quarta-feira, 6 de maio de 2026

Ópera “As Bodas de Fígaro”, obra-prima de Mozart no Palácio das Artes

 



Resumo e reunião luxuosos de todas as artes, a ópera, mesmo bufa, como as artes plásticas e o cinema, não escapou do tema “bodas”. E participou produzindo a “Mona Lisa das Óperas”, “As Bodas de Fígaro” (1786), de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), com libreto de Lorenzo Da Ponte (1749-1838), baseada na peça homônima do francês Pierre-Augustin Caron de Beaumarchais (1732-1799).

                           fotos:Paulo Lacerda



E é com “As Bodas de Fígaro” que a Fundação Clóvis Salgado (FCS), ao abrir a temporada de óperas 2026, tem a honra e o orgulho em montar, pela segunda vez – a primeira foi em 1978 – a ópera que reunirá a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG), o Coral Lírico de Minas Gerais (CLMG) e 13 grandes solistas. O espetáculo será apresentado nos dias 17, 19, 21 e 23 de maio, no Grande Teatro Cemig Palácio da Artes, com direção musical e regência de André Brant, maestro-residente da OSMG, concepção e direção cênica do italiano Mario Corradi. Os ingressos estão à venda, a preços populares.




A ópera “As Bodas de Fígaro” é realizada pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Fundação Clóvis Salgado e Instituto Unimed-BH. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH, do Instituto AngloGold e da Usiminas, Patrocínio Plus da Vivo e correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. O Palácio das Artes integra o Circuito Liberdade, que reúne mais de 60 equipamentos com variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. A ação é viabilizada por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura e da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Vale-Cultura. Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro.

Muitos motivos para “festeggiar” –A nova montagem, em 2026, comemora os 270 anos de Mozart, os 240 de “As Bodas de Fígaro”, os 55 do Palácio das Artes e os 50 da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG).


“A Fundação Clóvis Salgado, nas comemorações dos 55 anos do Palácio das Artes, uma das maiores referências artísticas do Brasil, tem a honra de apresentar a ópera ‘As Bodas de Fígaro'. O público terá um raro prazer, a felicidade de apreciar a obra-prima de Mozart, um dos maiores gênios da música ocidental. Estes momentos são muito especiais, pois evidenciam a importância e a qualidade do trabalho de toda a equipe e dos corpos artísticos da FCS", declara o presidente da Fundação Clóvis Salgado, Yuri Mello Mesquita.


São notórias as habilidades musicais de Mozart, desde os cinco anos de idade, e sua fama como um dos maiores compositores do Ocidente. São mais de 600 obras, em sua maioria referenciais na música sinfônica. Sua produção, considerada elegante e de extrema riqueza na harmonia e textura, foi louvada por todos os críticos de sua época, e estendeu sua influência até a contemporaneidade. As circunstâncias de sua morte prematura, aos 35 anos, são incertas e mitificadas – sua contribuição para a história da música é, no entanto, incontestável.

“Há algum tempo não apresentamos uma ópera bufa, e acredito que estamos precisando de leveza e boas gargalhadas. ‘As Bodas de Fígaro’ é repleta de personagens carismáticos e situações atemporais, criando uma imediata identificação com o público. Amor, ciúme e justiça, enganos e cartas falsas, combinando humor refinado, crítica social inteligente e uma impressionante profundidade. Além de uma música suave e genial. Esta ópera é considerada uma obra perfeita, um marco cultural que permanece vibrante, atual e profundamente conectada com o público”, convida, orgulhosa, a diretora-geral de “As Bodas de Fígaro”, Cláudia Malta.


A eternidade da música tem seu auge no famoso e melancólico lamento, “Dove sono” [Onde estão eles], que resume o caminho das pedras para o equilíbrio e a harmonia da partitura. Mozart inventa a ópera moderna, quando as vozes do coro, como os diálogos, conduzem a ação.


“A ópera ‘As Bodas de Fígaro’ é uma das mais importantes para o repertório de qualquer teatro lírico. Desde sua estreia no ano de 1786, permanece como um dos pilares do repertório operístico mundial, sendo um dos títulos mais encenados no mundo. Trazer essa ópera para Belo Horizonte fortalece o cenário lírico local ao promover o desenvolvimento técnico de cantores, músicos e equipes criativas, contribuindo para a qualificação profissional e a consolidação de um repertório de referência. Ao trazer Mozart ao palco, o Palácio das Artes reafirma sua vocação como polo cultural, estimulando a formação de público e a valorização de seus talentos locais”, ressalta André Brant, regente-residente da OSMG.

