

A programação reúne títulos fundamentais da trajetória de
Varda, entre longas e curtas-metragens. Serão exibidas obras como “Cléo das 5
às 7” (1962), “Os Panteras Negras” (1968), “Os Catadores e Eu” (2000) e “As
Praias de Agnès” (2008), obras que refletem diferentes características de seu
projeto artístico. Dando prosseguimentos às discussões trazidas na programação
da mostra dedicada a François Truffaut, a obra da cineasta é frequentemente
situada nas bordas da Nouvelle Vague (a “Nova Onda francesa”) - movimento com o
qual dialoga, mas ao qual nunca se submete completamente. Varda desenvolveu um
cinema que opera entre categorias estabelecidas, recusando distinções rígidas
entre ficção e documentário, entre gesto autobiográfico e elaboração formal.
Seu trabalho pode ser compreendido como uma escrita de imagens e sons que
articula experiência sensível, vigor estético e atenção política à vida humana.
A mostra conta, ainda, com sessões comentadas dos filmes “As Duas Faces da
Felicidade” (1965), “Os Catadores e Eu” (2000) e “Kung-Fu Master!” (1988),
buscando ampliar o campo de leitura sobre a cineasta, democratizando um
horizonte crítico que ultrapassa a exibição e convida o público à reflexão
sobre as suas obras.

A mostra “De Lá Pra Cá: Uma Mostra da Varda” é realizada
pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de
Cultura e Turismo de Minas Gerais e Fundação Clóvis Salgado. As atividades da
Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do
Instituto Cultural Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto
Unimed-BH e do Instituto Anglogold, Patrocínio Plus da Vivo e correalização da
APPA – Cultura & Patrimônio. O Palácio das Artes integra o Circuito Liberdade,
que reúne mais de 60 equipamentos com as mais variadas formas de manifestação
de arte e cultura em transversalidade com o turismo. A ação é viabilizada por
meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Vale-Cultura. Governo do Brasil, do
lado do povo brasileiro.

Uma câmera atenta — Nascida Arlette Varda, em 1928, a
cineasta mudou seu nome para Agnès aos dezoito anos de idade. Varda estudou na
Sorbonne e na École du Louvre e mais tarde tornou-se fotógrafa. Seu olhar
atento às ruas, aos rostos e às comunidades que encontrava foram
características que tornaram as suas obras marcantes neste campo. Sua câmera é
marcada pela proximidade ao filmar ou fotografar as pessoas, sem uma hierarquia
ou exotização.

O primeiro filme da cineasta, “La Pointe Courte” (1955) -- A Ponte
Curta, em tradução livre –, é considerado um do precursores da Nouvelle Vague e
foi filmado em um estilo visual distinto com um toque documental, alternando
entre duas narrativas: um jovem casal examinando seu casamento conturbado e uma
vila de pescadores lidando com seus problemas coletivos. Seu segundo
longa-metragem, “Cléo das 5 às 7”, é o relato de uma artista que passa a
enxergar o mundo ao seu redor com uma nova perspectiva enquanto aguarda o
resultado de um exame médico que revelará se ela tem ou não uma doença grave. A
narrativa se passa em exatos 90 minutos, fazendo com que o espectador
experiencie o tempo que a protagonista vivencia enquanto aguarda. O interesse
de Varda pelas questões sociais e sobretudo femininas foi outra característica
que demarcou o seu trabalho em um universo permeado por figuras masculinas.

