domingo, 10 de maio de 2026

Fliaraxá reúne a litaraura em Araxá


O Fliaraxá – Festival Literário Internacional de Araxá - realiza sua 14ª edição,quinta a domingo,  de 14 a 17 de maio de 2026, no Teatro CBMM do Centro Cultural Uniaraxá, centrada na escolha do tema “Meu Lugar no Mundo”, inspirado na frase do Patrono,


o geógrafo Milton Santos: “Ninguém pensa o mundo a partir do mundo. Cada um de nós, ao contemplar o universo, o faz a partir de um dado lugar’. O evento acontece na cidade mineira de Araxá, que fica na região do Alto Paranaíba, há 260 km de Belo Horizonte.

Participam desta edição nomes como

Aírton Souza

Alexandre Coimbra Amaral

Bianca Santana

Carlos Eduardo Pereira

Geni Núñez

Gustavo Ziller

Leila Ferreira

Marcelino Freire

Matheus Leitão

Nina Santos (neta de Milton Santos) 

Sérgio Abranches. 

Além disso, conta com a presença dos convidados internacionais:

o angolano José Eduardo Agualusa, 

a sul-africana Zukiswa Wanner. 

Os curadores são 

Sérgio Abranches, 

 

Afonso Borges

Rafael Nolli

Carlos Vinícius.

Realizado pela Associação Cultural Sempre um Papo com patrocínio da CBMM, via Lei Rouanet e apoio da Academia Araxaense de Letras e TV Integração, o 14º. Fliaraxá celebra os 100 anos de nascimento de Milton Santos, patrono do festival, e homenageia três personalidades: José Eduardo Agualusa, que vem da África,

a professora Maria de Lourdes Bittencourt de Vasconcellos e o

Mestre General de Congado Jerônimo Pereira de Lima, ambos personalidades da história de Araxá.
 

O tema “Meu Lugar no Mundo” parte de uma ideia essencial: cada pessoa tem um lugar no mundo que não se resume à casa ou ao ponto em que está. Esse lugar é o bairro, a escola e todos os espaços que se atravessa no cotidiano. É também o conjunto de pessoas à volta — a família, os amigos, os professores, os encontros e as ausências — e as histórias que se vive nesses caminhos. É aquilo em que se acredita e, sobretudo, a maneira como cada um se constrói como pessoa, física e afetiva, a partir dos vínculos que cria e das experiências que carrega.

Programação: https://fliaraxa.com.br/programacao-fliaraxa-2026 

NOVO LIVRO DE AGUALUSA EM LANÇAMENTO NACIONAL

Autor homenageado do Fliaraxá 2026, o escritor angolano José Eduardo Agualusa fará no festival o lançamento de seu novo romance, Tudo Sobre Deus, editado pela Tusquets (Planeta).  No livro, Agualusa acompanha Leopoldo G. Borges, um homem atormentado que se retira para o deserto do Namibe e passa a viver numa antiga igreja abandonada, onde enfrenta a memória, a culpa e a perda da filha. O romance mistura realidade e imaginação em um ambiente marcado pela filosofia animista africana, propondo uma reflexão literária sobre a finitude, o amor e a arte de despedir-se.

O PATRONO E OS HOMENAGEADOS

O Patrono do 14º Fliaraxá é o baiano Milton Santos, que faleceu em 2006 e que, em 2026, celebra-se o seu centenário de nascimento. Autor de mais de 40 livros, considerado o pai da geografia crítica e humana no Brasil, Milton Santos é um dos mais importantes pensadores do espaço urbano e da globalização. O escritor angolano José Eduardo Agualusa é o Autor Homenageado, ampliando o diálogo internacional e reafirmando o compromisso com a reflexão crítica e a literatura em língua portuguesa, além de lançar nacionalmente o seu mais recente livro, “Tudo Sobre Deus”. Serão também homenageados a professora Maria de Lourdes Bittencourt de Vasconcellos e o Mestre General de Congado Jerônimo Pereira de Lima, ambos personalidades da história de Araxá.

