Minas Gerais voltou a ultrapassar a marca de 5 mil casos de tuberculose por ano, patamar que não era registrado desde 2008. Em 2023 e 2024, o estado superou esse número, reforçando um desafio que permanece atual para a saúde pública: identificar rapidamente quem está doente, interromper cadeias de transmissão e garantir diagnóstico e tratamento em tempo oportuno.
O cenário será um dos temas debatidos nesta quarta-feira, 19 de agosto, durante o 1º Fórum de Vigilância Epidemiológica da Santa Casa BH. Promovido pelo Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (NUVE), o encontro será realizado das 13h30 às 18h, no Salão Nobre da instituição, e discutirá também sífilis, meningites e doenças relacionadas ao trabalho.
Transmitida pelo ar, a tuberculose tem cura, mas o diagnóstico tardio e a interrupção do tratamento favorecem a transmissão e aumentam o risco de complicações.
Para a coordenadora de Prevenção em Saúde e Vigilância Epidemiológica da Santa Casa BH, Camila Jacques Cruz, doenças já conhecidas não podem desaparecer do debate público.
“Quando falamos em vigilância epidemiológica, não estamos falando apenas de grandes epidemias. São doenças que continuam circulando todos os dias e que podem ter consequências importantes quando não são identificadas e notificadas no momento oportuno. A tuberculose é um exemplo claro disso. A vigilância permite reconhecer mudanças no comportamento das doenças e contribuir para respostas mais rápidas”, destaca.
Sífilis também preocupa
Outro tema do fórum será a sífilis. Em Belo Horizonte, foram registrados 1.149 casos em gestantes em 2025, ante 1.006 no ano anterior, crescimento de aproximadamente 14%. No mesmo período, a capital contabilizou 173 casos de sífilis congênita.
Quando ocorre durante a gestação e não é diagnosticada e tratada adequadamente, a infecção pode ser transmitida ao bebê e provocar consequências graves.
5,3 mil notificações acompanhadas pela Santa Casa BH - Como maior hospital 100% SUS do país em número de internações, a Santa Casa BH ocupa posição estratégica na vigilância de doenças e agravos. Somente em 2025, cerca de 5,3 mil casos de notificação compulsória foram acompanhados pelo NUVE — volume 19 vezes maior que o registrado no início do monitoramento, em 2010.
Ao identificar um caso suspeito ou confirmado, a equipe investiga as informações e comunica os órgãos responsáveis, contribuindo para que municípios e Estado acompanhem a circulação das doenças e definam estratégias de prevenção e controle.
A atuação também envolve investigação e contenção de surtos, atualização da situação vacinal dos pacientes e acesso a imunobiológicos disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Fórum amplia discussão sobre vigilância
Além da mesa “Tuberculose: O Desafio Continuado da Saúde Pública”, o fórum terá discussões sobre estratégias de enfrentamento da sífilis, meningites de notificação compulsória e doenças relacionadas ao trabalho.
A iniciativa busca aproximar profissionais e especialistas e fortalecer o papel da vigilância epidemiológica na identificação precoce de riscos e na resposta a problemas de saúde pública.
Programação
13h30 – Credenciamento
14h – Abertura
14h10 – Painel “Vigilância Epidemiológica em Pauta”
14h50 – Mesa sobre sífilis e políticas públicas
15h30 – Palestra sobre doenças relacionadas ao trabalho
16h10 – Intervalo
16h30 – Mesa sobre tuberculose
17h10 – Palestra sobre meningites de notificação compulsória 17h50 – Encerramento
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