“As Bodas de Fígaro”, ou quando a esperteza, a astúcia, a “malandragem” desafia o poder e os abusos do poder! Obra-prima e atual que faz vibrar os palcos em todo o mundo, entre esplêndido “vaudeville” e feroz crítica social, une folle journée (um dia muito louco) - estilo repleto de surpresas e reviravoltas que revolucionou a ópera.

“Sinto-me lisonjeado e honrado por ser chamado novamente para encenar uma das maiores criações de Mozart/Da Ponte que, das três óperas que encenei em BH, é, na minha compreensão, a mais moderna (e ouso dizer), contemporânea. As óperas devem ser entendidas como “uma história” e não como uma página da História: qual é a diferença entre o Conde Almaviva, que quer ter relações sexuais com uma de suas funcionárias (Susanna) antes de lhe dar permissão para realizar seu sonho, e muitos altos executivos que querem o mesmo para permitir que uma mulher tenha uma carreira? O lado modernista da ópera também está no papel das mulheres: elas sempre acabam sendo mais inteligentes que os homens. ‘Nozze’ poderia ser feita com roupas contemporâneas, mas fazê-la com trajes tradicionais provavelmente tem um grande impacto na modernidade da história. Toda a história, com todos os enganos, mentiras e tentativas de sedução, acontece dentro de uma gaiola de ouro que apenas uma palavra fará desaparecer: perdão. Quando o Conde ao final canta: ‘Contessa perdono’, segundo Stendhal, Mozart escreve o mais belo coral religioso já escrito. O perdão abre a ‘gaiola’ que desaparece, deixando o palco vazio inundado de luz”, enaltece Mario Corradi, diretor de cena.

Sevilha, Espanha, Século 18. O castelo do Conde Almaviva prepara-se para as bodas de Fígaro e Susanna. Mas, sobre a festa e as reverências, paira a tensão. O conde, cansado da condessa, investe sobre a noiva, tentando reeditar o impossível, um direito medieval que permitia ao senhor feudal ter relações sexuais com as noivas dos seus servos na noite de núpcias.

Fala o próprio Fígaro, o barítono Fellipe Oliveira: “Minha estreia como Fígaro foi no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 2015. No Palácio das Artes, em 2022, fiz Papageno, na última montagem da ópera ‘A Flauta Mágica’, também de Mozart, com direção da Carla Camurati. Voltar ao Palácio das Artes, como protagonista, em um papel que já fiz três vezes, é uma alegria muito grande; o público de Minas sempre me recebeu com bastante entusiasmo e por isso, me sinto muito bem tratado, me sinto em casa e gosto demais de trabalhar com os corpos artísticos da Fundação Clóvis Salgado e com o maestro André Brant, sempre extremamente gentil. Estou bem ansioso para dar vida novamente a esse Fígaro, que canta muito, se mexe muito e encanta ainda mais, um dos personagens mais importantes da minha vocalidade de baixo-barítono, num teatro tão grande como o Palácio das Artes; uma alegria sem tamanho”, celebra.

Um turbilhão de confusões e emoções, conduzido por uma música sem trégua. Nela, Mozart consegue traduzir a impetuosidade do pajem Cherubino, que só pensa em mulheres, a começar pela própria condessa, com sua melancolia de mulher abandonada, e a insolência de Fígaro que, pela primeira vez, desafia seu senhor.

“As Bodas de Fígaro” é um “espelho de Dorian Gray” da sociedade. Se a ópera é bufa, cômica, satírica, é também profundamente política. A própria peça de Beaumarchais foi censurada, na França, tentando evitar a inevitável Revolução Francesa. Mozart e Da Ponte souberam disfarçar este sopro de rebelião. Levando ao extremo a Saturnália da Antiga Roma – onde escravizados eram servidos pelos senhores –, na ópera de Mozart a inteligência não é mais questão de classes, mas de espírito, e quem dá as cartas são os empregados, deixando os poderosos de joelhos e implorando por perdão.

