O distrito de Macacos, em Nova Lima, que fica a
cerca de 30 km de Belo Horizonte, recebe, de 3 a 7 de setembro, a primeira
edição do Macacos Cine Fest – Festival de Cinema de São Sebastião das Águas
Claras. Com programação gratuita, o festival nasce com o propósito de fazer do
cinema um lugar de encontro, aproximando filmes, música, memória, formação e
território. Durante cinco dias, moradores e visitantes terão acesso a 44 filmes
selecionados entre 740 inscritos de todos os estados brasileiros, além filmes
convidados, shows, atividades para crianças, oficinas, circo, projeção mapeada
e encontros com artistas e realizadores.
Essas Mina é Zica_ Foto Celina Barbi
Entre os destaques está o lançamento e primeira exibição
pública de Essas Mina É Zica, documentário de longa-metragem de
Natacha Vassou e Lucas Espeto, que acompanha, ao longo de cinco anos, as
trajetórias de seis mulheres da cena do rap de Belo Horizonte. A programação
também presta uma homenagem ao Uakti, grupo mineiro que transformou a pesquisa
sonora e a criação de instrumentos em uma linguagem artística singular e
estabeleceu uma forte relação com o cinema brasileiro. A presença do músico e
ex-integrante Paulo Santos atravessa a homenagem, que inclui filmes, conversas
e apresentação musical.
Com o tema “Ressonâncias e Ruídos”, o Macacos Cine Fest
propõe olhar para as relações entre imagem e som e para aquilo que permanece,
reverbera ou rompe com o habitual. O conceito se estende por toda a
programação, reunindo diferentes formas de criação e escuta e colocando em
diálogo cinema, música, memória, experimentação e as histórias de quem vive e
circula por Macacos.
“A ideia é que o festival seja mais do que uma sequência de sessões de cinema. Queremos criar um espaço de encontro, em que o público possa assistir a um filme, ouvir uma música, conversar com um realizador, participar de uma oficina ou simplesmente se reconhecer em uma história. ‘Ressonâncias e Ruídos’ fala justamente dessas coisas que permanecem reverberando e também daquilo que provoca deslocamentos, novas perguntas e outras formas de olhar”, afirma Tamira Abreu, idealizadora do Macacos Cine Fest.
Tamira Abreu_Foto Clarice SabinoPauloSantos - foto SamuelMendes
Para a primeira edição, a curadoria buscou reunir
diferentes gerações, territórios e linguagens do audiovisual brasileiro,
aproximando obras de caráter documental, ficcional, experimental, híbrido e de
videoarte. “Recebemos filmes de todas as regiões do país e isso nos mostrou a
potência e a diversidade do cinema brasileiro que está sendo produzido hoje. Em
Macacos, queremos colocar essas vozes em circulação e, ao mesmo tempo, fazer
com que o festival dialogue com quem vive aqui, com a história do distrito e
com a produção artística que nasce do território”, completa Tamira Abreu.
“Essas Mina É Zica” estreia no festival
Um dos momentos centrais do Macacos Cine Fest será o
lançamento e a primeira exibição pública de Essas Mina É Zica, de
Natacha Vassou e Lucas Espeto, no domingo, 6 de setembro, às 19h, no gramado da
Capela de São Sebastião. O documentário acompanha, entre 2019 e 2023, as
trajetórias de Iza Sabino, Kainná Tawá, Ohana, DJ Pat Manoese, Paula Ituassu e
Tamara Franklin, seis mulheres da cena do rap de Belo Horizonte. Ao longo de
cinco anos de registros, o filme acompanha desafios relacionados ao trabalho, à
maternidade, aos lançamentos musicais e à busca por reconhecimento,
atravessando ainda o período da pandemia e a interrupção dos shows presenciais.
A estreia estabelece um encontro direto entre cinema e música ao registrar a
cena do rap a partir das perspectivas das próprias artistas. Depois da sessão,
Tamara Franklin, Iza Sabino, Kainná Tawá e DJ Pat Manoese participam de um
bate-papo com o público. Às 22h, as quatro artistas levam essa experiência para
o palco no show Essas Mina É Zica, que reúne rap, hip-hop, poesia,
discotecagem e diferentes sonoridades da música negra.
