação de Claro Enigma,
de Carlos Drummond de Andrade, com destaque para o poema “A Máquina do Mundo”.
A obra inspira uma programação que aborda questões como vida, memória, amor,
morte, política, natureza e conhecimento, propondo diálogos entre a literatura
e os desafios do mundo contemporâneo.
A curadoria do Flitabira é
assinada por Sérgio Abranches, Calila das Mercês e Afonso Borges, com
programação local de Sandra Duarte e Carolina Peixoto e curadoria
infantojuvenil de Rafael Nolli. A programação reúne escritores, intelectuais,
pesquisadores e artistas brasileiros e internacionais, orientada por uma
diretriz permanente de equilíbrio de gênero e diversidade racial.
Patrocinado pela Vale, via Lei
Rouanet – Ministério da Cultura, o festival conta com apoio da Prefeitura de
Itabira, da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) e do Itaú.
Alinhado aos princípios ESG (Ambiental, Social e Governança) e aos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), o
Flitabira também investe em acessibilidade, formação de leitores e valorização
da produção cultural local.
Além das mesas literárias, a
programação inclui prêmio de redação e desenho, Central de Autógrafos, livraria
com mais de 5 mil títulos, exposição “Autocaricaturas de Drummond”,
gastronomia, coreto musical, espaço para empreendedores locais e atividades voltadas
a crianças e jovens.
Teatro da FCCDA e entorno – Itabira
Entrada: gratuita em todas
as atividades
Acessibilidade: Libras e
recursos de acessibilidade
Transmissão: ao vivo pelo
YouTube @flitabira
Informações: @flitabira





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