sábado, 13 de junho de 2026

Palácio da Liberdade recebe mostra de curtas-metragens “Contra-Histórias”, na Noite Mineira de Museus

 

 

 

Integrando a programação da 17ª Noite Mineira de Museus e Bibliotecas, o Palácio da Liberdade recebe a segunda edição da mostra de curtas-metragens “Contra-Histórias”, propondo um encontro entre audiovisual, patrimônio e debate público. Com curadoria do artista visual e cineasta Chris Moreira, o evento acontece no dia 18 de junho (quinta-feira), a partir das 18h, com entrada gratuita. A iniciativa, já realizada em Sabará, reúne no Palácio da Liberdade cinco filmes mineiros contemporâneos que discutem temas como a memória, o território e a afirmação de identidades, transformando o espaço em um ambiente de reflexão e troca entre público, artistas e instituições. A ação também contribui para a continuidade da sala de cinema do edifício histórico, fortalecendo sua vocação para a difusão audiovisual e a mediação do patrimônio. Além das exibições, a noite contará com bate-papos com as diretoras e diretores responsáveis pelos filmes.

 

A Canção Perdida de Sabará”  por Chris Moreira                    

A mostra acontece no contexto do lançamento de “A Canção Perdida de Sabará” (2026), curta-metragem de animação dirigido por Chris Moreira. Combinando animação digital 3D, rotoscopia quadro a quadro desenhada à mão, pinturas a óleo e aquarelas, o filme acompanha o percurso de um pássaro que atravessa a cidade de Sabará como quem percorre diferentes camadas do tempo. Entre pesquisa histórica e fabulação, a obra estabelece reflexões sobre patrimônio, a colonização do território brasileiro, memórias familiares e as paisagens do cerrado, revisitando símbolos, personagens e narrativas que contribuíram para a formação das identidades mineiras.

 

“Curar Tempo, Saravá Luzia Pinta” ,  por Massuelen Cristina



A “Mostra Contra-Histórias” é realizada pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e Fundação Clóvis Salgado. As atividades culturais do Palácio da Liberdade têm correalização da APPA – Cultura & Patrimônio e integram o programa Minas Criativa. O Palácio da Liberdade integra o Circuito Liberdade, que reúne mais de 60 equipamentos com variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. A ação é viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Vale-Cultura. Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro.

 

Mineiridade na tela – Outras obras ampliam as discussões propostas pela mostra a partir de diferentes perspectivas.

               Dicoada, Parte I

Em “Dicoada, Parte I” (2026), dirigido por Júlia Maria, o tradicional processo de fabricação do sabão de “dicoada” (mistura de cinzas de madeira com água) na Serra do Cipó revela saberes transmitidos entre gerações e profundamente vinculados à permanência de modos de vida e relações ecológicas com o território. Já “Curar Tempo, Saravá Luzia Pinta” (2025), realizado por Massuelen Cristina, revisita a trajetória de Luzia Pinta, patrona da abolição em Minas Gerais e mulher negra perseguida pela Inquisição Portuguesa no século XVIII, refletindo sobre espiritualidade, resistência e apagamentos históricos que atravessam a formação do Brasil.

 

“Candeia”, de Tatto Paschoal

A programação inclui ainda o filme “Candeia” (2025), de Tatto Paschoal, uma animação contada sob a forma de cordel, que narra a história de um garoto do interior de Minas Gerais e seu plano de ensinar uma lição à elite da região, valendo-se da imaginação e da força ancestral para subverter  as desigualdades que ditam como as pessoas dali devem viver.

O lado de fora fica aqui dentro" 

Fechando a curadoria está “O lado de fora fica aqui dentro" (2024), de Larissa Barbosa, drama ambientado em uma cidade periférica e industrial onde duas irmãs descobrem histórias silenciadas sobre os trabalhadores negros responsáveis pela construção da capital mineira; ao aproximar memória, ancestralidade e fabulação, a obra lança novos olhares sobre os processos de exclusão que acompanharam a modernização urbana e amplia as discussões propostas pela curadoria.

 

Realizada no Palácio da Liberdade, antiga residência oficial dos governadores de Minas Gerais e hoje em processo de musealização e fortalecimento de suas ações educativas, mostra dialoga diretamente com as pesquisas desenvolvidas pela instituição. Ligando diferentes tempos e territórios, os filmes estabelecem um percurso que atravessa a formação de Minas Gerais e do Brasil, partindo das marcas da colonização, passando pela preservação de saberes tradicionais e pelas resistências negras, até alcançar os processos de urbanização e construção das cidades contemporâneas.

 

A sessão ocorre como parte da programação da Noite Mineira de Museus, ação bimestral que propõe a ampliação do horário de funcionamento desses espaços culturais no período noturno, com atividades a partir das 18h. O evento busca aproximar as comunidades locais dos equipamentos culturais, fortalecendo museus, bibliotecas e arquivos como espaços de convivência, aprendizado, pertencimento, construção de identidades e valorização dos patrimônios locais.

 

Evento gratuito, com curadoria do artista visual e cineasta Chris Moreira, reúne cinco filmes mineiros contemporâneos que discutem temas como a memória, o território e a afirmação de identidades


Classificação indicativa: Variável, a depender de cada filme

 Entrada gratuita; espaço sujeito à lotação (30 lugares), com distribuição de ingressos uma hora antes do evento.

FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO – Com a missão de fomentar a criação, a formação, a produção e a difusão da arte e da cultura em Minas Gerais, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Artes visuais, cinema, dança, música, ópera e teatro integram a ampla programação desenvolvida nos espaços sob sua gestão, como o Palácio das Artes, a CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais e a Serraria Souza Pinto.


A Fundação também é responsável pela gestão dos corpos artísticos — Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico de Minas Gerais e Cia de Dança Palácio das Artes — além do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Arte e do Cefart. Em 2026, ao celebrar os 55 anos do Palácio das Artes, a FCS amplia suas ações para todas as artes e todos os públicos, reafirmando seu compromisso com a democratização cultural. 

 

 

 

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