terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Cine Humberto Mauro inaugura parceria com tradicional projeto de exibição de filmes de vários países, gêneros e estilos

         




O Cine Humberto Mauro é um dos mais tradicionais projetos de exibição cinematográfica da capital mineira, o Cineclube Comum chega, pela primeira vez, a partir de uma parceria entre a Fundação Clóvis Salgado (FCS) e o Instituto Cervantes de Belo Horizonte, o público poderá acompanhar, ao longo do ano de 2026, a mostra “Visões Táteis”, em sessões mensais que terão comentários de integrantes do Cineclube Comum (Fábio de Carvalho, Helena Elias e Victor Guimarães) e de pesquisadores de cinema da cidade.


A programação começou no dia 3 de março , às 19h30, com os filmes do cineasta e inventor espanhol José Val del Omar (1904-1982), e segue até o fim do ano, sempre nas primeiras terças-feiras de cada mês. A entrada é gratuita; metade dos ingressos estarão disponíveis, de forma on-line, a partir de meio-dia do dia das sessões, no site do Sympla; o restante será distribuído presencialmente na bilheteria principal do Palácio das Artes e no totem, no hall, meia hora antes de cada exibição, mediante a apresentação de documento com foto.

O Cineclube Comum é um projeto de exibição e discussão cinematográfica em atividade em Belo Horizonte desde 2012. A iniciativa aposta no potencial das salas de cinema para serem espaços de partilha de ideias e efervescência cultural e política.


Ao longo de sua história, o projeto já realizou mais de dez mostras, em diferentes espaços da cidade, com destaque para “Sabotadores da Indústria” (Sesc Palladium, 2015), “Brasil 68” (Cine Santa Tereza, 2018) e “Defesa do Atrito” (Centro Cultural Unimed-BH Minas, 2024). O cineclube também publica a coleção de livros “Cadernos do Cineclube Comum”, que atualmente conta com cinco volumes de ensaios dedicados aos filmes exibidos nas mostras.

A mostra “Cineclube Comum – Mostra ‘Visões Táteis’” é realizada pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e Fundação Clóvis Salgado. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH, Patrocínio Plus da Vivo, Patrocínio da ArcelorMittal, e correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. O Palácio das Artes integra o Circuito Liberdade, que reúne mais de 60 equipamentos com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. A ação é viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Vale-Cultura. Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro.

Cinema de carne e osso – Em 2026, partindo da filmografia de José Val del Omar, a mostra “Visões Táteis” apresentará ao público do Cine Humberto Mauro um conjunto variado de filmes que valorizam o aspecto físico da experiência do cinema. É o que destaca um dos curadores, Victor Guimarães. “Em um tempo em que a dispersão, o excesso de informações e a saturação de imagens nos empurra a uma desconexão em relação a tudo o que é concreto e tangível, apostamos na capacidade do cinema de fazer valer o sentido do tato, esse que, no dizer do ensaísta argentino Pablo Maurette, foi por muito tempo considerado um ‘sentido esquecido’. No interessam, assim, os filmes que incorporam o aspecto tátil, ou ‘tudo aquilo que se expressa por meio de pulsações, rangidos, torções, expansões, acelerações, resfriamento, equilíbrio e desequilíbrio’. Como escreve Maurette, ‘tudo que nos comove, nos excita, nos agita, tudo que nos afeta com maior ou menor intensidade é experimentado como uma forma de tato’. É em busca dessas intensidades que se move a mostra ‘Visões Táteis’”.

