Alexandre Brandão, Karla Delfim, Gabriel Azevedo, Guilherme Sanson, Thais Lima, Mateus Simões, Roberto Fagundes, Teresa Lemos e Paulo Boechat
O turismo e a indústria de eventos ganharam uma agenda específica no debate eleitoral em Minas Gerais. Candidatos e representantes de chapas ao Governo do Estado participaram, em Belo Horizonte, do Encontro com Candidatos ao Governo de Minas Gerais – Pauta Setorial: Turismo e Eventos, realizado no dia 16 de setembro.
Uma iniciativa da Federação de Convention & Visitors Bureaux, que reuniu entidades representativas do trade turístico mineiro, entre elas; FC&VB-MG,ABAV-MG, ABIH-MG, Abrasel-MG, FECITUR-MG, FBHA, SINDETUR-MG , SINDLOC-MG. Com apoio da BHCVB e da Fecomércio MG.
O encontro
foi estruturado para colocar turismo e eventos no centro da discussão sobre
desenvolvimento econômico, geração de empregos, atração de investimentos e
fortalecimento dos municípios mineiros.
O formato
não previa debate direto entre os participantes. Cada candidato teve espaço
para apresentar suas propostas e, posteriormente, responder a perguntas
relacionadas às principais demandas do setor, sem direito a réplica.
Mateus Simões apresenta cinco propostas estruturantes
Mateus Simões apresentou cinco pontos para estruturar uma política estadual voltada ao turismo e aos eventos.
O primeiro é a criação de uma mesa permanente de discussão intersetorial, reunindo Governo do Estado, Convention & Visitors Bureau, aeroportos, Corpo de Bombeiros, hotelaria, gastronomia, produtores e demais agentes envolvidos na atividade.
O segundo ponto é trabalhar de forma antecipada na captação de grandes eventos. Simões destacou que congressos, competições e encontros de grande porte costumam escolher suas cidades-sede com anos de antecedência, exigindo planejamento e atuação conjunta do poder público e da iniciativa privada.
A terceira proposta envolve ações de site inspection, hosted buyers e fam tours, apresentando Minas Gerais a organizadores, compradores e profissionais capazes de influenciar a escolha de destinos para futuros eventos.
A quarta prevê um calendário estadual coordenado, com datas planejadas para diminuir conflitos entre grandes eventos e permitir melhor aproveitamento da infraestrutura disponível nas diferentes regiões.
A quinta proposta é estabelecer uma metodologia padronizada para medir os resultados econômicos dos eventos, considerando movimentação financeira, empregos e impactos gerados para os destinos.
Simões também defendeu o fortalecimento da regionalização do turismo, argumentando que cada território possui características próprias. Turismo náutico, religioso, cultural, rural, de negócios ou de eventos exige estratégias adequadas à realidade de cada região.
Estradas entram no centro das perguntas
Uma das principais perguntas apresentadas durante o encontro tratou diretamente das condições das rodovias mineiras.
A questão abordou a recuperação das estradas estaduais e também a necessidade de articulação com o Governo Federal para intervenções nas rodovias federais que atravessam Minas Gerais, especialmente nos corredores que conectam o Estado a São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Ao responder ao tema, Mateus Simões relacionou infraestrutura e acesso à competitividade turística, reforçando a importância de melhorar as condições de deslocamento para que os diferentes destinos mineiros possam ampliar sua capacidade de receber visitantes e eventos.
Gabriel Azevedo: desburocratização e incentivo
à captação de eventos
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Presidente da ABAV-MG , Alexandre Brandão, Karla Delfim e Gabriel Azevedo |
Gabriel
Azevedo colocou a redução da burocracia entre os principais pontos de sua
apresentação. Para ele, o poder público deve atuar como facilitador para
produtores, empresários e organizações interessados em realizar grandes eventos
no Estado.
Entre suas
propostas está a criação da Carteira Mineira de Captação de Eventos,
instrumento pensado para facilitar o relacionamento dos produtores com o
Governo de Minas e criar um ambiente favorável à atração de shows, festivais,
congressos, feiras e outras grandes atrações.
Gabriel
também abordou o potencial econômico do Carnaval e defendeu que Minas trabalhe
melhor o período que antecede a programação oficial, aproveitando ensaios e
eventos preparatórios para ampliar a permanência dos visitantes e movimentar
hotelaria, gastronomia, comércio e serviços.
