Entrada da sede da AMI
Jornalistas, publicitários e outros profissionais da
comunicação em Minas Gerais protocolaram, no dia 19 de março, na Justiça Estadual, uma ação judicial que busca resgatar uma das mais
importantes instituições de comunicação, artes e cultura do Estado: a
Associação Mineira de Imprensa (AMI).
A iniciativa é liderada pelo jornalista Washington Mello,
ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais e da Federação
Nacional dos Jornalistas (Fenaj), e foi formalizada por meio do advogado José
Anchieta da Silva.
Com o objetivo de fortalecer o movimento e ampliar o apoio
da sociedade, a mobilização já conta com mais de mil assinaturas em um
manifesto público, subscrito por profissionais da comunicação e de diversas
outras áreas, sensibilizados pela situação de abandono em que se encontra a
entidade. O manifesto será lançado oficialmente no próximo dia 30 de março
(segunda-feira), no pátio da Academia Mineira de Letras, ao lado do prédio da
AMI, com a presença de representantes do movimento e de instituições do setor
de comunicação no Estado.
Fundada em 1921, em Juiz de Fora, e transferida para Belo
Horizonte em 1951, por iniciativa do então presidente do Sindicato dos
Jornalistas de Minas, professor José Mendonça, a AMI é uma instituição privada
que, durante décadas, desempenhou papel relevante na representação de
profissionais e empresas do setor de comunicação. Complementarmente às
atividades do Sindicato dos Jornalistas, a Associação teve presença marcante na
capital mineira, sendo espaço de referência frequentado por intelectuais, artistas
e profissionais da imprensa.
Atualmente, a entidade encontra-se trancada, abandonada,
endividada e sob o controle de pessoas que, segundo o movimento, não
representam os profissionais de comunicação de Minas Gerais, com dirigentes de
endereços desconhecidos até mesmo para a Justiça. Essa situação se arrasta
desde 2015.
Profissionais da imprensa e de outras áreas da comunicação
relatam que foram impedidos de participar de reuniões, tendo a entrada vetada
inclusive a ex-associados, expulsos sob a alegação de inadimplência. Há anos,
grupos tentam, judicialmente, garantir o direito de filiação e promover
mudanças que restabeleçam uma gestão democrática, transparente e
representativa, em consonância com os princípios estatutários da AMI. Todas as
tentativas, até agora, não tiveram sucesso, o que levou à atual ação judicial.
Entenda o caso - As últimas diretorias da AMI — a anterior, presidida pelo radialista Wilson Miranda, eleito em 2008 e falecido em 2021, e a atual, liderada por José Honorato de Oliveira Júnior — promoveram alterações estatutárias, como a ampliação de mandatos e a cassação de associados classificados como inadimplentes. Essas decisões foram tomadas em assembleias gerais com apenas seis participantes.
Segundo o movimento, essas mudanças impediram o acesso da
categoria não apenas às decisões da entidade, mas também à sua sede. Desde
então, as diretorias vêm se reelegendo em mandatos consecutivos, por meio de
assembleias que contam com a participação de pessoas pouco conhecidas no meio
jornalístico, embora todas as decisões sejam formalmente registradas em ata. A
última eleição ocorreu em setembro de 2024, para um mandato com validade até
setembro de 2028.
Atualmente, a única atividade visível no prédio da AMI é o funcionamento de um restaurante self-service no pavimento inferior. Não há prestação pública de contas sobre o aluguel do espaço, e a responsável pelo estabelecimento se recusa a fornecer informações sobre o contrato, bem como dados de contato dos membros da diretoria.
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