quinta-feira, 7 de maio de 2026

O Cine Humberto Mauro apresenta mostra de cinema dedicada à cineasta e fotógrafa franco-belga Agnès Varda

 



A programação reúne títulos fundamentais da trajetória de Varda, entre longas e curtas-metragens. Serão exibidas obras como “Cléo das 5 às 7” (1962), “Os Panteras Negras” (1968), “Os Catadores e Eu” (2000) e “As Praias de Agnès” (2008), obras que refletem diferentes características de seu projeto artístico. Dando prosseguimentos às discussões trazidas na programação da mostra dedicada a François Truffaut, a obra da cineasta é frequentemente situada nas bordas da Nouvelle Vague (a “Nova Onda francesa”) - movimento com o qual dialoga, mas ao qual nunca se submete completamente. Varda desenvolveu um cinema que opera entre categorias estabelecidas, recusando distinções rígidas entre ficção e documentário, entre gesto autobiográfico e elaboração formal. Seu trabalho pode ser compreendido como uma escrita de imagens e sons que articula experiência sensível, vigor estético e atenção política à vida humana. A mostra conta, ainda, com sessões comentadas dos filmes “As Duas Faces da Felicidade” (1965), “Os Catadores e Eu” (2000) e “Kung-Fu Master!” (1988), buscando ampliar o campo de leitura sobre a cineasta, democratizando um horizonte crítico que ultrapassa a exibição e convida o público à reflexão sobre as suas obras.

 


A mostra “De Lá Pra Cá: Uma Mostra da Varda” é realizada pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e Fundação Clóvis Salgado. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH e do Instituto Anglogold, Patrocínio Plus da Vivo e correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. O Palácio das Artes integra o Circuito Liberdade, que reúne mais de 60 equipamentos com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. A ação é viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Vale-Cultura. Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro.

 


Uma câmera atenta — Nascida Arlette Varda, em 1928, a cineasta mudou seu nome para Agnès aos dezoito anos de idade. Varda estudou na Sorbonne e na École du Louvre e mais tarde tornou-se fotógrafa. Seu olhar atento às ruas, aos rostos e às comunidades que encontrava foram características que tornaram as suas obras marcantes neste campo. Sua câmera é marcada pela proximidade ao filmar ou fotografar as pessoas, sem uma hierarquia ou exotização.


O primeiro filme da cineasta, “La Pointe Courte” (1955) -- A Ponte Curta, em tradução livre –, é considerado um do precursores da Nouvelle Vague e foi filmado em um estilo visual distinto com um toque documental, alternando entre duas narrativas: um jovem casal examinando seu casamento conturbado e uma vila de pescadores lidando com seus problemas coletivos. Seu segundo longa-metragem, “Cléo das 5 às 7”, é o relato de uma artista que passa a enxergar o mundo ao seu redor com uma nova perspectiva enquanto aguarda o resultado de um exame médico que revelará se ela tem ou não uma doença grave. A narrativa se passa em exatos 90 minutos, fazendo com que o espectador experiencie o tempo que a protagonista vivencia enquanto aguarda. O interesse de Varda pelas questões sociais e sobretudo femininas foi outra característica que demarcou o seu trabalho em um universo permeado por figuras masculinas.

 


A diretora produziu filmes até 2019, o que exigiu um processo de seleção que tentasse trazer um panorama das obras e temáticas recorrentes de seus trabalhos, como explica o gerente do Cine Humberto Mauro e curador da mostra, Vítor Miranda. “A curadoria não traz todos os filmes da Varda, mas é uma seleção que contempla diferentes períodos da carreira dela, desde 1955 até 2008 e, através deles, conseguimos entender essa evolução estética dela. Nesta seleção, priorizamos a diversidade, então tem filmes de ficção, documentários, filme-ensaio, autobiográficos, curtas experimentais, etc. Outro critério foi a escolha de temas recorrentes trabalhados por ela, dentre os quais o cotidiano, o feminismo, a memória e a auto-reflexão artística. Além disso, dentro da curadoria, tem uma parte de diálogos históricos com cineastas próximos e relevantes para esse contexto dela, desse cinema moderno francês, especialmente no que diz respeito ao documentário e ao cinema ensaístico, associado à chamada Rive Gauche. São exemplos os diretores Chris Marker, Alain Resnais, e o Jacques Demy, que era o marido e colaborador dela”.

 


Desta forma, a mostra aborda as principais características da produção realizada por Varda que, como aponta Miranda, fizeram a autora conhecida e uma referência ainda hoje. “Para mim, a influência dela no cinema contemporâneo são os motivos que fizeram ela conhecida. Ou seja, esse tratamento e esse hibridismo entre ficção e documentário; o interesse pelo cotidiano e pelas pessoas comuns; o olhar dela, que é um olhar feminino e um olhar autoral; uma produção independente muito experimental, inventiva; e também um cinema muito ensaístico e pessoal, então quando é um documentário, também é um documentário muito pessoal, muito autoral e fora de um registro apenas jornalístico. Acredito que essas características dela marcaram a história do cinema e fizeram dela uma inspiração”, afirma Vítor Miranda.

 

Horário: variam conforme a programação

Cine Humberto Mauro (Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)

Classificação indicativa: varia conforme a programação

Entrada gratuita; 50% dos ingressos estarão disponíveis, de forma on-line, a partir de

meio-dia do dia das sessões, no site da Sympla; o restante dos ingressos será distribuído presencialmente na bilheteria principal do Palácio das Artes e nos totens, 1 hora antes de cada exibição.  Informações: https://fcs.mg.gov.br

no site da Sympla; o restante será distribuído presencialmente na bilheteria principal do Palácio das Artes e nos totens, uma hora antes das exibições.

 


Um dos mais tradicionais cinemas de Belo Horizonte, foi inaugurado em 1978. Seu nome homenageia um dos pioneiros do cinema brasileiro, o mineiro Humberto Mauro (1897-1983), grande realizador cinematográfico. Com 129 lugares, possui equipamentos de som Dolby Digital e para exibição de filmes em 3D e 4K. Nestes mais de 45 anos de existência, a Fundação Clóvis Salgado tem investido na consolidação do espaço como um local de formação de novos públicos a partir de uma programação diversificada, bem como por meio da criação de mecanismos de estímulo à produção audiovisual, com a realização do tradicional FestCurtasBH – Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte, e do Prêmio Estímulo ao Curta-Metragem de Baixo Orçamento. O Cine Humberto Mauro também é um importante difusor do conhecimento ao promover cursos, seminários, debates e palestras. Sessões permanentes e comentadas também têm espaço cativo a partir das mostras Cinema e Psicanálise, Cineclube Ibero-americano Permanente, entre outras. Todas as atividades do Cine Humberto Mauro são gratuitas.

Com a missão de fomentar a criação, a formação, a produção e a difusão da arte e da cultura em Minas Gerais, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Artes visuais, cinema, dança, música, ópera e teatro integram a ampla programação desenvolvida nos espaços sob sua gestão, como o Palácio das Artes, a CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais e a Serraria Souza Pinto. A Fundação também é responsável pela gestão dos corpos artísticos — Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico de Minas Gerais e Cia de Dança Palácio das Artes — além do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Arte e do Cefart, o Centro de Formação Artística e Tecnológica. Em 2026, ao celebrar os 55 anos do Palácio das Artes, a FCS amplia suas ações para todas as artes e todos os públicos, reafirmando seu compromisso com a democratização cultural. 


 

 

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