Resumo e reunião luxuosos de todas as artes, a ópera, mesmo bufa, como as artes plásticas e o cinema, não escapou do tema “bodas”. E participou produzindo a “Mona Lisa das Óperas”, “As Bodas de Fígaro” (1786), de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), com libreto de Lorenzo Da Ponte (1749-1838), baseada na peça homônima do francês Pierre-Augustin Caron de Beaumarchais (1732-1799).
fotos:Paulo LacerdaE é com “As Bodas de Fígaro” que a Fundação Clóvis Salgado (FCS), ao abrir a temporada de óperas 2026, tem a honra e o orgulho em montar, pela segunda vez – a primeira foi em 1978 – a ópera que reunirá a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG), o Coral Lírico de Minas Gerais (CLMG) e 13 grandes solistas. O espetáculo será apresentado nos dias 17, 19, 21 e 23 de maio, no Grande Teatro Cemig Palácio da Artes, com direção musical e regência de André Brant, maestro-residente da OSMG, concepção e direção cênica do italiano Mario Corradi. Os ingressos estão à venda, a preços populares.
A ópera “As Bodas de Fígaro” é realizada pelo Ministério da
Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de
Minas Gerais, Fundação Clóvis Salgado e Instituto Unimed-BH. As atividades da
Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do
Instituto Cultural Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto
Unimed-BH, do Instituto AngloGold e da Usiminas, Patrocínio Plus da Vivo e
correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. O Palácio das Artes integra o
Circuito Liberdade, que reúne mais de 60 equipamentos com variadas formas de
manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. A ação é
viabilizada por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura e da Lei Federal de
Incentivo à Cultura. Vale-Cultura. Governo do Brasil, do lado do povo
brasileiro.
Muitos motivos para “festeggiar” –A nova montagem, em 2026, comemora os 270 anos de Mozart, os 240 de “As Bodas de Fígaro”, os 55 do Palácio das Artes e os 50 da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG).
“A Fundação Clóvis Salgado, nas comemorações dos 55 anos do Palácio das Artes, uma das maiores referências artísticas do Brasil, tem a honra de apresentar a ópera ‘As Bodas de Fígaro'. O público terá um raro prazer, a felicidade de apreciar a obra-prima de Mozart, um dos maiores gênios da música ocidental. Estes momentos são muito especiais, pois evidenciam a importância e a qualidade do trabalho de toda a equipe e dos corpos artísticos da FCS", declara o presidente da Fundação Clóvis Salgado, Yuri Mello Mesquita.
São notórias as habilidades musicais de Mozart, desde os
cinco anos de idade, e sua fama como um dos maiores compositores do Ocidente.
São mais de 600 obras, em sua maioria referenciais na música sinfônica. Sua
produção, considerada elegante e de extrema riqueza na harmonia e textura, foi
louvada por todos os críticos de sua época, e estendeu sua influência até a
contemporaneidade. As circunstâncias de sua morte prematura, aos 35 anos, são
incertas e mitificadas – sua contribuição para a história da música é, no
entanto, incontestável.
“Há algum tempo não apresentamos uma ópera bufa, e acredito que estamos precisando de leveza e boas gargalhadas. ‘As Bodas de Fígaro’ é repleta de personagens carismáticos e situações atemporais, criando uma imediata identificação com o público. Amor, ciúme e justiça, enganos e cartas falsas, combinando humor refinado, crítica social inteligente e uma impressionante profundidade. Além de uma música suave e genial. Esta ópera é considerada uma obra perfeita, um marco cultural que permanece vibrante, atual e profundamente conectada com o público”, convida, orgulhosa, a diretora-geral de “As Bodas de Fígaro”, Cláudia Malta.
A eternidade da música tem seu auge no famoso e melancólico lamento, “Dove sono” [Onde estão eles], que resume o caminho das pedras para o equilíbrio e a harmonia da partitura. Mozart inventa a ópera moderna, quando as vozes do coro, como os diálogos, conduzem a ação.
“A ópera ‘As Bodas de Fígaro’ é uma das mais importantes
para o repertório de qualquer teatro lírico. Desde sua estreia no ano de 1786,
permanece como um dos pilares do repertório operístico mundial, sendo um dos
títulos mais encenados no mundo. Trazer essa ópera para Belo Horizonte
fortalece o cenário lírico local ao promover o desenvolvimento técnico de
cantores, músicos e equipes criativas, contribuindo para a qualificação
profissional e a consolidação de um repertório de referência. Ao trazer Mozart
ao palco, o Palácio das Artes reafirma sua vocação como polo cultural,
estimulando a formação de público e a valorização de seus talentos locais”,
ressalta André Brant, regente-residente da OSMG.