PRÊMIO DE REDAÇÃO AMPLIADO PARA O EJA

No Território da Educação, o tradicional Prêmio de Redação e de Desenho do Fliaraxá assume, nesta edição, o tema “Meu Lugar no Mundo”, propondo aos estudantes um exercício de escrita que parte do cotidiano para chegar à identidade, ao pertencimento e ao cuidado com a comunidade. A ideia é ampliar a noção de “lugar” para além da casa: bairro, escola, caminhos, relações, histórias vividas, valores e afetos que formam cada pessoa. Em diálogo com o pensamento de Milton Santos sobre o “território” como espaço vivido, o prêmio convida cada participante a escrever como se reconhece no mundo, como se inclui nele e que vínculos o sustentam — transformando experiência em linguagem e fortalecendo o protagonismo. A novidade de 2026 é a criação de uma modalidade específica para alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), reunindo participantes de 18 a 80 anos, ampliando o alcance do prêmio e reafirmando que a literatura é um direito de todas as idades.

EXPOSIÇÃO FOTÓGRÁFICA “MEU LUGAR NO MUNDO”

Ainda dentro da temática, o 14º Fliaraxá vai realizar a exposição fotográfica “Meu Lugar no Mundo”, com imagens produzidas com máquinas analógicas por alunos, entre 10 e 18 anos, da Escola Municipal Romália Porfírio de Azevedo, da periferia de Araxá. A proposta é apresentar ao público o olhar dos jovens sobre o lugar onde vivem. Os estudantes participarão de oficinas de fotografia com a fotógrafa Izabela Laurico e as imagens produzidas serão selecionadas por meio da curadoria de Carlos Vinícius para integrar a exposição que acontecerá durante o Festival.  Diferentemente do que é comum hoje, as imagens não serão feitas com celulares. Eles irão aprender fotografia com câmeras analógicas, experimentando o processo tradicional de registrar imagens.O rapper e compositor Djonga participa da 14ª edição do Festival Literário Internacional de Araxá - Fliaraxá -, que acontece de 14 a 17 de maio de 2026, de quinta a domingo, no Teatro CBMM do Centro Cultural Uniaraxá, em Araxá. O artista integra a programação no dia 14 de maio, às 21h, em um encontro com o psicólogo e escritor Alexandre Coimbra do Amaral, propondo uma reflexão sobre pertencimento, identidade, ancestralidade e trajetórias pessoais e coletivas, temas que dialogam diretamente com o eixo desta edição do festival: “Meu Lugar no Mundo”.

Considerado um dos principais nomes do rap nacional contemporâneo, Djonga — nome artístico de Gustavo Pereira Marques — nasceu na favela do Índio, em Belo Horizonte, e cursou História na Universidade Federal de Ouro Preto até o sétimo período, quando decidiu se dedicar integralmente à música. Sua trajetória começou a ganhar notoriedade em 2015, a partir da participação em saraus de poesia e batalhas de rima, alcançando projeção nacional com o lançamento do álbum Heresia, em 2017.

Desde então, o artista consolidou uma produção marcada por forte dimensão crítica e social, com trabalhos como O Menino que Queria Ser Deus, Ladrão e Histórias da Minha Área. Em músicas como Olho de Tigre, Leal e Junho de 94, Djonga aborda temas como identidade, racismo estrutural, desigualdade e as experiências periféricas no Brasil, construindo narrativas que dialogam diretamente com as vivências de uma geração que busca compreender e afirmar seu lugar no mundo.

Para além da música, sua atuação também se destaca pelo caráter ativista, especialmente ao tratar de autoestima, consciência racial e valorização da população negra. Sua obra contribui para ampliar o debate sobre pertencimento, memória e construção de identidade na sociedade brasileira.

A participação de Djonga integra uma noite dedicada às narrativas de memórias, ancestralidades, experiências e afetos que atravessam a formação das identidades. Ao aproximar música, literatura e reflexão social, o encontro reforça a proposta do Fliaraxá de reunir diferentes linguagens para pensar o presente e imaginar novos caminhos para o futuro.

14.º Festival Literário Internacional de Araxá – Fliaraxá

De 14 a 17 de maio de 2026, quinta a domingo

Local: Teatro CBMM do Centro Cultural Uniaraxá

Av. Ministro Olavo Drummond, 15 – São Geraldo – Araxá


Magia das Águas no Thermas da Mata transforma clima ameno em convite para lazer com águas quentes




Com temperaturas mais amenas e clima ideal para passeios em família, o Thermas da Mata Parque e Hotel reforça sua vocação como destino de outono/inverno nos arredores da capital paulista.


