A religiosidade popular é uma das marcas mais profundas da identidade cultural de Minas Gerais. Presente em igrejas, santuários, romarias, jubileus, festas de padroeiros, capelas rurais, cruzeiros, irmandades, confrarias, presépios, lapinhas, folias e na cultura da promessa, ela reúne memória, patrimônio, espiritualidade e formas de organização comunitária que atravessam gerações.
Com o objetivo de reconhecer, documentar e valorizar esse patrimônio vivo, o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG) e do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), dará início à construção do programa Minas da Fé, iniciativa idealizada com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – Regional Leste 2 (CNBB Leste 2).
“Essa parceria é muito importante porque se somam forças para cuidar daquilo que é de todos. Minas Gerais é um estado de alma religiosa, e essa alma vai ser cuidada agora a partir desse programa Minas da Fé, em que vários atores sociais se unem para cuidar desse patrimônio”, ressaltou o arcebispo metropolitano de Montes Claros e presidente do Regional Leste 2 da CNBB, Dom José Carlos de Souza Campos.
E como parte das ações voltadas à preservação do patrimônio cultural religioso, a Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop) também realizará o edital Imaginárias de Minas, que tem como objetivo formar um banco de cadastro reserva de bens culturais móveis e acervos documentais de caráter histórico e religioso no estado. Esses bens e acervos poderão ser utilizados, de forma gratuita, como material didático nas atividades práticas do Curso Técnico em Conservação e Restauro. As inscrições são gratuitas e estarão abertas de 2 de julho a 16 de agosto de 2026, por meio do site da Faop.
Ambas as ações foram anunciadas dia 2 de julho, em evento realizado na Casa de Retiros São José, em Belo Horizonte.
Minas da Fé - O programa pretende estruturar uma política permanente de cadastro e inventário das referências culturais ligadas à religiosidade popular, identificando bens materiais e imateriais, paisagens culturais, celebrações, lugares de devoção, formas de expressão, saberes tradicionais e modos comunitários de organização da fé presentes em Minas Gerais.
“Nós avançamos na proteção de bens materiais, mas no âmbito da imaterialidade é premente a necessidade de conhecer a riqueza da diversidade desse patrimônio da fé em Minas Gerais”, reforçou o secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira.
“Então, esse é um dia e um momento histórico e de muita alegria para todos nós que amamos nossa história, que amamos o patrimônio histórico, de forma ampla, sem curadoria daquele que vale ou não vale, mas pensando em todos os povos, para fortalecermos o que nós chamamos de mineiridade”, concluiu o secretário.
O programa será estruturado em seis frentes de inventário: Cruzeiros, Cruzes de Caminho e Marcos Devocionais da Paisagem Mineira; Jubileus, Romarias e Celebrações Devocionais;
Presépios, Lapinhas e Tradições do Ciclo Natalino Popular; Festas e Devoções Marianas; Irmandades, Confrarias e Associações Devocionais; e Ex-votos, Votos e Cultura da Promessa.
“O inventário é, primeiramente, um instrumento de pesquisa, de produção de conhecimento, mas ele é também um instrumento jurídico de proteção do patrimônio cultural. Então, conhecer esse patrimônio e reconhecer o valor desses objetos é um passo importantíssimo e imprescindível para nós avançarmos para as outras etapas que permitem transmitir esses bens culturais até as futuras gerações”, pontuou o promotor de justiça e coordenador de patrimônio cultural do Ministério Público de Minas Gerais, Marcelo Mafra.
Imaginárias de Minas - O edital da Faop contempla esculturas sacras em madeira policromada, pinturas sobre cavalete, livros raros, manuscritos, mapas, gravuras e acervos documentais históricos localizados em Minas Gerais. Podem participar prefeituras, museus, arquivos públicos, bibliotecas, centros de memória, além de paróquias, igrejas, dioceses, irmandades e confrarias formalmente responsáveis pelos bens culturais.
A partir da inscrição no cadastro, a Faop poderá selecionar, conforme critérios técnico-pedagógicos, os bens que poderão integrar as atividades formativas do curso. Todo o processo de conservação e restauro será realizado gratuitamente, contribuindo para a preservação do patrimônio cultural mineiro e para a formação de novos profissionais especializados na área.
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