quarta-feira, 22 de abril de 2026

Museu da Inconfidência poderá ser transformado em Museu Nacional

 





O Museu da Inconfidência, localizado na Praça Tiradentes, centro de  Ouro Preto, pode passar por uma mudança institucional inédita: tornar-se o primeiro museu nacional fora das capitais brasileiras. A proposta, em elaboração pelo governo federal, deve ser encaminhada ao Congresso Nacional nos próximos dias.

A medida reconhece a relevância histórica do espaço, dedicado à preservação da memória da Inconfidência Mineira, e pode ampliar o acesso a recursos, projetos e políticas públicas voltadas à cultura.


Localizado na antiga Casa de Câmara e Cadeia de Ouro Preto, o museu foi inaugurado em 1944 para preservar, pesquisar e divulgar objetos e documentos relacionados à Inconfidência Mineira.

A obra, mais conhecida por “Livro de Tiradentes”, integra o acervo do Arquivo Histórico do Museu e está entre os testemunhos documentais mais emblemáticos da Inconfidência Mineira. Inaugurado em 11 de agosto de 1944, o museu é dedicado à preservação da memória da Inconfidência e oferece um painel significativo da sociedade e da cultura mineira no período do ciclo do ouro e dos diamantes no século 18.


O acervo de 6 mil itens reúne peças históricas e artísticas que formam um conjunto articulado de testemunhos culturais do período, refletindo a relação de Vila Rica com a conspiração. O Panteão dos Inconfidentes guarda lápides com os restos mortais de 16 inconfidentes, incluindo o poeta Tomás Antônio Gonzaga. Recentes ações institucionais de requalificação simbólica do Panteão dos Inconfidentes, um dos expoentes do museu, merecem destaque. “Notadamente a inclusão de Hipólita Jacinta Teixeira de Melo, reconhecida pelo estado brasileiro como Heroína da Pátria, em 3 de janeiro de 2025, bem como o reposicionamento da lápide de Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira, iniciativas que evidenciam a maturidade institucional do Museu na atualização crítica das narrativas da memória nacional”.

 

Ocupando a antiga Casa de Câmara e da Cadeia de Vila Rica (nome anterior de Ouro Preto), o Inconfidência tem um acervo com quase 6 mil objetos musealizados – incluindo obras de Aleijadinho e do pintor Manoel da Costa Ataíde, o Mestre Ataíde (1762-1830) –, biblioteca com cerca de 20 mil itens e um arquivo dedicado ao período colonial mineiro. Estão presentes ainda documentos, livros, testamentos e objetos essenciais à compreensão da Inconfidência Mineira.

No dia em que os brasileiros reverenciam a memória de Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), o Tiradentes, uma descoberta importante enriquece a história do herói da Inconfidência Mineira (1788-1789), que lutou contra a opressão econômica nos tempos coloniais. Alex Sandro Calheiros informou que, de acordo com laudo do Instituto Nacional de Criminalística da PF, são mesmo de autoria do mártir as anotações no “Livro de Tiradentes”.


Reconhecimento nacional e impacto institucional - Atualmente vinculado ao Instituto Brasileiro de Museus, o museu já possui caráter federal, mas não é classificado como “nacional”. Caso o projeto avance, passará a integrar o mesmo nível institucional de equipamentos como o Museu Nacional de Belas Artes e o Museu Histórico Nacional.

Segundo a direção do espaço, a mudança representa um avanço estratégico. O novo status pode facilitar investimentos em infraestrutura, conservação do acervo e ampliação de exposições.

O museu recebe cerca de 350 mil visitantes por ano, incluindo aproximadamente 100 mil estudantes.

Acervo reúne peças centrais da história brasileira

Instalado no prédio da antiga Casa de Câmara e Cadeia de Vila Rica, o museu abriga um acervo com quase 6 mil objetos. Entre eles estão obras de Aleijadinho e Mestre Ataíde, além de documentos, livros e registros do período colonial.

A instituição também mantém uma biblioteca com cerca de 20 mil itens e um arquivo histórico voltado à pesquisa sobre o século 18 em Minas Gerais.

Documento atribuído a Tiradentes ganha novo peso histórico

Entre os destaques do acervo está o chamado “Livro de Tiradentes”, obra publicada em 1778 e que reúne textos políticos ligados à formação dos Estados Unidos.

Um laudo técnico recente atribuiu ao próprio Tiradentes anotações manuscritas presentes no exemplar. A conclusão amplia a compreensão sobre sua atuação na Inconfidência Mineira, indicando participação também no campo intelectual.

O documento, considerado uma das peças mais relevantes do museu, reforça o valor histórico do acervo e amplia seu potencial de pesquisa e exposição.

Símbolo da memória nacional

Desde sua criação, em 1944, o Museu da Inconfidência foi concebido como um espaço de construção da memória nacional. Ao longo das décadas, o local consolidou sua função educativa, científica e cultural.

Além de preservar a história do movimento, o museu também atualiza suas narrativas, incorporando novos personagens e revisões históricas, como a inclusão de figuras femininas no Panteão dos Inconfidentes.

 E-mail: mdinc@museus.gov.br

 

Novo sistema de entrada na União Europeia causa filas nos aeroportos



Caos no novo sistema de entrada  nos aeroportos de diversos países, vem causando atrasos  das pessoas. O sistema eletrônico que substituiu o carimbo no passaporte e passou a ser obrigatório para entrar na maioria dos países da União Europeia ,desde o dia 9 de abril, tem causado filas de até três horas nos aeroportos.

