Após apresentação recente na Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, o concerto “Lírico no Museu” ganha nova ambientação. Com um programa dedicado a obras do repertório coral sacro europeu, o Coral Lírico de Minas Gerais (CLMG) se apresenta no dia 16 de abril, às 19h, no Museu Inimá de Paula, no Centro de Belo Horizonte. Sob regência de Lucas Viana e com acompanhamento do pianista Fred Natalino, o programa convida a uma escuta atenta das distintas linguagens que atravessam os períodos barroco e romântico. A entrada é gratuita, sem necessidade de retirada prévia dos ingressos, com o espaço sujeito à lotação.
Abrindo o programa, “Hör mein Bitten [Ouça a minha súplica]” (1844), de Felix Mendelssohn (1809-1847), apresenta uma sonoridade clara, leve e expressiva, com destaque para os solos, que serão interpretados pela soprano Gislene Ramos. Na sequência, ainda de Mendelssohn, “Denn er hat seinen Engeln befohlen [Pois Ele ordenou aos seus anjos]” (1844) mantém uma abordagem equilibrada e expressiva, dialogando com a tradição do canto coral alemão a partir de um texto de origem bíblica. Em seguida, a “Mass in E-flat major (Cantus Missae) [Missa em Mi bemol maior (Cântico da missa)]” (1879), de Josef Rheinberger (1839-1901), destaca-se como exemplo representativo da escrita sacra a capela no contexto do romantismo tardio. Encerrando o repertório, “Komm, Jesu, komm [Vem, Jesus, vem]” (apresentado pela primeira vez no início dos anos 1730), de Johann Sebastian Bach (1685-1750), evidencia características marcantes da escrita coral sacra barroca, com estruturação rigorosa das vozes e estreita articulação entre texto e música.
O concerto “Lírico no museu” é realizado pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e Fundação Clóvis Salgado. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH, do Instituto Anglogold e Usiminas, Patrocínio Plus da Vivo e correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. O Palácio das Artes integra o Circuito Liberdade, que reúne mais de 60 equipamentos com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. A ação é viabilizada por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura e da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Vale-Cultura. Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro.
A expressão do sagrado em coro — O repertório coral sacro
europeu reúne obras compostas ao longo de séculos para contextos religiosos
cristãos, tendo como elemento central a expressividade da voz humana em
conjunto. Do barroco ao romantismo, esse repertório revela diferentes formas de
se explorar o canto coletivo.
Johann Sebastian Bach destaca-se pela escrita coral densa e refinada, em que as vozes se entrelaçam com precisão e profundidade. No século XIX, Felix Mendelssohn retoma essa tradição com maior leveza e lirismo, enquanto Josef Rheinberger amplia essas possibilidades ao criar peças mais introspectivas e contemplativas, frequentemente em obras a capela.
À frente do concerto, o regente assistente do CLMG, Lucas
Viana, explica que a escolha do programa busca expandir a experiência sonora:
“A proposta parte do desejo de explorar as possibilidades do coro, indo além de
uma abordagem tradicional e criando uma escuta mais imersiva, que exige alto
nível de preparo e sensibilidade do grupo”.
Ele ressalta ainda a atualidade do repertório: “A
intensidade da escrita coral proporciona uma escuta sensorial e emocionalmente
impactante, capaz de estabelecer conexão direta com o público,
independentemente de referências históricas ou religiosas”. Sobre o retorno ao
Museu Inimá de Paula, o regente destaca a proximidade com o público: “É um
espaço que favorece uma relação mais íntima entre músicos e ouvintes, e isso
proporciona uma experiência interessantíssima, tanto para nós quanto para os
espectadores”.
Local: Museu Inimá de Paula (Rua da Bahia, 1201 - Centro,
Belo Horizonte)
Classificação indicativa: Livre
Entrada gratuita; sem necessidade de retirada prévia de
ingressos, mas o espaço está sujeito à lotação.
Em 1979, o Coral Lírico de Minas Gerais foi declarado
Patrimônio Histórico e Cultural do Estado de Minas Gerais. Interpreta
repertório diversificado, incluindo motetos, óperas, oratórios e concertos
sinfônico-corais. Participa da política de difusão do canto coral, por meio da
Fundação Clóvis Salgado, a partir da realização das séries Concertos da
Liberdade, Coral Lírico na Cidade e Noites Líricas, além de integrar as
temporadas de óperas da FCS. O Coral Lírico de Minas Gerais já teve como
regentes Luiz Aguiar, Marcos Thadeu Miranda Gomes, Carlos Alberto Pinto
Fonseca, Ângela Pinto Coelho, Eliane Fajioli, Silvio Viegas, Charles Roussin,
Afrânio Lacerda, Márcio Miranda Pontes, Lincoln Andrade, Lara Tanaka e Hernán
Sánchez Arteaga. Maria Clara Marco Fernández é sua atual regente titular e
diretora musical.
Com a missão de fomentar a criação, a formação, a produção e
a difusão da arte e da cultura em Minas Gerais, a Fundação Clóvis Salgado (FCS)
é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais
(Secult). Artes visuais, cinema, dança, música, ópera e teatro integram a ampla
programação desenvolvida nos espaços sob sua gestão, como o Palácio das Artes,
a CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais e a Serraria Souza Pinto. A
Fundação também é responsável pela gestão dos corpos artísticos — Orquestra
Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico de Minas Gerais e Cia de Dança Palácio
das Artes — além do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Arte e do Cefart. Em
2026, ao celebrar os 55 anos do Palácio das Artes, a FCS amplia suas ações para
todas as artes e todos os públicos, reafirmando seu compromisso com a
democratização cultural.
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