Com curadoria de Costantino Papazoglu, a exposição se
aproxima do tema da 31ª CASACOR Minas Gerais, “Mente e Coração”, ao propor uma
reflexão sobre formas de conhecimento que nascem do fazer, da observação e da
sensibilidade. Nas obras reunidas, a cor aparece como matéria expressiva e
também como pensamento: não apenas elemento visual, mas campo de invenção,
memória e construção de mundo.
“Participar da CASACOR com a Papazoglu é uma oportunidade de
colocar a arte em diálogo com outros campos da criação sem deslocá-la de seu
centro: a obra, a trajetória dos artistas e a singularidade de cada linguagem”,
afirma Costantino Papazoglu, idealizador da galeria e curador da exposição.
A coletiva parte do interesse da Papazoglu Galeria por
produções autorais desenvolvidas fora dos percursos acadêmicos tradicionais. Em
comum, os três artistas apresentados elaboram repertórios próprios e
estabelecem uma relação direta com a matéria, com a cor e com o gesto criativo.
São obras que não se organizam pela regra formal, mas por uma inteligência
sensível, construída no exercício contínuo da prática.
Tati, Quim e Ismael de Dedé - Tati, nome artístico de Tatiane, iniciou sua trajetória ainda adolescente, quando desenhava em papel colorido com tinta de caneta. Com o passar dos anos, a artista passou a experimentar outros suportes e materiais, como telas, tintas e pincéis. Em 2019, participou de uma exposição coletiva na Galeria de Arte Popular Zildo Paria, em Belo Horizonte. Em 2023, integrou uma coletiva na Praça da Estação, também na capital mineira, ao lado de nomes relevantes da cena artística. Em sua pintura, aproxima a espontaneidade da arte naïf de uma atmosfera surrealizante, com figuras, cores vibrantes e composições policromáticas que revelam uma linguagem própria e em amadurecimento.
Quim, nome artístico de Joaquim Dimas Fidelis, nasceu em
1958, em Nelson de Sena, distrito de São João Evangelista, no Vale do Rio Doce.
Sua pintura nasce de uma relação direta entre memória e invenção. Sem formação
acadêmica, o artista constrói imagens a partir de lembranças da infância,
paisagens rurais e urbanas, cenas cotidianas e figuras imaginadas, em um
processo no qual cor e composição se resolvem no próprio ato de pintar. Antes
de se dedicar à arte, passou por diferentes ofícios, entre eles carroceiro,
servente, pedreiro e pintor de paredes, experiência que também atravessa sua
relação intuitiva com a matéria e com a cor.
Ismael de Dedé, de Lagoa da Canoa, em Alagoas, integra a
Família Antônio de Dedé, linhagem reconhecida na arte popular brasileira pelo
trabalho em madeira. Filho do mestre Antônio de Dedé, desenvolve esculturas,
totens, bancos e personagens que dão continuidade ao repertório familiar sem
abrir mão de uma linguagem própria. Suas peças são marcadas pelo entalhe
direto, por figuras humanas, animais e santos, e por uma pintura de cores
vivas, pontos e listras, em que a madeira preserva tanto a força da tradição
quanto a invenção de cada artista.
A participação na CASACOR integra a estratégia da Papazoglu
Galeria de ampliar a circulação de seus artistas e aproximar sua produção de
novos públicos e contextos de discussão. “Queremos que o público perceba essas
obras antes de tudo como arte, como resultado de trajetórias, pesquisas e
linguagens próprias. São trabalhos que carregam histórias e processos
singulares, e é esse conteúdo artístico que desejamos apresentar”, completa
Costantino.
As obras apresentadas integram o acervo comercial da
Papazoglu Galeria e podem ser adquiridas mediante contato direto com a galeria.
Com atuação em Belo
Horizonte, a Papazoglu Galeria apresenta artistas de diferentes trajetórias e
linguagens, com atenção a produções autorais construídas a partir de
experiências, repertórios e processos singulares. A galeria tem como proposta
ampliar a circulação dessas produções e promover encontros entre artistas,
público e diferentes contextos de apresentação da arte.
Informações e ingressos: www.casacor.com.br
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