

O Cine Humberto Mauro, que homenageia no nome um dos
pioneiros do cinema brasileiro, cede sua tela novamente às múltiplas Minas
Gerais entre abril e maio de 2026.
A mostra “Especial Cinema Mineiro
Contemporâneo”, realizada como parte da programação da primeira Semana Estadual
do Audiovisual Mineiro, inclui um total de 28 longas-metragens, feitos entre os
anos de 2022 e 2026, e que atestam a riqueza temática e estética da produção
cinematográfica local. A curadoria conta com documentários, animações e ficções
aclamadas, além de uma pré-estreia. Os filmes serão exibidos de 30 de abril a
13 de maio, com ingressos gratuitos.
A Semana Estadual do Audiovisual Mineiro Guilherme Fiuza
Zenha (instituída pela Lei nº 25.750 de 2026), é uma iniciativa criada para
valorizar a produção cinematográfica realizada em Minas Gerais e promover a
circulação de obras produzidas no estado.
Ela celebra a trajetória e o legado
de um dos principais realizadores de Minas, o cineasta belo-horizontino
Guilherme Fiuza Zenha, falecido em 2024. Dele, a mostra exibe em seu primeiro
dia a animação “Chef Jack: O Cozinheiro Aventureiro” (2023). Ainda no dia 30 de
abril, outros dois longas animados compõem a programação: “Placa-Mãe” (2023),
de Igor Bastos; e “Nimuendajú” (2025), de Tania Anaya. No Dia dos
Trabalhadores, 1º de maio, obras dedicadas às lutas e conquistas dos mineiros:
“Maestra” (2024), de Bruna Piantino; “O Dia que Te Conheci” (2023), de André
Novais Oliveira; e “Marte Um” (2022), de Gabriel Martins – esses dois últimos
produzidos pela consagrada Filmes de Plástico.
A mostra “Especial Cinema Mineiro Contemporâneo” é realizada
pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de
Cultura e Turismo de Minas Gerais e Fundação Clóvis Salgado. As atividades da
Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do
Instituto Cultural Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto
Unimed-BH e do Instituto AngloGold, Patrocínio Plus da Vivo e correalização da
APPA – Cultura & Patrimônio. O Palácio das Artes integra o Circuito Liberdade,
que reúne mais de 60 equipamentos com as mais variadas formas de manifestação
de arte e cultura em transversalidade com o turismo. A ação é viabilizada por
meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Vale-Cultura. Governo do Brasil, do
lado do povo brasileiro.
Minas são muitas – A mostra “Especial Cinema Mineiro
Contemporâneo” reúne uma seleção representativa da produção recente realizada
em Minas Gerais. Muitos dos longas-metragens serão exibidos pela primeira vez
no Cine Humberto Mauro após uma curta temporada em cartaz nos cinemas
comerciais, como é o caso de “O Último Episódio” (2025), de Maurílio Martins,
produzido pela Filmes de Plástico. Outros são os trabalhos mais recentes de
cineastas mineiros reconhecidos, como “Zé” (2023), dirigido por Rafael Conde; e
“Amizade” (2023), de Cao Guimarães.
Já alguns são pioneiros, como é o caso de “Placa-Mãe”,
primeira animação produzida no interior de Minas. O realizador do filme feito
em Divinópolis comemora a presença da animação na mostra. "A minha
trajetória começa em Belo Horizonte, no Curso de Cinema de Animação e Artes
Digitais da UFMG, e eu creio que o filme carrega esse diálogo com o tempo em
que eu morei em BH. Tem por exemplo o Viaduto Santa Tereza, então acho que a
galera da capital vai se identificar bastante, vendo seus lugares e os lugares
do interior. Além disso, todo mundo em BH vai ou tem um parente no interior.
‘Placa-Mãe’ é justamente um filme que fala sobre família, e debate também
questões da robótica, que estão cada vez mais entrando na nossa vida. Acredito
que o público vai gostar, e fico muito feliz de ver uma exibição dessa, no
contexto dessa mostra, em um cinema pelo qual eu tenho tanto carinho como o
Humberto Mauro, onde eu vi tantos filmes, tantos clássicos. Só tenho a
agradecer por me receberem mais uma vez”, celebra Igor.
Como “Placa-Mãe”, que aborda configurações possíveis de
família e a presença da tecnologia nas interações sociais, a curadoria da
mostra traz uma seleção de obras que tratam de temas urgentes dos territórios
mineiros.
“A Mensagem de Jequi” (2025), realizado por Igor Amin; e “Cacimba”
(2026), de Rodrigo Campos – que terá pré-estreia na mostra –, falam sobre a
luta das populações quilombolas do Vale do Jequitinhonha pela manutenção de
suas comunidades, recursos e modos de vida. “Rejeito” (2023), de Pedro de Filippis;
“Suçuarana” (2024), de Clarissa Campolina e Sérgio Borges; e “O Silêncio das
Ostras” (2024), de Marcos Pimentel, abordam os efeitos da mineração no estado.
