O Mercado Central de Belo Horizonte é emocionante.
A minha paixão pelo mercado nasceu lá atrás, caminhando entre os corredores cheios acompanhado do meu saudoso pai, o jornalista Rogério Perez.
Ele me ensinou a ver o mercado como um espaço democrático de convivência e compras.
O tempo passou, os papéis se inverteram, e fiz questão de seguir o rito: levei o meu filho André, que hoje com seus 25 anos bate cartão lá com o mesmo brilho nos olhos que eu tinha na infância.
Este hábito virou quase uma herança genética e uma regra de vida.
Minha esposa, Lu Bueno, sabe bem disto.
Confesso que sou um companheiro de viagem bastante moldável e quase não opino na programação detalhada que ela organiza para as nossas férias.
No entanto, há uma cláusula inegociável em qualquer roteiro: temos que visitar o mercado local.
Já bati perna por muitos cantos e posso garantir que os mercados de Florianópolis, São Paulo, Barcelona e Florença têm as suas grandezas. São ótimos, de fato. Mas a certeza que carrego no peito é que nenhum deles supera o aconchego e a alma do nosso.
No próximo dia 7 de setembro, o nosso mercadão completará 97 anos de acolhimento à tradicional e exigente família mineira, além de encantar os turistas deste mundão afora.
Quase um século de histórias costuradas por personagens inesquecíveis.
Como não me lembrar do Hélio, fundador do Bar Mercado Central e do Bigode do sacolão que funcionava ali do ladinho da loteria?
Eles eram figuras carimbadas que eu encontrava praticamente todo final de semana.
E naquelas mesas de bar, onde a vida se resolve entre um jiló com fígado e um copo lagoinha de cerveja gelada, a resenha ficava ainda mais rica com a presença do ex-craque do Atlético, Ubaldo Miranda, sempre pronto para um bom dedo de prosa sobre futebol e as coisas da vida.
O mercado é um gigante feito de miudezas.
São mais de 400 lojas que recebem aproximadamente 1,3 milhão de visitantes por mês, ou seja, ultrapassa a impressionante marca de 15 milhões de visitas anualmente.
Ali dentro, queijos, doces, cachaças, cervejas, pimentas, frutas, verduras, temperos, artesanato e religiosidade convivem em perfeita harmonia com diferentes gerações de comerciantes.
Em julho deste ano, quando a mineradora Vale assumiu os naming rights do espaço, houve o discernimento e a sensibilidade de preservar integralmente o nome Mercado Central de Belo Horizonte.
Uma escolha assertiva que reconhece o vínculo cultural que nenhuma transação comercial pode apagar. Em vez de substituir uma identidade, a parceria escolheu celebrá-la.
Poucos lugares da capital mineira conseguiram atravessar tantas décadas permanecendo, ao mesmo tempo, tão reconhecíveis e tão intensamente vivos.
Por isto, a festa deste ano promete parar o entorno do famoso quarteirão da cidade.
Na segunda-feira de feriado, de 9h30 às 17h, as comemorações vão ocupar as ruas com dois palcos grandes, um na Avenida Augusto de Lima e outro na Rua Santa Catarina, recebendo atrações que atravessam diferentes estilos e gerações.
Para quem quiser fazer as compras tradicionais, as lojas do interior funcionarão até as 13h, enquanto os principais bares e restaurantes levam suas cozinhas para a calçada.
A festa é nossa, a história é nossa.
O convite está feito: bora ir lá no mercadão neste feriadão de 7 de setembro comemorar quase um século de pura mineiridade.
Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados no site Ingresse: (https://www.ingresse.com/aniversario-mercado-central-97-anos/).
Nos vemos lá, na mesma esquina de sempre, celebrando o passado e brindando ao futuro do nosso maior patrimônio sentimental.
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