O Cine Humberto Mauro, em Belo Horizonte, realiza mostra
dedicada a exibir a filmografia completa de Akira Kurosawa (1910-1998),
considerado um dos principais cineastas do Japão. A programação inclui sessões comentadas por
especialistas e 30 filmes emblemáticos do realizador, como “Rashomon”, (1950),
“Os Sete Samurais” (1954), “Trono Manchado de Sangue” (1957), “Dersu Uzala”
(1975) e “Ran” (1985), formando um panorama da carreira de Kurosawa ao longo de
seis décadas e de séculos da história japonesa. A mostra segue até o dia 16 de
agosto, com entrada gratuita, sendo a retirada de ingressos antecipados na
plataforma Sympla; e a partir de 1 hora
antes de cada exibição, na bilheteria principal do Palácio das Artes.
A mostra começou no dia 16 de julho com uma exibição, às 16h30, do filme “A Fortaleza Escondida” (1958), épico de aventura, ação, drama e humor que se Inspira nos faroestes do diretor hollywoodiano John Ford. Logo depois, às 19h, a abertura oficial trouxe uma apresentação de Taiko com o Grupo Raiki Daiko, nos jardins internos do Palácio das Artes. A noite se encerrou com a sessão de “Yojimbo, o Guarda-Costas” (1961), às 20h, seguida por comentário do professor e pesquisador José Ricardo Miranda Júnior – haverá tradução simultânea para a Língua Brasileira de Sinais.
A mostra segue com mais sessões comentadas, oferecendo ao
público a oportunidade de aprofundar o diálogo com os filmes ao explorar
aspectos históricos, estéticos e temáticos que ajudam a iluminar a riqueza da
obra de Kurosawa. No dia 17 de julho (sexta-feira), às 19h, o filme “Rashomon”
é exibido dentro da faixa “Cinema e Psicanálise”, com comentários de Cristiane
Barreto, membra da Escola Brasileira de Psicanálise – haverá, novamente,
tradução para Libras. Na semana seguinte, dia 22 de julho (quarta-feira), o
crítico Nicholas Correa comenta o longa “Dersu Uzala”, às 19h. Ainda na segunda
semana da mostra, no dia 24 de julho (sexta-feira), às 18h30, “O Idiota” (1951)
será comentado pelo crítico e pesquisador João Paulo Campos. Dia 28
(terça-feira), às 19h, a curadora Layla Braz conversa com o público sobre “Não
Lamento Minha Juventude” (1946). Fechando as sessões comentadas, o cineasta
Affonso Uchoa participa da exibição de “Dodeskaden - O Caminho da Vida” (1970),
às 16h do dia 1º de agosto (sábado).
Considerado um dos diretores mais influentes da história do
cinema, Akira Kurosawa nasceu em Tóquio e viveu uma trajetória que acompanhou o
surgimento e a consagração do cinema como forma de arte. Durante sua infância,
o pai levava a família ao cinema para assistir a filmes internacionais, e seu
irmão mais velho, Heigo, tornou-se um benshi — narrador que acompanhava ao vivo
a exibição de filmes mudos —, com a companhia frequente de Akira.
Após um período atuando como pintor, ativista e entusiasta
da literatura no grupo clandestino Liga dos Artistas Proletários, Kurosawa
respondeu, em 1936, a um anúncio de vagas para assistentes de direção no
estúdio P.C.L. Film Studios. Lá, trabalhou como aprendiz por sete anos sob a
tutela do cineasta Kajiro Yamamoto antes de dirigir seu primeiro
longa-metragem, “A Saga do Judô” (1943), aos 33 anos. Inspirando-se no teatro,
em suas obras favoritas da literatura japonesa e internacional e em cineastas
como Sergei Eisenstein, D.W. Griffith e Abel Gance, Kurosawa fundiu essas
influências na criação de uma linguagem cinematográfica autoral que seria
desenvolvida até seu último filme, a comédia dramática “Madadayo” (1993),
lançado quando o cineasta tinha 83 anos.
Impulsionado pelo interesse no kendo – arte marcial
tradicional japonesa de combate com a espada – durante a infância e pelas
conexões familiares de seu pai com samurais reais, Kurosawa destacou-se no
gênero jidai-geki com alguns dos épicos de samurai mais reverenciados de todos
os tempos — histórias ambientadas no Japão feudal e diversos outros períodos.