Outro ponto
apresentado foi a mobilidade ferroviária. O candidato defendeu uma ligação
partindo da Praça da Estação, em Belo Horizonte, em direção a Ouro Preto e
Mariana, reconhecendo tratar-se de um projeto de longo prazo.
Mobilidade e acesso ao Aeroporto de Confins
Questionado
sobre infraestrutura e mobilidade, Gabriel destacou a necessidade de melhorar a
ligação entre o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, e a
região central da capital.
Sua
proposta inclui uma conexão de alta capacidade e uma visão de longo prazo para
o transporte ferroviário, aproximando o aeroporto dos principais polos
turísticos e econômicos.
Gabriel
também relacionou essa infraestrutura à possibilidade de facilitar o
deslocamento de visitantes para destinos como Ouro Preto, Mariana e Inhotim,
ampliando a integração entre Belo Horizonte e importantes atrativos turísticos
mineiros.
Luiz Eduardo Falcão defende turismo conectado
às vocações do interior
Luiz
Eduardo Falcão colocou a interiorização como um dos principais eixos de sua
participação.
Ex-prefeito
de Patos de Minas e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios, Falcão
argumentou que as políticas estaduais precisam considerar as diferentes
vocações econômicas e turísticas das regiões.
Em sua
apresentação, destacou que Sul de Minas, Norte, Jequitinhonha, Mucuri, Zona da
Mata, Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba possuem características próprias e,
por isso, não devem receber soluções padronizadas concebidas exclusivamente a
partir da capital.
Sua
proposta é identificar essas vocações e transformá-las em produtos turísticos e
oportunidades de negócios, utilizando gastronomia, cultura, produção regional,
agronegócio, eventos e experiências locais como instrumentos de atração de
visitantes.
Falcão
defendeu que o Estado concentre sua atuação em áreas como infraestrutura,
segurança, iluminação, organização das informações e redução da burocracia,
criando condições para que empresários, municípios e produtores desenvolvam as
experiências e os eventos.
Captação ativa de feiras, congressos e eventos
Outro ponto
defendido por Falcão foi uma atuação mais proativa na busca por feiras,
congressos e encontros empresariais.
A proposta
é mapear estruturas disponíveis, períodos de menor ocupação e regiões com
potencial para receber eventos, permitindo ao Estado participar da captação e
apoiar candidaturas de destinos mineiros.
Falcão
também defendeu a integração entre os eventos e os roteiros turísticos
regionais.
A ideia é
fazer com que uma pessoa que viaje a Minas para participar de uma feira,
congresso ou compromisso empresarial encontre opções para permanecer no Estado
e conhecer destinos próximos, aumentando o tempo de permanência e distribuindo
os benefícios econômicos entre diferentes municípios.
Entre os
compromissos apresentados está a realização, nos primeiros 100 dias de governo,
de uma articulação entre representantes do turismo, produtores de eventos,
municípios e Governo do Estado, com definição de prioridades, responsabilidades
e prazos.
Jarbas Soares propõe turismo tratado como
atividade econômica
Jarbas
Soares defendeu uma mudança na estrutura institucional dedicada ao turismo em
Minas Gerais.
Em sua
apresentação, afirmou que o turismo deve ser tratado prioritariamente como
atividade econômica, mantendo sua relação com cultura, meio ambiente, esporte,
lazer, segurança, gastronomia e desenvolvimento regional.
A
infraestrutura também apareceu entre suas prioridades.
Jarbas
citou a necessidade de investimentos em rodovias e aeroportos e apresentou como
exemplos intervenções para melhorar a ligação entre Juiz de Fora e o Aeroporto
Regional da Zona da Mata, além da conexão entre Sete Lagoas e Confins.
Rotas temáticas para apresentar Minas
Outra
proposta foi organizar e promover o Estado por meio de rotas turísticas
temáticas.
Entre os
segmentos citados estão turismo religioso, queijo, cidades históricas, vinho,
cachaça, carne de sol, gastronomia, cavernas, montanhas, café, cicloturismo,
motocicletas, rally, festivais, arte contemporânea, cachoeiras, parques e
turismo ligado às águas.
A
estratégia seria utilizar essas rotas para integrar municípios e facilitar a
promoção de Minas Gerais nos mercados nacional e internacional.