 

Chamado de Sistema de Entrada/Saída (EES), ele é obrigatório para viajantes de fora da União Europeia, Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça, - como os brasileiros - que entrem no bloco para ficar até 90 dias a cada 180 dias.

 

O sistema, que não tem custo para os viajantes, registra dados biométricos, como foto facial e impressões digitais. A coleta dessas informações, porém, tem provocado lentidão nos controles de fronteira.

 

Segundo o Conselho Internacional de Aeroportos (ACI), passageiros em ao menos 15 países — entre eles França, Alemanha, Itália, Espanha e Grécia — relataram atrasos de até três horas desde o início da operação.

 

Problemas já haviam sido registrados no início da implementação, em outubro de 2025. No Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, o sistema chegou a ser suspenso por três meses após gerar longas filas.


Apesar das críticas, a Organização Mundial do Turismo avalia que o sistema deve trazer benefícios no longo prazo.


Segundo a entidade, o EES tende a agilizar o processo, já que os dados ficam armazenados, e aumentar a segurança, ao garantir que o viajante corresponde ao documento apresentado.

 

Mas você sabia que é possível baixar um aplicativo para adiantar o envio dos dados? Veja abaixo como funciona o EES e como usar o aplicativo para acelerar o envio dessas informações.

 

​Importante lembrar que esse novo sistema não é o Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagens (Etias), a autorização eletrônica de viagem, que deve ser implementado apenas no final de 2026.

 

 

 Como adiantar o processo

Os viajantes que estão entrando na Europa pela primeira vez desde que o sistema foi implementado terão que fornecer dados pessoais, como imagem facial, digitais e passaporte. Para fazer esse registro, é obrigatório passar pelo controle de agentes de imigração.

 Mas é possível adiantar esse processo, se o viajante tiver passaporte biométrico. Isso pode ser feito por:

 sistemas de autoatendimento (quando disponíveis)

aplicativo "Travel Europe", que permite o registro antecipado de alguns dados, como foto e questionário de entrada. O app possibilita o pré-cadastro de informações como passaporte, foto e questionário de entrada até 72 horas antes da viagem. O uso é opcional.

 

Atualmente, o aplicativo está disponível apenas em inglês e é oferecido por:

 Suécia (envio de dados do passaporte, foto e questionário);

Portugal (apenas o preenchimento do questionário).

​Como usar o aplicativo Travel Europe

Baixe o app na App Store ou Google Play;

Seleciona a opção para "criar uma nova viagem", selecionando o país europeu de entrada ou saída;

Escolha o posto de controle de fronteira e o horário previsto de chegada;

Escaneie a página de dados e o chip do passaporte;

Tire uma selfie para confirmar sua identidade;

Responda a algumas perguntas sobre a viagem;

(Opcional) Adicione outras pessoas que viajam com você;

Envie as informações;

Aguarde a confirmação do registro;

Ao chegar, siga as orientações dos agentes de fronteira.

Como funciona o EES para quem já usou o sistema

Viajantes que já passaram pelo EES não precisam refazer o cadastro completo. Nesses casos, será necessário apenas verificar os dados já registrados.

 Isso pode ser feito tanto por gentes de controle de passaporte quanto por sistemas de atendimento automático (quando disponíveis). No caso dos totens, o viajante deve ter passaporte biométrico.

 Ainda assim, o agente pode solicitar uma nova coleta de dados, se considerar necessário.

 Países europeus que exigem o EES:

Áustria

Bélgica

Bulgária

Croácia

Tchéquia

Dinamarca

Estônia

Finlândia

França

Alemanha

Grécia

Hungria

Islândia

Itália

Letônia

Liechtenstein

Lituânia

Luxemburgo

Malta

Holanda

Noruega

Polônia

Portugal

Romênia

Eslováquia

Eslovênia

Espanha

Suécia

Suíça

Araceli Ramos executiva da José Cuervo é destaque internacional no Connection Terroirs do Brasil




O Connection Terroirs do Brasil, um dos principais eventos voltados à valorização de produtos de origem no país, promove em sua edição de 2026 uma conexão inédita entre Brasil e México. Entre os destaques da programação está a participação da executiva mexicana Araceli Ramos Rosaldo, referência internacional em turismo cultural e posicionamento de marca.


Com mais de 25 anos de trajetória na José Cuervo - a mais antiga produtora de tequila do mundo - Araceli construiu uma carreira consolidada à frente de estratégias globais de promoção, relações públicas e valorização da cultura mexicana.


Atualmente, ocupa o cargo de Diretora de Promoção e Relações Públicas da companhia, sendo reconhecida como uma das principais embaixadoras da tequila no cenário internacional.

Reconhecida internacionalmente, Araceli foi homenageada como “Mulher do Ano 2019” pela Fundação Honoris Causa Internacional, além de receber diversas premiações nas áreas de turismo, relações públicas e liderança empresarial. No Connection Terroirs do Brasil, Araceli representará o México, trazendo ao público brasileiro a história e a relevância da tequila como patrimônio cultural, além de compartilhar cases de sucesso que conectam território, marca e experiência. Sua palestra terá como tema “Sustentabilidade e Agregação de Valores”.

A participação da executiva reforça a proposta do evento de promover o intercâmbio cultural por meio de produtos com identidade e origem. “A tequila é muito mais do que uma bebida: é um patrimônio cultural do México, carregado de história, tradição e identidade. Trazer essa representatividade para o Connection é uma forma de ampliar horizontes e promover uma conexão genuína entre Brasil e México, por meio de experiências que valorizam origem e território”, destaca a CEO do evento, Marta Rossi.