Ele aplicou o mesmo virtuosismo visual e a narrativa de grande proporção aos
seus dramas contemporâneos – gênero gendai-geki –, incluindo “O Anjo Embriagado”
(1948) e “Viver” (1952). Fonte de inspiração para diversos cineastas
ocidentais, como Sidney Lumet, Sam Peckinpah, Sergio Leone, Spike Lee e George
Lucas – que bebeu de “A Fortaleza Escondida” para criar “Star Wars” (1977) –,
Kurosawa está presente também em uma das animações mais queridas de todos os
tempos – “Vida de Inseto”, dirigida por John Lasseter e produzida pela Pixar,
que tomou emprestada a trama de “Os Sete Samurais”.
A primeira fase significativa da carreira do diretor ocorreu
no pós-Segunda Guerra Mundial com “O Anjo Embriagado” e “Cão Danado”, filmes
noir que inauguraram sua longa colaboração com o ator Toshiro Mifune –
parceiros em 16 filmes no total. No início da década de 1950, Kurosawa alcançou
fama mundial com “Rashomon”, um marco na narrativa não-linear que despertou o
interesse internacional pelo cinema japonês. Nos anos seguintes, ele manteve um
diálogo frutífero com o Ocidente, inspirando-se em autores canônicos como
Shakespeare e Dostoiévski, mas também em escritores contemporâneos como
Dashiell Hammett. Na década de 1960, Kurosawa mudou o foco para obras mais
sombrias e pessimistas, situadas no ambiente urbano, como “Céu e Inferno”
(1963) e “O Barba Ruiva” (1965), que encerraram sua colaboração com Mifune. Nos
anos 1970, ele enfrenta uma crise, com a fraca bilheteria de “Dodeskaden - O
Caminho da Vida”. Porém, é premiado com o Oscar de Melhor Filme em Língua
Estrangeira por “Dersu Uzala” (que Kurosawa já havia ganho por “Rashomon”),
feito em parceria com a produtora soviética Mosfilm.
Na década de 80, com o apoio dos cineastas estadunidenses
George Lucas e Francis Ford Coppola, o diretor segue com obras
internacionalmente reconhecidas, centrados na queda de figuras heroicas e
poderosas, como “Kagemusha, a Sombra de um Samurai” (1980), ganhador da Palma
de Ouro no Festival de Cannes, e Ran – indicado aos Oscars de Melhor Direção,
Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte, e vencedor do Oscar de Melhor
Figurino. Nos anos 90, o cineasta
encerra a carreira com “Sonhos” (1990), “Rapsódia em Agosto” (1991) e
“Madadayo” — obras contemplativas que fazem um uso tido como visionário das
cores. A programação inclui ainda a exibição do documentário “Uma Mensagem de
Kurosawa” (2000), de Hisao Kurosawa, filho do cineasta. A obra revisita a
trajetória do realizador por meio de imagens de arquivo, depoimentos e
reflexões sobre seu processo criativo.
Com curadoria de Vitor Miranda, programador do Cine Humberto
Mauro, a mostra propõe uma aproximação com a obra de Akira Kurosawa a partir de
suas múltiplas dimensões: sua relação com a cultura japonesa, sua inventividade
formal e sua capacidade de transformar questões humanas específicas de seu país
de origem – moral, honra, poder, memória, justiça, violência e responsabilidade
coletiva – em experiências cinematográficas de alcance universal. Com uma
filmografia marcada por sequências de ação cuidadosamente coreografadas e uso
dramático do clima, Kurosawa foi influenciado e inspirou, em um processo
recíproco, o cinema ocidental. Mas ele é também lembrado por colocar tais
elementos a serviço de uma constante investigação da condição humana, o que o
torna parte de uma linhagem de cineastas humanistas que encontraram no cinema
uma maneira de observar o mundo e compreender as complexidades da experiência
humana.
