sexta-feira, 17 de julho de 2026

Cine Humberto Mauro realiza mostra com 30 filmes de Akira Kurosawa

 

                       


 

O Cine Humberto Mauro, em Belo Horizonte, realiza mostra dedicada a exibir a filmografia completa de Akira Kurosawa (1910-1998), considerado um dos principais cineastas do Japão.  A programação inclui sessões comentadas por especialistas e 30 filmes emblemáticos do realizador, como “Rashomon”, (1950), “Os Sete Samurais” (1954), “Trono Manchado de Sangue” (1957), “Dersu Uzala” (1975) e “Ran” (1985), formando um panorama da carreira de Kurosawa ao longo de seis décadas e de séculos da história japonesa. A mostra segue até o dia 16 de agosto, com entrada gratuita, sendo a retirada de ingressos antecipados na plataforma Sympla; e  a partir de 1 hora antes de cada exibição, na bilheteria principal do Palácio das Artes.

 



A mostra começou no dia 16 de julho com uma exibição, às 16h30, do filme “A Fortaleza Escondida” (1958), épico de aventura, ação, drama e humor que se Inspira nos faroestes do diretor hollywoodiano John Ford. Logo depois, às 19h, a abertura oficial trouxe uma apresentação de Taiko com o Grupo Raiki Daiko, nos jardins internos do Palácio das Artes. A noite se encerrou com a sessão de “Yojimbo, o Guarda-Costas” (1961), às 20h, seguida por comentário do professor e pesquisador José Ricardo Miranda Júnior – haverá tradução simultânea para a Língua Brasileira de Sinais.


 


A mostra segue com mais sessões comentadas, oferecendo ao público a oportunidade de aprofundar o diálogo com os filmes ao explorar aspectos históricos, estéticos e temáticos que ajudam a iluminar a riqueza da obra de Kurosawa. No dia 17 de julho (sexta-feira), às 19h, o filme “Rashomon” é exibido dentro da faixa “Cinema e Psicanálise”, com comentários de Cristiane Barreto, membra da Escola Brasileira de Psicanálise – haverá, novamente, tradução para Libras. Na semana seguinte, dia 22 de julho (quarta-feira), o crítico Nicholas Correa comenta o longa “Dersu Uzala”, às 19h. Ainda na segunda semana da mostra, no dia 24 de julho (sexta-feira), às 18h30, “O Idiota” (1951) será comentado pelo crítico e pesquisador João Paulo Campos. Dia 28 (terça-feira), às 19h, a curadora Layla Braz conversa com o público sobre “Não Lamento Minha Juventude” (1946). Fechando as sessões comentadas, o cineasta Affonso Uchoa participa da exibição de “Dodeskaden - O Caminho da Vida” (1970), às 16h do dia 1º de agosto (sábado).



Considerado um dos diretores mais influentes da história do cinema, Akira Kurosawa nasceu em Tóquio e viveu uma trajetória que acompanhou o surgimento e a consagração do cinema como forma de arte. Durante sua infância, o pai levava a família ao cinema para assistir a filmes internacionais, e seu irmão mais velho, Heigo, tornou-se um benshi — narrador que acompanhava ao vivo a exibição de filmes mudos —, com a companhia frequente de Akira.

 

Após um período atuando como pintor, ativista e entusiasta da literatura no grupo clandestino Liga dos Artistas Proletários, Kurosawa respondeu, em 1936, a um anúncio de vagas para assistentes de direção no estúdio P.C.L. Film Studios. Lá, trabalhou como aprendiz por sete anos sob a tutela do cineasta Kajiro Yamamoto antes de dirigir seu primeiro longa-metragem, “A Saga do Judô” (1943), aos 33 anos. Inspirando-se no teatro, em suas obras favoritas da literatura japonesa e internacional e em cineastas como Sergei Eisenstein, D.W. Griffith e Abel Gance, Kurosawa fundiu essas influências na criação de uma linguagem cinematográfica autoral que seria desenvolvida até seu último filme, a comédia dramática “Madadayo” (1993), lançado quando o cineasta tinha 83 anos.

