Há muitos Rios dentro do Rio. Há o Rio do mar e da montanha, da floresta e do concreto, da música e da arte, do fazer manual e da cultura popular. Há ainda tantos outros, que se encontram, se atravessam e se transformam o tempo todo. É a partir desse olhar que nasce a Casa Rio, nova plataforma criada por Didi Maakaroun e Vivi Baldeija para reunir, conectar, valorizar e criar oportunidades para quem faz da Cidade Maravilhosa um território permanente de invenção.
O lançamento oficial acontece durante a Semana Criativa de Tiradentes, de 15 a 18 de outubro, em uma edição especial que celebra dez anos de encontros em torno do design feito à mão, da cultura brasileira e da economia criativa. Para marcar sua primeira aparição pública, a Casa Rio prepara uma experiência que leva diferentes expressões da cidade para dentro do festival em uma combinação de imagem, música, sabor e hospitalidade.
“A escolha da Semana Criativa de Tiradentes para esse nosso primeiro encontro com o público tem total sintonia com a vocação dessa edição especial do evento, que celebra uma década com criadores, artesãos, designers, marcas e diferentes saberes em torno da valorização da cultura brasileira e da economia criativa”, revela Vivi Baldeija, uma das idealizadoras e curadoras da nova plataforma. “Viemos para somar e compartilhamos do mesmo desejo de aproximar pessoas, saberes, criadores e diferentes expressões da cultura brasileira”, acrescenta.
Um encontro entre diferentes territórios criativos
Em Tiradentes, a Casa Rio encontra um território que também entende a cultura como encontro. Enquanto a Semana Criativa transforma a cidade em palco para o diálogo entre design, fazer manual, arquitetura, arte e cultura, a Casa Rio acrescenta a essa conversa um olhar sobre as múltiplas identidades do Rio de Janeiro, da música à imagem, da tradição às novas linguagens, da cultura popular à hospitalidade.
Mais do que transportar uma cidade para outra, a proposta é criar uma ponte entre territórios criativos e revelar o que acontece quando diferentes lugares, pessoas e saberes se encontram. É uma convergência movida por um mesmo desejo: valorizar quem cria, preservar saberes, estimular novas conexões e transformar a cultura brasileira em experiência viva.
Um Rio que se atravessa: programação especial
Durante os quatro dias do festival, a Casa Rio apresenta uma programação especialmente criada para a ocasião, colocando em diálogo diferentes linguagens e profissionais e dando visibilidade a uma produção contemporânea que nasce no Rio e ultrapassa suas fronteiras.
“Pensamos em ações que pudessem mostrar toda a bossa carioca com uma programação especial que promete transformar o espaço em uma experiência sensorial e coletiva, levando diferentes manifestações da nossa cultura e da nossa casa para dentro do festival”, conta Didi Maakaroun, que criou o projeto em dupla com Vivi.
A experiência começa pela imagem, com Da Orla ao Caos, intervenção audiovisual criada especialmente para a histórica muralha de tijolos da Semana Criativa de Tiradentes. Por meio do video mapping, a chaminé ganha novas paisagens e se transforma em uma narrativa visual inspirada nas múltiplas identidades do Rio, do mar à montanha, da floresta à arquitetura, do movimento urbano à memória e à cultura popular.
A música chega pelas pistas cariocas, com um Baile Charme que ocupa o entorno da Chaminé e a área da piscina como territórios vivos de encontro. Uma das manifestações mais marcantes da cultura negra, suburbana e urbana do Rio, o baile leva para Tiradentes a energia, a dança e a liberdade que fazem das pistas cariocas espaços de expressão e pertencimento.
Na sequência, Flora Camolese, DJ, atriz e produtora, apresenta um set que passeia por brasilidades, disco, pop, funk e house, misturando épocas, ritmos e referências para traduzir em música esse jeito carioca de transformar encontros em linguagem própria.
E há também o sabor carioca no evento! A turma do Mate do Bigode circula pela cidade levando um dos gestos mais afetivos e reconhecíveis do Rio: o mate gelado das praias cariocas, acompanhado pelo tradicional biscoito Globo. A presença dos ambulantes e dos galões que fazem parte do imaginário da orla cria uma experiência de hospitalidade que aproxima Tiradentes de um dos hábitos mais emblemáticos da cultura carioca.
Juntos, imagem, música e sabor constroem uma experiência que não pretende simplesmente reproduzir o Rio em Tiradentes, mas revelar diferentes camadas de uma cidade que está sempre em movimento.
O primeiro capítulo de muitos encontros
O lançamento em Tiradentes é apenas o primeiro capítulo de uma trajetória que pretende ampliar, ao longo de 2027, as possibilidades de encontro entre criadores, marcas, público e diferentes territórios. A Casa Rio nasce, assim, com o desejo de ir além da celebração: apresentar o que o Rio produz, criar oportunidades para quem produz e aproximar talentos de novos públicos, parceiros e mercados.
Porque o Rio não é uma coisa só. É feito de muitos Rios. E é nesse encontro entre eles que a Casa Rio acontece.
Sobre a CASA RIO e suas fundadoras
Didi Maakaroun é artista, cineasta, designer e diretora de arte. Sua trajetória começou no cinema, movida pela curiosidade pela imagem, pela narrativa e pela capacidade de transformar espaços, histórias e emoções. Com experiência em audiovisual, arte e tecnologia, trabalhou durante 15 anos na TV Globo, atuando em produção e direção de arte.
Dirigiu um documentário que se tornou estudo de caso de seu mestrado em Artes Visuais e recebeu quatro prêmios de melhor direção de arte pelo curta-metragem Mamãe Está na Geladeira, incluindo uma premiação em Miami. Hoje, está à frente da Conceito MAADI, onde desenvolve projetos de direção de arte, decoração, produção visual e curadoria, conectando identidade, memória, estética e experiência.
É também idealizadora da CASA RIO, plataforma dedicada à cultura, ao design e à potência criativa carioca.
“No caminho da imagem e dos sonhos, vim parar no Rio de Janeiro. Meu trabalho nasce da imagem, atravessa o espaço e transforma histórias em experiências.”
Vivi Baldeija é fundadora da Capivara do Vale, projeto dedicado à valorização e à difusão do artesanato brasileiro contemporâneo. A partir dessa trajetória, consolidou sua atuação como curadora, guiada por um olhar sensível que conecta artistas, territórios e o fazer manual brasileiro.
Sua curadoria transforma o artesanato em narrativa contemporânea, aproximando-o da arquitetura, da arte e do design. É também idealizadora da CASA RIO, plataforma dedicada à cultura, ao design e à potência criativa carioca.
Mais do que reunir criações, Vivi busca revelar a identidade de cada peça e criar conexões entre quem faz, quem habita e quem se emociona com elas, valorizando a memória, a cultura e a riqueza dos saberes brasileiros.
“Acredito que o artesanato não preserva apenas técnicas. Ele preserva maneiras de olhar, viver e contar histórias.”