O Cine Humberto Mauro é um dos mais tradicionais projetos de exibição cinematográfica da capital mineira, o Cineclube Comum chega, pela primeira vez, a partir de uma parceria entre a Fundação Clóvis Salgado (FCS) e o Instituto Cervantes de Belo Horizonte, o público poderá acompanhar, ao longo do ano de 2026, a mostra “Visões Táteis”, em sessões mensais que terão comentários de integrantes do Cineclube Comum (Fábio de Carvalho, Helena Elias e Victor Guimarães) e de pesquisadores de cinema da cidade.
A programação começou no dia 3 de março , às 19h30, com os filmes do cineasta e inventor espanhol José Val del Omar (1904-1982), e segue até o fim do ano, sempre nas primeiras terças-feiras de cada mês. A entrada é gratuita; metade dos ingressos estarão disponíveis, de forma on-line, a partir de meio-dia do dia das sessões, no site do Sympla; o restante será distribuído presencialmente na bilheteria principal do Palácio das Artes e no totem, no hall, meia hora antes de cada exibição, mediante a apresentação de documento com foto.
O Cineclube Comum é um projeto de exibição e discussão cinematográfica em atividade em Belo Horizonte desde 2012. A iniciativa aposta no potencial das salas de cinema para serem espaços de partilha de ideias e efervescência cultural e política.
Ao longo de sua história, o projeto já realizou mais de dez mostras, em diferentes espaços da cidade, com destaque para “Sabotadores da Indústria” (Sesc Palladium, 2015), “Brasil 68” (Cine Santa Tereza, 2018) e “Defesa do Atrito” (Centro Cultural Unimed-BH Minas, 2024). O cineclube também publica a coleção de livros “Cadernos do Cineclube Comum”, que atualmente conta com cinco volumes de ensaios dedicados aos filmes exibidos nas mostras.
A mostra “Cineclube Comum – Mostra ‘Visões Táteis’” é
realizada pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de
Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e Fundação Clóvis Salgado. As
atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio
Master do Instituto Cultural Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do
Instituto Unimed-BH, Patrocínio Plus da Vivo, Patrocínio da ArcelorMittal, e
correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. O Palácio das Artes integra o
Circuito Liberdade, que reúne mais de 60 equipamentos com as mais variadas
formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. A
ação é viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Vale-Cultura. Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro.
Cinema de carne e osso – Em 2026, partindo da filmografia de
José Val del Omar, a mostra “Visões Táteis” apresentará ao público do Cine
Humberto Mauro um conjunto variado de filmes que valorizam o aspecto físico da
experiência do cinema. É o que destaca um dos curadores, Victor Guimarães. “Em
um tempo em que a dispersão, o excesso de informações e a saturação de imagens
nos empurra a uma desconexão em relação a tudo o que é concreto e tangível,
apostamos na capacidade do cinema de fazer valer o sentido do tato, esse que,
no dizer do ensaísta argentino Pablo Maurette, foi por muito tempo considerado
um ‘sentido esquecido’. No interessam, assim, os filmes que incorporam o
aspecto tátil, ou ‘tudo aquilo que se expressa por meio de pulsações, rangidos,
torções, expansões, acelerações, resfriamento, equilíbrio e desequilíbrio’.
Como escreve Maurette, ‘tudo que nos comove, nos excita, nos agita, tudo que
nos afeta com maior ou menor intensidade é experimentado como uma forma de
tato’. É em busca dessas intensidades que se move a mostra ‘Visões Táteis’”.
A sessão de abertura traz três curtas-metragens que compõem
“Tríptico Elemental de España” de Val del Omar, formado por “Aguaespejo
Granadino (La Gran Siguiriya)” (1953-1955), “Fuego en Castilla (Tactilvisión
del Páramo del Espanto)” (1958-1960) e “Acariño Galaico (De barro)”
(1961-1962), além do pioneiro “Vibración de Granada” (1934-1935). Nascido em
Granada em 1904, José Val del Omar foi, além de cineasta, fotógrafo, escritor,
educador, e se destacou também como inventor de máquinas e aparatos técnicos, que
contribuíram com sua busca incessante de uma arte capaz de mobilizar múltiplos
sentidos simultaneamente. “Seus filmes possuem uma qualidade tátil muito
evidente, produzida através de procedimentos técnicos e formais, como suas
coreografias de luz, que proporcionam aos espectadores uma outra experiência de
exibição na sala escura”, caracteriza Victor.