Realizado em Gramado , na serra gaúcha, o Connection Terroirs do Brasil é considerado a principal vitrine nacional de produtos de origem, reunindo produtores, especialistas, marcas e instituições que valorizam identidade, território e autenticidade.

A programação contempla palestras, painéis, experiências sensoriais, feira de produtos com indicação geográfica, agricultura familiar, degustação guiada de cafés e vinhos e atividades que evidenciam a diversidade brasileira. Em 2026, o evento amplia sua projeção internacional ao estabelecer uma conexão especial com o México, destacando a tequila como um dos protagonistas dessa troca cultural.

Neste ano o evento será realizado de 10 a 13 de junho, no centro de Gramado, e a temática é “Feito com alma a muitas mãos”. A realização é da empresa Rossi e Zorzanello com correalização do Sebrae.

 

PALCO DE CONTEÚDO - Um dos destaques do evento é a programação de palestras e painéis realizados no Palácio dos Festivais. Além da participação de Araceli Ramos Rosaldo, o espaço contará com a presença do professor e pesquisador francês Jean-Louis Le Guerroué, entre outros especialistas.

Ao todo, cerca de 12 nomes abordarão temas como turismo de experiência e os desafios e oportunidades das indicações geográficas frente ao acordo Mercosul-União Europeia.

As atividades ocorrem nas manhãs dos dias 11 e 12 de junho. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (54) 99140-2393 ou pelo site connectionexperience.com.br.

 



terça-feira, 21 de abril de 2026

Mais de 100 conjuntos de vestuário, e cenários na ópera “As Bodas de Fígaro”







A ópera “As Bodas de Fígaro”, de Wolfgang Amadeus Mozart, retorna ao Palácio das Artes após quase 50 anos da primeira e única montagem no local, realizada em 1978. E, para a estreia desta nova produção – que será apresentada no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes nos dias 17, 19, 21 e 23 de maio –, figurino e cenário são elementos indispensáveis.

                                            

Com 13 solistas, 58 cantores do Coral Lírico de Minas Gerais (CLMG) – que dão vida à música de Mozart ao lado da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, todos sob regência do maestro residente André Brant – e um enredo repleto de reviravoltas, a ópera em quatro atos conta com uma equipe de profissionais que combinam habilidade artística e rigor técnico para a criação da visualidade que milhares de pessoas verão no palco. O figurino é assinado pela arquiteta italiana Elena Toscano. Marcela Mòr, figurinista assistente, retorna para a segunda produção consecutiva com a Fundação Clóvis Salgado (FCS), após a ópera “Cavalleria Rusticana”, em 2025.  William Rausch, também parceiro de longa data do Palácio das Artes, assina o cenário ao lado de Elena.

                           fotos:Paulo Lacerda


                 Maestro André Brant

A produção de “As Bodas de Fígaro” exige um total de 108 conjuntos de peças de vestuário, dos quais 50 são inteiramente originais, destinadas aos solistas. Já os integrantes do CLMG usarão um total de 58 conjuntos de figurinos do acervo do CTPF, o Centro Técnico de Produção e Formação Raul Belém Machado – espaço destinado à confecção e salvaguarda do acervo das montagens artísticas da Fundação Clóvis Salgado. Elena Toscano conta que a ideia por trás do figurino é remeter ao vestuário de época, mas com algumas liberdades artísticas. “Tentamos ‘brincar’ com o conceito de roupas de época, mas sem sair muito da caixa. Ainda é um vestuário do século XVIII, mas colocamos ‘pitadas’ da Commedia Dell'arte e até mesmo de referências contemporâneas. Temos que ser práticos e trabalhar com o que é acessível, mas Belo Horizonte tem uma ótima oferta de tecidos, e ainda contamos com todo o acervo do CTPF”, revela.

Melina Peixoto

Com trajetória internacional, Elena Toscano é reconhecida pela criação de figurinos marcados pelo rigor histórico, pesquisa estética e profunda leitura dramatúrgica da cena musical. A profissional já assinou a concepção de trajes para importantes títulos do repertório lírico, como “Madame Butterfly”, “Tosca”, “Salomé”, “O Holandês Errante”, “Carmen” e “A Flauta Mágica”, apresentados em espaços como o Palácio das Artes, Theatro da Paz (Belém), Teatro Amazonas (Manaus) e Theatro São Pedro (São Paulo). Em seu currículo também está a própria “As Bodas de Fígaro”. Ela conta que está dedicada ao trabalho nesta nova montagem desde setembro de 2025, e que chegou a Belo Horizonte no final de março deste ano. Elena ressalta que, pela complexidade da ópera, o figurino torna-se um elemento importante para comunicar imageticamente uma série de informações ao público. “Tentamos ser muito visuais na escolha das roupas, da paleta de cores, para já introduzir ao espectador as situações, as linhas de força, e mesmo a personalidade dos personagens”, explica.

