sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Museu Inimá de Paula inaugura três exposições com obras de José Adario, Aldir Mendes e nomes da pintura contemporânea

  


O Museu Inimá de Paula inaugura três novas exposições na próxima terça, 30 de setembro, que aproximam diferentes gerações, linguagens e repertórios da arte brasileira e contemporânea. A programação reúne as mostras “José Adario — Raiz de Ferro”, “Aldir Mendes — Geometrias do Olhar” e “Arte em Grandes Formatos”, com obras que atravessam ancestralidade, geometria, abstração, identidade e diferentes possibilidades de construção da imagem. As três exposições permanecem abertas ao público até 24 de janeiro de 2027.









“A abertura dessas três exposições cria um encontro entre trajetórias, linguagens e universos muito distintos. Ao colocar lado a lado a força ancestral do trabalho de José Adario, a pesquisa de Aldir Mendes e a diversidade de olhares presentes em ‘Arte em Grandes Formatos’, o museu propõe ao público diferentes caminhos para perceber e discutir a arte contemporânea”, apresenta o coordenador artístico do Museu Inimá de Paula, Victor Camarano.

José Adario: o ferro e o sagrado

Com curadoria de Alana Silveira, “Raiz de Ferro” apresenta a produção de José Adario dos Santos, conhecido como Zé Diabo, cuja trajetória está ligada ao Candomblé e ao ofício de ferreiro. Há mais de cinco décadas, o artista produz ferramentas sagradas dos orixás, esculturas, portões e instrumentos de percussão. Em seu trabalho, o ferro articula conhecimentos do ofício e referências da cosmologia do Candomblé e da arte iorubá. As obras funcionam como elementos de mediação entre os seres humanos e as divindades, ao mesmo tempo em que preservam e atualizam conhecimentos ligados à tradição afro-diaspórica.

Nascido no bairro da Caixa d’Água, em Salvador, Adario teve contato com o ofício aos 8 anos. Aos 11, passou a frequentar a oficina de Maximiano Prates, na Ladeira da Conceição da Praia, onde trabalha até hoje. A exposição tem como base uma pesquisa de quatro anos realizada pela curadora, que conviveu com o artista durante o processo. Em 2023, Adario recebeu o Prêmio Funarte Mestras e Mestres das Artes.

Aldir Mendes: pintura e experimentação

“Geometrias do Olhar” apresenta a produção de Aldir Mendes de Souza, artista que conciliou a medicina com uma trajetória de mais de quatro décadas nas artes visuais. Autodidata, começou a expor em 1962 e desenvolveu uma pesquisa centrada na pintura, com passagens pela performance e por experimentações com diferentes materiais.

Nas décadas de 1960 e 1970, suas experiências incluíram o uso de radiografias e termografias. Em 1969, passou também a trabalhar com tinta a óleo sobre tela e recebeu o primeiro Prêmio Aquisição/Pintura do 26º Salão de Arte Paranaense. A relação entre experiência pessoal e produção artística atravessou os últimos anos de sua carreira. Diagnosticado com leucemia em 2006, Aldir incorporou a vivência da doença à série “Campos de Batalha”. O artista morreu em 2007, aos 65 anos.


Luiz Zerbini, Lauren Quin e Aislan Pankararu integram “Arte em Grandes Formatos”. A exposição reúne trabalhos de artistas com diferentes repertórios e modos de construir a imagem, aproximando pesquisas sobre cor e abstração de questões ligadas à memória e à identidade.

Considerado um dos principais representantes da Geração 80 da arte brasileira, Luiz Zerbini desenvolve composições em que elementos orgânicos e geométricos convivem com padrões, texturas, grades, repetições e ritmos cromáticos. Sua produção revisita aspectos da história da arte brasileira, da pintura de paisagem à abstração geométrica e às representações da identidade coletiva. Seus trabalhos integram coleções públicas, entre elas as do Inhotim, do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, do Museu de Arte Moderna de São Paulo e do Itaú Cultural. Em 1995, recebeu o Grande Prêmio da Crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte na categoria de artes visuais.

Nascida em Los Angeles, Lauren Quin encara a pintura como um processo de investigação contínua. Suas telas são compostas por formas dinâmicas e intensamente cromáticas, que se repetem, se interceptam e se reconectam. A artista trabalha a partir de um arquivo de imagens em constante transformação, que alimenta também sua produção em desenhos, gravuras e esculturas. Formada em Belas Artes pela Escola do Instituto de Arte de Chicago, em 2015, concluiu o mestrado em Belas Artes na Escola de Arte de Yale, em 2019.

A exposição também apresenta a produção de Aislan Pankararu, nascido em Petrolândia, Pernambuco, em 1990, e integrante do povo indígena Pankararu. Em 2019, quando estava prestes a concluir sua formação em Medicina pela Universidade de Brasília, retomou a prática do desenho, atividade que fazia parte de sua infância. A memória e a ancestralidade Pankararu estão no centro de sua produção. Em desenhos, pinturas, instalações e esculturas, o artista utiliza referências da pintura corporal de seu povo, além de materiais e elementos relacionados aos rituais e à paisagem da caatinga. As obras articulam referências visuais e simbólicas da cultura Pankararu e abordam temas como memória, resistência, cosmologia e identidade.


Localizado em um prédio histórico na Rua da Bahia, no Centro de Belo Horizonte, o Museu Inimá de Paula é gerido pela Fundação Inimá de Paula e mantém uma programação dedicada à preservação, pesquisa e difusão das artes visuais. Inaugurado em 2008, o espaço reúne um acervo permanente dedicado ao artista mineiro Inimá de Paula e recebe exposições de outros nomes da arte brasileira e contemporânea. O edifício, que já abrigou o Clube Belo Horizonte e o Cine Guarani, passou por um processo de restauração e remodelação que transformou seus mais de 3 mil metros quadrados em um espaço cultural voltado à arte, à história e à memória. O museu mantém obras de Inimá de Paula em exposição, além da remontagem de seu ateliê, da Sala de Autorretratos e de uma Galeria Virtual com as obras catalogadas do artista.

Com entrada franca, o espaço mantém suas atividades abertas ao público, estudantes, pesquisadores e visitantes interessados em conhecer a produção de Inimá de Paula e acompanhar diferentes recortes da arte brasileira.

 Rua da Bahia, 1.201, Centro, Belo Horizonte 

 entrada franca
@museuinimadepaula


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