Nos 853 municípios mineiros existe a tradição do
congado e reinado mantendo a fé, religiosidade e tradição com os cantos e tambores
e outros instrumentos musicais .
O Governo de
Minas celebra um marco histórico para as culturas de congados e
reinados do estado, já que, a partir do dia 3 de agosto, a expressão cultural
passou a ser reconhecida como Patrimônio Cultural de Minas Gerais.
O vice-governador de Minas, Professor Mateus, e o secretário de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG),
Leônidas de Oliveira, acompanharam o resultado da iniciativa, realizada a
partir de pesquisa e dossiê organizados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e
Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG).
fotos:Dirceu Aurélio
O resultado é fruto de trabalho coletivo, apresentado e reconhecido por votação
em reunião do Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep). O Conselho fez
a deliberação do tema fundamental para a salvaguarda, preservação e promoção
dessas tradições populares, acompanhada pela comunidade de congadeiros,
com os cantos, tambores e indumentárias únicas.
Após a votação, o vice-governador e o secretário de Cultura e Turismo
entregaram o certificado à Rainha Belinha, Rainha Conga do Estado Maior de
Minas Gerais e da Guarda de Moçambique. Eles acompanharam os congadeiros em
cortejo pela Praça da Liberdade até o Palácio da Liberdade, onde ergueram a
bandeira de Nossa Senhora do Rosário.
Em consonância com o vice-governador, o
secretário Leônidas de Oliveira destacou que "este Palácio que leva o nome
de Liberdade hoje está mais livre com o reconhecimento dessa tradição, que se
confunde com a formação histórica e cultural de Minas Gerais, com relatos que
datam de mais de 300 anos atrás".
Este trabalho da Secult-MG de resgate do senso de
cultura, enquanto produção popular, foi elogiado pelo vice-governador de Minas.
“Essa é a produção que representa a nossa sociedade. Não é uma crítica à
cultura erudita, mas não é essa cultura erudita europeia que representa quem é
o nosso povo mineiro”.
Durante a cerimônia, também foi exibida a bandeira de
ferro fundido de Ouro Preto, que possui mais de 200 anos. Produzida com
técnicas africanas, a bandeira foi encontrada na Capela de Nossa Senhora das
Necessidades, em 2020.
Histórico - Desde 2021, o
Iepha-MG trabalha na catalogação e pesquisa dessas expressões culturais para a
produção do dossiê, e recebeu mais de 900 cadastros de guardas ou ternos de
reinados e congados de Minas Gerais.
O dossiê produzido ressalta a importância histórica,
social e cultural dos congados e reinados e define ações de salvaguarda para
proteger essas tradições, garantindo que essa cultura se mantenha viva e
valorizada em Minas Gerais. Esses passam a ser o décimo bem cultural imaterial
reconhecido pelo Estado.
“Compete a cada um de nós preservar, dentro de nossas
famílias, as tradições que nos foram ensinadas por aqueles que palmilharam a
terra antes de nós. Quando esquecemos de onde viemos, é fácil não saber mais
para onde estamos indo”, frisou Professor Mateus, ao lembrar o trabalho de
transmissão de legado dos congadeiros.
"Nossos congadeiros preservam a noção e a memória
de suas origens, e carregam em suas famílias a orientação de para onde eles
vão. Que Minas Gerais continue sendo o berço da inovação a partir da tradição,
e que as congadas continuem sendo parte central de Minas, onde religiosidade,
cultura, turismo e tradição forjam os mineiros mais fortes do que nosso ferro e
mais valorosos do que nosso ouro", disse o vice-governador de Minas.
O secretário de Cultura e Turismo de Minas enfatizou.
“Todos vocês, mestres e mestras das congadas, mantêm acesa essa chama da fé na
terra de Minas Gerais. A história e a eternidade que o patrimônio histórico
tem, e uma declaração dessas, é para que essa tradição se perpetue”, concluiu
Leônidas de Oliveira.
Festival - A celebração
pelo reconhecimento das expressões como Patrimônio Cultural do estado integra o
Primeiro Festival Cozinha das Afromineiridades, realizado até dia 3 de agosto, no
Palácio da Liberdade, com dezenas de atrações, em programação gratuita.
O evento reuniu os cerca de 1,5 mil representantes de
mais de 30 ternos de congados e reinados de todas as regiões de Minas Gerais.
A iniciativa é do Governo de Minas, por meio da
Secult-MG e do Iepha-MG, com patrocínio da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e
da Companhia de Gás de Minas Gerais
(Gasmig), via Lei Estadual de Incentivo à Cultura.