A figurinista, que é formada em Arquitetura pelo Istituto Universitario di Architettura di Venezia (atual Università Iuav di Venezia), com especialização em História da Moda e Cenografia, detalha que os cenários, ao contrário dos figurinos, apostam em uma visualidade menos específica, que não é nem antiga, nem contemporânea. “Eu e o William Rausch, ao lado do diretor cênico Mario Corradi, optamos por um cenário ‘limpo’, mais neutro e sutil, com toques de época. O conceito é inspirado em uma outra montagem do diretor na Alemanha, mas trata-se de uma criação totalmente nova. Temos basicamente cinco ambientes: o quarto da Susanna, o quarto da condessa Almaviva, o escritório do conde Almaviva, o jardim onde acontecem os casamentos no último ato, e uma composição final, que encerra a ópera. Teremos também um momento muito especial, quando o personagem Cherubino entra no closet da condessa, onde estará uma série de figurinos que estão preservados no CTPF, de óperas emblemáticas da Fundação, e o público poderá ver algumas das autênticas obras de arte do acervo do Palácio das Artes!”.

Formado em Artes Plásticas pela Escola Guignard (UEMG) e em Estilismo e Modelagem do Vestuário pela UFMG, William Rausch já lecionou em faculdades de Design de Moda e na Escola de Teatro do Cefart – Centro de Formação Artística e Tecnológica da FCS. Com mais de duas décadas dedicadas à concepção e construção de cenários, o profissional atuou em vários espetáculos e produções da Fundação Clóvis Salgado, tais como as óperas “Aida”, “O Guarani”, “O Barbeiro de Sevilha”, “Turandot”, “La Traviata” e “Macbeth”, além do balé “Coppélia” e diversas produções operísticas no Brasil e no exterior. Ele explica que “o conceito do cenário fundamenta-se em módulos estratégicos, utilizando estruturas de texturas neutras que atuam como uma tela minimalista para destacar os figurinos de época. Assim, o espaço se torna um mecanismo vivo, uma arquitetura móvel que se desfaz e se refaz, evidenciando que, enquanto o cenário é mutável e moderno, os conflitos humanos ali representados permanecem atemporais”.

Com a missão de fomentar a criação, a formação, a produção e a difusão da arte e da cultura em Minas Gerais, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Artes visuais, cinema, dança, música, ópera e teatro integram a ampla programação desenvolvida nos espaços sob sua gestão, como o Palácio das Artes, a CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais e a Serraria Souza Pinto. A Fundação também é responsável pela gestão dos corpos artísticos — Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico de Minas Gerais e Cia de Dança Palácio das Artes — além do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Arte e do Cefart. Em 2026, ao celebrar os 55 anos do Palácio das Artes, a FCS amplia suas ações para todas as artes e todos os públicos, reafirmando seu compromisso com a democratização cultural.

Concerto “Entre Deuses e Suspiros: Beethoven, Mozart e Haydn” da Orquestra Sinfônica de Minas



      



No dia 23 de abril, o Teatro João Ceschiatti recebe a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG) para a apresentação de um concerto dedicado ao repertório do Classicismo vienense. Sob regência de André Brant e com participação da soprano Melina Peixoto, do Coral Lírico de Minas Gerais (CLMG), o programa reúne peças de três grandes compositores do período: Ludwig van Beethoven, Wolfgang Amadeus Mozart e Franz Joseph Haydn. A entrada é gratuita, sem necessidade de retirada prévia de ingressos, mas o espaço está sujeito à lotação.

                       fotos:Paulo Lacerda


“As Criaturas de Prometeu” (1801), de Ludwig van Beethoven (1770-1827), abre o concerto. Inspirada na figura mitológica de Prometeu, símbolo do conhecimento e da criação, a obra se organiza em dois momentos contrastantes: a “Abertura”, de caráter enérgico e dramático, e o “Adágio”, que sucede com delicadeza e lirismo. Na sequência, o concerto traz duas árias da ópera “As Bodas de Fígaro” (1786), de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) interpretadas pela soprano Melina Peixoto. Em “Giunse alfin il momento… Deh vieni, non tardar [O momento finalmente chegou… Venha, não demore]”, a personagem Susanna aparece de forma sensível e delicada; já “Venite inginocchiatevi [Venha se ajoelhar]” revela um lado mais leve e descontraído dela. Encerrando o programa, a “Sinfonia nº 94, ‘Surpresa’” (1791), de Franz Joseph Haydn (1732-1809), apresenta trechos de caráter mais suave e passagens de maior dinamismo, e ficou marcada pelo engenho e humor do compositor e por um elemento surpreendente em seu segundo movimento.

O concerto “Entre Deuses e Suspiros: Beethoven, Mozart e Haydn" é realizado pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e Fundação Clóvis Salgado. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH, Usiminas e do Instituto AngloGold, Patrocínio Plus da Vivo e correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. O Palácio das Artes integra o Circuito Liberdade, que reúne mais de 60 equipamentos com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. A ação é viabilizada por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura e da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Vale-Cultura. Governo de Minas, aqui o trem próspera. Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro.

O Classicismo vienense e seus expoentes - O chamado Classicismo vienense consolida-se na virada do século XVIII para o XIX, tendo Franz Joseph Haydn, Wolfgang Amadeus Mozart e Ludwig van Beethoven como seus autores representativos. Frequentemente reunidos sob a denominação de “Primeira Escola de Viena”, não como uma instituição formal, mas como um reconhecimento que se consolidou posteriormente, esses compositores representam o auge de um processo estético que buscava equilíbrio, clareza e proporção. Nesse contexto, afirma-se a música instrumental como linguagem autônoma, desvinculada de funções externas como a dança ou a liturgia, e dedicada principalmente à expressão abstrata e à apreciação estética.