Localizado em Cotia, com fácil acesso pela Rodovia Raposo Tavares e pelo Rodoanel, o complexo reúne cerca de 200 mil metros quadrados em meio à natureza, com atrações aquáticas aquecidas, hospedagem e lazer para diferentes perfis de visitantes.

Entre os diferenciais para o período está a presença de águas quentes em praticamente todas as atrações. Durante o outono e inverno, o parque se transforma em um verdadeiro oásis térmico para os paulistas e paulistanos.


Entre os destaques está a Hot Island, espaço com cascatas e ofurôs que chegam a até 36°C, ideal para relaxamento mesmo nos dias mais frios.

Já a Praia da Mata, com seus 6 mil metros quadrados, reúne piscina de ondas aquecida a até 36°C, bar pé na areia e estrutura de beach club, criando um cenário que remete ao litoral.

Além das atrações aquáticas, o Thermas da Mata reforça seu posicionamento como destino completo ao investir em atrativos que ampliam o uso do parque para além das atrações aquáticas. É nesse contexto que ganha destaque a programação especial Magia das Águas, que convida o público a mergulhar em uma narrativa interativa pensada para toda a família.

Com o tema “A Ilha do Tesouro Perdido”, a proposta transforma o parque em um universo lúdico onde personagens conduzem os visitantes por uma jornada repleta de pistas, desafios e descobertas. A experiência é guiada por figuras como o Marinheiro, a Sereia, o Baldinho e os Thermalucos, que interagem com o público ao longo do dia em atividades que combinam teatro, música e recreação.


Programação lúdica - A agenda começa logo pela manhã, com o “Café com os Exploradores”, momento exclusivo para hóspedes do hotel, em que os personagens recebem as famílias em um ambiente de acolhimento e interação. Na sequência, a abertura oficial do parque ganha um tom especial com as “Boas-vindas Mágicas”, que apresentam o enredo do dia e convidam os visitantes a embarcarem na aventura.

Durante a tarde, o público é envolvido em diferentes momentos da narrativa, como “O Chamado do Mapa”, em que a expedição ganha forma com sessões de fotos e interação pelos espaços do parque. O ponto alto acontece no pocket show “O Segredo da Ilha”, que reúne música, dança e elementos cênicos para revelar o desfecho da história em uma celebração coletiva. Ao final, o encontro com os personagens garante registros para guardar em família.

Complementando a experiência, o Hotel Thermas da Mata amplia a permanência dos visitantes com uma estrutura pensada para o conforto. São 88 acomodações distribuídas entre diferentes categorias, incluindo chalés e suítes familiares, equipadas com ar-condicionado, smart TV, frigobar e wi-fi. O hotel conta ainda com brinquedoteca e estacionamento incluso, facilitando a estadia para quem viaja com crianças.

No parque, atrações como os toboáguas Brabus e Cyclone, as áreas infantis Vila da Mata e Beach Kids, além da presença constante da equipe de recreação, garantem opções para diferentes perfis de público. 


Horário de funcionamento em maio: sexta a domingo, das 10h às 17h.

Endereço: Estrada Morro Grande, 3000, Jardim Isis – Cotia – SP

Saída pelo KM 36 da Raposo Tavares

Informações e ingressos: www.thermasdamata.com.br ou no Televendas: (11) 5555-0607, das 9h às 17h

New Orleans Fest leva mais de 30 shows a São Sebastião

 


São Sebastião, no litoral paulista, recebe em junho a primeira edição do New Orleans Fest, festival internacional dedicado ao jazz, blues, soul e à música brasileira. Com entrada gratuita e programação ao ar livre, o evento será realizado ao longo de sete dias, distribuídos em dois finais de semana, com atividades na Costa Sul e no Centro Histórico do município.


O nome do festival é inspirado na cidade americana de New Orleans, que é considerada um dos principais centros do jazz no mundo. Ao todo, estão previstas mais de 30 atrações, dentre shows, cortejos e apresentações itinerantes, com a presença de artistas nacionais e internacionais.

