A Fundação Clóvis Salgado (FCS) dá continuidade à sua
temporada de óperas de 2026 apresentando sua mais nova produção, a ópera
inédita "Chica da Silva", um grande espetáculo que recupera, sob
novas luzes, uma das principais personagens da história mineira. Com
pré-estreia dia 12 de setembro, em Diamantina, onde “reinou” Chica da Silva,
quando ainda era Arraial do Tijuco (ou Tejuco) e récitas nos dias 19, 21 e 23
de setembro, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, a ópera encomendada pela
FCS tem música de Guilherme Bernstein e libreto de Marcos Bernstein e Flávia
Bessone.
Participam da montagem os três corpos artísticos da FCS:
Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico de Minas Gerais e Cia de
Dança Palácio das Artes. A produção tem direção cênica de Julianna Santos,
direção musical e regência de André Brant, coreografia de Regina Advento,
figurinos de William Rausch, cenários de André Cortez e iluminação de Wagner
Pinto. A direção-geral é de Cláudia Malta, diretora artística da Fundação
Clóvis Salgado.
Marly Montoni, intérprete de Chica da Silva
A soprano Marly Montoni, uma das mais importantes de sua
geração, interpreta o papel-título da ópera, enquanto o tenor Ewandro
Stenzowski dá vida ao contratador João Fernandes, companheiro da protagonista
em uma intensa e contraditória relação. Grande equipe e elenco se unem para
trazer ao público uma nova visão da história de uma personagem já muito
retratada: entre a lenda e a figura humana, qual é a real Chica da Silva?
Francisca da Silva de Oliveira, a Chica da
Silva (ou Xica da Silva), é emblemática personagem do Brasil colonial
do Século 18, famosa por sua fulgurante ascensão social. Nascida escravizada,
tornou-se uma das mulheres mais ricas e influentes da região de mineração de
diamantes em Minas Gerais.
A ópera “Chica da Silva”, afastando-se da ficção, está muito
mais próxima do brilhante estudo histórico “Chica da Silva e o Contratador dos
Diamantes – O Outro Lado do Mito” (2003), da historiadora Júnia Ferreira
Furtado, que separa os fatos reais da visão popular que sempre a pintou como
mulher fatal e hipersexualizada.
“Bruxa, sedutora, heroína, rainha ou escrava: afinal, quem
era Chica da Silva?”
Chica nasceu entre 1731 e 1735 no Arraial do Milho Verde
(Serro). Ela era filha de Antônio Caetano de Sá, um militar português, com
Maria da Costa, uma escravizada. Em sua juventude, Chica é vendida
ao médico Manuel Pires Sardinha, com quem tem seu primeiro filho, Simão Pires
Sardinha.
Em 1753, Chica é comprada pelo desembargador João Fernandes de Oliveira, riquíssimo controlador da extração dos diamantes no Tijuco(Diamantina).
Ele a alforria logo depois. Ainda que a Igreja e as leis coloniais proíbam seu
casamento oficial, eles vivem em regime de concubinato estável durante 17 anos.
Tiveram 13 filhos, todos reconhecidos pelo pai e portando seu nome, fato raro à
época.
Em 1770, João Fernandes volta a Portugal para receber a
herança do pai, levando consigo alguns de seus filhos homens, que receberam
educação e ocuparam importantes cargos no Reino. Ele deixa para Chica imensa
fortuna, uma grande casa (ainda hoje preservada) e numerosos escravizados.
Chica utiliza sua riqueza para a educação dos filhos nas melhores escolas
europeias e para casar suas filhas com homens brancos da elite local.
Ela morre no dia 15 de fevereiro de 1796. Consolidando sua
integração à mesma elite branca, ela é enterrada no interior da igreja de São
Francisco de Assis, privilégio então reservado às pessoas mais ricas e
influentes. Afinal, quem foi, ou quem era, Chica da Silva? Uma rainha
excêntrica que dominava seu amante por seus charmes e sensualidade ou uma
mulher inteligente que soube utilizar as brechas jurídicas e econômicas do
sistema colonial para se emancipar?