Melina Peixoto, solista convidada, destaca o entusiasmo para o concerto. Embora já tenha interpretado as árias, será a primeira vez que ela vai apresentá-las a partir de uma construção mais aprofundada da personagem Susanna, desenvolvida em parceria com o diretor de cena Mario Corradi – com quem vem trabalhando nos ensaios da ópera "As Bodas de Fígaro", que será apresentada em maio no Palácio das Artes. “Tenho estudado toda a obra desde fevereiro, e isso ampliou minha compreensão dessas árias”, afirma. A soprano ressalta ainda a afinidade com a orquestra e a importância de atuar sob a direção de um maestro muito experiente no repertório operístico.

O maestro André Brant aponta algumas curiosidades do programa, e salienta que “As Criaturas de Prometeu” marca um momento singular na obra de Beethoven, sendo uma das raras ocasiões em que o compositor emprega a harpa na orquestra. O concerto contará ainda com a “Sinfonia nº 94”, de Haydn, que evidencia os contrastes e o efeito inesperado que justificam o título “Surpresa”. André Brant destaca também que o repertório foi originalmente concebido para espaços menores, como salões de corte e teatros de dimensões reduzidas.


No Teatro João Ceschiatti, essa proposta é retomada, criando um ambiente mais intimista e aproximando o público da orquestra. Data: 23 de abril de 2026 (quinta-feira)

Horário: 20h

Local: Teatro João Ceschiatti – Palácio das Artes

(Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)

Classificação Indicativa: Livre

A entrada é gratuita, e não há necessidade de  retirar os ingressos previamente, mas o espaço está sujeito à lotação.

 

Considerada uma das mais ativas do país, a OSMG cumpre o papel de difusora da música erudita, diversificando sua atuação em óperas, balés, concertos e apresentações ao ar livre. Criada em 1976, foi declarada Patrimônio Histórico e Cultural do Estado de Minas Gerais. Participa da política de difusão da música sinfônica promovida pelo Governo de Minas Gerais, por meio da Fundação Clóvis Salgado (FCS), a partir da realização dos projetos Concertos da Liberdade, Concerto Didático, Concerto nos Parques e Sinfônica Pop, além de integrar as temporadas de óperas realizadas pela FCS. Mantém permanente aprimoramento da sua performance, executando repertório que abrange todos os períodos da música sinfônica, além de grandes sucessos da música popular.

Com a missão de fomentar a criação, a formação, a produção e a difusão da arte e da cultura em Minas Gerais, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Artes visuais, cinema, dança, música, ópera e teatro integram a ampla programação desenvolvida nos espaços sob sua gestão, como o Palácio das Artes, a CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais e a Serraria Souza Pinto. A Fundação também é responsável pela gestão dos corpos artísticos — Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico de Minas Gerais e Cia de Dança Palácio das Artes — além do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Arte e do Cefart. Em 2026, ao celebrar os 55 anos do Palácio das Artes, a FCS amplia suas ações para todas as artes e todos os públicos, reafirmando seu compromisso com a democratização cultural

Projeto leva oficinas gratuitas de dança e residência artística a diferentes regiões de BH

 




Está em atividades até o dia 16 de junho, em Belo Horizonte  o projeto Que se Dance, iniciativa voltada à formação, experimentação e difusão da dança como linguagem artística e campo de conhecimento. Com atividades gratuitas realizadas em diferentes espaços culturais da cidade, a programação reúne oficinas de curta e longa duração, rodas de conversa, residência artística em videodança e exibição pública da obra produzida durante o processo, abordando temas ligados à diversidade da dança contemporânea e suas relações com questões sociais, pedagógicas e culturais. Realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, o projeto busca ampliar o acesso ao aprendizado em dança e estimular o intercâmbio entre artistas, estudantes, educadores e interessados na área.


Concebido como uma plataforma de formação, acesso e fruição cultural, o projeto propõe ambientes acessíveis e acolhedores de aprendizado e experimentação artística. A programação reúne diferentes vertentes da dança e promove a circulação de saberes entre profissionais e público interessado, com temas que incluem diversidade de corpos, inclusão, infância, envelhecimento, dança e deficiência, além de práticas contemporâneas e tradições culturais. As oficinas têm inscrições gratuitas por meio de formulário online disponível no Linktree da bio do Instagram do Que se Dance. As rodas de conversa são abertas ao público e não exigem inscrição prévia. O projeto conta com intérpretes de Libras e audiodescrição, que devem ser solicitados no momento da inscrição. A classificação indicativa varia conforme a atividade.

 

“Que se Dance nasce do desejo de ampliar a formação em dança e criar um ambiente de troca entre artistas, estudantes e pessoas interessadas nessa linguagem, em espaços gratuitos, acessíveis e abertos à diversidade de corpos e experiências”, afirma Ygor Gohan, um dos idealizadores do projeto. Para Samuel Carvalho, a iniciativa também contribui para ampliar o acesso às práticas artísticas na cidade. “A proposta é aproximar mais pessoas da dança e fortalecer a circulação de saberes e experiências em diferentes territórios da cidade”, destaca.

                              fotos:Vitória Lage


A abertura do projeto aconteceu no dia 27 de março, das 19h às 20h30, com a roda de conversa “Danças e Políticas Públicas”, realizada na Escola Livre de Artes – Arena da Cultura – NUFAC (Av. dos Andradas, 367, 3º andar – Centro). O encontro é aberto ao público e propõe refletir sobre o papel das políticas culturais no desenvolvimento da dança e na ampliação do acesso à formação artística.