A realidade dos povos indígenas também ganha protagonismo com “Meu Pai, Kaiowá:
Yõg ãtak” (2024), realizado por Luisa Lanna, Sueli Maxakali, Roberto Romero e
Isael Maxakali.

Outras obras resgatam eventos e personagens importantes de
Minas Gerais, como “Santos Dumont, O Céu na Cabeça” (2024); de Monica Cerqueira
e Eder Santos; “Palimpsesto” (2024), dirigido por André Di Franco e Felipe
Canêdo – que recupera o incêndio que atingiu a coleção arqueológica do Museu de
História Natural da UFMG em junho de 2020 –; e o já citado “Nimuendajú”, que
narra a história de Curt Unckel, alemão de nascimento que tornou-se um dos
maiores cientistas sociais do Brasil em meio a décadas de convivência com
diferentes povos indígenas.
“Nimuendajú” é o primeiro longa mineiro de animação dirigido
por uma mulher, Tania Anaya, que ressalta a importância da mostra e da sala. “O
Cine Humberto Mauro ocupa um lugar especial e afetivo na minha formação. Foi
minha principal referência no início, onde tive acesso à filmografia de
diretores que admiro e pude ampliar meu repertório ao descobrir novas
possibilidades e linguagens. Ao longo dos anos, o Cine Humberto Mauro conseguiu
se consolidar e resistir, mesmo diante do fechamento de tantas salas — uma
permanência delicada, mas fundamental, desses espaços dedicados à experiência
cinematográfica. Por isso, é uma alegria e uma honra fazer parte desta mostra,
ao lado de pessoas que admiro: colegas de profissão e apaixonados pelo fazer
cinema”, enaltece.
Ela é apenas uma das muitas mulheres que assinam filmes a
serem exibidos na mostra, demonstrando a força feminina no cinema mineiro
contemporâneo. “A Estação” (2024), de Cristina Maure; “Minha África Imaginária”
(2024), de Tatiana Carvalho Costa; e “IMO” (2025), de Bruna Schelb Corrêa, são
alguns dentre os muitos exemplares. A programação conta ainda com trabalhos de
cunho marcadamente pessoal, que abordam as identidades de seus/suas
criadores/as e/ou personagens, como a ficção científica “Entre Vênus e Marte”
(2024), de Cris Ventura; o retrato afetuoso em “Tudo que Você Podia Ser”
(2023), de Ricardo Alves Jr.; e o diário subjetivo de “Corpo Presente” (2024),
dirigido por Leonardo Barcelos. A própria representação artística também ganha
a tela, com “As Linhas da Minha Mão” (2023), de João Dumans, que acompanha uma
atriz e suas experiências com a arte e a loucura; e “Deuses da Peste” (2025),
dirigido por Gabriela Luiza e Tiago Mata Machado, que segue um ator
shakespeariano exilado dos palcos e vivendo com seus fantasmas.
A curadoria traz, também, longas que abordam a paisagem
urbana e humana de Belo Horizonte e da região metropolitana: “Lagoa do Nado – A
festa de um parque” (2024), de Arthur B. Senra, segue um movimento de jovens
skatistas, músicos e artesãos nascido em uma fazenda abandonada no subúrbio da
capital; e “Para os Guardados” (2025), dirigido por Desali e Rafael Rocha, é um
retrato íntimo e coletivo das marcas do cárcere e das redes de cuidado que
resistem ao abandono na periferia de Contagem. Há espaço, ainda, para
adaptações de grandes autores da literatura mineira: “Girassol Vermelho”
(2025), de Eder Santos e Thiago Villas Boas, é baseado em um conto de Murilo
Rubião, e acompanha Romeu, um homem que, ao tentar fugir do passado em busca de
liberdade, acaba sendo preso e torturado em uma estranha cidade onde fazer
perguntas é proibido.
O curador da mostra e Gerente do Cine Humberto Mauro, Vitor
Miranda, aponta que a mostra destaca realizadores/as e perspectivas que ajudam
a pensar Minas como um polo ativo de criação no cinema brasileiro. “É mais do
que um panorama: nosso objetivo é colocar em relação filmes que partem de
experiências muito distintas, mas que compartilham uma mesma implicação com o
mundo, uma mesma atenção ao que insiste em existir — seja na permanência dos
vínculos, na força das comunidades ou na necessidade de reinventar modos de
vida. Ao longo das duas semanas, vamos atravessar diferentes regiões, histórias
e experiências, reafirmando Minas Gerais como um espaço de criação múltiplo e
em constante transformação. Estamos muito felizes de poder participar da
primeira Semana Estadual do Audiovisual Mineiro, abrindo essa janela mais que
merecida para que os/as mineiros/as vejam a si mesmos na nossa tela”.
“Especial Cinema Mineiro Contemporâneo” – Semana Estadual do
Audiovisual Mineiro
Datas: 30 de abril a
13 de maio de 2026
Horários: Variáveis
Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes
(Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)
Classificações indicativas: Variáveis