sábado, 5 de setembro de 2026

Antes de acertar, ele errou sete vezes: a trajetória do mineiro que saiu de Pouso Alegre para disputar o mercado mundial

 


André Rezende transformou tentativas frustradas, improvisos e muita persistência em uma empresa mineira que hoje leva tecnologia brasileira para cozinhas profissionais em dezenas de países

Antes de comandar uma indústria brasileira com presença internacional, André Rezende colecionou negócios que não deram certo.

Foram sete tentativas.

A história, porém, está longe daquele roteiro bem-comportado de empreendedorismo em que tudo parece ter sido planejado desde o início. Mineiro de Pouso Alegre, no Sul de Minas, André aprendeu a empreender fazendo, errando, consertando e começando outra vez.

E algumas dessas histórias parecem causos daqueles que merecem ser contados sem pressa.

Teve época em que ventoinha de Fusca e vidro de Kombi ajudaram a resolver problemas que não cabiam no orçamento. Teve negócio que parecia promissor e não foi adiante. Teve dinheiro curto, improvisação e a dúvida que acompanha muita gente que empreende: até quando insistir é persistência e quando passa a ser teimosia?

Foi no oitavo negócio que a história mudou.

Em Pouso Alegre, André fundou a Prática, fabricante de equipamentos para cozinhas profissionais e panificação. O empreendimento que começou em Minas cresceu, atravessou fronteiras e passou a disputar espaço em um mercado dominado por grandes fabricantes internacionais.

Hoje, equipamentos desenvolvidos pela empresa brasileira chegam a operações de alimentação em mais de 50 países, e a Prática mantém presença também nos Estados Unidos.

Mas talvez a parte mais interessante dessa trajetória não esteja apenas no tamanho que a empresa alcançou.

Está no caminho.

A história de André ajuda a desmontar uma imagem bastante difundida sobre empreendedorismo: a de que bons empresários acertam rapidamente porque enxergaram antes dos outros uma oportunidade extraordinária.

Nem sempre.

No caso do empresário mineiro, o acerto veio depois de uma coleção considerável de erros.

E ele não costuma escondê-los.

Ao contrário: fala dos negócios que fracassaram, das soluções improvisadas, dos apertos e das decisões que precisou tomar até encontrar um negócio capaz de crescer sem abandonar suas raízes em Pouso Alegre.

Décadas depois, a sede da empresa continua na cidade.

É de lá que saem equipamentos e tecnologias desenvolvidos por engenheiros e profissionais brasileiros para um mercado que mudou radicalmente nos últimos anos. Restaurantes, supermercados, padarias, hotéis, cafeterias e grandes operações de alimentação passaram a buscar equipamentos capazes de produzir mais, em menos espaço e com maior padronização.

Nesse cenário, uma indústria que nasceu no interior de Minas passou a competir internacionalmente.

Para André Rezende, porém, chegar até aqui talvez permita contar uma história maior do que a de uma empresa.

É a história de um empreendedor mineiro que precisou descobrir, depois de sete tentativas, que fracassar em um negócio não significa necessariamente fracassar como empreendedor.

E que talvez uma das decisões mais difíceis de quem empreende seja justamente saber quando insistir, quando mudar e quando começar tudo outra vez.

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