O encerramento será no dia 16 de junho, das 19h às 20h30, no Teatro Marília (Av. Prof. Alfredo Balena, 586 – Santa Efigênia), com apresentação dos resultados do projeto, roda de conversa sobre “Descentralização e Diversidade na Cultura de Belo Horizonte” e exibição da videodança produzida durante a residência artística.

Programação das atividadesVoltada ao público infantil e a educadores, a oficina de longa duração Danças para Infâncias, conduzida por Sara Brito, acontece no dia 25 de abril, na Funarte MG. A programação inclui atividades das 9h às 10h para crianças de 3 a 6 anos, das 10h30 às 12h para crianças de 7 a 12 anos e, das 13h às 17h, um encontro formativo voltado a educadores.

A oficina Danças Afro-brasileiras, com Rodrigo Antero, será realizada no dia 27 de abril, das 19h às 21h, também na Funarte MG, propondo experiências corporais que dialogam com matrizes culturais afro-brasileiras presentes na dança.

No dia 7 de maio, das 19h às 21h, Dorothé Depeauw conduz a oficina Body-Mind Centering, no Teatro Raul Belém Machado (Rua Leonil Prata, s/nº – Bairro Alípio de Melo), investigando práticas somáticas e processos de consciência corporal.

A oficina Dança e Afrodiáspora, ministrada por Flavi Lopes, acontece no dia 13 de maio, das 14h às 16h, no Centro Cultural São Bernardo (Rua Edna Quintel, 320 – São Bernardo), explorando relações entre dança contemporânea e referências culturais afro-diaspóricas.

Já a oficina de longa duração Danças e Corpos Maduros, conduzida por Joana Wanner, será realizada nos dias 14 e 15 de maio, das 9h30 às 12h30, no Centro Cultural Bairro das Indústrias (Rua dos Industriários, 289 – Barreiro). Voltada a pessoas a partir de 50 anos e estudantes de artes cênicas, a atividade valoriza a expressividade e as possibilidades criativas do corpo maduro.

A oficina Dança e Performance, ministrada por Guilherme Morais, acontece no dia 21 de maio, das 19h às 21h, na Funarte MG, propondo experimentações que investigam relações entre movimento e criação cênica.

No dia 28 de maio, das 19h às 21h, Tiphany Gomes conduz a oficina Danças Urbanas, no Centro de Referência das Juventudes (Rua Guaicurus, 50 – Centro), dedicada a participantes com experiência em dança interessados em explorar repertórios ligados às culturas urbanas.

A oficina Improvisação em Dança, com Marise Dinis, acontece no dia 4 de junho, das 14h às 16h, no Centro de Referência da Dança de BH (Av. Prof. Alfredo Balena, 586 – Santa Efigênia), propondo práticas de criação espontânea e escuta corporal.

Um dos eixos centrais do projeto é a Residência Artística em Videodança, realizada de 8 a 12 de junho, das 9h às 12h, no Centro Cultural Venda Nova (Rua José Ferreira dos Santos, 184 – Jardim dos Comerciários). A atividade reúne participantes interessados em dança, audiovisual e artes cênicas em um processo intensivo de criação coletiva que envolve etapas de concepção, roteiro, gravação e edição. A residência contará com orientação de Duna Dias, Leonardo Augusto, Luísa Machala e Vitor Drumond, além de recursos de acessibilidade como Libras e audiodescrição. Os participantes selecionados receberão ajuda de custo de R$ 400.

Como contrapartida sociocultural, a videodança produzida durante a residência será exibida em duas escolas públicas de Belo Horizonte — a Escola Estadual Getúlio Vargas, na Regional Venda Nova, e a Escola Municipal Professor Mário Werneck, na Regional Oeste — com mediação da equipe artística e apresentação do processo criativo aos estudantes.

Entre as atividades formativas a oficina de longa duração “Poéticas do Corpo, Dança e Diferença”, ministrada por Anamaria Fernandes, que aconteceu nos dias 26 de março, na Escola de Belas Artes da UFMG – Espaço Vinho (Av. Pres. Antônio Carlos, 6627 – Pampulha). Destinada a pessoas com deficiência e estudantes de artes cênicas, a atividade investiga relações entre dança e diversidade corporal a partir de práticas artísticas e reflexões sobre processos inclusivos.

A oficina Dança Clássica, conduzida por Bárbara Maia, foi dia 31 de março,  também na Escola de Belas Artes da UFMG – Espaço Vinho, voltada a participantes com experiência em dança interessados em aprofundar fundamentos técnicos da linguagem clássica.

No dia 7 de abril, no mesmo espaço da UFMG, Paulo Baeta ministrou a oficina Dança Moderna, apresentando fundamentos da técnica Limón da dança moderna e explorando princípios como respiração, peso e dinâmica de movimento.

A oficina Funk, conduzida por Jhones, aconteceu no dia 11 de abril, na Funarte MG (Rua Januária, 68 – Centro). Aberta a participantes com ou sem experiência em dança, a atividade trabalhou musicalidade, ritmo e movimentos característicos dessa expressão cultural urbana.

Já a oficina Vogue, ministrada por Amerikana,  realizada no dia 17 de abril,  no Centro Cultural Usina de Cultura (Rua Dom Cabral, 765 – Ipiranga). A proposta apresenta elementos da cultura ballroom e investiga gestualidade, presença cênica e expressividade corporal.


Projeto Que se Dance -
Período: já em atividade até 16 de junho
Local: equipamentos culturais públicos distribuídos por diferentes regionais de Belo Horizonte
Gratuito

- As inscrições para as oficinas devem ser realizadas por meio de formulário online disponível no Linktree da bio do Instagram do projeto.