A diretora produziu filmes até 2019, o que exigiu um
processo de seleção que tentasse trazer um panorama das obras e temáticas
recorrentes de seus trabalhos, como explica o gerente do Cine Humberto Mauro e
curador da mostra, Vítor Miranda. “A curadoria não traz todos os filmes da
Varda, mas é uma seleção que contempla diferentes períodos da carreira dela,
desde 1955 até 2008 e, através deles, conseguimos entender essa evolução
estética dela. Nesta seleção, priorizamos a diversidade, então tem filmes de ficção,
documentários, filme-ensaio, autobiográficos, curtas experimentais, etc. Outro
critério foi a escolha de temas recorrentes trabalhados por ela, dentre os
quais o cotidiano, o feminismo, a memória e a auto-reflexão artística. Além
disso, dentro da curadoria, tem uma parte de diálogos históricos com cineastas
próximos e relevantes para esse contexto dela, desse cinema moderno francês,
especialmente no que diz respeito ao documentário e ao cinema ensaístico,
associado à chamada Rive Gauche. São exemplos os diretores Chris Marker, Alain
Resnais, e o Jacques Demy, que era o marido e colaborador dela”.

Desta forma, a mostra aborda as principais características
da produção realizada por Varda que, como aponta Miranda, fizeram a autora
conhecida e uma referência ainda hoje. “Para mim, a influência dela no cinema
contemporâneo são os motivos que fizeram ela conhecida. Ou seja, esse
tratamento e esse hibridismo entre ficção e documentário; o interesse pelo
cotidiano e pelas pessoas comuns; o olhar dela, que é um olhar feminino e um
olhar autoral; uma produção independente muito experimental, inventiva; e também
um cinema muito ensaístico e pessoal, então quando é um documentário, também é
um documentário muito pessoal, muito autoral e fora de um registro apenas
jornalístico. Acredito que essas características dela marcaram a história do
cinema e fizeram dela uma inspiração”, afirma Vítor Miranda.
Horário: variam conforme a programação
Cine Humberto Mauro (Avenida Afonso Pena, 1537, Centro –
Belo Horizonte)
Classificação indicativa: varia conforme a programação
Entrada gratuita; 50% dos ingressos estarão disponíveis, de
forma on-line, a partir de
meio-dia do dia das sessões, no site da Sympla; o restante
dos ingressos será distribuído presencialmente na bilheteria principal do
Palácio das Artes e nos totens, 1 hora antes de cada exibição. Informações: https://fcs.mg.gov.br
no site da Sympla; o restante será distribuído
presencialmente na bilheteria principal do Palácio das Artes e nos totens, uma
hora antes das exibições.

Um dos mais tradicionais cinemas de Belo Horizonte, foi
inaugurado em 1978. Seu nome homenageia um dos pioneiros do cinema brasileiro,
o mineiro Humberto Mauro (1897-1983), grande realizador cinematográfico. Com
129 lugares, possui equipamentos de som Dolby Digital e para exibição de filmes
em 3D e 4K. Nestes mais de 45 anos de existência, a Fundação Clóvis Salgado tem
investido na consolidação do espaço como um local de formação de novos públicos
a partir de uma programação diversificada, bem como por meio da criação de
mecanismos de estímulo à produção audiovisual, com a realização do tradicional
FestCurtasBH – Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte, e do Prêmio
Estímulo ao Curta-Metragem de Baixo Orçamento. O Cine Humberto Mauro também é
um importante difusor do conhecimento ao promover cursos, seminários, debates e
palestras. Sessões permanentes e comentadas também têm espaço cativo a partir
das mostras Cinema e Psicanálise, Cineclube Ibero-americano Permanente, entre
outras. Todas as atividades do Cine Humberto Mauro são gratuitas.
Com a missão de fomentar a criação, a formação, a produção e
a difusão da arte e da cultura em Minas Gerais, a Fundação Clóvis Salgado (FCS)
é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais
(Secult). Artes visuais, cinema, dança, música, ópera e teatro integram a ampla
programação desenvolvida nos espaços sob sua gestão, como o Palácio das Artes,
a CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais e a Serraria Souza Pinto. A
Fundação também é responsável pela gestão dos corpos artísticos — Orquestra
Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico de Minas Gerais e Cia de Dança Palácio
das Artes — além do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Arte e do Cefart, o
Centro de Formação Artística e Tecnológica. Em 2026, ao celebrar os 55 anos do
Palácio das Artes, a FCS amplia suas ações para todas as artes e todos os
públicos, reafirmando seu compromisso com a democratização cultural.