 

Impulsionado pelo interesse no kendo – arte marcial tradicional japonesa de combate com a espada – durante a infância e pelas conexões familiares de seu pai com samurais reais, Kurosawa destacou-se no gênero jidai-geki com alguns dos épicos de samurai mais reverenciados de todos os tempos — histórias ambientadas no Japão feudal e diversos outros períodos. Ele aplicou o mesmo virtuosismo visual e a narrativa de grande proporção aos seus dramas contemporâneos – gênero gendai-geki –, incluindo “O Anjo Embriagado” (1948) e “Viver” (1952). Fonte de inspiração para diversos cineastas ocidentais, como Sidney Lumet, Sam Peckinpah, Sergio Leone, Spike Lee e George Lucas – que bebeu de “A Fortaleza Escondida” para criar “Star Wars” (1977) –, Kurosawa está presente também em uma das animações mais queridas de todos os tempos – “Vida de Inseto”, dirigida por John Lasseter e produzida pela Pixar, que tomou emprestada a trama de “Os Sete Samurais”.

 

A primeira fase significativa da carreira do diretor ocorreu no pós-Segunda Guerra Mundial com “O Anjo Embriagado” e “Cão Danado”, filmes noir que inauguraram sua longa colaboração com o ator Toshiro Mifune – parceiros em 16 filmes no total. No início da década de 1950, Kurosawa alcançou fama mundial com “Rashomon”, um marco na narrativa não-linear que despertou o interesse internacional pelo cinema japonês. Nos anos seguintes, ele manteve um diálogo frutífero com o Ocidente, inspirando-se em autores canônicos como Shakespeare e Dostoiévski, mas também em escritores contemporâneos como Dashiell Hammett. Na década de 1960, Kurosawa mudou o foco para obras mais sombrias e pessimistas, situadas no ambiente urbano, como “Céu e Inferno” (1963) e “O Barba Ruiva” (1965), que encerraram sua colaboração com Mifune. Nos anos 1970, ele enfrenta uma crise, com a fraca bilheteria de “Dodeskaden - O Caminho da Vida”. Porém, é premiado com o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira por “Dersu Uzala” (que Kurosawa já havia ganho por “Rashomon”), feito em parceria com a produtora soviética Mosfilm.

 

Na década de 80, com o apoio dos cineastas estadunidenses George Lucas e Francis Ford Coppola, o diretor segue com obras internacionalmente reconhecidas, centrados na queda de figuras heroicas e poderosas, como “Kagemusha, a Sombra de um Samurai” (1980), ganhador da Palma de Ouro no Festival de Cannes, e Ran – indicado aos Oscars de Melhor Direção, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte, e vencedor do Oscar de Melhor Figurino.  Nos anos 90, o cineasta encerra a carreira com “Sonhos” (1990), “Rapsódia em Agosto” (1991) e “Madadayo” — obras contemplativas que fazem um uso tido como visionário das cores. A programação inclui ainda a exibição do documentário “Uma Mensagem de Kurosawa” (2000), de Hisao Kurosawa, filho do cineasta. A obra revisita a trajetória do realizador por meio de imagens de arquivo, depoimentos e reflexões sobre seu processo criativo.

 

Com curadoria de Vitor Miranda, programador do Cine Humberto Mauro, a mostra propõe uma aproximação com a obra de Akira Kurosawa a partir de suas múltiplas dimensões: sua relação com a cultura japonesa, sua inventividade formal e sua capacidade de transformar questões humanas específicas de seu país de origem – moral, honra, poder, memória, justiça, violência e responsabilidade coletiva – em experiências cinematográficas de alcance universal. Com uma filmografia marcada por sequências de ação cuidadosamente coreografadas e uso dramático do clima, Kurosawa foi influenciado e inspirou, em um processo recíproco, o cinema ocidental. Mas ele é também lembrado por colocar tais elementos a serviço de uma constante investigação da condição humana, o que o torna parte de uma linhagem de cineastas humanistas que encontraram no cinema uma maneira de observar o mundo e compreender as complexidades da experiência humana.

 

A mostra “Kurosawa” é realizada pelo Ministério da Cultura e pela Fundação Clóvis Salgado. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH e do Instituto AngloGold, Patrocínio Plus da Vivo e correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. A ação é viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.