“As Bodas de Fígaro”, ou quando a esperteza, a astúcia, a
“malandragem” desafia o poder e os abusos do poder! Obra-prima e atual que faz
vibrar os palcos em todo o mundo, entre esplêndido “vaudeville” e feroz crítica
social, une folle journée (um dia muito louco) - estilo repleto de surpresas e
reviravoltas que revolucionou a ópera.
“Sinto-me lisonjeado e honrado por ser chamado novamente
para encenar uma das maiores criações de Mozart/Da Ponte que, das três óperas
que encenei em BH, é, na minha compreensão, a mais moderna (e ouso dizer),
contemporânea. As óperas devem ser entendidas como “uma história” e não como
uma página da História: qual é a diferença entre o Conde Almaviva, que quer ter
relações sexuais com uma de suas funcionárias (Susanna) antes de lhe dar
permissão para realizar seu sonho, e muitos altos executivos que querem o mesmo
para permitir que uma mulher tenha uma carreira? O lado modernista da ópera
também está no papel das mulheres: elas sempre acabam sendo mais inteligentes
que os homens. ‘Nozze’ poderia ser feita com roupas contemporâneas, mas fazê-la
com trajes tradicionais provavelmente tem um grande impacto na modernidade da
história. Toda a história, com todos os enganos, mentiras e tentativas de
sedução, acontece dentro de uma gaiola de ouro que apenas uma palavra fará
desaparecer: perdão. Quando o Conde ao final canta: ‘Contessa perdono’, segundo
Stendhal, Mozart escreve o mais belo coral religioso já escrito. O perdão abre
a ‘gaiola’ que desaparece, deixando o palco vazio inundado de luz”, enaltece
Mario Corradi, diretor de cena.
Sevilha, Espanha, Século 18. O castelo do Conde Almaviva
prepara-se para as bodas de Fígaro e Susanna. Mas, sobre a festa e as
reverências, paira a tensão. O conde, cansado da condessa, investe sobre a
noiva, tentando reeditar o impossível, um direito medieval que permitia ao
senhor feudal ter relações sexuais com as noivas dos seus servos na noite de
núpcias.
Fala o próprio Fígaro, o barítono Fellipe Oliveira: “Minha
estreia como Fígaro foi no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 2015. No
Palácio das Artes, em 2022, fiz Papageno, na última montagem da ópera ‘A Flauta
Mágica’, também de Mozart, com direção da Carla Camurati. Voltar ao Palácio das
Artes, como protagonista, em um papel que já fiz três vezes, é uma alegria
muito grande; o público de Minas sempre me recebeu com bastante entusiasmo e
por isso, me sinto muito bem tratado, me sinto em casa e gosto demais de
trabalhar com os corpos artísticos da Fundação Clóvis Salgado e com o maestro
André Brant, sempre extremamente gentil. Estou bem ansioso para dar vida
novamente a esse Fígaro, que canta muito, se mexe muito e encanta ainda mais,
um dos personagens mais importantes da minha vocalidade de baixo-barítono, num
teatro tão grande como o Palácio das Artes; uma alegria sem tamanho”, celebra.
Um turbilhão de confusões e emoções, conduzido por uma
música sem trégua. Nela, Mozart consegue traduzir a impetuosidade do pajem
Cherubino, que só pensa em mulheres, a começar pela própria condessa, com sua
melancolia de mulher abandonada, e a insolência de Fígaro que, pela primeira
vez, desafia seu senhor.
“As Bodas de Fígaro” é um “espelho de Dorian Gray” da
sociedade. Se a ópera é bufa, cômica, satírica, é também profundamente
política. A própria peça de Beaumarchais foi censurada, na França, tentando
evitar a inevitável Revolução Francesa. Mozart e Da Ponte souberam disfarçar
este sopro de rebelião. Levando ao extremo a Saturnália da Antiga Roma – onde
escravizados eram servidos pelos senhores –, na ópera de Mozart a inteligência
não é mais questão de classes, mas de espírito, e quem dá as cartas são os empregados,
deixando os poderosos de joelhos e implorando por perdão.
Para a soprano Melina Peixoto, “é uma enorme honra
interpretar a Susanna em ‘As Bodas de Fígaro’, mas também um grande desafio,
devido à complexidade e à humanidade presentes nos personagens deste libreto.
