A sessão de julho do Cineclube Comum traz ao Cine Humberto Mauro dois filmes que compartilham o mesmo nome e investigam, em escalas e contextos distintos, experiências de colisão, impacto e transformação dos corpos:
o longa-metragem “Crash” (1996), do diretor canadense David Cronenberg, e o curta “Crash” (2026), realizado por Gabriela Mureb, artista visual e cineasta fluminense. A sessão acontece no dia 7 de julho (terça-feira), às 19h30, e contará com comentários da crítica de cinema Clara Pellegrini. A entrada é gratuita; metade dos ingressos estarão disponíveis, de forma on-line, a partir de meio-dia da data da sessão, no site do Sympla; o restante será distribuído presencialmente na bilheteria principal do Palácio das Artes e nos totens, a partir de 1 hora antes da exibição.
“Crash”, de David Cronenberg, acompanha um grupo de personagens que desenvolve uma fascinação pelos acidentes automobilísticos e pelas marcas deixadas por eles nos corpos.
Adaptando o romance do escritor inglês J. G. Ballard, o diretor canadense investiga as relações entre desejo, tecnologia e carne, criando aquela que é considerada uma das obras mais provocativas do cinema contemporâneo, indicada à Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1996.
Já o filme homônimo de Gabriela Mureb, lançado 30 anos depois e realizado entre Brasil e Alemanha, constrói uma experiência audiovisual marcada pela tensão entre movimento, matéria e ruína. A partir de gestos de aproximação e choque, o filme explora os limites físicos dos corpos e dos objetos, produzindo imagens que oscilam entre a violência, a fragilidade e a transformação. A diretora do filme recebeu, na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, o Prêmio Helena Ignez de Destaque Feminino.
A sessão faz parte da mostra “Visões Táteis”, fruto da
parceria entre a Fundação Clóvis Salgado (FCS) e o Instituto Cervantes de Belo
Horizonte. A curadoria propõe, ao longo de 2026, um percurso voltado ao cinema
experimental e às formas de percepção que escapam ao olhar puramente óptico,
valorizando o aspecto físico da experiência do cinema e privilegiando filmes
que exploram a materialidade das imagens, dos sons e das sensações. Inspirado
pelos filmes e textos do cineasta e inventor espanhol José Val del Omar
(1904-1982), o conceito de “visão tátil” dá espaço para uma curadoria diversa,
que inclui filmes experimentais, de gênero, dos cinemas marginal e de fluxo, e
de distintos territórios. Desde obras etnográficas que recuperam a
materialidade do gesto até filmes de horror que propõem uma relação visceral
com as imagens e os sons, passando por trabalhos que exploram a animalidade,
escapando dos limites do entendimento humano, e por filmes que dialogam com o
melodrama e o musical, recuperando o engajamento emocional como acontecimento
físico.
O Cineclube Comum é um projeto de exibição e discussão
cinematográfica em atividade em Belo Horizonte desde 2012. A iniciativa aposta
no potencial das salas de cinema para serem espaços de partilha de ideias e
efervescência cultural e política. Ao longo de sua história, o projeto já
realizou mais de dez mostras, em diferentes espaços da cidade, com destaque
para “Sabotadores da Indústria” (Sesc Palladium, 2015), “Brasil 68” (Cine Santa
Tereza, 2018) e “Defesa do Atrito” (Centro Cultural Unimed-BH Minas, 2024). O
cineclube também publica a coleção de livros “Cadernos do Cineclube Comum”, que
atualmente conta com cinco volumes de ensaios dedicados aos filmes exibidos nas
mostras.
A sessão “Cineclube Comum – Mostra ‘Visões Táteis’” é
realizada pelo Ministério da Cultura e pela Fundação Clóvis Salgado. As
atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio
Master do Instituto Cultural Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do
Instituto Unimed-BH e do Instituto AngloGold, Patrocínio Plus da Vivo e
correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. A ação é viabilizada por meio
da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Data: 7 de julho de 2026 (terça-feira)
Horário: 19h30
Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes
(Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)
Classificação indicativa: 18 anos
Entrada gratuita; 50% dos ingressos estarão disponíveis, de
forma on-line, a partir do meio-dia da data da sessão, na plataforma Sympla; o
restante dos ingressos será distribuído presencialmente na bilheteria principal
do Palácio das Artes e nos totens, a partir de 1 hora antes da exibição.
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