O artista Marco Tulio Resende celebra mais de cinco décadas de desenhos, anotações e experimentações artísticas, que ganham novas formas e significados na exposição Diários, que será aberta no dia 17 de outubro, sábado, às 11h, na Lemos de Sá Galeria, em Belo Horizonte. A mostra apresenta um percurso pela produção do artista, revelando como o hábito de desenhar diariamente se tornou uma investigação permanente sobre o tempo, a memória e as possibilidades da criação. A exposição integra a programação do ano em que a galeria celebra 35 anos de atuação e poderá ser visitada de 19 de outubro de 2026, segunda-feira, a 13 de fevereiro de 2027.
Ao longo de sua trajetória, Marco Tulio Resende transformou o desenho em uma prática cotidiana de observação, reflexão e experimentação. Em cadernos e folhas acumulados durante décadas, registrou ideias, imagens, estudos, projetos e inquietações que acompanharam diferentes momentos de sua vida e de sua produção artística. Em DIÁRIOS, esse conjunto de registros ultrapassa a condição de arquivo pessoal para assumir novas possibilidades de leitura e expressão. A exposição convida o público a conhecer não apenas os resultados de uma trajetória artística, mas também os processos de criação que a constituem, estabelecendo relações entre passado e presente, permanência e transformação.
O desenho como linguagem, memória e experimentação - Mais do que apresentar uma seleção de desenhos produzidos ao longo de cinco décadas, DIÁRIOS propõe uma reflexão sobre o próprio ato de desenhar e sua capacidade de atravessar diferentes linguagens artísticas. Na produção de Marco Tulio Resende, o desenho não se limita ao papel. A linha se transforma em forma, ganha volume, textura e materialidade, estabelecendo relações com a pintura, a escultura e outras possibilidades de expressão. Cada trabalho revela desdobramentos de uma pesquisa em que o gesto artístico permanece como elemento central. A predominância do preto e branco constitui uma escolha expressiva da exposição. Ao privilegiar os contrastes entre luz e sombra, presença e vazio, superfície e matéria, o artista direciona a atenção para os elementos fundamentais da composição, evidenciando a estrutura e a potência expressiva do desenho.
fotos:Daniel Pinho
A mostra também evidencia a dimensão temporal da criação artística. Desenhos realizados em diferentes períodos passam a dialogar entre si, revelando continuidades, transformações e questões que permanecem abertas ao longo da trajetória do artista. “O desenho sempre esteve muito próximo da minha vida. Esses cadernos foram acontecendo no cotidiano, acompanhando o tempo, as ideias e as coisas que eu estava vivendo. Quando volto a eles, encontro desenhos de momentos diferentes, mas também perguntas que continuam abertas”, diz Marco Tulio Resende
Ao aproximar registros de diferentes momentos, DIÁRIOS convida o visitante a perceber a criação artística como um processo contínuo, no qual a memória não representa apenas aquilo que foi preservado, mas também uma fonte permanente de novas possibilidades.
Uma exposição que celebra trajetórias e encontros - A realização de DIÁRIOS também marca um momento especial para a Lemos de Sá Galeria, que completa 35 anos de atuação em 2026. Ao longo desse período, a instituição consolidou sua presença no cenário das artes visuais, estabelecendo relações duradouras com artistas e acompanhando o desenvolvimento de suas pesquisas e produções.
A trajetória de Marco Tulio Resende integra essa história de aproximação entre artista e galeria. A exposição reafirma a importância dessas relações para a continuidade da produção artística e para a valorização das artes visuais em Minas Gerais. “A relação com Marco Tulio foi construída ao longo de muitos anos. Acompanhar sua produção é também acompanhar as transformações de seu trabalho e perceber aquilo que permanece: a importância do desenho, da pesquisa e da liberdade de experimentar. DIÁRIOS reúne uma parte muito significativa dessa trajetória”, explica Beatriz Lemos de Sá.
Ao reunir diferentes momentos da produção de Marco Tulio Resende, a exposição oferece ao público a oportunidade de conhecer uma dimensão fundamental de sua obra, marcada pela experimentação, pela liberdade criativa e pela investigação constante das relações entre forma, matéria e memória.
Natural de Belo Horizonte, Marco Tulio Resende construiu uma trajetória nas artes visuais marcada pela investigação da matéria, do gesto, da memória e das possibilidades expressivas da forma. Formado pela Escola Guignard, ampliou sua formação nos Estados Unidos como bolsista da Fulbright Commission, obtendo, em 1978, o título de mestre pela School of the Art Institute of Chicago.
Sua atuação reúne produção artística, pesquisa e ensino. Durante quatro décadas, foi professor da Escola Guignard, contribuindo para a formação de gerações de artistas e para o desenvolvimento do ensino das artes visuais em Minas Gerais. Também atuou como professor-artista visitante nas universidades federais de Minas Gerais, Ouro Preto e Espírito Santo, além da Sheffield Hallam University, na Inglaterra, a convite do British Council. Com produção expositiva iniciada em 1975, participou de exposições, salões, bienais, residências artísticas e seminários. É autor de livros, catálogos e textos críticos, e possui obras em acervos museológicos, espaços públicos, galerias e coleções particulares. Sua pesquisa transita entre desenho, pintura e escultura, explorando as relações entre corpo, matéria, memória e tempo. Ao longo de mais de cinco décadas, consolidou uma produção caracterizada pela experimentação e pela constante reinvenção da linguagem artística.
Local: Lemos de Sá Galeria (Rua Germano Chati, 255 - Mangabeiras, Belo Horizonte - MG).
Visitação: Segunda a sexta 10h às 18h. Sábado 10h às 14h.
Informações: (31) 3261-3993

