A mostra “Kurosawa” é realizada pelo Ministério da Cultura e
pela Fundação Clóvis Salgado. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a
Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e Grupo
Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH e do Instituto AngloGold,
Patrocínio Plus da Vivo e correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. A
ação é viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Horários: Variáveis
16 de julho a 16 de agosto de 2026
P R O G R A M A Ç Ã O
16h30 A Fortaleza Escondida (Kakushi-toride no san-akunin,
Japão, 1958) | 14 anos
| 2h19
19h ABERTURA DA MOSTRA | Apresentação de Taiko com o Grupo
Raiki Daiko |
Jardins Internos do Palácio das Artes
20h Yojimbo, o Guarda-Costas (Yôjinbô, Japão, 1961) | Livre
| 1h50 | Sessão
Comentada pelo professor e pesquisador José Ricardo Miranda
Júnior
* comentário com tradução em Libras
17/07 SEX
15h A Saga do Judô (Sugata Sanshirô, Japão, 1943) | 14 anos
| 1h19
17h O Escândalo (Shûbun, Japão, 1950) | 12 anos | 1h44
19h CINEMA & PSICANÁLISE | Rashomon (Japão, 1950) |
16 anos | 1h28 |
Sessão Comentada por Cristiane Barreto - Psicanalista,
membro da Escola
Brasileira de Psicanálise e da Associação Mundial de
Psicanálise
* comentário com tradução em Libras
18/07 SÁB
15h Cineclube Música na Tela | Do Ritmo à Bandonion:
histórias musicais do
Aglomerado da Serra (Thiago dos Anjos, Brasil, 2026) | Livre
| 1h20
17h A Saga do Judô II (Zoku Sugata Sanshirô, Japão, 1945) |
Livre | 1h23
19h Os Sete Samurais (Shichinin no samurai, Japão, 1954) |
14 anos | 3h27
19/07 DOM e 20/07 SEG
Sem Programação
21/07 TER
17h Duelo Silencioso (Shizuka naru kettô, Japão, 1949) | 12
anos | 1h35
19h Viver (Ikiru, Japão, 1952) | Livre | 2h23
22/07 QUA
15h Anatomia do Medo (Ikimono no kiroku, Japão, 1955) | 10
anos | 1h43
17h Rapsódia em Agosto (Hachigatsu no rapusodi, Japão, 1991)
| 14 anos | 1h38
19h Dersu Uzala (Japão/URSS, 1975) | 14 anos | 2h24 | Sessão
Comentada pelo
crítico de cinema Nicholas Correa
23/07 QUI
15h Sonhos (Yume, Japão, 1990) | Livre | 2h
17h15 Céu e Inferno (Tengoku to jigoku, Japão, 1963) | 12
anos | 2h23
20h Homem Mau Dorme Bem (Warui yatsu hodo yoku nemuru,
Japão, 1960) | 14
anos | 2h31
24/07 SEX
15h30 Donzoko: Ralé (Donzoko, Japão, 1957) | 10 anos | 2h17
18h30 O Idiota (Hakuchi, Japão, 1951) | 14 anos | 2h46 |
Sessão Comentada pelo
crítico e pesquisador João Paulo Campos
25/07 SÁB
15h Trono Manchado de Sangue (Kumonosu-jō, Japão, 1957) | 14
anos | 1h50
17h15 Ran (Japão, 1985) | 16 anos | 2h42
20h15 Kagemusha, a Sombra de um Samurai (Kagemusha, Japão,
1980) | 12 anos
| 3h
26/07 DOM
18h Um Domingo Maravilhoso (Subarashiki nichiyôbi, Japão,
1947) | 10 anos | 1h48
20h15 Madadayo (Mâdada yo, Japão, 1993) | Livre | 2h14
27/07 SEG
Sem programação
28/07 TER
17h A Mais Bela (Ichiban utsukushiku, Japão, 1944) | Livre |
1h25
19h Não Lamento Minha Juventude (Waga seishun ni kuinashi,
Japão, 1946) | 14
anos | 1h50 | Sessão Comentada pela curadora Layla Braz
29/07 QUA
15h Viver (Ikiru, Japão, 1952) | Livre | 2h23
17h40 Sonhos (Yume, Japão, 1990) | Livre | 2h
20h O Anjo Embriagado (Yoidore tenshi, Japão, 1948) | 12
anos | 1h38
30/07 QUI
15h Rashomon (Japão, 1950) | 16 anos | 1h28
17h Cão Danado (Nora inu, Japão, 1949) | 14 anos | 2h02
19h15 O Barba Ruiva (Akahige, Japão, 1965) | 12 anos | 3h05
31/07 SEX
