quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Giramundo restaura seiscentos bonecos e resgata meio século de história, com apoio da Fundação Clóvis Salgado

 


 A exposição “Bonecos Giramundo”, aberta para visitação no Palácio das Artes entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, trouxe quase 14 mil visitantes à Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard em seu primeiro mês (11/10 a 10/11), e marca o resultado de um extenso processo de inventário e restauro do acervo do Giramundo, realizado em parceria com a Fundação Clóvis Salgado (FCS). Cerca de seiscentos bonecos — o equivalente à metade do acervo total do grupo — passaram por avaliação técnica, laudos e restauração, em um trabalho que abrange toda a trajetória do coletivo mineiro, desde as criações iniciais de 1971 até a montagem mais recente, “O Menino Bach Visita o Brasil”, de 2024. Desses seiscentos, mais de 80%, ou quinhentos itens, fazem parte da mostra. 


Segundo Marcos Malafaia, diretor do Giramundo, a exposição se distingue por juntar o trabalho de recuperação do acervo a uma experiência expositiva inédita. “A mostra, mais que uma reunião de bonecos, é uma ação de salvaguarda do patrimônio cultural de Minas Gerais e do Brasil. Ela salvou uma boa parte do acervo da completa destruição e inaugurou um novo ciclo de preservação para o grupo”, afirma. 

O projeto, que integra a “Ocupação Giramundo”, celebra também os 55 anos do grupo. O trabalho de restauração, iniciado em julho, envolveu doze profissionais diretamente — entre restauradores, museólogos, artistas plásticos e técnicos. Tanto recursos materiais quanto humanos foram mobilizados pela Fundação Clóvis Salgado para oportunizar a expografia, tornando possível, assim, o restauro, que contou com o apoio da equipe da FCS em todas as etapas, do acondicionamento e transporte das peças à montagem da exposição. O presidente da Fundação Clóvis Salgado, Sérgio Rodrigo Reis, celebra a parceria. “É um orgulho imenso para a Fundação – instituição referência na criação, formação, produção e difusão artística no Brasil – poder contribuir de forma decisiva para a restauração do rico acervo do grupo neste ano tão significativo. Temos então na Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard uma comemoração à altura do aniversário: a exposição que reúne centenas de peças, com bonecos restaurados de produções emblemáticos como ‘Os Orixás’, ‘Pedro e o Lobo’, ‘A Flauta Mágica’, ‘Dango Balango’ e tantos mais. Não por acaso, estamos com um número altíssimo de visitações, e esperamos que mais pessoas venham ver o resultado desse trabalho tão dedicado”. 



O processo de restauração seguiu rigorosos critérios museológicos, priorizando a compatibilidade com as técnicas originais de construção e os materiais usados nas épocas de criação. “Procuramos respeitar ao máximo os procedimentos originais. Nosso princípio foi conservar o espírito e a técnica de cada artista”, explica Malafaia. 

A fase de descupinização, conduzida com orientação do Núcleo de Gestão de Acervos Museológicos da Diretoria de Museus da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG), foi uma das etapas mais delicadas. Além disso, muitos bonecos precisaram ser reconstituídos, o que exigiu um trabalho meticuloso de identificação. “Em vários casos, não existia registro fotográfico que ligasse o boneco ao seu espetáculo. Essa identificação foi feita com base na memória dos diretores do grupo e, nos casos mais antigos — especialmente dos anos 1970 —, com a ajuda da Madu, única fundadora do Giramundo ainda viva”, relembra. 



Grande parte dos bonecos estava com mãos, pés e adereços separados, e foi necessário realizar um trabalho delicado de recomposição. Em alguns casos, as partes perdidas foram substituídas por réplicas, sempre com base em desenhos e materiais de época. Já na fase de restauração, surgiram dilemas entre a preservação do original e a renovação mais profunda das peças. “Priorizamos a manutenção dos elementos originais, mesmo que desgastados pelo tempo. Nosso compromisso é com a autenticidade da obra”, enfatiza o diretor. 

Outro desafio foi lidar com materiais e tintas que deixaram de existir. As soluções vieram de substituições cuidadosas e compatíveis, respeitando a estética e a técnica dos criadores originais. “A pintura foi um dos temas mais difíceis, porque muitos dos artistas da época eram professores e pintores profissionais, com maestria técnica difícil de igualar”, observa Malafaia. 

Para o diretor, a restauração representa um novo capítulo na história do grupo. “O Giramundo carrega um patrimônio vivo, que precisa ser cuidado, compartilhado e reinventado. E é com a parceria da Fundação Clóvis Salgado que esse sonho começa a ganhar forma, devolvendo aos bonecos sua voz, sua cor e sua história



Exposição “Bonecos Giramundo” , até o dia 22 de fevereiro de 2026, Horário: Terça a sábado de 9h30 às 21h, domingo de 17h às 21h, n0    Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard,Palácio das Artes, BH,  entrada gratuita  Informações  (31) 3236-7307 / www.fcs.mg.gov.br

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