A sessão de abertura traz três curtas-metragens que compõem “Tríptico Elemental de España” de Val del Omar, formado por “Aguaespejo Granadino (La Gran Siguiriya)” (1953-1955), “Fuego en Castilla (Tactilvisión del Páramo del Espanto)” (1958-1960) e “Acariño Galaico (De barro)” (1961-1962), além do pioneiro “Vibración de Granada” (1934-1935). Nascido em Granada em 1904, José Val del Omar foi, além de cineasta, fotógrafo, escritor, educador, e se destacou também como inventor de máquinas e aparatos técnicos, que contribuíram com sua busca incessante de uma arte capaz de mobilizar múltiplos sentidos simultaneamente. “Seus filmes possuem uma qualidade tátil muito evidente, produzida através de procedimentos técnicos e formais, como suas coreografias de luz, que proporcionam aos espectadores uma outra experiência de exibição na sala escura”, caracteriza Victor.

Inspirado pelos filmes e textos de Val del Omar, o conceito de “visão tátil” dá espaço para uma curadoria diversa, que incluirá filmes experimentais, de gênero, dos cinemas marginal e de fluxo, e de distintos territórios. Desde filmes etnográficos que recuperam a materialidade do gesto até filmes de horror que propõem uma relação visceral com as imagens e os sons, passando por obras que exploram a animalidade, escapando dos limites do entendimento humano, e por filmes que dialogam com o melodrama e o musical, recuperando o engajamento emocional como acontecimento físico.

“São filmes em que o olhar não se restringe a um expediente óptico, mas incorpora algo do movimento do corpo”, comenta o Gerente de Cinema da Fundação Clóvis Salgado, Vitor Miranda. “Obras que convidam mais a uma atenção à textura das superfícies do que à enunciação, e que de alguma forma se esquivam de leituras imediatas. Em diálogo com Val del Omar, um cinema que se volta para o instinto, a carne e o tato, a mostra aposta em filmes que recuperam a sala de cinema como espaço privilegiado de imersão, e é uma felicidade podermos promover esse mergulho, em parceria com o Cineclube Comum, aqui no Cine Humberto Mauro, um local tão tradicional para os cinéfilos mineiros”, celebra Vitor.


O Cine Humberto Mauro é um dos mais tradicionais cinemas de Belo Horizonte, foi inaugurado em 1978. Seu nome homenageia um dos pioneiros do cinema brasileiro, o mineiro Humberto Mauro (1897-1983), grande realizador cinematográfico. Com 129 lugares, possui equipamentos de som Dolby Digital e para exibição de filmes em 3D e 4K. Nestes mais de 45 anos de existência, a Fundação Clóvis Salgado tem investido na consolidação do espaço como um local de formação de novos públicos a partir de programação diversificada, bem como através da criação de mecanismos de estímulo à produção audiovisual, com a realização do tradicional FestCurtasBH – Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte, e o Prêmio Estímulo ao Curta-Metragem de Baixo Orçamento. O Cine Humberto Mauro também é um importante difusor do conhecimento ao promover cursos, seminários, debates e palestras. Sessões permanentes e comentadas também têm espaço cativo a partir das mostras História Permanente do Cinema, Cinema e Psicanálise, Curta no Almoço, entre outros. Todas as atividades do Cine Humberto Mauro são gratuitas.

A Fundação Clóvis Salgado tem a  missão de fomentar a criação, a formação, a produção e a difusão da arte e da cultura em Minas Gerais, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Artes visuais, cinema, dança, música, ópera e teatro integram a ampla programação desenvolvida nos espaços sob sua gestão, como o Palácio das Artes, a CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais e a Serraria Souza Pinto. A Fundação também é responsável pela gestão dos corpos artísticos — Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico de Minas Gerais e Cia de Dança Palácio das Artes — além do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Arte e do Cefart, o Centro de Formação Artística e Tecnológica. Em 2026, ao celebrar os 55 anos do Palácio das Artes, a FCS amplia suas ações para todas as artes e todos os públicos, reafirmando seu compromisso com a democratização cultural. Palácio das Artes – 55 anos: ontem, hoje, sempre. A arte é o espaço do encontro.

Cineclube Comum – Mostra “Visões Táteis”

Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes -(Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte) Classificação indicativa: 12 anos

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