sexta-feira, 5 de junho de 2026

Águia-chilena monitorada por GPS coloca fauna silvestre no centro da agenda ambiental do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte

 

 


Uma das aves de rapina mais imponentes da América do Sul ganha protagonismo na agenda de proteção da fauna silvestre do BH Airport. Encontrada no sítio aeroportuário, a águia-chilena, espécie de grande porte com envergadura superior a 1,5 metro, recebeu acompanhamento personalizado e já está totalmente integrada ao meio ambiente, monitorada por GPS, tecnologia que apoia o manejo responsável da espécie e fortalece a convivência segura entre biodiversidade e operação aeroportuária. O Aeroporto Internacional de Belo Horizonte é um dos destaques no Brasil, ano passado passaram 13,300 mil de passageiros entre embargues e desembargues e para este ano é chegar a mais de 13, 500 mil passageiros.

Também conhecida como águia-serrana, a ave ocupa o topo da cadeia alimentar e desempenha papel relevante no equilíbrio dos ecossistemas. O monitoramento por GPS representa uma importante ferramenta para a geração de conhecimento científico sobre a espécie. Informações relacionadas ao uso de habitat, padrões de movimentação, áreas de alimentação e comportamento espacial contribuem diretamente para estratégias futuras de conservação e manejo ambiental. 

“Ao mesmo tempo em que ampliamos as práticas de cuidado com as espécies que utilizam a região como área de deslocamento, alimentação ou permanência, reforçamos nossa atuação ambientalmente responsável na proteção da fauna e na conservação da biodiversidade. A tecnologia nos permite acompanhar a espécie com mais precisão e orientar decisões que também contribuem para a segurança operacional, reduzindo riscos de interação entre aves e aeronaves”, ressalta o gestor de Infraestrutura e Meio Ambiente do BH Airport, Emerson Chaves. 

A águia-chilena foi identificada durante ações permanentes de monitoramento conduzidas pela Linha Ambiental, empresa responsável pelo manejo de fauna no aeroporto. O exemplar recebeu avaliação clínica e biológica no centro de manejo de fauna do terminal, com verificação de peso, condição corporal, características morfológicas e estado geral de saúde. Após a confirmação das boas condições clínicas, a ave foi equipada com GPS e devolvida a uma área ambientalmente adequada.


A águia-chilena é uma espécie imponente, pertencente à família Accipitridae, caracterizada pela coloração contrastante em tons de preto, branco e cinza, pelo peito escuro, pelas asas largas e pela cauda relativamente curta. Os indivíduos adultos podem atingir mais de 70 centímetros de comprimento e apresentar envergadura superior a 1,5 metro, sendo considerados importantes predadores de topo nos ambientes onde ocorrem. A anatomia da ave é adaptada ao voo planado e à caça em áreas abertas e montanhosas. A espécie possui garras robustas e curvadas, fundamentais para a captura de presas, além de excelente acuidade visual, característica marcante das aves de rapina.

Na cadeia alimentar, a águia-chilena atua como predadora e como agente natural de equilíbrio dos ecossistemas. Alimenta-se de pequenos mamíferos, aves, répteis e carcaças, função que contribui tanto para o controle de populações quanto para a limpeza do ambiente. A espécie costuma ocupar áreas abertas, campos rupestres, regiões serranas e bordas de mata. No Brasil, ocorre principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste; em Minas Gerais, os registros se concentram em formações montanhosas como a Serra do Espinhaço, a Serra da Mantiqueira e outras áreas serranas do estado.

“Mesmo não sendo atualmente classificada como ameaçada de extinção, a conservação da águia-chilena é fundamental para a manutenção da biodiversidade e do equilíbrio ecológico. Espécies predadoras ocupam posições importantes nas cadeias alimentares e funcionam como bioindicadores da qualidade ambiental. A redução populacional dessas aves pode desencadear desequilíbrios ecológicos significativos, afetando populações de presas e a dinâmica dos ecossistemas naturais”, esclarece o analista de Meio Ambiente do BH Airport, Evandro Amato.]

Gestão ambiental do território -A agenda ambiental do BH Airport também se estende à gestão de um território de significativa relevância ecológica. Inserido na Área de Proteção Ambiental Carste de Lagoa Santa, em uma região de transição entre o Cerrado e a Mata Atlântica, o aeroporto preserva mais de 310 hectares de Reserva Legal, cerca de 790 hectares de remanescentes de vegetação nativa e mais de 97 hectares de Áreas de Preservação Permanente

O contexto ambiental da região reforça a importância dessas ações. Marcada por formações cársticas, cavernas, dolinas e aquíferos subterrâneos, a APA Carste abriga ambientes essenciais para a biodiversidade e para o abastecimento hídrico, em uma paisagem onde conservação, pesquisa e uso sustentável do território se conectam. 

Um dos exemplos mais concretos dessa atuação é a Passagem de Fauna, instalada sob a rodovia LMG-800, principal acesso ao aeroporto. Com aproximadamente dois metros de altura e 60 metros de comprimento, a estrutura conecta fragmentos florestais e cria um corredor ecológico para a travessia segura de animais silvestres na APA Carste. 

Desde 2023, o monitoramento por armadilhas fotográficas já registrou 16 espécies utilizando a travessia subterrânea. Entre elas estão tamanduá-mirim, veado-catingueiro, irara, ouriço-cacheiro, quati, jaguatirica, cachorro-do-mato, furão, tatu, gambás, capivara, tapiti, morcego e paca, fauna típica dos biomas Mata Atlântica e Cerrado, incluindo espécies classificadas como ameaçadas ou vulneráveis à extinção. 

Nos dois primeiros anos de acompanhamento, os registros indicaram queda de aproximadamente 83% nos atropelamentos de animais silvestres ao longo da rodovia, evidenciando o papel da estrutura na redução de impactos e na conectividade entre áreas naturais. A iniciativa projetou o BH Airport internacionalmente. Pelo quinto ano consecutivo, o aeroporto foi reconhecido como Aeroporto Verde pelo ACI-LAC - Airports Council International Latin America & Caribbean. 

Na edição 2025 do Green Airport Recognition, o projeto Passagem de Fauna foi premiado durante a Conferência e Exposição Anual do Conselho Internacional de Aeroportos, reforçando a atuação do terminal mineiro em práticas ambientais associadas à biodiversidade, ao monitoramento da fauna e à gestão sustentável do território.


Com localização estratégica e um dos principais hubs do país, o BH Airport atende cerca de 70 destinos nacionais e internacionais. Desde 2014, o aeroporto é administrado por uma concessão, formada pela Motiva, uma das maiores companhias de concessão de infraestrutura da América Latina, e por Zurich Airport, operador do Aeroporto de Zurich, o principal hub aéreo da Suíça e considerado um dos melhores aeroportos do mundo, além da Infraero, estatal com experiência de mais de 50 anos na gestão de aeroportos no Brasil. 

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