Jarbas
também abordou a necessidade de criar condições de financiamento para
empreendimentos ligados ao turismo, incluindo hotéis, restaurantes, bares,
produtores e outras empresas integrantes da cadeia turística.
Flávio Roscoe apresenta quatro pilares para o
turismo
Flávio
Roscoe estruturou sua apresentação em quatro pilares: infraestrutura,
divulgação, formação e qualificação profissional e segurança pública.
Na
infraestrutura, destacou rodovias e aeroportos regionais como elementos
necessários para aumentar a circulação de turistas pelo interior.
Segundo a
proposta apresentada, fortalecer a aviação regional permitiria ao visitante
chegar com maior facilidade aos diferentes destinos mineiros e ajudaria a
ampliar a distribuição do fluxo turístico pelo Estado.
Segurança nos destinos turísticos
Na área da
segurança, Roscoe apresentou a proposta de ampliar o uso de câmeras com
reconhecimento facial, incluindo pontos turísticos e locais de grande
circulação, em conjunto com reforço do policiamento.
O candidato
também colocou a desburocratização dos eventos entre as prioridades, defendendo
a revisão de normas e procedimentos que dificultam ou tornam mais lenta a
realização de grandes produções em Minas Gerais.
Mais voos internacionais para Minas
A
conectividade aérea também ganhou destaque.
Roscoe
defendeu a ampliação dos voos internacionais partindo e chegando diretamente a
Confins, com o objetivo de aumentar a capacidade de Minas de receber visitantes
estrangeiros e diminuir a dependência de conexões realizadas por outros
estados.
Para ele,
promoção turística e infraestrutura precisam avançar conjuntamente para que
Minas possa ampliar sua presença no mercado nacional e internacional.
Perguntas colocam demandas do trade na mesa
As rodadas
de perguntas permitiram levar aos candidatos questões diretamente relacionadas
ao cotidiano das empresas e profissionais do turismo e dos eventos.
Entre os
temas discutidos estiveram condições das estradas, ligação entre Confins e Belo
Horizonte, mobilidade, infraestrutura, competitividade, conectividade aérea,
captação de grandes eventos, interiorização, segurança e redução da burocracia.
As
respostas mostraram propostas distintas para enfrentar os desafios do setor,
mas também evidenciaram temas recorrentes entre as candidaturas: melhorar a
infraestrutura, facilitar investimentos, fortalecer a conectividade, ampliar a
promoção dos destinos e criar condições para que o turismo e os eventos gerem
negócios em diferentes regiões de Minas Gerais.
Thaís Lima encerra encontro com leitura da
carta do setor
O
encerramento ficou a cargo de Thaís de Oliveira Lima, presidente da Federação
de Convention & Visitors Bureaux de Minas Gerais (FCVB-MG).
Ao longo do
encontro, Thaís destacou que a iniciativa foi construída para mostrar a força
econômica do turismo e dos eventos, ouvir as propostas e perspectivas
apresentadas pelas candidaturas e inserir o setor de maneira permanente na
agenda estratégica do Estado.
Na parte
final, Thaís conduziu a apresentação da Agenda Estratégica de Turismo e Eventos
de Minas Gerais 2027–2030, documento construído coletivamente pelas entidades
do setor e entregue como referência para as políticas públicas dos próximos
quatro anos.
A carta
estabelece uma visão integrada para o desenvolvimento do turismo, baseada na
atuação conjunta entre poder público, iniciativa privada e comunidade, e
organiza prioridades para transformar demandas do setor em ações estruturadas.
Entre os
eixos apresentados estão governança e inteligência, acesso e competitividade,
mercado e internacionalização, desenvolvimento de produtos e experiências,
qualificação de pessoas, investimentos e sustentabilidade.
A leitura
da carta marcou o encerramento de um encontro que colocou frente a frente as
demandas do trade e as propostas das candidaturas, deixando uma agenda objetiva
para o próximo ciclo de governo.
A mensagem
final apresentada pelo setor foi a necessidade de consolidar turismo e eventos
como atividades estratégicas para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais,
capazes de gerar empregos, movimentar empresas, atrair investimentos e
distribuir oportunidades entre a capital e o interior.
Vídeo na integra; Youtube/FCVBMG
Por Mauro But
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