Localizado ao pé da Serra do Curral, patrimônio cultural de Belo Horizonte, o Parque das Mangabeiras, projetado pelo paisagista Roberto Burle Marx, conserva em sua área de 2,4 milhões de m2, 59 nascentes do Córrego da Serra, que integra a Bacia do Rio São Francisco. A uma altitude de 1.000 a 1.300 metros, o clima é ameno. Lugar para descanso, lazer e esportes, o Parque das Mangabeiras recebe cerca de 50 mil pessoas por mês. Os visitantes podem usufruir de recantos naturais, quadras de peteca, tênis e poliesportivas, pista de skate, brinquedos e atividades culturais. No Parque das Mangabeiras, o contato com a vegetação nativa é um dos principais atrativos, sendo representada por áreas de Cerrado e de Mata Atlântica.
O Cerrado ocupa as áreas de maior altitude do parque, onde os solos são mais rasos e com baixa disponibilidade de nutrientes. Árvores como o barbatimão, a candeia, a caviúna, a guabiroba, o murici e o pau-santo são comuns nas áreas de Cerrado. A Mata Atlântica está presente nos fundos de vale e encostas adjacentes, onde os solos são mais profundos e ricos em nutrientes.
Dentre as árvores típicas deste ambiente podem ser citadas a copaíba, o guanandi o jacarandá, ojequitibá, o pau-jacaré e a quaresmeira. A fauna do Parque das Mangabeiras é bastante diversificada. Merece destaque o grupo das aves, com mais de 160 espécies registradas, dentre elas o jacu e a saracura, facilmente observados no parque. Com relação aos mamíferos, cerca de 30 espécies já foram registradas, dentre estas o quati, o mico-estrela, o caxinguelê (esquilo), o ouriço-cacheiro e o tatu-galinha.
O Parque das Mangabeiras pode ser reconhecido como o 1º geoparque em uma capital brasileira pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Conforme a própria entidade, um geoparque é um território “de limites bem definidos com uma área suficientemente grande para servir de apoio ao desenvolvimento socioeconômico local.
Apresentada pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e pelo Instituto Espinhaço na primeira quinzena desse mês , na sede da ONU em Paris, na França, a candidatura é vista por especialistas como mais uma camada de proteção à serra da Curral, que há anos é cobiçada tanto por mineradoras como pelo mercado imobiliário. O monumento natural é considerado o “início” da Cordilheira do Espinhaço, que se estende de Minas e até o Norte da Bahia, tendo 1,2 mil quilômetros de extensão e atravessando 172 municípios mineiros. A cadeia de montanhas é reconhecida há 20 anos pela Unesco como Patrimônio da Humanidade.
Agora, o município e o instituto trabalham na apresentação da proposta formal, que deve ser finalizada ainda no primeiro semestre. Já a resposta definitiva da Unesco é aguardada ainda em 2026.
Além da candidatura do Parque das Mangabeiras, no encontro em Paris, também foram apresentados projetos estratégicos voltados ao desenvolvimento sustentável de Belo Horizonte.
A preservação e valorização da lagoa da Pampulha e a criação de um cinturão verde para a capital e a Região Metropolitana.
Quem esteve em Paris apresentando as propostas foi o secretário municipal de Meio Ambiente, João Paulo Menna Barreto, designado pelo prefeito Álvaro Damião para apresentar iniciativas e projetos voltados à recuperação ambiental e climática, além de promover troca de experiências e conhecer soluções aplicadas em outros contextos internacionais”.
O secretário realizou reuniões na sede da Unesco e na Embaixada do Brasil em Paris, com encaminhamentos voltados à integração das iniciativas às agendas internacionais, fortalecimento institucional dos projetos e ampliação de possibilidades de cooperação técnica, parcerias estratégicas e captação de investimentos.
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