A falta de profissionais qualificados é hoje um dos principais
entraves ao crescimento da hotelaria brasileira. Estimativas do setor indicam
que cerca de 40% das vagas na hotelaria mineira estão em aberto devido à
escassez de profissionais qualificados, cenário que pressiona custos, reduz a
capacidade de atendimento e limita a expansão de empreendimentos em regiões
turísticas em ascensão. Diante desse contexto, a Associação Mineira de Hotéis
de Lazer (AMIHLA) anuncia parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e da
Cidadania (MDHC), a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência
da ONU para as migrações, e a OAB-MG, por meio do programa Aqui é o Brasil,
iniciativa de acolhimento humanitário voltada para repatriados. A proposta é
direcionar brasileiros deportados dos Estados Unidos para vagas de trabalho em
hotéis associados à entidade, com suporte para reinserção profissional e
acolhimento social. A iniciativa está em fase de formalização e deve ser
concluída nas próximas semanas.
O anúncio da parceria aconteceu durante o Congresso AMIHLA – Desafios da Hotelaria 2026, que reuniu centenas de profissionais da hotelaria, turismo e eventos nos dias 27 e 28 de maio, em Belo Horizonte.
A iniciativa foi apresentada pelo presidente da AMIHLA, Alexandre Santos, ao lado de Bryan Rodas, Assistente de Projetos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC); Duda Marques, Assistente de Projetos Sênior da Agência da ONU para as Migrações (OIM); e Silvana Felipetto, presidente da Comissão Especial de Direito Migratório, Refúgio e Apatridia da OAB-MG.
De acordo com o presidente da AMIHLA, Alexandre Santos, a expectativa é que a parceria contribua para reduzir a escassez de mão de obra qualificada no setor. A iniciativa permitirá que hotéis associados tenham acesso a profissionais que retornaram ao Brasil trazendo experiências adquiridas no exterior, vivência multicultural e, principalmente, habilidades em idiomas, uma competência cada vez mais valorizada pelo setor diante do crescimento do turismo nacional e internacional.
“Estamos falando de pessoas que retornam ao país com experiências profissionais diversas, capacidade de adaptação e conhecimentos em idiomas que representam um diferencial importante para a hotelaria. O domínio de uma segunda língua é uma habilidade cada vez mais necessária para o setor e pode abrir portas para oportunidades em áreas como recepção, atendimento ao hóspede, reservas e relacionamento com clientes”, afirma Alexandre Santos.
Perfil dos profissionais amplia oportunidades para a hotelaria - Levantamento realizado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) com 575 brasileiros retornados ao país revela um perfil que pode contribuir para atender parte da demanda por mão de obra da hotelaria. Segundo a pesquisa, mais de 90% dos entrevistados estão em idade economicamente ativa, 399 possuem experiência profissional adquirida nos Estados Unidos e uma parcela significativa conta com conhecimentos em inglês, sendo 113 com nível avançado, 65 com nível intermediário e 139 com nível básico. O estudo também identificou que 153 pessoas possuem formação técnica ou profissionalizante.
“Os dados mostram que estamos falando de pessoas com potencial de inserção no mercado de trabalho e que trazem experiências acumuladas em diferentes contextos profissionais. No caso da hotelaria, as habilidades em idiomas e a vivência internacional representam diferenciais importantes para funções que exigem atendimento ao público e interação com visitantes de diferentes nacionalidades. Essa parceria cria oportunidades concretas para que essas pessoas reconstruam suas trajetórias profissionais e contribuam para o desenvolvimento do setor”, destaca Duda Marques, da OIM.
Como funcionará a parceria - Após a formalização do acordo, prevista para as próximas semanas, os hotéis associados à AMIHLA poderão cadastrar oportunidades de emprego em uma plataforma disponibilizada pela iniciativa. As vagas serão divulgadas pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) junto à sua rede de atendimento e à base de brasileiros retornados cadastrados no programa. A partir daí, os empreendimentos poderão acessar os perfis dos candidatos, realizar entrevistas e conduzir seus próprios processos seletivos. A contratação será feita diretamente pelas empresas participantes, criando uma ponte entre profissionais em busca de reinserção no mercado de trabalho e um setor que enfrenta dificuldades para preencher vagas em diversas áreas operacionais e de atendimento.
Fundada em abril de 2020, a Associação Mineira de Hotéis de Lazer (AMIHLA) nasceu em meio aos desafios impostos pela pandemia por meio da união de empresários com o objetivo de fortalecer a hotelaria de lazer em Minas Gerais e criar novas oportunidades de negócios. Desde então, a entidade vem se consolidando como uma das principais representantes do segmento no estado.
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