Horários: Variáveis

K U R O S A W A

16 de julho a 16 de agosto de 2026

P R O G R A M A Ç Ã O

 16/07 QUI

16h30 A Fortaleza Escondida (Kakushi-toride no san-akunin, Japão, 1958) | 14 anos

| 2h19

19h ABERTURA DA MOSTRA | Apresentação de Taiko com o Grupo Raiki Daiko |

Jardins Internos do Palácio das Artes

20h Yojimbo, o Guarda-Costas (Yôjinbô, Japão, 1961) | Livre | 1h50 | Sessão

Comentada pelo professor e pesquisador José Ricardo Miranda Júnior

* comentário com tradução em Libras

 

17/07 SEX

15h A Saga do Judô (Sugata Sanshirô, Japão, 1943) | 14 anos | 1h19

17h O Escândalo (Shûbun, Japão, 1950) | 12 anos | 1h44

19h CINEMA & PSICANÁLISE | Rashomon (Japão, 1950) | 16 anos | 1h28 |

Sessão Comentada por Cristiane Barreto - Psicanalista, membro da Escola

Brasileira de Psicanálise e da Associação Mundial de Psicanálise

* comentário com tradução em Libras

 

18/07 SÁB

15h Cineclube Música na Tela | Do Ritmo à Bandonion: histórias musicais do

Aglomerado da Serra (Thiago dos Anjos, Brasil, 2026) | Livre | 1h20

17h A Saga do Judô II (Zoku Sugata Sanshirô, Japão, 1945) | Livre | 1h23

19h Os Sete Samurais (Shichinin no samurai, Japão, 1954) | 14 anos | 3h27

19/07 DOM e 20/07 SEG

Sem Programação

21/07 TER

17h Duelo Silencioso (Shizuka naru kettô, Japão, 1949) | 12 anos | 1h35

19h Viver (Ikiru, Japão, 1952) | Livre | 2h23

 

22/07 QUA

15h Anatomia do Medo (Ikimono no kiroku, Japão, 1955) | 10 anos | 1h43

17h Rapsódia em Agosto (Hachigatsu no rapusodi, Japão, 1991) | 14 anos | 1h38

19h Dersu Uzala (Japão/URSS, 1975) | 14 anos | 2h24 | Sessão Comentada pelo

crítico de cinema Nicholas Correa

 

23/07 QUI

15h Sonhos (Yume, Japão, 1990) | Livre | 2h

17h15 Céu e Inferno (Tengoku to jigoku, Japão, 1963) | 12 anos | 2h23

20h Homem Mau Dorme Bem (Warui yatsu hodo yoku nemuru, Japão, 1960) | 14

anos | 2h31

 

24/07 SEX

15h30 Donzoko: Ralé (Donzoko, Japão, 1957) | 10 anos | 2h17

18h30 O Idiota (Hakuchi, Japão, 1951) | 14 anos | 2h46 | Sessão Comentada pelo

crítico e pesquisador João Paulo Campos

 

25/07 SÁB

15h Trono Manchado de Sangue (Kumonosu-jō, Japão, 1957) | 14 anos | 1h50

17h15 Ran (Japão, 1985) | 16 anos | 2h42

20h15 Kagemusha, a Sombra de um Samurai (Kagemusha, Japão, 1980) | 12 anos

| 3h

26/07 DOM

18h Um Domingo Maravilhoso (Subarashiki nichiyôbi, Japão, 1947) | 10 anos | 1h48

20h15 Madadayo (Mâdada yo, Japão, 1993) | Livre | 2h14

27/07 SEG

Sem programação

28/07 TER

17h A Mais Bela (Ichiban utsukushiku, Japão, 1944) | Livre | 1h25

19h Não Lamento Minha Juventude (Waga seishun ni kuinashi, Japão, 1946) | 14

anos | 1h50 | Sessão Comentada pela curadora Layla Braz

29/07 QUA

15h Viver (Ikiru, Japão, 1952) | Livre | 2h23

17h40 Sonhos (Yume, Japão, 1990) | Livre | 2h

20h O Anjo Embriagado (Yoidore tenshi, Japão, 1948) | 12 anos | 1h38

 

30/07 QUI

15h Rashomon (Japão, 1950) | 16 anos | 1h28

17h Cão Danado (Nora inu, Japão, 1949) | 14 anos | 2h02

19h15 O Barba Ruiva (Akahige, Japão, 1965) | 12 anos | 3h05

 

31/07 SEX

16h Os Sete Samurais (Shichinin no samurai, Japão, 1954) | 14 anos | 3h27

 

20h Ran (Japão, 1985) | 16 anos | 2h42

23h59 SESSÃO DA MEIA-NOITE | House (Hausu, Nobuhiko Ōbayashi, Japão,

1977) | 16 anos | 1h28

 

01/08 SÁB

16h Dodeskaden - O Caminho da Vida (Dodesukaden, Japão, 1970) | 14 anos |

2h20 | Sessão Comentada pelo cineasta Affonso Uchoa

20h Donzoko: Ralé (Donzoko, Japão, 1957) | 10 anos | 2h17

 

