Entre filhos, casa e negócio: projeto prepara mulheres para
transformar empreendedorismo em autonomia e renda Projeto Afeto-Empoderamento
certifica cerca de 15 mulheres em formação gratuita voltada ao fortalecimento
de negócios liderados por mães . Conciliar os cuidados com os filhos, as responsabilidades da casa e a
administração de um negócio é uma realidade para muitas mulheres que encontram
no empreendedorismo uma alternativa para gerar renda e conquistar autonomia
financeira. Para elas, empreender não significa apenas abrir uma empresa:
muitas vezes, representa também uma oportunidade de transformar a própria
realidade e a de suas famílias. É nesse contexto que o Projeto
Afeto-Empoderamento, da Fundação CDL-BH, braço social da Câmara de Dirigentes
Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) realizou na última semana, na sede da
entidade, a cerimônia de certificação de aproximadamente 15 mulheres que concluíram
a formação empreendedora oferecida gratuitamente pela iniciativa. Um estudo
publicado em 2024 pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e
Serviços (MDIC), pelo Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da
Empresa de Pequeno Porte (MEMP) e pelo Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (PNUD) evidencia alguns dos desafios enfrentados pelas mulheres
empreendedoras. Segundo dados da PNADC, as microempreendedoras dedicam, em
média, 17% menos tempo aos seus negócios do que os homens, enquanto
responsabilidades relacionadas aos cuidados com crianças, idosos,
acompanhamento dos filhos e tarefas domésticas ampliam a dificuldade de
conciliar vida profissional e familiar.
O levantamento também aponta que 49% das mulheres empreendedoras ocupam a posição de chefe de domicílio, reforçando a dimensão econômica que seus negócios podem assumir dentro das famílias. O estudo destaca, ainda, a importância de estruturas de apoio que reconheçam essa dupla responsabilidade entre empreendimento e família. “O meu negócio ainda está em fase de estruturação, mas a capacitação já me trouxe o entendimento de que esse desafio de conciliar vida familiar e empreendedorismo pode ser vencido, especialmente quando toda a família se envolve”, conta Alda Pereira, que em breve irá inaugurar sua cafeteria no bairro Nova Suíça. “Meu marido e filho já me ajudam, antes mesmo do negócio abrir as portas, e a intenção é que possamos ter maior flexibilidade e liberdade para adequar nossos horários”, destaca a empresária que tem na palavra “companheirismo” a base de seu negócio. Foi em busca da mesma liberdade e reforço dos laços de companheirismo que Maria do Carmo Nicodemos criou seu primeiro negócio, uma confeitaria, em 2019.
Maria do Carmo NicodemosO
empreendimento surgiu após o nascimento de sua segunda filha e uma demissão.
“Precisei criar um trabalho onde eu pudesse estar mais próxima às minhas
filhas, especialmente a bebê, e que me gerasse renda. O negócio avançou e, em
2026, se tornou uma empresa especializada em marmitas artesanais. Hoje, além de
cuidar da minha própria família, também ajudo outras a organizar a rotina de
alimentação”, conta Maria.
Alda Pereira
Para além da capacitação técnica, o Projeto
Afeto-Empoderamento busca oferecer ferramentas para que as participantes possam
assumir o protagonismo sobre suas trajetórias profissionais e ampliar as
possibilidades de geração de renda. A formação aborda temas como formalização
de negócios, marketing digital, finanças, precificação, gestão do tempo e
inteligência emocional, combinando desenvolvimento pessoal e gestão empresarial
em uma abordagem 360°. “A proposta dialoga diretamente com os principais
desafios enfrentados pelas mulheres que empreendem, como a conciliação entre a
vida profissional e familiar, o acesso a recursos financeiros, a construção de
redes de apoio e mentoria e o domínio de ferramentas e tecnologias que podem
impulsionar seus negócios. Ao oferecer conhecimento e suporte, o projeto
contribui para que essas mulheres tenham mais segurança para desenvolver seus empreendimentos
e ampliar sua autonomia econômica”, explica o presidente da Fundação CDL-BH,
Vilson Mayrink. Transformando conhecimento em oportunidades Desde 2023, 83
mulheres já passaram pela trilha de capacitação do projeto. A iniciativa atende
prioritariamente mães de Belo Horizonte e Região Metropolitana em situação de
vulnerabilidade social, encaminhadas por organizações parceiras, pela rede de
proteção social e pela sociedade civil. Na edição de 2026, foram
disponibilizadas 50 vagas, com inscrições realizadas entre 15 e 30 de junho. As
participantes cumpriram uma jornada de cinco encontros quinzenais, realizados
de forma presencial, com conteúdos voltados tanto ao desenvolvimento pessoal
quanto à gestão dos negócios. A cerimônia de setembro marcará o encerramento
dessa etapa e a entrega dos certificados. “Essa capacitação me trouxe
conhecimentos que, até então, não os conhecia de forma mais aprofundada.
Entender precificação, lucro real, comunicação e marketing estão me ajudando a
dar passos que eu não sabia que era capaz”, conta Maria do Carmo.
Para além dos números, a proposta é reconhecer que, quando
uma mulher fortalece seu
negócio, os efeitos podem ultrapassar o ambiente
profissional. O próprio estudo sobre
empreendedorismo feminino destaca o papel dos negócios
liderados por mulheres na
geração de renda, na inclusão econômica e na transformação
da realidade das famílias.
“Celebramos a conclusão de uma capacitação e os novos passos
na trajetória de mulheres
que estão transformando conhecimento em oportunidade,
empreendedorismo em renda e
autonomia em possibilidade de escolha”, conclui o presidente
da CDL/BH, Marcelo de Souza
e Silva.