Uma das aves de rapina mais imponentes da América do
Sul ganha protagonismo na agenda de proteção da fauna silvestre do BH Airport.
Encontrada no sítio aeroportuário, a águia-chilena, espécie de grande porte com
envergadura superior a 1,5 metro, recebeu acompanhamento personalizado e já
está totalmente integrada ao meio ambiente, monitorada por GPS, tecnologia que
apoia o manejo responsável da espécie e fortalece a convivência segura entre
biodiversidade e operação aeroportuária. O Aeroporto Internacional de Belo Horizonte é um dos destaques no Brasil, ano passado passaram 13,300 mil de passageiros entre embargues e desembargues e para este ano é chegar a mais de 13, 500 mil passageiros.
Também conhecida como águia-serrana, a ave ocupa o topo da cadeia
alimentar e desempenha papel relevante no equilíbrio dos ecossistemas. O
monitoramento por GPS representa uma importante ferramenta para a geração de
conhecimento científico sobre a espécie. Informações relacionadas ao uso de
habitat, padrões de movimentação, áreas de alimentação e comportamento espacial
contribuem diretamente para estratégias futuras de conservação e manejo
ambiental.
“Ao mesmo tempo em que ampliamos as práticas de cuidado com as espécies
que utilizam a região como área de deslocamento, alimentação ou permanência,
reforçamos nossa atuação ambientalmente responsável na proteção da fauna e na
conservação da biodiversidade. A tecnologia nos permite acompanhar a espécie
com mais precisão e orientar decisões que também contribuem para a segurança
operacional, reduzindo riscos de interação entre aves e aeronaves”, ressalta o
gestor de Infraestrutura e Meio Ambiente do BH Airport, Emerson Chaves.
A águia-chilena foi identificada durante ações permanentes de
monitoramento conduzidas pela Linha Ambiental, empresa responsável pelo manejo
de fauna no aeroporto. O exemplar recebeu avaliação clínica e biológica no
centro de manejo de fauna do terminal, com verificação de peso, condição
corporal, características morfológicas e estado geral de saúde. Após a
confirmação das boas condições clínicas, a ave foi equipada com GPS e devolvida
a uma área ambientalmente adequada.
A águia-chilena é uma espécie imponente, pertencente à família Accipitridae, caracterizada
pela coloração contrastante em tons de preto, branco e cinza, pelo peito
escuro, pelas asas largas e pela cauda relativamente curta. Os indivíduos
adultos podem atingir mais de 70 centímetros de comprimento e apresentar
envergadura superior a 1,5 metro, sendo considerados importantes predadores de
topo nos ambientes onde ocorrem. A anatomia da ave é adaptada ao voo planado e
à caça em áreas abertas e montanhosas. A espécie possui garras robustas e
curvadas, fundamentais para a captura de presas, além de excelente acuidade
visual, característica marcante das aves de rapina.
Na cadeia alimentar, a águia-chilena atua como predadora e como agente
natural de equilíbrio dos ecossistemas. Alimenta-se de pequenos mamíferos,
aves, répteis e carcaças, função que contribui tanto para o controle de
populações quanto para a limpeza do ambiente. A espécie costuma ocupar áreas
abertas, campos rupestres, regiões serranas e bordas de mata. No Brasil, ocorre
principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste; em Minas Gerais, os
registros se concentram em formações montanhosas como a Serra do Espinhaço, a
Serra da Mantiqueira e outras áreas serranas do estado.
“Mesmo não sendo atualmente classificada como ameaçada de extinção, a
conservação da águia-chilena é fundamental para a manutenção da biodiversidade
e do equilíbrio ecológico. Espécies predadoras ocupam posições importantes nas
cadeias alimentares e funcionam como bioindicadores da qualidade ambiental. A
redução populacional dessas aves pode desencadear desequilíbrios ecológicos
significativos, afetando populações de presas e a dinâmica dos ecossistemas
naturais”, esclarece o analista de Meio Ambiente do BH Airport, Evandro Amato.]
Gestão ambiental do território -A agenda ambiental do BH Airport também se estende à gestão de um
território de significativa relevância ecológica. Inserido na Área de Proteção
Ambiental Carste de Lagoa Santa, em uma região de transição entre o Cerrado e a
Mata Atlântica, o aeroporto preserva mais de 310 hectares de Reserva Legal, cerca
de 790 hectares de remanescentes de vegetação nativa e mais de 97 hectares
de Áreas de Preservação Permanente.
O contexto ambiental da região reforça a importância dessas ações.
Marcada por formações cársticas, cavernas, dolinas e aquíferos subterrâneos, a
APA Carste abriga ambientes essenciais para a biodiversidade e para o
abastecimento hídrico, em uma paisagem onde conservação, pesquisa e uso
sustentável do território se conectam.
Um dos exemplos mais concretos dessa atuação é a Passagem de Fauna, instalada
sob a rodovia LMG-800, principal acesso ao aeroporto. Com aproximadamente dois
metros de altura e 60 metros de comprimento, a estrutura conecta fragmentos
florestais e cria um corredor ecológico para a travessia segura de animais
silvestres na APA Carste.
Desde 2023, o monitoramento por armadilhas fotográficas já registrou 16
espécies utilizando a travessia subterrânea. Entre elas estão tamanduá-mirim,
veado-catingueiro, irara, ouriço-cacheiro, quati, jaguatirica,
cachorro-do-mato, furão, tatu, gambás, capivara, tapiti, morcego e paca, fauna
típica dos biomas Mata Atlântica e Cerrado, incluindo espécies classificadas
como ameaçadas ou vulneráveis à extinção.
Nos dois primeiros anos de acompanhamento, os registros indicaram queda
de aproximadamente 83% nos atropelamentos de animais silvestres ao longo
da rodovia, evidenciando o papel da estrutura na redução de impactos e na
conectividade entre áreas naturais. A iniciativa projetou o BH Airport
internacionalmente. Pelo quinto ano consecutivo, o aeroporto foi reconhecido
como Aeroporto Verde pelo ACI-LAC - Airports Council International Latin
America & Caribbean.
Na edição 2025 do Green Airport Recognition, o projeto Passagem de
Fauna foi premiado durante a Conferência e Exposição Anual do Conselho
Internacional de Aeroportos, reforçando a atuação do terminal mineiro em
práticas ambientais associadas à biodiversidade, ao monitoramento da fauna e à
gestão sustentável do território.
Com localização estratégica e um dos principais hubs do país, o BH
Airport atende cerca de 70 destinos nacionais e internacionais. Desde 2014, o
aeroporto é administrado por uma concessão, formada pela Motiva, uma das
maiores companhias de concessão de infraestrutura da América Latina, e por
Zurich Airport, operador do Aeroporto de Zurich, o principal hub aéreo da Suíça
e considerado um dos melhores aeroportos do mundo, além da Infraero, estatal
com experiência de mais de 50 anos na gestão de aeroportos no Brasil.