O Teatro em Movimento abre as comemorações de seus 25 anos
com uma programação extensa que reafirma sua trajetória na democratização do
acesso à cultura e na descentralização das artes cênicas em Minas Gerais. Ao
longo de 2026, o projeto realiza apresentações em Belo Horizonte — incluindo
ocupações em praças públicas —, além de cidades como Contagem, Mariana, Juiz de
Fora, Uberaba, Itabira, Araxá e Uberlândia. Com mais de 445 mil espectadores ao
longo de sua história, cerca de 305 espetáculos apresentados e atuação em mais
de 15 cidades, a iniciativa idealizada por Tatyana Rubim consolidou-se como uma
das mais relevantes plataformas de circulação teatral do país.
A abertura das comemorações acontece com o retorno do
espetáculo O Céu da Língua, sucesso de público que volta a Belo
Horizonte após sessões esgotadas em 2025 e já abre a nova temporada com alta
procura, incluindo a abertura de sessões extras, de 22 a 24 de abril. “Celebrar
25 anos é reafirmar um compromisso com o público e com a potência
transformadora do teatro. Queremos ocupar cada vez mais territórios, formar
novas plateias e garantir que grandes repertórios cheguem a mais pessoas, em
diferentes contextos e espaços”, destaca Tatyana Rubim.
A temporada comemorativa do Teatro Em Movimento acontece com o retorno a Belo Horizonte do espetáculo “O Céu da Língua”, uma comédia sobre a presença quase invisível da poesia no cotidiano, estrelada por Gregorio Duvivier. Dirigido por Luciana Paes, montagem já levou 218 mil espectadores ao teatro, percorreu 33 cidades brasileiras e, atualmente, faz turnê por 12 cidades na Europa. Após o grande sucesso de público registrado em 2025 dentro da programação do projeto, a peça será apresentada de 22 a 24 de abril, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, marcando o início das celebrações deste que um dos projetos culturais mais longevos e relevantes do país na circulação de espetáculos teatrais.
Quem tem medo de poesia? Gregorio Duvivier não faz parte
deste grupo e, como um apaixonado, faz de tudo para persuadir os outros das
qualidades do seu objeto de encanto – até mesmo criar um espetáculo sobre o
assunto. No monólogo cômico “O Céu da Língua”, o artista usa o seu discurso
sedutor para convencer o público de que tropeçamos diariamente na poesia e o
assunto é prazeroso e divertido.
O espetáculo estreou em Portugal em 2024, chegou no Brasil
em fevereiro de 2025, onde cumpriu uma extensa turnê que já acumula cerca de
218 mil espectadores em 33 cidades do Brasil e atualmente faz turnê por 12
cidades na Europa, sempre com sessões extras e lotação esgotada. O trabalho
rendeu a Gregorio o troféu de Melhor Ator na última edição do Prêmio Bibi
Ferreira.
“A poesia é uma fonte de humor involuntário, motivo de
chacota”, reconhece o ator, que cursou a faculdade de Letras na PUC do Rio de
Janeiro e publicou três livros sobre o gênero literário. “Escrevi uma peça que
pode ajudar alguém a enxergar melhor o que os poetas querem dizer e, para isso,
a gente precisa trocar os óculos de leitura”.
A direção é da atriz Luciana Paes, parceira de Gregorio nos
improvisos do espetáculo Portátil. No palco, com cenografia de
Dina Salem Levy, o instrumentista Pedro Aune cria ambientação musical com o seu
contrabaixo, e a designer Theodora Duvivier, irmã do comediante, manipula as
projeções exibidas ao fundo da cena. O resto é só o comediante e sua lábia
desafiadora. “Acredito que o Gregorio tem ideias para jogar no mundo e, com
essa crença, a coisa me move independentemente de qualquer rótulo”, diz
Luciana, uma das fundadoras da celebrada Cia. Hiato, que estreia na função de
diretora teatral.
“O Céu da Língua” não é um recital e tampouco o artista
declama Castro Alves, Fernando Pessoa ou Carlos Drummond de Andrade. Por outro
lado, garante Luciana, a dramaturgia de Gregorio não deixa de ser poética neste
“stand-up comedy pegadinha”, como ela bem define.
“O Gregorio simpático e engraçado está no palco ao lado do
Gregorio intelectual com seu fluxo de pensamento ininterrupto e imagino que,
por isso, a plateia deve embarcar na proposta”, aposta a diretora. “Ele, graças
aos seus recursos de ator, pega o público distraído e ninguém resiste quando é
surpreendido por alguém apaixonado. ”
Toda linguagem é um acordo e, se você entende, tudo bem.
Gregorio, desde a infância, carrega uma obsessão pela palavra, pela comunicação
verbal, pela língua portuguesa. Assim o protagonista, por exemplo,
brinca com códigos, como aqueles que, em sua maioria, só são decifrados por
pais e filhos ou casais enamorados.