Uakti é homenageado em sua relação com o cinema
A primeira edição do festival também celebra o Uakti,
grupo criado em Belo Horizonte, em 1978, por Marco Antônio Guimarães, Paulo
Santos, Décio Ramos e Artur Andrés. Reconhecido internacionalmente pela criação
de instrumentos próprios e pela pesquisa de novas possibilidades sonoras, o
grupo construiu uma trajetória em que música, experimentação e imagem estiveram
frequentemente conectadas. A homenagem ganha significado especial em Macacos,
distrito que durante muitos anos abrigou o acervo do grupo. A relação com o
audiovisual será apresentada por meio de filmes e videoartes que registram
diferentes momentos dessa trajetória e das parcerias de Paulo Santos, incluindo
trabalhos de Rafael Conde e Eder Santos.
A homenagem começa já na abertura do festival, na
quinta-feira, 3 de setembro, com a apresentação do Coral da Escola Municipal
Rubem Costa Lima, formado por estudantes de Macacos e que teve Paulo Santos
como professor e colaborador. Na mesma noite, será exibido Ensaio de
Orquestra, de Federico Fellini, longa escolhido pelo músico.
Na segunda-feira, 7 de setembro, uma sessão especial
reúne Uakti – Oficina Instrumental, de Rafael Conde, e obras de
Eder Santos, entre elas Uakti-Bolero, Não Vou à África
Porque Tenho Plantão, Rito e Expressão e Framed by
Curtains. Depois da sessão, Paulo Santos participa de um bate-papo sobre os
encontros entre cinema e música, ao lado de convidados. O encerramento acontece
com o show AR (ÁRA), no qual o músico combina instrumentos não
convencionais e elementos eletrônicos, apresentando composições de seu novo
álbum, Áratekoha.
“Ressonâncias e Ruídos” - cinema, música e experimentação
A Mostra Temática Ressonâncias e Ruídos é o eixo
conceitual da primeira edição. A seleção parte da ideia de que o cinema se
constrói não apenas pelas imagens, mas também pelas vozes, músicas, silêncios,
ritmos e paisagens sonoras. A ressonância aparece como aquilo que permanece e
se propaga através do tempo, das pessoas e dos territórios. Já o ruído é aquilo
que interrompe o habitual, provoca deslocamentos e abre novas possibilidades de
percepção.
Esse diálogo está presente em diferentes sessões, como o
Foco Gabraz, dedicado à obra do realizador e marcado pelo encontro entre
música, palavra, imagem e território. Também aparece em filmes como Sou
Feia, Mas Tô na Moda, de Denise Garcia, que acompanha o protagonismo
feminino no funk carioca; Apocalipse Segundo Baby, de Rafael Saar,
sobre uma trajetória atravessada por música, contracultura, espiritualidade e
performance; e Morte e Vida Madalena, de Guto Parente, que
transforma o próprio fazer cinematográfico em matéria para a narrativa.
Mostra Competitiva reúne diferentes vozes do cinema
brasileiro
A Mostra Competitiva de Curtas recebeu 740 filmes, com
produções de todos os estados brasileiros e representantes das cinco regiões do
país. Foram selecionados 44 trabalhos, entre animações, ficções, documentários,
obras híbridas, experimentais e videoartes. Os filmes foram organizados em
quatro programas que aproximam obras de diferentes regiões, linguagens e
perspectivas. Amanhã, Quando Nasci reúne histórias situadas
entre cotidiano, sonho e encantamento. Fizéramos Tanto aproxima
passado, presente e futuro a partir de questões como território, juventude,
memória e afeto. Lava-me, Lava percorre diferentes
manifestações de fé, tradição e mistério. Já Os Homens e a Noite reúne
narrativas atravessadas pelo trabalho, pela violência, pela memória e pelas
relações familiares.
Apopcalipse Baby Still Baby ,Elza Soares,Ademilde Fonseca_Foto Gabriel Chiarastelli
Cinema para crianças - imaginação, diversidade e novas
narrativas
O Cine Macacada | Mostra Infantil de Curtas reúne cinco
sessões com animações, ficções e filmes realizados para crianças. As histórias
abordam amizade, família, identidade, memória, diversidade, convivência e
imaginação. Duas sessões serão destinadas aos alunos da Escola Municipal Rubem
Costa Lima, enquanto outras três serão abertas ao público. A programação inclui
ainda a oficina brincante A Criança e o Cinema, com Jaqueline
Luana, e duas apresentações do espetáculo circense Desafios Urbanos: Da
Cidade à Roça, a Arte Transforma!, com Felipe Foca.