Ao longo do único dia em que se passa toda a história, Susanna vive emoções
conflitantes e rápidas reviravoltas, enquanto se prepara para seu casamento com
Fígaro. Assim, o papel exige não apenas domínio vocal, mas também agilidade e
fluidez interpretativa para a condução dos diversos recitativos em que a
personagem está inserida. ‘Conheço’ Susanna há muitos anos, mas a compreensão
da personagem acompanha o amadurecimento profissional e pessoal do cantor,
tornando o desafio de interpretá-la ainda mais empolgante”, afirma.
Mesmo 240 anos depois de sua criação, em Viena, “As Bodas de
Fígaro” continua um hino pela liberdade, pelo amor e principalmente pela
reconciliação; forças, hoje, mais raras que nunca, no Brasil e no mundo. Uma
lição de anatomia para nos lembrar que a mesma malandragem, às vezes, é a única
arma contra a aparentemente imortal injustiça.
Datas: 17, 19, 21 e 23 de maio
Horário: 18h nos dias 17 e 23, e 20h nos dias 19 e 21
Local: Grande Teatro Cemig Palácio das Artes
(Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)
Classificação indicativa: 12 anos
Valor dos ingressos: R$ 80,00 a inteira e R$ 40,00 a
meia-entrada
Ingressos à venda no totem e na bilheteria localizados no hall de entrada do
Palácio das Artes, e também na plataforma Sympla.
FICHA TÉCNICAS DA ÓPERA “AS BODAS DE FÍGARO”
Equipe
Direção-Geral: Cláudia Malta
Direção Musical e Regência: André Brant
Concepção e Direção Cênica: Mario Corradi
Regente Assistente: Lucas Viana
Assistência de Direção e Direção de Palco: Menelick de
Carvalho
Preparação do Coral Lírico de Minas Gerais: Maria Clara
Marco Fernández
Iluminação: Fábio Retti
Figurino: Elena Toscano
Assistência de Figurino: Marcela Mòr
Cenografia: Elena Toscano e William Rausch
Coreografia: Lair Assis
Produção-Executiva: Laenne Santos
Elenco
Fígaro (Baixo-barítono): Fellipe Oliveira
Susanna (Soprano): Melina Peixoto
Conde Almaviva (Barítono): Homero Velho
Condessa Almaviva (Soprano): Deborah Bulgarelli
Cherubino (Mezzosoprano): Julia Solomon
Marcellina (Soprano): Fabíola Protzner
Bartolo (Baixo): Saulo Javan
Antonio (Barítono): Ramiro Souza e Silva
Barbarina (Soprano): Camila Corrêa
Don Basilio (Tenor): Geilson Santos
Don Curzio (Tenor): Rhaniel Veríssimo
Duas Jovens: Indaiara Patrocínio (Soprano) e Bárbara Brasil
(Mezzosoprano)
Com a missão de fomentar a criação, a formação, a produção e a difusão da arte e da cultura em Minas Gerais, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Artes visuais, cinema, dança, música, ópera e teatro integram a ampla programação desenvolvida nos espaços sob sua gestão, como o Palácio das Artes, a CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais e a Serraria Souza Pinto. A Fundação também é responsável pela gestão dos corpos artísticos — Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico de Minas Gerais e Cia de Dança Palácio das Artes — além do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Arte e do Cefart.
Em 2026, ao celebrar os 55 anos do Palácio das Artes, a FCS amplia suas ações para todas as artes e todos os públicos, reafirmando seu compromisso com a democratização cultural. Palácio das Artes – 55 anos: ontem, hoje, sempre. A arte é o espaço do encontro.
O Instituto Unimed-BH completa 23 anos em 2026 e conta com o
apoio de mais de 5,9 mil médicos cooperados e colaboradores da Unimed-BH. A
associação sem fins lucrativos foi criada em 2003 e, desde então, desenvolve
projetos socioculturais e socioambientais visando à formação da cidadania,
estimulando o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas, fomentando a
economia criativa, gerando trabalho e renda para diversas famílias, valorizando
espaços públicos e o meio ambiente, através de projetos patrocinados, apoiados
e realizados em cinco linhas de atuação: Comunidade, Voluntariado, Meio
Ambiente, Adoção de Espaços Públicos e Cultura, que estão alinhados aos
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.
Nenhum comentário:
Postar um comentário