terça-feira, 5 de maio de 2026

“Mineirês” Patrimônio Cultural Mineiro- trem doido demais

 

  

O Governo de Minas vai enviar um despacho ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) para iniciar o processo que vai estudar a proteção do dialeto característico falado em Minas Gerais, conhecido popularmente como 'mineirês', como patrimônio cultural imaterial do estado.

O governador Mateus Simões fez o anúncio, dia 5 de maio, durante a abertura do 41º Congresso Mineiro de Municípios, promovido pela Associação Mineira de Municípios (AMM) e que deve reunir 10 mil participantes, entre autoridades, agentes municipais e líderes políticos no Expominas, em Belo Horizonte, durante dois dias.

A partir de agora, o Iepha-MG fará uma análise técnica, com pesquisas, escutas, registros e elaboração de um dossiê. Ao final, o dossiê deve ser encaminhado ao Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep), responsável por deliberar pelo reconhecimento em votação.

Destacamos algumas palavras do “Mineirês”  que  são marcadas pela aglutinação de palavras, redução de sílabas e humor. As mais famosas incluem "uai" (surpresa/dúvida), "trem" (qualquer objeto), "arreda" (chega pra lá), "cê tá bão?" (tudo bem?), "pelejando" (lutando) e "tiquim" (um pouco), refletindo o jeito acolhedor e desconfiado do mineiro, arreda (vai pra lá , sai daqui), trem doido (tudo bom), bão de mais dá conta (tudo ótimo, maravilhoso), cê fi diquem (você é filho de quem), cafezinho (tomar café), doidemais (muito doido), doido?  (espanto) , Tamburete ( banco para sentar), ê um troço (ser surpreendido), Tem base? (sério?), Tô poco me lixano ( não estou nem aí), Trapaiado ( atrapalhado), Trenheira ( várias coisas entre outra), e muitas outras, a cada dia uma palavra de Mineirês.

"Minas Gerais tem uma cultura reconhecida e todo o Brasil e no mundo. O nosso jeito de falar é parte desta identidade. Valorizar o mineirês é valorizar a história, as tradições e a criatividade do povo mineiro. A nossa forma de falar precisa ser respeitada", analisou Mateus Simões.

 "Essa iniciativa mostra que o patrimônio de Minas está nas nossas cidades históricas, na nossa gastronomia, nas nossas festas, no nosso artesanato e também na maneira única como os mineiros se expressam", acrescentou o governador.

A proposta trata o mineirês como uma das formas mais conhecidas e queridas da identidade mineira. O estudo deverá olhar para expressões, modos de falar, cadências, causos, formas de tratamento, jeitos de acolher e maneiras de conversar que fazem parte da vida cotidiana em Minas.

Além disso, o estudo deverá considerar que os mineiros não se expressam de uma só maneira. O jeito de falar do Norte de Minas não é o mesmo do Sul; o Jequitinhonha, o Triângulo, a Zona da Mata, o Cerrado, a Região Central e tantos outros territórios têm ritmos, expressões e histórias próprias.

Para o secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG), Leônidas Oliveira, o mineirês é uma forma de expressão que vai além das palavras mais conhecidas. "O mineirês não é apenas pronúncia. É uma ética da conversa. É a inteligência da pausa, a delicadeza da indireção, a hospitalidade do 'cafézim', o mundo inteiro dentro da palavra 'trem'".


"Levar o mineirês a sério é também combater o preconceito linguístico e reconhecer que Minas tem patrimônio também no ar, naquilo que se diz e permanece em quem ouviu", assinalou o secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas.

Entre os pontos que serão estudados estão a história dos falares mineiros, a diversidade regional, os riscos de caricatura, o preconceito linguístico e a presença do mineirês nas famílias, nas comunidades, nas escolas, nas festas, nas artes, no turismo e nas redes sociais.

A eventual proteção do mineirês deverá ocorrer por meio do Registro de Bem Cultural de Natureza Imaterial, instrumento usado para reconhecer práticas, saberes, celebrações, lugares e formas de expressão que são transmitidos entre gerações e fazem parte da identidade de uma comunidade.




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