O documentário mineiro “América Latina: Tudo que a Terra Guarda” será exibido hoje, 21 de agosto, às 15h, na Itália, durante a 13ª edição do Food Film Fest Bergamo. A sessão acontece na Piazza Mascheroni, no coração da Città Alta, em Bérgamo, e representa um momento inédito para uma produção de Minas Gerais, que chega ao circuito internacional para apresentar um olhar sobre os saberes, territórios e memórias que formam a cultura alimentar latino-americana.
Uma das idealizadoras do documentário, Elke Rezende, CEO da Gamela Criativa, está em Bérgamo representando a equipe do filme durante a participação no Food Film Fest. Sua presença acompanha a exibição e marca a chegada da produção mineira ao circuito internacional.
Dirigido por Marcelo Araújo, o documentário percorre Brasil, Bolívia, Peru e México para mostrar como a alimentação também é uma forma de contar histórias, preservar conhecimentos e fortalecer identidades. A produção parte dos alimentos e das práticas culinárias para chegar às pessoas, aos territórios e às memórias que existem por trás de cada receita, ingrediente e modo de fazer.
O filme revela uma América Latina construída também a partir de sua diversidade alimentar. São histórias de comunidades, produtores, cozinheiros e guardiões de conhecimentos tradicionais que mostram como os saberes ligados à comida atravessam gerações e ajudam a manter vivas culturas e identidades. A proposta é olhar para a culinária para além do prato, reconhecendo-a como patrimônio cultural e como parte da relação entre as pessoas e os lugares onde vivem.
A participação em Bérgamo integra a competição internacional do Food Film Fest, concurso dedicado à relação entre cinema e cultura alimentar. Nesta 13ª edição, 41 obras foram selecionadas como finalistas entre cerca de 400 produções inscritas, distribuídas em três categorias oficiais.
Para Elke Rezende, a seleção representa a possibilidade de ampliar o alcance de histórias e conhecimentos construídos nos territórios latino-americanos.
“A América Latina tem uma diversidade cultural e alimentar extraordinária, e cada território carrega sabores, histórias, conhecimentos e modos de fazer que são parte de um patrimônio que tivemos a chance de registrar nesse documentário. Ser selecionado para uma competição internacional como o Food Film Fest é uma oportunidade de mostrar ao mundo que, por trás de cada alimento, existe uma história, uma comunidade e uma identidade. Quando valorizamos esses saberes e colocamos essas narrativas em circulação, também contribuímos para que esse patrimônio permaneça vivo e seja reconhecido pelas novas gerações”, analisa.
O chef e curador Edson Puiati destaca a importância de aproximar o audiovisual da preservação dos saberes alimentares.
“Quando colocamos a culinária diante das câmeras, estamos falando também de território, de memória, de pessoas e de identidade. O documentário tem essa capacidade de registrar e, ao mesmo tempo, provocar uma reflexão sobre aquilo que queremos preservar para as próximas gerações. Chegar a um festival internacional dedicado à cultura alimentar mostra a força desses saberes e a importância de contar essas histórias”, observa.
Mulheres como guardiãs da memória - Durante a realização do documentário, a equipe também identificou a presença das mulheres como elemento central na preservação das tradições alimentares. Para o diretor Marcelo Araújo, elas aparecem em diferentes territórios como responsáveis pela transmissão de receitas, técnicas e conhecimentos entre gerações.
“Durante as filmagens, percebemos que existe um elo muito forte entre a gastronomia e as mulheres. Em diferentes países, são elas que preservam receitas, protegem ingredientes e transmitem os modos de fazer entre gerações. Mais do que cozinhar, elas mantêm viva a memória dos territórios e transformam o alimento em patrimônio cultural. O documentário aproxima a câmera dessas pessoas, das mãos, dos gestos e das histórias que garantem a continuidade das tradições e mostram que preservar a cozinha local é também preservar a identidade de um povo".
Além da competição, o Food Film Fest conta com sessões de filmes, degustações de produtos típicos da região, encontros com produtores, agricultores e chefs, conferências e debates. A programação reúne diferentes expressões da cultura alimentar e utiliza o cinema como instrumento de valorização dos territórios e de seus patrimônios.
De Belo Horizonte para o circuito internacional - Antes de chegar à Itália, “América Latina: Tudo que a Terra Guarda” teve sua pré-estreia em Belo Horizonte, durante o 4º Matula Film Festival, realizado no Mercado Central. A exibição marcou o primeiro encontro da produção com o público e abriu o percurso do filme, que agora chega ao circuito internacional.
Para o presidente da Belotur, Eduardo Cruvinel, a participação no festival contribui para ampliar a projeção de Belo Horizonte e de Minas Gerais no cenário internacional.
“Belo Horizonte tem na cultura alimentar uma de suas grandes forças e esse reconhecimento também ajuda a projetar a cidade internacionalmente. A presença de uma produção mineira em um festival como o Food Film Fest mostra que a nossa cozinha, os nossos territórios e as histórias que existem por trás deles têm capacidade de despertar interesse e criar conexões com públicos de diferentes partes do mundo. É uma oportunidade de fortalecer a imagem de Belo Horizonte como uma cidade que valoriza sua cultura, sua criatividade e sua vocação gastronômica”, define.
A exibição de hoje em Bérgamo amplia a trajetória do documentário e coloca uma produção mineira em diálogo com obras de diferentes países em um festival dedicado justamente à relação entre cinema, alimentação, memória e identidade. A participação entre os 41 finalistas reforça a força do audiovisual como ferramenta para levar a outros públicos histórias que nascem dos territórios e dos saberes alimentares da América Latina.
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