16h Os Sete Samurais (Shichinin no samurai, Japão, 1954) |
14 anos | 3h27
20h Ran (Japão, 1985) | 16 anos | 2h42
23h59 SESSÃO DA MEIA-NOITE | House (Hausu, Nobuhiko
Ōbayashi, Japão,
1977) | 16 anos | 1h28
01/08 SÁB
16h Dodeskaden - O Caminho da Vida (Dodesukaden, Japão,
1970) | 14 anos |
2h20 | Sessão Comentada pelo cineasta Affonso Uchoa
20h Donzoko: Ralé (Donzoko, Japão, 1957) | 10 anos | 2h17
02/08 DOM
17h30 A Fortaleza Escondida (Kakushi-toride no san-akunin,
Japão, 1958) | 14 anos
| 2h19
20h15 Sanjuro (Tsubaki Sanjûrô, Japão, 1962) | 14 anos |
1h36
03/08 SEG
Sem programação
04/08 TER
16h Kagemusha, a Sombra de um Samurai (Kagemusha, Japão,
1980) | 12 anos |
3h 19h30 Ran (Japão, 1985) | 16 anos | 2h42
05/08 QUA
16h Trono Manchado de Sangue (Kumonosu-jō, Japão, 1957) | 14
anos | 1h50
18h15 Homem Mau Dorme Bem (Warui yatsu hodo yoku nemuru,
Japão, 1960) | 14
anos | 2h31
06/08 QUI
15h Madadayo (Mâdada yo, Japão, 1993) | Livre | 2h14
17h30 Anatomia do Medo (Ikimono no kiroku, Japão, 1955) | 10
anos | 1h43
19h30 Rapsódia em Agosto (Hachigatsu no rapusodi, Japão,
1991) | 14 anos | 1h38
07/08 SEX
15h Yojimbo, o Guarda-Costas (Yôjinbô, Japão, 1961) | Livre
| 1h50
17h15 Os Homens que Pisaram na Cauda do Tigre (Tora no o wo
fumu otokotachi,
Japão, 1945) | 14 anos | 59 min
19h CINEMA E PSICANÁLISE | Malu (Pedro Freire, Brasil, 2024)
| 16 anos | 1h40 |
Sessão com a presença do diretor Pedro Freire e mediação de
Antônio
Teixeira (EBP-Minas)
08/08 SÁB
15h O Barba Ruiva (Akahige, Japão, 1965) | 12 anos | 3h05
18h30 Duelo Silencioso (Shizuka naru kettô, Japão, 1949) |
12 anos | 1h35
20h30 Céu e Inferno (Tengoku to jigoku, Japão, 1963) | 12
anos | 2h23
09/08 DOM
18h O Anjo Embriagado (Yoidore tenshi, Japão, 1948) | 12
anos | 1h38
20h Cão Danado (Nora inu, Japão, 1949) | 14 anos | 2h02
10/08 SEG
Sem programação
11/08 TER
16h30 Dodeskaden - O Caminho da Vida (Dodesukaden, Japão,
1970) | 14 anos |
2h20
19h30 CINECLUBE COMUM - VISÕES TÁTEIS |
12/08 QUA
16h O Idiota (Hakuchi, Japão, 1951) | 14 anos | 2h46
19h30 CINECLUBE-IBERO AMERICANO | Oriana (Fina Torres,
Venezuela/França,
1985) | 14 anos | 1h26 | Sessão comentada por Juliana Gusman
13/08 QUI
15h Yojimbo, o Guarda-Costas (Yôjinbô, Japão, 1961) | Livre
| 1h50
17h Sanjuro (Tsubaki Sanjûrô, Japão, 1962) | 14 anos | 1h36
19h Kagemusha, a Sombra de um Samurai (Kagemusha, Japão,
1980) | 12 anos |
3h
14/08 SEX
15h Dersu Uzala (Japão/URSS, 1975) | 14 anos | 2h24
18h Uma Mensagem de Kurosawa (Kurosawa Akira Kara no
Messeji, Hisao
Kurosawa, 2000) | Livre | 1h21
20h Sonhos (Yume, Japão, 1990) | Livre | 2h
15/08 SÁB
15h O Escândalo (Shûbun, Japão, 1950) | 12 anos | 1h44
17h Rashomon (Japão, 1950) | 16 anos | 1h28
19h Trono Manchado de Sangue (Kumonosu-jō, Japão, 1957) | 14
anos | 1h50
16/08 DOM
18h Os Sete Samurais (Shichinin no samurai, Japão, 1954) |
14 anos | 3h27
Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes
(Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)
Classificações
indicativas: Variáveis
Entrada gratuita; 50% dos ingressos estarão disponíveis, de forma on-line, a partir do meio-dia da data das sessões, na plataforma Sympla; o restante será distribuído presencialmente na bilheteria principal do Palácio das Artes e nos totens, a partir de 1 hora antes de cada exibição.
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