- As rodas de conversa são abertas ao público e não exigem inscrição prévia.

- O projeto conta com intérpretes de Libras e audiodescrição. Para garantir o atendimento, o participante deve solicitar o recurso no momento da inscrição.

- A classificação indicativa das oficinas varia de acordo com a atividade proposta.

Teatro em Movimento celebra 25 abre temporada com “O Céu da Língua”, de Gregorio Duvivier

 


                                  


O Teatro em Movimento abre as comemorações de seus 25 anos com uma programação extensa que reafirma sua trajetória na democratização do acesso à cultura e na descentralização das artes cênicas em Minas Gerais. Ao longo de 2026, o projeto realiza apresentações em Belo Horizonte — incluindo ocupações em praças públicas —, além de cidades como Contagem, Mariana, Juiz de Fora, Uberaba, Itabira, Araxá e Uberlândia. Com mais de 445 mil espectadores ao longo de sua história, cerca de 305 espetáculos apresentados e atuação em mais de 15 cidades, a iniciativa idealizada por Tatyana Rubim consolidou-se como uma das mais relevantes plataformas de circulação teatral do país.


A programação comemorativa reúne nomes de destaque e títulos consagrados, priorizando diversidade, acesso e formação de público, com atrações já confirmadas como O Céu da Língua, com Gregorio Duvivier; Olhos nos Olhos, com Ana Lúcia Torre; O Motociclista no Globo da Morte, com Eduardo Moscovis; Mudando de Pele, com Taís Araújo; Homem com H, com Silvero Pereira; Marrom – O MusicalAmar e Mudar as Coisas, com Marisa Orth, Buhr e Taciana Barros; O Figurante, com Mateus Solano; O Enclausurado, com Maeve Jinkings; além dos infantis MPBaixinhosA Guitarra Mágica, Encontro de Vilões e Bluey. Ao longo de sua trajetória, o projeto mantém o patrocínio contínuo do Instituto Unimed-BH, além de parcerias de longa data com Itaú e Vale, fundamentais para a consolidação e expansão de suas ações.
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A abertura das comemorações acontece com o retorno do espetáculo O Céu da Língua, sucesso de público que volta a Belo Horizonte após sessões esgotadas em 2025 e já abre a nova temporada com alta procura, incluindo a abertura de sessões extras, de 22 a 24 de abril. “Celebrar 25 anos é reafirmar um compromisso com o público e com a potência transformadora do teatro. Queremos ocupar cada vez mais territórios, formar novas plateias e garantir que grandes repertórios cheguem a mais pessoas, em diferentes contextos e espaços”, destaca Tatyana Rubim.

A temporada comemorativa do Teatro Em Movimento acontece com o retorno  a Belo Horizonte do espetáculo “O Céu da Língua”, uma comédia sobre a presença quase invisível da poesia no cotidiano, estrelada por Gregorio Duvivier. Dirigido por Luciana Paes, montagem já levou 218 mil espectadores ao teatro, percorreu 33 cidades brasileiras e, atualmente, faz turnê por 12 cidades na Europa. Após o grande sucesso de público registrado em 2025 dentro da programação do projeto, a peça será apresentada de 22 a 24 de abril, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, marcando o início das celebrações deste que um dos projetos culturais mais longevos e relevantes do país na circulação de espetáculos teatrais.



Quem tem medo de poesia? Gregorio Duvivier não faz parte deste grupo e, como um apaixonado, faz de tudo para persuadir os outros das qualidades do seu objeto de encanto – até mesmo criar um espetáculo sobre o assunto. No monólogo cômico “O Céu da Língua”, o artista usa o seu discurso sedutor para convencer o público de que tropeçamos diariamente na poesia e o assunto é prazeroso e divertido. 

O espetáculo estreou em Portugal em 2024, chegou no Brasil em fevereiro de 2025, onde cumpriu uma extensa turnê que já acumula cerca de 218 mil espectadores em 33 cidades do Brasil e atualmente faz turnê por 12 cidades na Europa, sempre com sessões extras e lotação esgotada. O trabalho rendeu a Gregorio o troféu de Melhor Ator na última edição do Prêmio Bibi Ferreira.

“A poesia é uma fonte de humor involuntário, motivo de chacota”, reconhece o ator, que cursou a faculdade de Letras na PUC do Rio de Janeiro e publicou três livros sobre o gênero literário. “Escrevi uma peça que pode ajudar alguém a enxergar melhor o que os poetas querem dizer e, para isso, a gente precisa trocar os óculos de leitura”.  

A direção é da atriz Luciana Paes, parceira de Gregorio nos improvisos do espetáculo Portátil. No palco, com cenografia de Dina Salem Levy, o instrumentista Pedro Aune cria ambientação musical com o seu contrabaixo, e a designer Theodora Duvivier, irmã do comediante, manipula as projeções exibidas ao fundo da cena. O resto é só o comediante e sua lábia desafiadora. “Acredito que o Gregorio tem ideias para jogar no mundo e, com essa crença, a coisa me move independentemente de qualquer rótulo”, diz Luciana, uma das fundadoras da celebrada Cia. Hiato, que estreia na função de diretora teatral.   

“O Céu da Língua” não é um recital e tampouco o artista declama Castro Alves, Fernando Pessoa ou Carlos Drummond de Andrade. Por outro lado, garante Luciana, a dramaturgia de Gregorio não deixa de ser poética neste “stand-up comedy pegadinha”, como ela bem define. 

