Segundo pesquisa realizada pela Abrasel (Associação
Brasileira de Bares e Restaurantes) em Minas Gerais, 47% dos empresários do
setor de alimentação fora do lar esperam aumentar o faturamento durante as
férias escolares de julho. Entre eles, 37% projetam crescimento de até 20% nas
vendas em relação a um mês comum, sem datas comemorativas ou grandes eventos.
Na comparação com as férias de julho do ano passado, o cenário também é positivo. Para 54% dos entrevistados, o faturamento será maior neste ano. O otimismo está relacionado ao impacto que o período costuma ter sobre o fluxo de consumidores. As férias de julho são importantes para o desempenho do negócio. Entre os principais motivos apontados estão o aumento da chegada de turistas e visitantes e as mudanças na rotina das famílias durante o recesso escolar.
Segundo o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci,
julho redistribui o consumo pelo país. “Enquanto algumas cidades sentem a queda
no movimento porque parte da população viaja, destinos turísticos vivem um dos
períodos mais intensos do ano. Cidades associadas ao inverno, como Gramado,
Campos do Jordão e Monte Verde, recebem mais visitantes e transformam essa
sazonalidade em uma oportunidade para reforçar o caixa e compensar os meses de
menor movimento", afirmou.
Ainda segundo a pesquisa, 42% das empresas operaram com
lucro em maio. Outras 43% indicaram estabilidade e somente 14% relataram
prejuízo (1% das empresas não existiam). Em relação ao faturamento, 49%
registraram aumento em maio em comparação com abril; 23% mantiveram
estabilidade e 27% apontaram queda (1% das empresas não existiam).
Além disso, 37% dos estabelecimentos não conseguiram
reajustar os preços nos últimos 12 meses. Outros 53% realizaram reajustes
conforme ou abaixo da inflação e 10% reajustaram acima da inflação. Em relação
ao endividamento, 39% têm pagamentos em atraso. Entre eles, os principais
débitos são impostos federais, mencionados por 69% dos empresários, seguidos
pelos tributos estaduais, citados por 38%.
Para a presidente da Abrasel em Minas Gerais, Karla Rocha,
julho evidencia como o turismo tem impacto direto sobre o setor de alimentação
fora do lar. “Destinos como Monte Verde, Tiradentes, Ouro Preto e Diamantina
recebem um fluxo maior de visitantes nesta época do ano, criando oportunidades
importantes para bares e restaurantes ampliarem suas vendas. Ao mesmo tempo,
estabelecimentos em grandes centros urbanos precisam buscar estratégias para
manter o movimento. Essa dinâmica reforça a capacidade de adaptação dos
empresários e a relevância do setor para a economia e o turismo do estado”,
concluiu.
Copa do Mundo no Sul de Minas evidencia mudança no consumo e
queda no ticket médio em bares e restaurantes
Segundo ele, o comportamento do consumidor mudou nos últimos
anos. "As pessoas passaram a reunir amigos e familiares em casa,
impulsionadas pelas áreas gourmet, pelo acesso a TVs de alta qualidade e pela
redução do poder de compra. Com cerca de 87% da população endividada, o
consumidor está mais cauteloso na hora de gastar”, explicou.
Relatos de empresários de cidades como Três Corações, Varginha, Guaxupé, São Lourenço, Itajubá, Capitólio, Pouso Alegre e Elói Mendes apontam que, mesmo nos bares lotados, o consumo ficou concentrado em bebidas, reduzindo o ticket médio. Já restaurantes tradicionais registraram queda nas vendas durante os jogos, enquanto o delivery apresentou aumento na demanda.
Decisão individual, problema social e impacto nos negócios
A Copa do Mundo também impulsionou o mercado de apostas
esportivas online no Brasil. Segundo levantamento da fintech Klavi, com base em
dados do Open Finance do Banco Central, o percentual de brasileiros que
realizaram apostas durante o Mundial saltou de 11% para 34,8%, enquanto o valor
médio apostado passou de R$ 188 para R$ 524 por pessoa após o jogo entre Brasil
e Marrocos.
O avanço das apostas preocupa especialistas por estar
relacionado à ludopatia, transtorno caracterizado pelo impulso compulsivo de
apostar. Pesquisa do Procon-SP mostra que 52,4% dos apostadores já
comprometeram parte da renda ou recorreram a empréstimos para continuar
jogando.
No setor de alimentação fora do lar, os reflexos também são percebidos. Levantamento da Abrasel aponta que 87% dos empresários identificaram colaboradores com hábito de apostar e 63% já observaram impactos na rotina das equipes. Entre os principais problemas estão o aumento do endividamento dos funcionários (75%) e apostas realizadas durante o expediente (58%).
Diante desse cenário, a Abrasel orienta empresários a ficarem atentos a sinais como pedidos frequentes de adiantamento salarial, queda de desempenho e mudanças de comportamento, além de promover ações de educação financeira e encaminhar colaboradores para canais de apoio quando necessário. Para auxiliar os estabelecimentos, a entidade disponibiliza a cartilha "Apostas na Copa: como proteger sua equipe durante o Mundial", com orientações práticas para prevenção e acolhimento.
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