A programação começa entre os dias 4 e 7 de junho (feriado de Corpus Christi), com apresentações em bairros da Costa Sul, como Boiçucanga, Maresias, Camburi e Barra do Sahy. Na semana seguinte, de 12 a 14 de junho, o evento se concentra no Centro Histórico.


Entre os nomes confirmados estão Zeca Baleiro, Banda Black Rio, Paula Lima, Blues Etílicos e Luedji Luna, além de participações internacionais como J.J. Thames, Playing For Change Members e Titi Tsira.


O New Orleans Fest busca ampliar a oferta de atrativos na cidade durante a baixa temporada, estimulando o turismo através de eventos.

Mais informações: www.instagram.com/neworleansfest.br

Fazenda Boqueirão é precursora do turismo rural na hotelaria do Brasil

 


Na região do Boqueirão, em Lages, a Boqueirão Hotel Fazenda consolidou, ao longo de mais de três décadas, um modelo de hospitalidade que antecipa tendências hoje associadas ao turismo rural no Brasil.


Em operação desde 1990, o empreendimento se desenvolveu a partir de uma propriedade pertencente à família Gamborgi desde o fim do século XIX, mantendo a atividade agropecuária como eixo central da experiência oferecida aos hóspedes.

Instalado em uma área de quase 10 milhões de metros quadrados, o hotel se diferencia por integrar, de forma funcional, a rotina produtiva da fazenda à oferta turística. Ao contrário de propostas cenográficas, a vivência inclui atividades do campo, como cavalgadas e acompanhamento de rotinas agrícolas. A propriedade abriga plantações de grãos e criação de raças como Angus e Brangus, além de cavalos crioulos, compondo um ambiente ativo de produção.


Lazer e gastronomia - A estrutura de lazer opera como complemento a essa dinâmica. Trilhas ecológicas, pescaria, observação de aves — com mais de 150 espécies registradas — e atividades de aventura coexistem com áreas internas que incluem piscinas térmicas, ofurôs, espaços esportivos e salas de convivência.


A proposta é manter a operação turística independente de sazonalidade climática, característica relevante em uma região de altitude, com média anual de 16 °C.


A gastronomia segue a lógica de integração com o território. Parte dos insumos é produzida na própria fazenda, enquanto o cardápio privilegia preparações tradicionais da serra catarinense, com serviço em regime de pensão completa.


Meio ambiente- Outro vetor estratégico do empreendimento está na gestão ambiental. O projeto de autossuficiência inclui uso de energia solar, hortas para abastecimento interno, trilhas ecológicas e sistema de captação de água de fontes hidrominerais ligadas ao Aquífero Guarani. A mesma fonte abastece uma operação paralela de envase, distribuída na região Sul.




Enoturismo - Recentemente, o hotel ampliou sua atuação com a incorporação do enoturismo. A criação da Quinta do Boqueirão marca a entrada no segmento vitivinícola de altitude, com o lançamento inicial de rótulos produzidos a partir de uvas regionais e o plantio de cerca de seis mil videiras na propriedade. A expectativa é escalar a produção a partir das próximas safras, integrando cultivo, vinificação e consumo no próprio destino.


Mais informações: https://boqueiraohotelfazenda.com.br

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Relatório conclui que Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura

 



 


Documento elaborado pela Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos afirma que o ex-presidente foi morto em 1976 pela ditadura, e não vítima de um acidente


Durante uma atualização no acervo do Museu Histórico e Geográfico de Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, em 2025, a estagiária em jornalismo Jussara Soares fez uma descoberta histórica relativa a Juscelino Kubitschek.

 A pouco mais de três meses de completar 50 anos da morte de Juscelino Kubitschek, um relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) afirma que o ex-presidente foi morto em 1976 pela ditadura, e não vítima de um acidente automobilístico, como concluído à época e repetido pela Comissão Nacional da Verdade.

Elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, relatora do caso da morte de JK na CEMDP, o texto está sendo examinado pelos demais conselheiros do colegiado e será votado no próximo encontro do grupo -uma reunião com esse propósito chegou a ser agendada para 24 de abril em São Paulo, mas foi adiada porque os integrantes pediram mais tempo para estudar o documento, que tem mais de 5.000 páginas, incluindo anexos.

