Foto: Rafael Cavalli/Connection
Em vigor provisório desde
1º de maio, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia é visto como um avanço
concreto para a proteção e valorização da produção brasileira. Entre os
setores, está o das Indicações Geográficas (IGs), que passa a enxergar novas
oportunidades.
Trata-se de um
reconhecimento e proteção a produtos cuja reputação, qualidade ou
características estão diretamente ligadas ao território de origem. Acordos como
o firmado com o bloco europeu podem garantir reconhecimento internacional e
proteção jurídica ampliada para produtos brasileiros registrados, impedindo o
uso indevido de nomes de origem por produtores estrangeiros e fortalecendo a
autenticidade de itens como queijos, cafés, mel e vinhos.
Essa questão estará no
centro de um dos debates do Connection Terroirs do Brasil 2026, evento que
acontece de 10 a 13 de junho, em Gramado (RS). O painel reunirá o coordenador
de Estratégia Negociadora do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Rafael
Mafra; o doutor em Relações Internacionais, pesquisador e servidor do Instituto
Nacional da Propriedade Industrial (INPI), Daniel França; e a professora Kelly
Bruch, pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e
referência nacional em Direito e Agronegócio. Juntos, eles discutirão os
impactos dos acordos internacionais e os reflexos dessas negociações para
produtos brasileiros com identidade territorial.
“O Acordo Mercosul–União
Europeia amplia a proteção aos produtos genuínos brasileiros protegidos por
Indicação Geográfica. Produtos de alto valor, como cafés, queijos e cachaça,
não poderão ter seus nomes indevidamente utilizados. Embora o acesso efetivo ao
mercado europeu dependa de fatores técnicos e comerciais, trata-se de um passo
importante para valorizar o produto brasileiro autêntico, destaca Mafra.
Ele considera que o avanço das negociações internacionais cria um ambiente estratégico para que os produtos brasileiros ampliem sua presença externa, mas o proveito desse cenário depende da capacidade de organização e estruturação dos próprios territórios produtores. “O reconhecimento de uma IG em um acordo é uma oportunidade de agregar valor e ampliar mercado. Mas o aproveitamento dessa oportunidade depende da oferta consistente de um produto de qualidade. O acordo abre possibilidades que, de outra forma, não estariam disponíveis”, pondera.
Outros acordos no horizonte - Em paralelo, avança o Acordo Mercosul–EFTA, negociação entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Embora envolva menos países, trata-se de mercados altamente qualificados e com forte valorização de produtos de origem certificada, ampliando as oportunidades para a inserção internacional de produtos brasileiros.
Daniel França, pesquisador
do INPI, destaca a relevância estratégica dessas negociações para o
posicionamento internacional das IGs brasileiras. “O acordo com a União
Europeia representa um reconhecimento inédito das Indicações Geográficas
brasileiras em escala inter-regional. Do ponto de vista político, ele incentiva
novos reconhecimentos no Brasil e serve de referência para negociações futuras,
como com a EFTA”, explica.
Negociações internacionais
já geraram reflexos internos importantes. “Durante esse processo, novas
práticas foram incorporadas à regulamentação nacional das IGs, além da
formulação de políticas públicas voltadas à promoção desses ativos”, detalha.
Segundo o especialista,
esse movimento demonstra impactos que vão além da projeção internacional. “Isso
mostra que os acordos não produzem apenas efeitos externos, mas também possuem
efeitos no país. De qualquer forma, o acordo ainda não entrou em vigor de forma
definitiva para os dois blocos econômicos, temos muito desafios pela frente e
oportunidades a serem aproveitadas”, acrescenta.
O debate no Connection
Terroirs do Brasil, evento promovido pela Rossi & Zorzanello em parceria
com o Sebrae, propõe refletir sobre como o Brasil pode transformar o
reconhecimento internacional em geração efetiva de valor, convertendo proteção
jurídica em competitividade e consolidando as Indicações Geográficas como
ferramenta estratégica de desenvolvimento territorial, inovação e inserção
qualificada no comércio global.
O acesso ao evento é
gratuito para o público. Para participar das palestras e debates, que acontecem
no Palácio dos Festivais, é necessário adquirir ingresso, disponível no site connectionexperience.com.br.
Mais informações podem ser obtidas pelo perfil oficial no Instagram:
@connection_experience.
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