Conceição do Mato Dentro, distante 170 Km de Belo Horizonte, realiza a tradicional e histórica festa religiosa do 239º Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, reunindo cavaleiros e amazonas no que conta com a maior cavalgada de Minas Gerais.
Cavaleiros e amazonas na cavalgadaNo Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos e no Aeroporto Municipal , acontecem as atividades centrais .O evento é promovido pelas lideranças religiosas locais, com o objetivo de celebrar uma das tradições católicas e culturais mais antigas do estado.
Jubileu de 2025Os moradores, peregrinos, romeiros, cavaleiros, amazonas e turistas de diversas regiões do Brasil, participam das atividades religiosas , nas manifestações de fé, além de apresentações culturais, com o show da dupla Rionegro & Solimões (show no aeroporto), e participar da tradicional cavalgada.
O jubileu começou dia 13 de junho, com a chegada dos primeiros grupos de romeiros à cidade, No dia 20 de junho acontece a realização da maior cavalgada do estado de Minas Gerais , no dia 24 de junho , o encerramento das solenidades e maior concentração de fiéis.
A tradição tem origem em uma narrativa ligada à descoberta
de uma imagem em meio à mata. Segundo a história preservada no município, a
imagem teria sido encontrada por Antônio Angola e levada para a Igreja Matriz
após ser abençoada. Depois, teria retornado ao local onde foi encontrada,
episódio que se repetiu e passou a ser interpretado pelos moradores como sinal
de devoção ao Bom Jesus.
A tradição envolve José Correia, português da região de Matozinhos, em Portugal. Doente, ele teria prometido construir um abrigo para a imagem caso fosse curado. Após a cura, cumpriu a promessa. Mais tarde, durante uma seca, uma procissão com a imagem teria sido realizada e, antes de chegar ao destino, uma chuva atingiu a região. A partir desse episódio, a romaria passou a fazer parte da história religiosa da cidade.
A presença de fiéis em Conceição do Mato Dentro se consolidou ao longo dos séculos. Ainda no século 19, registros históricos apontam que o movimento de visitantes era grande a ponto de o padre Bento Godim solicitar autorização ao Bispo de Mariana para que sacerdotes presentes durante o Jubileu pudessem ouvir confissões e pregar.
“O Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos é um dos mais antigos e tradicionais de Minas Gerais. Nossa cidade não apenas recebe visitantes, ela acolhe de braços abertos peregrinos e romeiros vindos dos mais distantes rincões de Minas e do Brasil. Essa dinâmica transforma a cidade: as casas se abrem e as mesas se fartam para receber o irmão. “Há uma economia da solidariedade e da hospitalidade que se manifesta nas barraquinhas, nas barracas e tendas de romeiros e no voluntariado que faz a festa acontecer. O Jubileu nos lembra que somos todos irmãos, caminhantes na mesma estrada da vida”, conta Bruno Costa, padre e reitor do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos.
Famílias inteiras e o comércio estruturam-se para a recepção dos visitantes por meio de uma economia da solidariedade e da hospitalidade, visível nas tradicionais barraquinhas, tendas e no trabalho voluntário.
A festividade foi originalmente concebida no ano de 1787, cruzando mais de dois séculos de história. Sua importância abrange múltiplos aspectos: no âmbito religioso, atua como um espaço de renovação da fé e devoção ao Senhor Bom Jesus; no social, fortalece a identidade comunitária e reencontros familiares; e no econômico, impulsiona o comércio local e o turismo regional durante o período de doze dias de celebração.