O relatório deve ser aprovado pelos conselheiros da comissão, apurou a reportagem. Reviravolta num caso controverso há tanto tempo, a medida é significativa pelo fato de a CEMDP ser um órgão de Estado -instituído por lei em 1995, no governo Fernando Henrique Cardoso, atualmente tem apoio técnico -administrativo do Ministério dos Direitos Humanos.

Sua finalidade é reconhecer pessoas mortas ou desaparecidas em razão de atividades políticas de 1961 a 1988, buscar localizar seus corpos e emitir pareceres sobre os requerimentos feitos por seus familiares.

Revelada no ano passado pela Folha de São Paulo, a decisão de reexaminar o caso da morte de JK manteve acesa uma novela que mobiliza versões e inflama correntes políticas desde que o ex-presidente morreu, em 22 de agosto de 1976.

Naquele domingo, o Opala em que estava o político mineiro, conduzido por seu motorista e amigo Geraldo Ribeiro, foi atingido por uma carreta na via Dutra. Desgovernado, o veículo atravessou o canteiro central e invadiu a pista oposta, sendo destruído pela colisão. Ribeiro também morreu no desastre.



Diversas investigações buscaram elucidar por que o motorista perdeu o controle do Opala. As conduzidas pela ditadura concluíram que logo antes da batida o carro foi atingido por um ônibus da viação Cometa ao tentar ultrapassá-lo. Foi o mesmo veredito de uma comissão externa da Câmara dos Deputados em 2001 e da Comissão da Verdade em 2014. Por essa versão, tratou-se de um acidente.

Outras apurações concluíram que JK foi, na verdade, vítima de um atentado político, reunindo indícios de que não houve batida entre o Opala e o ônibus e de que o carro se desgovernou por alguma ação externa -sabotagem mecânica ou mesmo um tiro ou envenenamento do motorista.

Essa foi a conclusão das Comissões Estaduais da Verdade de São Paulo - amparada por um grupo de trabalho com pesquisadores das universidades USP e Mackenzie - e de Minas Gerais e da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo.

Conforme apurou a Folha, o relatório de Maria Cecília Adão vai nessa mesma linha e tem como referência também um inquérito civil conduzido pelo MPF (Ministério Público Federal) por seis anos, de 2013 a 2019 -concluído, portanto, depois do relatório final da Comissão da Verdade -, mas divulgado só em 2021, considerado a investigação mais completa sobre o tema.

O inquérito do MPF descartou que tenha havido choque entre o ônibus e o Opala, mas concluiu ser "impossível afirmar ou descartar" a hipótese de atentado, "vez que não há elementos materiais suficientes para apontar a causa do acidente ou que expliquem a perda do controle do automóvel".

O procurador da República Paulo Sérgio Ferreira Filho escreveu que "houve falhas severas nas investigações realizadas pelo Estado brasileiro". Cita entre elas os processos por homicídio culposo contra Josias Oliveira, o motorista do ônibus da Cometa que teria batido no Opala -ele terminou absolvido-, e a ausência, nas perícias médicas da época, de laudo toxicológico para substâncias distintas do álcool, para saber se pode ter havido intoxicação ou envenenamento de Geraldo Ribeiro.

Mas a "peça chave" para entender o que houve, que constitui a "maior contribuição que o (...) inquérito civil trouxe para o caso", segundo o procurador Ferreira Filho, foi uma perícia conduzida pelo engenheiro Sergio Ejzenberg, especialista em transportes, convidado pelo MPF para examinar laudos feitos em 1976 e 1996 pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), do Rio - que embasaram a tese oficial de choque do ônibus no Opala - e preparar um novo estudo sobre o acidente.

O trabalho de Ejzenberg, que inclui vídeos em 3D simulando o desastre, demoliu tecnicamente os laudos anteriores e rejeitou a hipótese de que tenha havido uma colisão com o ônibus antes de o Opala se desgovernar. Segundo ele, as conclusões da Comissão da Verdade "se apoiaram em laudos imprestáveis do ICCE, sendo, portanto, conclusões equivocadas".