02/08 DOM

17h30 A Fortaleza Escondida (Kakushi-toride no san-akunin, Japão, 1958) | 14 anos

| 2h19

20h15 Sanjuro (Tsubaki Sanjûrô, Japão, 1962) | 14 anos | 1h36

03/08 SEG

Sem programação

04/08 TER

16h Kagemusha, a Sombra de um Samurai (Kagemusha, Japão, 1980) | 12 anos |

3h 19h30 Ran (Japão, 1985) | 16 anos | 2h42

 

05/08 QUA

16h Trono Manchado de Sangue (Kumonosu-jō, Japão, 1957) | 14 anos | 1h50

18h15 Homem Mau Dorme Bem (Warui yatsu hodo yoku nemuru, Japão, 1960) | 14

anos | 2h31

06/08 QUI

15h Madadayo (Mâdada yo, Japão, 1993) | Livre | 2h14

17h30 Anatomia do Medo (Ikimono no kiroku, Japão, 1955) | 10 anos | 1h43

19h30 Rapsódia em Agosto (Hachigatsu no rapusodi, Japão, 1991) | 14 anos | 1h38

07/08 SEX

15h Yojimbo, o Guarda-Costas (Yôjinbô, Japão, 1961) | Livre | 1h50

17h15 Os Homens que Pisaram na Cauda do Tigre (Tora no o wo fumu otokotachi,

Japão, 1945) | 14 anos | 59 min

19h CINEMA E PSICANÁLISE | Malu (Pedro Freire, Brasil, 2024) | 16 anos | 1h40 |

Sessão com a presença do diretor Pedro Freire e mediação de Antônio

Teixeira (EBP-Minas)

 

08/08 SÁB

15h O Barba Ruiva (Akahige, Japão, 1965) | 12 anos | 3h05

18h30 Duelo Silencioso (Shizuka naru kettô, Japão, 1949) | 12 anos | 1h35

20h30 Céu e Inferno (Tengoku to jigoku, Japão, 1963) | 12 anos | 2h23

09/08 DOM

18h O Anjo Embriagado (Yoidore tenshi, Japão, 1948) | 12 anos | 1h38

20h Cão Danado (Nora inu, Japão, 1949) | 14 anos | 2h02

10/08 SEG

Sem programação

11/08 TER

16h30 Dodeskaden - O Caminho da Vida (Dodesukaden, Japão, 1970) | 14 anos |

2h20

19h30 CINECLUBE COMUM - VISÕES TÁTEIS |

12/08 QUA

16h O Idiota (Hakuchi, Japão, 1951) | 14 anos | 2h46

19h30 CINECLUBE-IBERO AMERICANO | Oriana (Fina Torres, Venezuela/França,

1985) | 14 anos | 1h26 | Sessão comentada por Juliana Gusman

13/08 QUI

15h Yojimbo, o Guarda-Costas (Yôjinbô, Japão, 1961) | Livre | 1h50

17h Sanjuro (Tsubaki Sanjûrô, Japão, 1962) | 14 anos | 1h36

19h Kagemusha, a Sombra de um Samurai (Kagemusha, Japão, 1980) | 12 anos |

3h

14/08 SEX

15h Dersu Uzala (Japão/URSS, 1975) | 14 anos | 2h24

18h Uma Mensagem de Kurosawa (Kurosawa Akira Kara no Messeji, Hisao

Kurosawa, 2000) | Livre | 1h21

20h Sonhos (Yume, Japão, 1990) | Livre | 2h

15/08 SÁB

15h O Escândalo (Shûbun, Japão, 1950) | 12 anos | 1h44

17h Rashomon (Japão, 1950) | 16 anos | 1h28

19h Trono Manchado de Sangue (Kumonosu-jō, Japão, 1957) | 14 anos | 1h50

16/08 DOM

18h Os Sete Samurais (Shichinin no samurai, Japão, 1954) | 14 anos | 3h27

Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes


(Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)

Classificações  indicativas: Variáveis

Entrada gratuita; 50% dos ingressos estarão disponíveis, de forma on-line, a partir do meio-dia da data das sessões, na plataforma Sympla; o restante será distribuído presencialmente na bilheteria principal do Palácio das Artes e nos totens, a partir de 1 hora antes de cada exibição.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Belo Horizonte ganha novo espaço de eventos

  Construção busca alinhar a modernidade técnica com a tradição cultural de Minas Gerais     • Divulgação A partir do dia 1º de setemb...