Inspirado pelos filmes e textos de Val del Omar, o conceito
de “visão tátil” dá espaço para uma curadoria diversa, que incluirá filmes
experimentais, de gênero, dos cinemas marginal e de fluxo, e de distintos
territórios. Desde filmes etnográficos que recuperam a materialidade do gesto
até filmes de horror que propõem uma relação visceral com as imagens e os sons,
passando por obras que exploram a animalidade, escapando dos limites do
entendimento humano, e por filmes que dialogam com o melodrama e o musical,
recuperando o engajamento emocional como acontecimento físico.
“São filmes em que o olhar não se restringe a um expediente óptico, mas incorpora algo do movimento do corpo”, comenta o Gerente de Cinema da Fundação Clóvis Salgado, Vitor Miranda. “Obras que convidam mais a uma atenção à textura das superfícies do que à enunciação, e que de alguma forma se esquivam de leituras imediatas. Em diálogo com Val del Omar, um cinema que se volta para o instinto, a carne e o tato, a mostra aposta em filmes que recuperam a sala de cinema como espaço privilegiado de imersão, e é uma felicidade podermos promover esse mergulho, em parceria com o Cineclube Comum, aqui no Cine Humberto Mauro, um local tão tradicional para os cinéfilos mineiros”, celebra Vitor.
O Cine Humberto Mauro é um dos mais tradicionais cinemas de
Belo Horizonte, foi inaugurado em 1978. Seu nome homenageia um dos pioneiros do
cinema brasileiro, o mineiro Humberto Mauro (1897-1983), grande realizador
cinematográfico. Com 129 lugares, possui equipamentos de som Dolby Digital e
para exibição de filmes em 3D e 4K. Nestes mais de 45 anos de existência, a
Fundação Clóvis Salgado tem investido na consolidação do espaço como um local
de formação de novos públicos a partir de programação diversificada, bem como
através da criação de mecanismos de estímulo à produção audiovisual, com a
realização do tradicional FestCurtasBH – Festival Internacional de Curtas de
Belo Horizonte, e o Prêmio Estímulo ao Curta-Metragem de Baixo Orçamento. O
Cine Humberto Mauro também é um importante difusor do conhecimento ao promover
cursos, seminários, debates e palestras. Sessões permanentes e comentadas
também têm espaço cativo a partir das mostras História Permanente do Cinema,
Cinema e Psicanálise, Curta no Almoço, entre outros. Todas as atividades do
Cine Humberto Mauro são gratuitas.
A Fundação Clóvis Salgado tem a missão de fomentar a criação, a formação, a
produção e a difusão da arte e da cultura em Minas Gerais, a Fundação Clóvis
Salgado (FCS) é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas
Gerais (Secult). Artes visuais, cinema, dança, música, ópera e teatro integram
a ampla programação desenvolvida nos espaços sob sua gestão, como o Palácio das
Artes, a CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais e a Serraria Souza
Pinto. A Fundação também é responsável pela gestão dos corpos artísticos — Orquestra
Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico de Minas Gerais e Cia de Dança Palácio
das Artes — além do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Arte e do Cefart, o
Centro de Formação Artística e Tecnológica. Em 2026, ao celebrar os 55 anos do
Palácio das Artes, a FCS amplia suas ações para todas as artes e todos os
públicos, reafirmando seu compromisso com a democratização cultural. Palácio
das Artes – 55 anos: ontem, hoje, sempre. A arte é o espaço do encontro.
Cineclube Comum – Mostra “Visões Táteis”
Cine Humberto Mauro – Palácio
das Artes -(Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte) Classificação
indicativa: 12 anos
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