Quem passa apressado pela Avenida Carandaí, dobra o passo na Rua da Bahia ou corta o trânsito nos arredores da Grão Mogol talvez não perceba o movimento que, em silêncio e poeira, reconstrói o sagrado em Belo Horizonte.
Três das mais principais igrejas da região centro-sul da capital mineira decidiram desacelerar o tempo dos homens para cuidar do tempo de Deus. Estão em reforma.
Na Igreja Nossa Senhora do Carmo, o chão que acolheu os passos de tantas gerações desde 1940 já teve seus antigos trocados.
O piso novo agora brilha sob os pés dos fiéis, enquanto lá no alto, na fachada frontal, operários dedicam-se ao restauro dos vitrais. Olhar para aquela estrutura carmelita, famosa por seus 37 sinos holandeses, é lembrar que a fé também se apoia no acolhimento e na ação social que dali transbordam para a cidade.
A imponente Basílica de Lourdes exibe andaimes na lateral direita. Erguida em 1923 sob as linhas elegantes do estilo neogótico, a igreja vive dias de expectativa.
Quem passa pela Rua da Bahia fita o topo das torres imaginando o momento em que a nova iluminação será acesa, devolvendo à noite belo-horizontina os contornos de uma das mais belas joias arquitetônicas do país.
Já na Avenida Carandaí, a Igreja Sagrado Coração de Jesus dos Siríacos Católicos vive uma reconstrução resiliente. Após um processo de paralisações e interdições por escassez de recursos, a restauração, iniciada em 2019, avança no resgate de sua relevância histórica e cultural. A turma trabalha para devolver a cor e a vida às pinturas parietais, aos painéis em estêncil e à delicada marmorização que justificam seu merecido tombamento pelo patrimônio público.
Vivemos dias turbulentos, embalados pelo ritmo frenético de uma rotina que nos engole.
Corremos para não perder o horário, o emprego e o trem bala da vida.
No entanto, o ruído das furadeiras e o bater dos martelos nestes templos nos fazem um convite para refletir.
Eles nos provam que até os lugares de maior descanso espiritual precisam de pausa, cuidado e melhorias.
Que as fachadas renovadas destas igrejas nos inspire a restaurar também o nosso próprio sagrado interior.
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