quarta-feira, 25 de março de 2026

Profissionais da comunicação buscam resgatar a Associação Mineira de Imprensa

                          Entrada da sede da AMI

Jornalistas, publicitários e outros profissionais da comunicação em Minas Gerais protocolaram, no dia 19 de março,  na Justiça Estadual, uma ação judicial que busca resgatar uma das mais importantes instituições de comunicação, artes e cultura do Estado: a Associação Mineira de Imprensa (AMI).

A iniciativa é liderada pelo jornalista Washington Mello, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais e da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), e foi formalizada por meio do advogado José Anchieta da Silva.

Com o objetivo de fortalecer o movimento e ampliar o apoio da sociedade, a mobilização já conta com mais de mil assinaturas em um manifesto público, subscrito por profissionais da comunicação e de diversas outras áreas, sensibilizados pela situação de abandono em que se encontra a entidade. O manifesto será lançado oficialmente no próximo dia 30 de março (segunda-feira), no pátio da Academia Mineira de Letras, ao lado do prédio da AMI, com a presença de representantes do movimento e de instituições do setor de comunicação no Estado.

Fundada em 1921, em Juiz de Fora, e transferida para Belo Horizonte em 1951, por iniciativa do então presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas, professor José Mendonça, a AMI é uma instituição privada que, durante décadas, desempenhou papel relevante na representação de profissionais e empresas do setor de comunicação. Complementarmente às atividades do Sindicato dos Jornalistas, a Associação teve presença marcante na capital mineira, sendo espaço de referência frequentado por intelectuais, artistas e profissionais da imprensa.

Atualmente, a entidade encontra-se trancada, abandonada, endividada e sob o controle de pessoas que, segundo o movimento, não representam os profissionais de comunicação de Minas Gerais, com dirigentes de endereços desconhecidos até mesmo para a Justiça. Essa situação se arrasta desde 2015.

Profissionais da imprensa e de outras áreas da comunicação relatam que foram impedidos de participar de reuniões, tendo a entrada vetada inclusive a ex-associados, expulsos sob a alegação de inadimplência. Há anos, grupos tentam, judicialmente, garantir o direito de filiação e promover mudanças que restabeleçam uma gestão democrática, transparente e representativa, em consonância com os princípios estatutários da AMI. Todas as tentativas, até agora, não tiveram sucesso, o que levou à atual ação judicial.

Entenda o caso  -  As últimas diretorias da AMI — a anterior, presidida pelo radialista Wilson Miranda, eleito em 2008 e falecido em 2021, e a atual, liderada por José Honorato de Oliveira Júnior — promoveram alterações estatutárias, como a ampliação de mandatos e a cassação de associados classificados como inadimplentes. Essas decisões foram tomadas em assembleias gerais com apenas seis participantes.

Segundo o movimento, essas mudanças impediram o acesso da categoria não apenas às decisões da entidade, mas também à sua sede. Desde então, as diretorias vêm se reelegendo em mandatos consecutivos, por meio de assembleias que contam com a participação de pessoas pouco conhecidas no meio jornalístico, embora todas as decisões sejam formalmente registradas em ata. A última eleição ocorreu em setembro de 2024, para um mandato com validade até setembro de 2028.

Atualmente, a única atividade visível no prédio da AMI é o funcionamento de um restaurante self-service no pavimento inferior. Não há prestação pública de contas sobre o aluguel do espaço, e a responsável pelo estabelecimento se recusa a fornecer informações sobre o contrato, bem como dados de contato dos membros da diretoria.


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