Produção mineira está entre os 41 finalistas de uma competição internacional que atraiu 400
inscritos e leva à Itália um olhar sobre os saberes, territórios e memórias que
formam a cultura alimentar latino-americana
O documentário “América Latina: Tudo que a Terra Guarda”
será exibido no dia 21 de agosto, às 15h, na Itália, durante a *13ª edição do
Food Film Fest Bergamo*, que acontece de 19 a 22 de agosto de 2026, na Piazza
Mascheroni, no coração da Città Alta. A participação marca um momento inédito
para uma produção mineira, que chega a uma competição internacional dedicada ao
cinema e à cultura alimentar, colocando histórias e saberes da América Latina
em diálogo com produções de diferentes países.
Dirigido por Marcelo Araújo, o documentário percorre
Brasil, Bolívia, Peru e México para mostrar como a alimentação é também uma
forma de contar histórias, preservar conhecimentos e fortalecer identidades. A
produção parte dos alimentos e das práticas culinárias para chegar às pessoas,
aos territórios e às memórias que existem por trás de cada receita, ingrediente
e modo de fazer.
O filme revela uma América Latina construída também a
partir de sua diversidade alimentar. São histórias de comunidades, produtores,
cozinheiros e guardiões de conhecimentos tradicionais que mostram como os
saberes ligados à comida atravessam gerações e ajudam a manter vivas culturas e
identidades. A proposta é olhar para a culinária local para além do prato,
reconhecendo-a como patrimônio cultural e como parte da relação entre as
pessoas e os lugares onde vivem.
A exibição em Bérgamo integra a competição internacional do Food Film Fest, um concurso de cinema centrado na cultura alimentar. Em sua 13ª edição, foram selecionadas 41 obras finalistas entre centenas de produções de dez de países, divididas em três categorias oficiais. A presença de um documentário mineiro entre os finalistas dá dimensão internacional a uma produção que nasce da valorização da cultura alimentar e dos territórios.
“A América Latina tem uma diversidade cultural e
alimentar extraordinária, e cada território carrega sabores, histórias,
conhecimentos e modos de fazer que são parte de um patrimônio que tivemos a
chance de registrar nesse documentário. Ser
selecionado para uma competição internacional como o Food Film Fest é
uma oportunidade de mostrar ao mundo que, por trás de cada alimento, existe uma
história, uma comunidade e uma identidade. Quando valorizamos esses saberes e
colocamos essas narrativas em circulação, também contribuímos para que esse
patrimônio permaneça vivo e seja reconhecido pelas novas gerações",
analisa Elke Rezende.
O chef e curador Edson Puiati destaca a importância de
iniciativas que aproximam o audiovisual da preservação dos saberes alimentares.
“Quando colocamos a culinária diante das câmeras, estamos falando também de
território, de memória, de pessoas e de identidade. O documentário tem essa
capacidade de registrar e, ao mesmo tempo, provocar uma reflexão sobre aquilo
que queremos preservar para as próximas gerações. Chegar a um festival
internacional dedicado à cultura alimentar mostra a força desses saberes e a
importância de contar essas histórias”, observa.
Além da competição, o Food Film Fest conta com sessões de
filmes, degustações de produtos típicos da região, encontros com produtores,
agricultores e chefs, conferências e debates. A programação aproxima o público
de diferentes expressões da cultura alimentar e transforma o cinema em
instrumento de valorização dos territórios e de seus patrimônios. O diretor do
documentário Marcelo Araújo destaca a participação feminina na construção da
narrativa do documentário. "Durante as filmagens, percebemos que existe um
elo muito forte entre a gastronomia e as mulheres. Em diferentes países, são
elas que preservam receitas, protegem ingredientes e transmitem os modos de
fazer entre gerações. Mais do que cozinhar, elas mantêm viva a memória dos
territórios e transformam o alimento em patrimônio cultural. O documentário
aproxima a câmera dessas pessoas, das mãos, dos gestos e das histórias que
garantem a continuidade das tradições e mostram que preservar a cozinha local é
também preservar a identidade de um povo.”
A participação em Bérgamo representa um novo momento na
trajetória do documentário, que passa a circular em um espaço internacional
dedicado justamente à relação entre cinema, alimentação, memória e identidade.
Para a produção mineira, a seleção entre 41 finalistas reforça a capacidade do
audiovisual de levar para outros países histórias que nascem dos territórios e
dos saberes alimentares da América Latina.
Antes da participação internacional, “América Latina:
Tudo que a Terra Guarda” teve sua pré-estreia em Belo Horizonte, durante o 4º
Matula Film Festival, realizado no Mercado Central. A exibição marcou o
primeiro encontro da produção com o público e abriu o percurso do filme, que
agora chega ao circuito internacional com sua participação no Food Film Fest
Bergamo. Para o presidente da
Belotur, Eduardo Cruvinel a participação
no festival contribui para ampliar a projeção de Belo Horizonte e de Minas
Gerais no cenário internacional. "Belo Horizonte tem na cultura alimentar
uma de suas grandes forças e esse reconhecimento também ajuda a projetar a
cidade internacionalmente. A presença de uma produção mineira em um festival
como o Food Film Fest mostra que a nossa cozinha, os nossos territórios e as
histórias que existem por trás deles têm capacidade de despertar interesse e
criar conexões com públicos de diferentes partes do mundo. É uma oportunidade
de fortalecer a imagem de Belo Horizonte como uma cidade que valoriza sua
cultura, sua criatividade e sua vocação gastronômica”, define.
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