Música como parte da experiência cinematográfica
No Macacos Cine Fest, a música não aparece como uma
programação paralela, mas como parte da própria experiência do festival. Coral,
rap, brega, discotecagem e experimentação sonora se encontram com os filmes e
com os espaços de Macacos. Na sexta-feira, VJ BAH e DJ Little Sil realizam uma
projeção mapeada no gramado da Capela de São Sebastião, criando uma experiência
em que imagem e música são percebidas simultaneamente. No sábado, a Orquestra
Mineira de Brega apresenta um repertório marcado por canções populares, trilhas
de novelas e referências da memória coletiva. No domingo, o rap ocupa o palco
com o show Essas Mina É Zica. E, na segunda-feira, a pesquisa
sonora de Paulo Santos encerra o festival com AR (ÁRA).
Cine Gastrô leva o cinema para a mesa
A relação entre cinema e território também se estende à
gastronomia. De 7 de agosto a 7 de setembro, o Cine Gastrô | Circuito
Gastronômico reúne 12 bares, restaurantes e cafés de Macacos, que criaram
pratos exclusivos inspirados em filmes brasileiros. Participam Benedito
Gastrobar, Cafeteria Jardim Secreto, Cantinho do Vô, Divino Sabor, Mar Mineiro
Restaurante, Macaco Prosa, Planeta Macacos, Regino’s Comidaria, Restaurante do
Gerson, Sítio Bar, Sorveteria Da Casa e Varanda Beer. A iniciativa convida moradores
e visitantes a percorrer o distrito e experimentar diferentes interpretações do
cinema brasileiro também por meio dos sabores, fortalecendo a conexão entre
cultura, gastronomia e economia criativa local.
O Macacos Cine Fest é realizado por meio da Lei Federal
de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet, com patrocínio master da Vale.
Programação
3 de setembro | Quinta-feira
Gramado da Capela de São Sebastião
19h – Abertura
19h30 – Filme produzido na oficina “Da Escola para a
Tela” e apresentação do Coral da E.M. Rubem Costa Lima
20h – Ensaio de Orquestra, de Federico Fellini
4 de setembro | Sexta-feira
Sala de Cinema – Associação Comunitária
9h – Cine Macacada | Sessão Escola 1
15h – Cine Macacada | Sessão Escola 2
17h – O Cinema em Abismo | Foco Gabraz – Sessão 1
18h – Bate-papo com Gabraz
19h – Amanhã, Quando Nasci | Mostra Competitiva
20h30 – Fizéramos Tanto | Mostra Competitiva
Gramado da Capela
22h – Projeção mapeada com VJ BAH e DJ Little Sil
5 de setembro | Sábado
Gramado da Capela
10h – A Criança e o Cinema | Oficina com Jaqueline Luana
Sala de Cinema – Associação Comunitária
11h – Cine Macacada | Sessão 1
15h – O Cinema em Abismo | Foco Gabraz – Sessão 2
16h30 – Lava-me, Lava | Mostra Competitiva
18h – Morte e Vida Madalena, de Guto Parente
Gramado da Capela
20h – Apocalipse Segundo Baby, de Rafael Saar
22h – Show da Orquestra Mineira de Brega
6 de setembro | Domingo
Gramado da Capela
10h – Desafios Urbanos: Da Cidade à Roça, a Arte Transforma!, com
Felipe Foca
Sala de Cinema – Associação Comunitária
11h – Cine Macacada | Sessão 2
16h – Sou Feia, Mas Tô na Moda, de Denise Garcia
17h30 – Os Homens e a Noite | Mostra Competitiva
Gramado da Capela
19h – Essas Mina É Zica, de Natacha Vassou e Lucas Espeto |
Lançamento e primeira exibição pública
21h30 – Bate-papo com Tamara Franklin, Iza Sabino, Kainná Tawá e DJ Pat Manoese
22h – Show Essas Mina É Zica
7 de setembro | Segunda-feira – Feriado
Gramado da Capela
10h – Desafios Urbanos: Da Cidade à Roça, a Arte Transforma!, com
Felipe Foca
Sala de Cinema – Associação Comunitária
11h – Cine Macacada | Sessão 3
14h – Mais Brilhante que o Sol | Sessão Especial
15h – Sessão Especial em Homenagem ao Uakti
Gramado da Capela
16h – Bate-papo com Paulo Santos e convidados
17h – Cerimônia de premiação
17h30 – Show de encerramento com Paulo Santos (Uakti)
Entrada: gratuita, com acesso livre sujeito à capacidade dos espaços
Associação Comunitária de Macacos: Rua
Dona Maria da Glória, 711, São Sebastião das Águas Claras (Macacos),
Nova Lima – MG
Gramado da Capela de São Sebastião: Rua São
Sebastião, São Sebastião das Águas Claras (Macacos), Nova Lima – MG
Cine Gastrô | Circuito Gastronômico: 7 de agosto a 7
de setembro de 2026
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