As reformas ortográficas que tiram letras de circulação e
derrubam acentos capazes de alterar o sentido das palavras inspiram o artista
em tiradas bem-humoradas. O mesmo acontece quando ele comenta a ressurreição de
palavras esquecidas, como “irado”, “sinistro” e “brutal”, que voltaram
ressignificadas ao vocabulário dos jovens. E aquelas que só de ouvi-las geram
sensações estranhas, a exemplo de afta, íngua, seborreia, ou outras,
inventadas, repetidas à exaustão, como “atravessamento”, “namorido” ou “almojanta”?
Até destas Gregorio extrai humor.
Para o artista, a língua é algo que nos une, nos move, mas
raramente damos atenção a ela. É só pensar nas metáforas usadas no cotidiano –
“batata da perna”, “céu da boca”, “pisando em ovos”. Nesta hora, usamos a
poesia e nem percebemos. Para provar que a poesia é popular, Gregorio chama
atenção para os grandes letristas da música brasileira, como Orestes Barbosa e
Caetano Veloso, citados em “O Céu da Língua” através das canções “Chão de
Estrelas” (1937) e “Livros” (1997). “Os nossos compositores conseguiram
realizar o sonho de Oswald de Andrade de levar poesia para as massas”, festeja
o ator.
Nesta cumplicidade com a plateia, Gregorio mostra
gradativamente que a poesia não tem nada de hermética e, claro, homenageia
Portugal, o país que emprestou ao Brasil a sua língua para que todos se
comunicassem. Além de Fernando Pessoa, o ator evoca o poeta Eugênio de Andrade
e lembra de que a origem de “O Céu da Língua” está relacionada ao espetáculo
“Um Português e Um Brasileiro Entram no Bar”. O divertido intercâmbio
linguístico colocou no mesmo palco Gregorio e o humorista luso Ricardo Araújo
Pereira em improvisações sobre o idioma que os une.
O CÉU DA LÍNGUA:Texto: Gregorio Duvivier e Luciana
Paes / Interpretação: Gregorio Duvivier/ Direção: Luciana Paes/ Direção musical
e execução da trilha: Pedro Aune/ Assistente de direção e projeções: Theodora
Duvivier/ Iluminação: Ana Luzia de Simoni/ Cenografia: Dina Salem Levy/
Assistente de cenografia: Alice Cruz/ Figurinos: Elisa Faulhaber e Brunella
Provvidente/ Visagismo: Vanessa Andrea/ Designer gráfico publicação: Estúdio
M-CAU – Maria Cau Levy e Ana David/ Identidade visual divulgação: Laercio Lopo/
Comunicação: Lucas Sancho/ Marketing digital: Renato Passos/ Assessoria de
Comunicação: Pedro Neves/ Fotos: Demian Jacob, Priscila Prade, Joana Calejo
Pires e Raquel Pelicano/ Diretor técnico: Lelê Siqueira/ Diretor de palco:
Reynaldo Thomaz/ Técnico de som: Dugg Mont/ Assistente de palco: Daniela
Mattos/ Gerente de Projetos: Andréia Porto/ Assistente de produção: João
Byington de Faria/ Produção executiva: Lucas Lentini/ Direção de produção:
Clarissa Rockenbach e Fernando Padilha/ Produção: Pad Rok/ Realização em Belo Horizonte:
Teatro em Movimento/ Produção: Rubim Produções/ Assessoria de imprensa: Luz
Comunicação - Jozane Faleiro
Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 80 minutos
Dias/Horários: 22 a 24 de abril - quarta, quinta
e sexta, às 19h. Sessões extras todos os dias às 21h30
Grande Teatro Cemig
Palácio da Artes - Avenida Afonso Pena 1537, Centro
Vendas: https://bileto.sympla.com.br/event/117663/d/372074
O projeto Teatro em Movimento, coordenado pela Rubim
Produções, de Tatyana Rubim, completa 25 anos, em 2026, com o objetivo de
descentralizar o acesso às grandes montagens do eixo Rio-São Paulo, promovendo
a circulação dos mesmos para Belo Horizonte que tornou-se, ao longo do tempo,
praça relevante para a apresentação de importantes repertórios. Além disso, o
projeto também atua em outros Estados e outras cidades. Desde então,
contabiliza 305 repertórios, que somam mais de 800 apresentações, envolvendo cerca
de 860 artistas, em 15 cidades, 30 teatros e público superior a 445 mil
pessoas. Desde 2020, fundou o TeatroEmMov Digital, que realizou o primeiro
curso de teatro digital do Brasil, sendo uma plataforma web que pesquisa,
produz e une narrativas do teatro, da dança, do audiovisual e dos games; ambos
idealizados por sua diretora, Tatyana Rubim
Informações: @teatroemmovimento
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