O reexame do caso pela CEMDP não incluiu novas investigações. O relatório de Maria Cecília Adão compila todos os trabalhos pregressos - com ênfase no mais recente, o do MPF - e apresenta arcabouço jurídico para sustentar a tese de responsabilidade do Estado, calcada na teoria do "in dubio pro victima" (na dúvida, a favor da vítima), defendida por juristas como Gilberto Bercovici (professor titular de direito da USP) e o argentino Luis Moreno Ocampo (ex-procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional).

O relatório ressalta o contexto político da morte. Favorito nas eleições presidenciais que ocorreriam em 1965 caso não tivesse havido o golpe, JK votou em Castello Branco na eleição indireta no Congresso que tornou o general o primeiro presidente-ditador acreditando que os militares manteriam o pleito direto no ano seguinte. Pouco após o golpe, ainda em 1964, o mineiro, que era senador, teve seu mandato cassado e seus direitos políticos suspensos por uma década.

Em 1976, era um dos líderes da Frente Ampla, grupo de oposição à ditadura. Apoiada pelos EUA, a Operação Condor, ação coordenada entre ditaduras do Cone Sul para perseguir opositores políticos, planejou eliminar lideranças políticas da região. Numa carta de Manuel Contreras (chefe da polícia secreta chilena e cabeça da Condor) a João Figueiredo, então chefe do SNI e futuro presidente-ditador, o nome de JK foi citado junto com o do diplomata e ativista chileno Orlando Letelier como ameaças à estabilidade dos governos da região. Letelier foi assassinado pela ditadura chilena num atentado em Washington em 1976.


Um paradigma a ser seguido no caso JK é o da estilista Zuzu Angel, cuja morte, num acidente de automóvel em 1976, a CEMDP trouxe evidências de ter sido de responsabilidade da repressão. No caso de Zuzu, um primeiro julgamento da comissão não reconheceu o pedido da família para que fosse considerada vítima do Estado, mas investigação posterior, com novos laudos e testemunhas, mudou o resultado, afirmando que o acidente foi na verdade um atentado.

Diferentemente de Zuzu, o possível reconhecimento de JK como vítima política não ensejará indenização financeira à sua família, porque a reabertura do caso ocorreu depois de expirados os prazos para requerimentos fixados pela lei que criou a comissão (tampouco houve pedidos da família nesse sentido). A reabertura do caso foi justificada com o argumento de esclarecimento da verdade histórica.

Ao concluir que JK teve uma morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro por perseguição política, o colegiado poderá aprovar também que sua certidão de óbito e a de Geraldo Ribeiro sejam retificadas para registrarem essa conclusão - como tem ocorrido há um ano e meio com dezenas de vítimas da ditadura a partir de um convênio entre a CEMDP e o CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Procurada, a relatora Maria Cecília Adão disse que não se manifestaria, por se tratar de tema ainda em deliberação pela comissão.

Entre os sete conselheiros, o relatório elaborado por ela deve ser aprovado com ao menos cinco votos: o dela própria e os de Diva Santana (familiares de mortos e desaparecidos), Natália Bonavides (Câmara dos Deputados), Vera Paiva (filha de Rubens Paiva, representante da sociedade civil) e da procuradora Eugênia Gonzaga (presidente do colegiado).

O representante do Ministério Público Federal, Ivan Marx, e o do Ministério da Defesa, Rafaelo Abritta, são desde o início os mais reticentes com a reabertura do caso. Procurados, não quiseram dar entrevista.

No ano passado, Abritta afirmou que reconhecer vítimas da ditadura sem embasamento jurídico sólido poderia causar o risco de mais tarde a ação ser contestada na Justiça. Uma crítica dele a um pedido da CEMDP para ter acesso a arquivos das Forças Armadas na ditadura provocou mal-estar no colegiado.

Nos bastidores, Abritta demonstrou receio de que, com a provável aprovação do relatório do caso JK, a comissão possa ser usada politicamente num ano eleitoral.

Abritta, porém, nem deve votar. Está de saída da comissão, para uma temporada acadêmica no exterior. O Ministério da Defesa já apontou o seu sucessor, Bruno Correia Cardoso, chefe de gabinete da Secretaria-Geral da pasta, que ainda não assumiu a função.



Fliaraxá reúne a litaraura em Araxá

O Fliaraxá – Festival Literário Internacional de Araxá - realiza sua 14ª edição,quinta a domingo,  de 14 a 17 de maio de 2026, no Teatro C...