
Uma apresentação especial na Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, no dia 9 de abril, às 19h, pelo Coral Lírico de Minas Gerais
(CLMG), na capital mineira, com um programa dedicado a obras do repertório
sacro europeu. Integrando a iniciativa “Lírico pela Cidade”, o concerto propõe
um diálogo sensível entre música e o espaço arquitetônico. Sob regência de
Lucas Viana, maestro assistente do CLMG, e com acompanhamento do pianista Fred
Natalino, a apresentação percorre diferentes linguagens entre os períodos
barroco e romântico, evidenciando transformações estéticas e expressivas da
escrita coral ao longo dos séculos. A entrada é gratuita, sem retirada prévia
de ingressos.


Abrindo a programação, “Komm, Jesu, komm [Vem, Jesus, Vem]”
(apresentado pela primeira vez no início dos anos 1730), de Johann Sebastian
Bach (1685-1750), exemplifica a escrita coral sacra do período barroco, com
organização precisa das vozes e uma intensa relação entre texto e música. Em
seguida, “Denn er hat seinen Engeln befohlen [Pois Ele ordenou aos seus anjos]”
(1844), de Felix Mendelssohn (1809-1847), retoma, com delicadeza e equilíbrio,
estilos tradicionais do canto coral alemão a partir de um texto bíblico. O
programa se encerra com a “Mass in E-flat major (Cantus Missae) [Missa em Mi
bemol maior (Cântico da missa) ]” (1879), de Josef Rheinberger (1839-1901),
obra representativa do repertório sacro a capela do romantismo tardio. O
concerto convida o público a uma escuta atenta, em diálogo com a arquitetura e
a acústica da Igreja da Boa Viagem, um dos espaços mais tradicionais de Belo
Horizonte.




Fotos: Paulo Lacerda
O concerto “Lírico pela Cidade” é realizado pelo Ministério
da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo
de Minas Gerais e Fundação Clóvis Salgado. As atividades da Fundação Clóvis
Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto Cultural
Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH e do Instituto
AngloGold, Patrocínio Plus da Vivo e correalização da APPA – Cultura &
Patrimônio. O Palácio das Artes integra o Circuito Liberdade, que reúne mais de
60 equipamentos com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura
em transversalidade com o turismo. A ação é viabilizada por meio da Lei Federal
de Incentivo à Cultura. Vale-Cultura. Governo do Brasil, do lado do povo
brasileiro.
O sagrado entre a voz e o espaço
A origem da Igreja de
Nossa Senhora da Boa Viagem remonta ao século XVIII, com a pequena capela
erguida por Francisco Homem del Rey na região que daria origem a Belo
Horizonte. Ela materializa em sua configuração atual, inaugurada em 1923, a
articulação entre história, fé e linguagem arquitetônica. Construída em estilo
neogótico, a igreja incorpora um movimento que, surgido no contexto da
modernidade industrial, buscou resgatar referências e valores simbólicos
associados à Idade Média como forma de reafirmação de tradições religiosas
diante da racionalidade crescente. Nesse contexto, o ambiente arquitetônico
estabelece um diálogo com o repertório coral sacro, no qual música e
religiosidade se entrelaçam e contribuem para uma experiência que evoca
transcendência e memória.
Lucas Viana, regente à frente do concerto, afirma que o
espaço da igreja é fundamental para a proposta e experiência do público.
Segundo ele, “a acústica favorece a fusão das vozes e potencializa
especialmente os efeitos do coro duplo, permitindo que diálogos e camadas
sonoras sejam percebidos com maior profundidade. Assim, a escuta torna-se mais
envolvente, com o som ocupando o ambiente de forma imersiva, para além de uma
projeção frontal. Nesse contexto, o repertório também se revela altamente
comunicativo ao público contemporâneo, não apenas por seu conteúdo simbólico,
mas pela força da experiência sonora que oferece. A intensidade da escrita
coral, aliada à riqueza de timbres e à exploração do espaço, constrói uma
escuta sensorial e emocionalmente impactante, capaz de estabelecer uma conexão
direta com o ouvinte, independentemente de referências históricas ou
religiosas”.
Entrada gratuita sem a necessidade de retirar ingressos
previamente, mas o espaço está sujeito à lotação.
Criado em 1979, o Coral
Lírico de Minas Gerais foi declarado Patrimônio Histórico e Cultural do Estado
de Minas Gerais. Interpreta repertório diversificado, incluindo motetos,
óperas, oratórios e concertos sinfônico-corais. Participa da política de
difusão do canto coral, por meio da Fundação Clóvis Salgado, a partir da
realização das séries Concertos da Liberdade, Coral Lírico na Cidade e Noites
Líricas, além de integrar as temporadas de óperas da FCS. O Coral Lírico de Minas
Gerais já teve como regentes Luiz Aguiar, Marcos Thadeu Miranda Gomes, Carlos
Alberto Pinto Fonseca, Ângela Pinto Coelho, Eliane Fajioli, Silvio Viegas,
Charles Roussin, Afrânio Lacerda, Márcio Miranda Pontes, Lincoln Andrade, Lara
Tanaka e Hernán Sánchez Arteaga. Maria Clara Marco Fernández é sua atual
regente titular e diretora musical.
Com a missão de fomentar a criação, a formação, a produção e
a difusão da arte e da cultura em Minas Gerais, a Fundação Clóvis Salgado (FCS)
é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais
(Secult). Artes visuais, cinema, dança, música, ópera e teatro integram a ampla
programação desenvolvida nos espaços sob sua gestão, como o Palácio das Artes,
a CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais e a Serraria Souza Pinto. A
Fundação também é responsável pela gestão dos corpos artísticos — Orquestra
Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico de Minas Gerais e Cia de Dança Palácio
das Artes — além do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Arte e do Cefart. Em
2026, ao celebrar os 55 anos do Palácio das Artes, a FCS amplia suas ações para
todas as artes e todos os públicos, reafirmando seu compromisso com a
democratização cultural.