“O Gregorio simpático e engraçado está no palco ao lado do Gregorio intelectual com seu fluxo de pensamento ininterrupto e imagino que, por isso, a plateia deve embarcar na proposta”, aposta a diretora. “Ele, graças aos seus recursos de ator, pega o público distraído e ninguém resiste quando é surpreendido por alguém apaixonado. ”

Toda linguagem é um acordo e, se você entende, tudo bem. Gregorio, desde a infância, carrega uma obsessão pela palavra, pela comunicação verbal, pela língua portuguesa.  Assim o protagonista, por exemplo, brinca com códigos, como aqueles que, em sua maioria, só são decifrados por pais e filhos ou casais enamorados. 

As reformas ortográficas que tiram letras de circulação e derrubam acentos capazes de alterar o sentido das palavras inspiram o artista em tiradas bem-humoradas. O mesmo acontece quando ele comenta a ressurreição de palavras esquecidas, como “irado”, “sinistro” e “brutal”, que voltaram ressignificadas ao vocabulário dos jovens. E aquelas que só de ouvi-las geram sensações estranhas, a exemplo de afta, íngua, seborreia, ou outras, inventadas, repetidas à exaustão, como “atravessamento”, “namorido” ou “almojanta”? Até destas Gregorio extrai humor.

Para o artista, a língua é algo que nos une, nos move, mas raramente damos atenção a ela. É só pensar nas metáforas usadas no cotidiano – “batata da perna”, “céu da boca”, “pisando em ovos”. Nesta hora, usamos a poesia e nem percebemos. Para provar que a poesia é popular, Gregorio chama atenção para os grandes letristas da música brasileira, como Orestes Barbosa e Caetano Veloso, citados em “O Céu da Língua” através das canções “Chão de Estrelas” (1937) e “Livros” (1997). “Os nossos compositores conseguiram realizar o sonho de Oswald de Andrade de levar poesia para as massas”, festeja o ator.

Nesta cumplicidade com a plateia, Gregorio mostra gradativamente que a poesia não tem nada de hermética e, claro, homenageia Portugal, o país que emprestou ao Brasil a sua língua para que todos se comunicassem. Além de Fernando Pessoa, o ator evoca o poeta Eugênio de Andrade e lembra de que a origem de “O Céu da Língua” está relacionada ao espetáculo “Um Português e Um Brasileiro Entram no Bar”. O divertido intercâmbio linguístico colocou no mesmo palco Gregorio e o humorista luso Ricardo Araújo Pereira em improvisações sobre o idioma que os une. 

 

O CÉU DA LÍNGUA:Texto: Gregorio Duvivier e Luciana Paes / Interpretação: Gregorio Duvivier/ Direção: Luciana Paes/ Direção musical e execução da trilha: Pedro Aune/ Assistente de direção e projeções: Theodora Duvivier/ Iluminação: Ana Luzia de Simoni/ Cenografia: Dina Salem Levy/ Assistente de cenografia: Alice Cruz/ Figurinos: Elisa Faulhaber e Brunella Provvidente/ Visagismo: Vanessa Andrea/ Designer gráfico publicação: Estúdio M-CAU – Maria Cau Levy e Ana David/ Identidade visual divulgação: Laercio Lopo/ Comunicação: Lucas Sancho/ Marketing digital: Renato Passos/ Assessoria de Comunicação: Pedro Neves/ Fotos: Demian Jacob, Priscila Prade, Joana Calejo Pires e Raquel Pelicano/ Diretor técnico: Lelê Siqueira/ Diretor de palco: Reynaldo Thomaz/ Técnico de som: Dugg Mont/ Assistente de palco: Daniela Mattos/ Gerente de Projetos: Andréia Porto/ Assistente de produção: João Byington de Faria/ Produção executiva: Lucas Lentini/ Direção de produção: Clarissa Rockenbach e Fernando Padilha/ Produção: Pad Rok/ Realização em Belo Horizonte: Teatro em Movimento/ Produção: Rubim Produções/ Assessoria de imprensa: Luz Comunicação - Jozane Faleiro

Classificação indicativa: 12 anos     Duração: 80 minutos

Dias/Horários: 22 a 24 de abril  - quarta, quinta e sexta, às 19h. Sessões extras todos os dias às 21h30

 Grande Teatro Cemig Palácio da Artes  - Avenida Afonso Pena 1537, Centro 

Vendas:  https://bileto.sympla.com.br/event/117663/d/372074

O projeto Teatro em Movimento, coordenado pela Rubim Produções, de Tatyana Rubim, completa 25 anos, em 2026, com o objetivo de descentralizar o acesso às grandes montagens do eixo Rio-São Paulo, promovendo a circulação dos mesmos para Belo Horizonte que tornou-se, ao longo do tempo, praça relevante para a apresentação de importantes repertórios. Além disso, o projeto também atua em outros Estados e outras cidades. Desde então, contabiliza 305 repertórios, que somam mais de 800 apresentações, envolvendo cerca de 860 artistas, em 15 cidades, 30 teatros e público superior a 445 mil pessoas. Desde 2020, fundou o TeatroEmMov Digital, que realizou o primeiro curso de teatro digital do Brasil, sendo uma plataforma web que pesquisa, produz e une narrativas do teatro, da dança, do audiovisual e dos games; ambos idealizados por sua diretora, Tatyana Rubim

Informações: @teatroemmovimento

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