domingo, 1 de março de 2026

Cine Humberto Mauro é tema de artigo na revista francesa Cahiers du Cinéma, a mais prestigiada do mundo

Intitulado “Lugar da vida cinéfila”, texto escrito pela crítica francesa Claire Allouche destaca a acessibilidade econômica e geográfica da sala, além da programação diversa

 O Cine Humberto Mauro, uma das salas mais tradicionais de Minas Gerais, é destaque na edição de março da prestigiada revista francesa Cahiers du Cinéma, a mais importante publicação mundial dedicada à sétima arte. A matéria, intitulada Lieux de vie cinéphiles (em tradução livre, “Lugar da vida cinéfila”), é assinada pela crítica francesa Claire Allouche, e destaca o espaço como um polo de referência local e nacional para a cinefilia.

 


Localizado no Palácio das Artes, no Centro de Belo Horizonte, o Cine Humberto Mauro oferece sessões e atividades ao longo de todo o ano, sempre com entrada gratuita. Tanto a acessibilidade econômica quanto o fácil acesso geográfico da sala também foram lembrados pela revista francesa. A matéria faz parte de uma nova seção da publicação, inaugurada em janeiro de 2026. O Cine Humberto Mauro é tema do terceiro artigo específico sobre um modelo de cinefilia em uma sala de cinema no mundo.

 


Já em seu início, a matéria destaca o potencial regional e nacional do espaço: “O eixo Rio-São Paulo não detém o monopólio da atividade cinéfila no Brasil, como demonstra o cinema Humberto Mauro em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais e sexta maior cidade do país. Esse cinema público, com sua programação permanente composta principalmente por mostras monográficas e temáticas, tem sido um ponto de referência fundamental por quase cinquenta anos, tanto em âmbito local quanto nacional”.

 



O texto também ressalta um dado importante: que o Cine Humberto Mauro é o mais frequentado de Belo Horizonte: em 2024, a média de público dos cinemas comerciais da capital mineira foi de 42.369 espectadores por sala, enquanto nesse mesmo período o público do Cine Humberto Mauro foi de 46.753 pessoas; já em 2025, novamente o Cine Humberto Mauro ficou à frente, com um público de 42.946 frente às 36.206 pessoas que ocuparam, em média, as salas comerciais da cidade.

                  Fotos: Paulo Machado


Vitor Miranda, Gerente de Cinema da Fundação Clóvis Salgado, programador do Cine Humberto Mauro e um dos entrevistados pela publicação, comemora o reconhecimento. “O público mineiro e belo-horizontino já conhece e valoriza muito o Cine Humberto Mauro, mas é importantíssimo termos esse espaço em uma revista tão significativa para o cinema, que nasceu pelas mãos de grandes críticos e cineastas – como André Bazin, François Truffaut e Jean-Luc Godard – e segue sendo mundialmente célebre. Sermos elogiados pelas nossas curadorias, pelo nosso impacto social e por medidas de democratização do acesso como a gratuidade dos ingressos é uma evidência de que o trabalho é qualificado e de que estamos no caminho certo nesses quase 50 anos de história”, reflete Vitor.

A crítica e pesquisadora francesa Claire Allouche integra a equipe da revista Cahiers du Cinéma desde junho de 2020, mas esteve pela primeira vez no Cine Humberto Mauro ainda em 2015, em uma sessão do filme “Amargo Pesadelo” (1972, John Boorman). Ela conta que a sala foi um dos primeiros espaços culturais que ela visitou no Brasil, e que, embora tenha passado alguns anos sem vir presencialmente ao cinema do Palácio das Artes, continuou acompanhando atentamente à distância a programação, com muito interesse e entusiasmo.

Até que, em 2024, Claire esteve novamente no Cine Humberto Mauro, dessa vez comentando uma sessão de filmes francófonos. E agora, no início de fevereiro, ao acompanhar presencialmente a inauguração do “Cineclube Ibero-americano Permanente” e receber da revista o pedido de um texto sobre uma sala de cinema no Brasil – com muitas histórias e ainda relevante –, a autora não teve dúvidas e conta que “pensou no Cine Humberto Mauro na mesma hora”. Claire é fluente em português, e sua relação com o Brasil e o cinema nacional começou ainda aos 18 anos, quando assistiu pela primeira vez a “Terra em transe” (1967), de Glauber Rocha. Durante o doutorado, a pesquisadora estudou o processo de criação de ficção fora dos centros tradicionais de produção da Argentina e do Brasil.

 

Sucesso de crítica e público – O Cine Humberto Mauro foi inaugurado em 1978, e homenageia no nome um dos pioneiros do cinema brasileiro, o mineiro Humberto Mauro (1897-1983), grande realizador cinematográfico. Com 129 lugares, possui equipamentos de som Dolby Digital e para exibição de filmes em 3D e 4K. Nestes mais de 45 anos de existência, a Fundação Clóvis Salgado (FCS), que gerencia a sala, tem investido na consolidação do espaço como um local de formação de novos públicos a partir de programação diversificada, bem como através da criação de mecanismos de estímulo à produção audiovisual, com a realização do tradicional FestCurtasBH – Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte, que já conta com quase 30 edições.

 

O Cine Humberto Mauro é, ainda, um importante difusor do conhecimento ao promover cursos, seminários, debates e palestras. Sessões permanentes e comentadas também têm espaço cativo a partir das mostras Cinema e Psicanálise, Cineclube Acessível, Cineclube Ibero-americano Permanente, entre outras. Em abril e maio de 2026, a sala seguirá sua proposta de formação de repertório ao apresentar mostras dedicadas às filmografias dos franceses François Truffaut (1932-1984) e Agnès Varda (1928-2019).

 

 Com a missão de fomentar a criação, a formação, a produção e a difusão da arte e da cultura em Minas Gerais, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Artes visuais, cinema, dança, música, ópera e teatro integram a ampla programação desenvolvida nos espaços sob sua gestão, como o Palácio das Artes, a CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais e a Serraria Souza Pinto. A Fundação também é responsável pela gestão dos corpos artísticos — Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico de Minas Gerais e Cia de Dança Palácio das Artes — além do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Arte e do Cefart. Em 2026, ao celebrar os 55 anos do Palácio das Artes, a FCS amplia suas ações para todas as artes e todos os públicos, reafirmando seu compromisso com a democratização cultural. Palácio das Artes – 55 anos: ontem, hoje, sempre. A arte é o espaço do encontro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Semana Estadual de Incentivo à Leitura mobiliza bibliotecas mineiras

    A VI Semana Estadual de Incentivo à Leitura (SEIL) está com inscrições abertas até 10 de março. Com o tema “Ler, Criar, Pertencer”, a ...