terça-feira, 9 de junho de 2026

Conceição do Mato Dentro realiza dois fóruns reforça que diversificação econômica não é pauta de amanhã

 




Quando uma cidade realiza dois fóruns sobre diversificação econômica com apenas seis meses de intervalo entre eles, o recado é claro: o futuro não é um assunto para depois. É Conceição do Mato Dentro, cidade situada na única cordilheira do Brasil, dizendo em voz alta que chegou a hora de agir.







O 2º Fórum Regional de Diversificação Econômica, realizado no dia 2 de junho de 2026, com as inscrições esgotadas antes mesmo do evento começar, reuniu palestrantes internacionais, especialistas em turismo e inovação, representantes do poder público municipal e estadual, lideranças empresariais, empreendedores, pesquisadores e sociedade civil em torno de uma convicção compartilhada: olhar para o território não apenas como espaço geográfico, mas como um conjunto de ativos capazes de impulsionar novos ciclos de desenvolvimento econômico.


 


A 2ª edição do FRDE | CMD reuniu 200 participantes, 30 municípios de 4 estados, com presença internacional da UNESCO e mais de 100 representações institucionais. Dos total, 123 pessoas eram de Conceição do Mato Dentro. O evento alcançou 98% de aprovação, com 85,7% dos presentes reconhecendo fortalecimento da governança e 83,7% apontando geração de conexões estratégicas.

 

Otacílio Mattos, prefeito de Conceição do Mato Dentro, se diz feliz pela realização do Fórum e parabeniza a ACE pela iniciativa. “O fórum é um espaço fundamental para discutir novas ideias, gerar oportunidades e construir caminhos que reduzam nossa dependência da mineração. Essa é uma responsabilidade que deve envolver o poder público, a iniciativa privada e toda a sociedade. Em Conceição, estamos apostando no turismo, na inovação e no desenvolvimento rural como pilares para um futuro mais sustentável e diversificado.”

 

O 2º FRDE | CMD também abriu espaço para valorizar quem transforma cultura, tradição, criatividade e empreendedorismo em oportunidades para o território. Foram 12 expositores locais com produtos, experiências e iniciativas que representam a diversidade econômica e cultural da região, fortalecendo a conexão entre turismo, economia criativa, produção artesanal e desenvolvimento territorial.

 




Um território que tem tudo e está aprendendo a se enxergar - A Cordilheira do Espinhaço, com 1 bilhão e 700 milhões de anos, memória que atravessou continentes e hemisférios, foi apresentada não apenas como paisagem ou ativo ambiental, mas como identidade, estratégia e produto. A Reserva da Biosfera reconhecida pela UNESCO, existe há mais de duas décadas, mas ainda é pouco conhecida e pouco ativada como ferramenta de desenvolvimento. O fórum colocou isso na mesa: como transformar esse patrimônio extraordinário em desenvolvimento real para quem vive o território?

 

Bárbara Botega, ex-secretária de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, foi direta na palestra magna: "O município que não entender que a diversificação econômica passa necessariamente pelo turismo está muito errado estrategicamente. A Cordilheira do Espinhaço é natureza, é desenvolvimento sustentável, é identidade, é um ativo, é um produto. A gente não pode ter vergonha de falar que é produto." Ela defendeu que reconhecer os produtos do território é o primeiro passo para apresentá-los ao mundo.

 

A abertura deu o tom do que viria. Amarildo Pereira, presidente do Instituto Fórum e idealizador do FRDE | MG, foi direto ao ponto: "O Fórum não é um evento — é um projeto que tem um evento dentro dele. Não viemos apresentar soluções prontas. Viemos ajudar vocês a trazer visões externas, entender o que já está dando certo e pensar alternativas para melhorar."

 

Carolina Alvarenga, presidente da ACE/CDL de Conceição, reforçou o sentimento coletivo que tomou conta do evento: "A gente está com a faca e o queijo na mão. Conceição tem potencial, tem inúmeras vocações, tem turismo, tem capital natural, tem gastronomia, tem pessoas dispostas a fazer acontecer. O que precisa agora é construir isso de forma articulada."

 

Mariana Santos, presidente da Câmara da Mulher Empreendedora Eloás, trouxe a perspectiva de quem acompanha a pauta de mineração desde 2018. "Quando comecei, não existia essa discussão. Hoje, olhar para o que debatemos ao longo deste dia é perceber uma evolução real. Diversificar não é pensar no momento em que acabou, não é pensar lá na frente. É pensar agora. O que que a gente pode fazer no momento para prosperar e construir uma cidade mais rica de cultura, de turismo, de ideias, de troca de experiências."