Para a soprano Melina Peixoto, “é uma enorme honra interpretar a Susanna em ‘As Bodas de Fígaro’, mas também um grande desafio, devido à complexidade e à humanidade presentes nos personagens deste libreto. Ao longo do único dia em que se passa toda a história, Susanna vive emoções conflitantes e rápidas reviravoltas, enquanto se prepara para seu casamento com Fígaro. Assim, o papel exige não apenas domínio vocal, mas também agilidade e fluidez interpretativa para a condução dos diversos recitativos em que a personagem está inserida. ‘Conheço’ Susanna há muitos anos, mas a compreensão da personagem acompanha o amadurecimento profissional e pessoal do cantor, tornando o desafio de interpretá-la ainda mais empolgante”, afirma.

Mesmo 240 anos depois de sua criação, em Viena, “As Bodas de Fígaro” continua um hino pela liberdade, pelo amor e principalmente pela reconciliação; forças, hoje, mais raras que nunca, no Brasil e no mundo. Uma lição de anatomia para nos lembrar que a mesma malandragem, às vezes, é a única arma contra a aparentemente imortal injustiça.

Datas: 17, 19, 21 e 23 de maio

Horário: 18h nos dias 17 e 23, e 20h nos dias 19 e 21

Local: Grande Teatro Cemig Palácio das Artes

(Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)

Classificação indicativa: 12 anos

Valor dos ingressos: R$ 80,00 a inteira e R$ 40,00 a meia-entrada

Ingressos à venda no totem e na  bilheteria localizados no hall de entrada do Palácio das Artes, e também na plataforma Sympla.

 

FICHA TÉCNICAS DA ÓPERA “AS BODAS DE FÍGARO”

Equipe

Direção-Geral: Cláudia Malta

Direção Musical e Regência: André Brant

Concepção e Direção Cênica: Mario Corradi

Regente Assistente: Lucas Viana

Assistência de Direção e Direção de Palco: Menelick de Carvalho

Preparação do Coral Lírico de Minas Gerais: Maria Clara Marco Fernández

Iluminação: Fábio Retti

Figurino: Elena Toscano

Assistência de Figurino: Marcela Mòr

Cenografia: Elena Toscano e William Rausch

Coreografia: Lair Assis

Produção-Executiva: Laenne Santos

Elenco

Fígaro (Baixo-barítono): Fellipe Oliveira

Susanna (Soprano): Melina Peixoto

Conde Almaviva (Barítono): Homero Velho

Condessa Almaviva (Soprano): Deborah Bulgarelli

Cherubino (Mezzosoprano): Julia Solomon

Marcellina (Soprano): Fabíola Protzner

Bartolo (Baixo): Saulo Javan

Antonio (Barítono): Ramiro Souza e Silva

Barbarina (Soprano): Camila Corrêa

Don Basilio (Tenor): Geilson Santos

Don Curzio (Tenor): Rhaniel Veríssimo

Duas Jovens: Indaiara Patrocínio (Soprano) e Bárbara Brasil (Mezzosoprano)



Com a missão de fomentar a criação, a formação, a produção e a difusão da arte e da cultura em Minas Gerais, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Artes visuais, cinema, dança, música, ópera e teatro integram a ampla programação desenvolvida nos espaços sob sua gestão, como o Palácio das Artes, a CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais e a Serraria Souza Pinto. A Fundação também é responsável pela gestão dos corpos artísticos — Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico de Minas Gerais e Cia de Dança Palácio das Artes — além do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Arte e do Cefart.


Em 2026, ao celebrar os 55 anos do Palácio das Artes, a FCS amplia suas ações para todas as artes e todos os públicos, reafirmando seu compromisso com a democratização cultural. Palácio das Artes – 55 anos: ontem, hoje, sempre. A arte é o espaço do encontro.

O Instituto Unimed-BH completa 23 anos em 2026 e conta com o apoio de mais de 5,9 mil médicos cooperados e colaboradores da Unimed-BH. A associação sem fins lucrativos foi criada em 2003 e, desde então, desenvolve projetos socioculturais e socioambientais visando à formação da cidadania, estimulando o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas, fomentando a economia criativa, gerando trabalho e renda para diversas famílias, valorizando espaços públicos e o meio ambiente, através de projetos patrocinados, apoiados e realizados em cinco linhas de atuação: Comunidade, Voluntariado, Meio Ambiente, Adoção de Espaços Públicos e Cultura, que estão alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

 


 

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