Um símbolo de rebelião, de liberdade para seu povo ou uma
mulher integrada ao sistema, que chegou a possuir 104 escravizados sem libertar
nenhum deles em seu testamento? Uma pária rejeitada pela alta sociedade ou uma
respeitada dama, membra de fechadas irmandades religiosas como a de São
Francisco do Carmo?
Sagaz, romântica, linda, aproveitadora, perdulária,
apaixonada, sobrevivente, pragmática, vítima, algoz... Mito? Qual a
verdadeira Chica da Silva?
Chica da Silva não era uma abolicionista, nem uma simples
sedutora, mas um perfeito exemplo de ascensão, em uma sociedade profundamente
racista e patriarcal? É o que a ópera “Chica da Silva” tentará
responder, tornando a mulher Chica, agora sim, eterna como os diamantes.
A ópera “Chica da Silva” é realizada pelo Ministério da
Cultura, Fundação Clóvis Salgado, Leleu Produções e Eventos e Fox Produções. As
atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio
Master do Instituto Cultural Vale e do Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do
Instituto Unimed-BH e do Instituto AngloGold, Patrocínio Plus da Vivo e
correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. A ação é viabilizada por meio
da Lei Estadual de Incentivo à Cultura e da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
FICHA TÉCNICA DA ÓPERA “CHICA DA SILVA”
Equipe
Música original: Guilherme Bernstein
Libreto original: Marcos Bernstein e Flávia
Bessone
Direção-Geral: Cláudia Malta
Direção Musical e Regência: André Brant
Concepção e Direção Cênica: Julianna Santos
Assistente de Direção Musical: Lucas Viana
Preparação do Coral Lírico de Minas Gerais: Maria
Clara Marco Fernández
Assistência de Direção e Direção de Palco: Felipe
Venâncio
Coreografia: Regina Advento
Cenografia: André Cortez
Figurino: William Rausch
Iluminação: Wagner Pinto
Produção-Executiva: Laenne Santos
Elenco
Chica da Silva (Soprano): Marly Montoni
João Fernandes (Tenor): Ewandro Stenzowski
Antônio Pereira (Baixo-barítono): Leandro Abreu
Bonifácio Antunes (Barítono): Santiago Villalba
Caetano Matoso (Tenor): Giovanni Tristacci
Costureira 1 (Soprano): Edna D’Oliveira
Costureira 2 (Soprano): Andreia de Paula
Assunção do Brocado (Mezzosoprano): Edineia
Oliveira
Costureirinha (Soprano): Indaiara
Patrocínio
Menino Mensageiro: Isadora Ficher Fonseca
Rita, Filha de Chica (Soprano): Chiara Santoro
Ana, Filha de Chica (Mezzosoprano): Edileuza
Ribeiro
Mucama 1 (Soprano): Edna D’Oliveira
Mucama 2 (Soprano): Andreia de Paula
Padre Antonil (Barítono): Lício Bruno
Zima (Soprano): Ariádna Fernandes
Adario (Tenor): Júlio Mendonça
Esposa 1 (Soprano): Indaiara Patrocínio
Esposa 2 (Soprano): Melina Peixoto
Esposa 3 (Mezzosoprano): Bárbara Brasil
Imagem de Chica 1 (Soprano): Andreia de Paula
Imagem de Chica 2 (Soprano): Edna D’Oliveira
Imagem de Chica 3 (Soprano): Edineia Oliveira
Tenor Colonial (Tenor): Júlio Mendonça
Ópera “Chica da Silva”
Data: 12 de setembro (sábado)
Horário: 19h
Local: Praça Dr. Prado, em frente à Escola de Artes e Música Maestro Francisco Nunes (Centro – Diamantina, MG)
Classificação indicativa: Livre
Apresentação gratuita, com o espaço sujeito à lotação
Temporada no Palácio das Artes
Datas: 19 (sábado), 21 (segunda-feira) e 23 de
setembro (quarta-feira)
Horários: 19h no sábado, 20h na segunda e na quarta
Local: Grande Teatro Cemig Palácio das Artes
(Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)
Classificação indicativa: Livre
Ingressos: R$ 60 a inteira e R$ 30 a
meia-entrada, à venda na plataforma Sympla, na bilheteria do Palácio das Artes
e nos totens de autoatendimento
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