sexta-feira, 10 de julho de 2026

Férias de julho elevam expectativa de faturamento nos bares e restaurantes de Minas Gerais

 


Imagem: gerada por  I A

 

Segundo pesquisa realizada pela Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) em Minas Gerais, 47% dos empresários do setor de alimentação fora do lar esperam aumentar o faturamento durante as férias escolares de julho. Entre eles, 37% projetam crescimento de até 20% nas vendas em relação a um mês comum, sem datas comemorativas ou grandes eventos.

Na comparação com as férias de julho do ano passado, o cenário também é positivo. Para 54% dos entrevistados, o faturamento será maior neste ano. O otimismo está relacionado ao impacto que o período costuma ter sobre o fluxo de consumidores. As férias de julho são importantes para o desempenho do negócio. Entre os principais motivos apontados estão o aumento da chegada de turistas e visitantes e as mudanças na rotina das famílias durante o recesso escolar.


Segundo o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, julho redistribui o consumo pelo país. “Enquanto algumas cidades sentem a queda no movimento porque parte da população viaja, destinos turísticos vivem um dos períodos mais intensos do ano. Cidades associadas ao inverno, como Gramado, Campos do Jordão e Monte Verde, recebem mais visitantes e transformam essa sazonalidade em uma oportunidade para reforçar o caixa e compensar os meses de menor movimento", afirmou.

 


Ainda segundo a pesquisa, 42% das empresas operaram com lucro em maio. Outras 43% indicaram estabilidade e somente 14% relataram prejuízo (1% das empresas não existiam). Em relação ao faturamento, 49% registraram aumento em maio em comparação com abril; 23% mantiveram estabilidade e 27% apontaram queda (1% das empresas não existiam).


Além disso, 37% dos estabelecimentos não conseguiram reajustar os preços nos últimos 12 meses. Outros 53% realizaram reajustes conforme ou abaixo da inflação e 10% reajustaram acima da inflação. Em relação ao endividamento, 39% têm pagamentos em atraso. Entre eles, os principais débitos são impostos federais, mencionados por 69% dos empresários, seguidos pelos tributos estaduais, citados por 38%.

 


Para a presidente da Abrasel em Minas Gerais, Karla Rocha, julho evidencia como o turismo tem impacto direto sobre o setor de alimentação fora do lar. “Destinos como Monte Verde, Tiradentes, Ouro Preto e Diamantina recebem um fluxo maior de visitantes nesta época do ano, criando oportunidades importantes para bares e restaurantes ampliarem suas vendas. Ao mesmo tempo, estabelecimentos em grandes centros urbanos precisam buscar estratégias para manter o movimento. Essa dinâmica reforça a capacidade de adaptação dos empresários e a relevância do setor para a economia e o turismo do estado”, concluiu.

 

Copa do Mundo no Sul de Minas evidencia mudança no consumo e queda no ticket médio em bares e restaurantes

 A expectativa de aumento no faturamento durante a Copa do Mundo não se confirmou para parte dos bares e restaurantes do Sul de Minas. Segundo depoimentos de associados da Abrasel no Sul de Minas, apenas estabelecimentos que já tinham tradição na transmissão dos jogos conseguiram resultados mais positivos.

 De acordo com o presidente da Abrasel no Sul de Minas, SEHAV e ACIV, André Yuki, muitos empresários que investiram em telões, televisores, decoração e promoções tiveram retorno abaixo do esperado. "Os estabelecimentos que tiveram algum resultado positivo foram, em sua maioria, aqueles que já tinham tradição em exibir os jogos. Quem investiu recentemente para atrair o público relatou frustração com o movimento e o faturamento", afirma.

 


Segundo ele, o comportamento do consumidor mudou nos últimos anos. "As pessoas passaram a reunir amigos e familiares em casa, impulsionadas pelas áreas gourmet, pelo acesso a TVs de alta qualidade e pela redução do poder de compra. Com cerca de 87% da população endividada, o consumidor está mais cauteloso na hora de gastar”, explicou.

Relatos de empresários de cidades como Três Corações, Varginha, Guaxupé, São Lourenço, Itajubá, Capitólio, Pouso Alegre e Elói Mendes apontam que, mesmo nos bares lotados, o consumo ficou concentrado em bebidas, reduzindo o ticket médio. Já restaurantes tradicionais registraram queda nas vendas durante os jogos, enquanto o delivery apresentou aumento na demanda.

 

Decisão individual, problema social e impacto nos negócios


A Copa do Mundo também impulsionou o mercado de apostas esportivas online no Brasil. Segundo levantamento da fintech Klavi, com base em dados do Open Finance do Banco Central, o percentual de brasileiros que realizaram apostas durante o Mundial saltou de 11% para 34,8%, enquanto o valor médio apostado passou de R$ 188 para R$ 524 por pessoa após o jogo entre Brasil e Marrocos.

 

O avanço das apostas preocupa especialistas por estar relacionado à ludopatia, transtorno caracterizado pelo impulso compulsivo de apostar. Pesquisa do Procon-SP mostra que 52,4% dos apostadores já comprometeram parte da renda ou recorreram a empréstimos para continuar jogando.

No setor de alimentação fora do lar, os reflexos também são percebidos. Levantamento da Abrasel aponta que 87% dos empresários identificaram colaboradores com hábito de apostar e 63% já observaram impactos na rotina das equipes. Entre os principais problemas estão o aumento do endividamento dos funcionários (75%) e apostas realizadas durante o expediente (58%).

Diante desse cenário, a Abrasel orienta empresários a ficarem atentos a sinais como pedidos frequentes de adiantamento salarial, queda de desempenho e mudanças de comportamento, além de promover ações de educação financeira e encaminhar colaboradores para canais de apoio quando necessário. Para auxiliar os estabelecimentos, a entidade disponibiliza a cartilha "Apostas na Copa: como proteger sua equipe durante o Mundial", com orientações práticas para prevenção e acolhimento.

 Fonte: Ana Luísa Alves.


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