 

Karol Amorim, gerente de Relacionamento e Engajamento Social da Anglo American, trouxe uma reflexão de recém moradora de Conceição: "Quando a gente encontra, dentro do trabalho e no lugar onde vive, essas conexões, isso é uma força, é uma potência muito grande. Ninguém faz nada sozinho. É construir junto, é pensar no futuro. Eu moro aqui. Não sou daqui, mas moro aqui. E quero muito ver esse lugar cada vez melhor. Se eu puder contribuir, e posso, tenho a obrigação de fazer isso."

 

O turismo como sobrevivência fiscal — e muito mais - A pauta da reforma tributária e seus efeitos diretos nos municípios, trouxe uma relfexão da real importância do turismo. O setor gera emprego de forma democrática, barata e transversal. Inclui jovens, egressos de programas sociais e pessoas com baixa escolaridade.


Qualifica cidades. Financia a conservação da natureza e do patrimônio cultural. E, talvez mais importante, constrói a marca do território — aquela percepção de valor que faz alguém pagar mais pelo queijo, pelo mel, pelo vinho, pelo pão de queijo, só porque sabe de onde vem.

 

Gustavo Meijon, secretário municipal de Turismo, com 27 anos dedicados à região, a maior parte deles como empreendedor do setor receptivo, foi enfático: "Quem faz as coisas acontecerem são as pessoas. E as pessoas precisam investir, acreditar, ganhar, perder. O turismo não é feito pelo poder público — é feito pelo empreendedor, pela comunidade organizada, pelos distritos que assumem o protagonismo." Ele apresentou o programa Turismo em Ação, que está estruturando os principais distritos turísticos do município com planejamento integrado, produto comercial próprio e acesso a crédito subsidiado — para que o morador local seja o primeiro a se beneficiar do desenvolvimento, não o último.

 

Inovação, universidade e o ecossistema que está nascendo - À tarde, a pauta girou em torno de uma pergunta que parece simples e não é: o que Conceição não está vendo ainda? A resposta veio em várias camadas. Economia criativa — não só artesanato, mas os treze segmentos que vão de patrimônio cultural a software, de gastronomia a design. Distritos criativos que transformam bairros e comunidades em polos de produção e identidade. Turismo de base comunitária, onde a comunidade é protagonista e não coadjuvante. Turismo científico, aproveitando a presença da Reserva da Biosfera e o novo campus da UFVJM.

 

A mensagem que chegou a todos foi: inovação não é uma coisa extraordinária e complexa. É uma ideia que resolve um problema. É melhoria contínua. É escuta ativa. É construção coletiva.

 

O fórum funcionou — e todo mundo percebeu -Ao final do dia, havia um sentimento que não precisava ser declarado em voz alta para ser percebido: o projeto “colou”. Poder público, setor privado, empreendedores, pesquisadores, representantes de municípios vizinhos — todos saíram com a percepção de que algo concreto estava sendo construído: o nível do debate, o engajamento, os encaminhamentos práticos e as concexões e parcerias que começaram a se desenhar ao longo do dia.

 

Não foi um dia sem tensões. Foram apontadas contradições, limitações, problemas mal resolvidos. Mas esse é exatamente o papel do Fórum — que desde a sua concepção não veio trazer soluções prontas, mas provocar uma reflexão coletiva sobre os caminhos que os municípios pretendem seguir nas próximas décadas. 

 


O que vem depois? A síntese estratégica do evento já apontou os próximos passos: um relatório consolidando os aprendizados do dia, um modelo de governança com participação de poder público, iniciativa privada, academia e sociedade civil, mapeamento da oferta turística e do perfil empreendedor local, inventário de práticas inovadoras e, como horizonte, a criação de um laboratório de economia criativa voltado ao desenvolvimento territorial.

 

E já há um spoiler no ar: a terceira edição está em planejamento. 

 

Seis meses entre um fórum e outro não é intervalo curto — é ritmo. É o sinal de que Conceição do Mato Dentro entendeu que falar sobre o futuro não é tarefa de uma vez por ano. É uma prática, uma postura, uma decisão coletiva de não deixar para amanhã o que pode, e precisa, começar hoje.

 O 2º Fórum Regional de Diversificação Econômica | Edição Municipal Conceição do Mato Dentro foi realizado pela ACE/CDL de Conceição do Mato Dentro e pela Câmara da Mulher Empreendedora Eloás, com correalização do Instituto Fórum, patrocínio da Anglo American e da Prefeitura Municipal de Conceição do Mato Dentro. 

 As empresas Geoflora Connect, MM Advocacia Minerária, Pousada Alto do Baú, Petronas | Postos Tijucal, Viação Serro e Bureau Consultivo patrocinam esta edição como Vozes do Território. O evento conta ainda com apoio institucional da Federaminas, Invest Minas e Governo de Minas Gerais.  



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